29.5.2017

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Levanto uma pergunta sobre o celibato forçado das pessoas leigas e, em resposta, surge uma discussão sobre o celibato clerical. Por favor: Muito ajuda quem não atrapalha.

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Em nenhum momento perguntei se o celibato forçado dos cônjuges separados é certo ou errado. Se a Igreja diz que está certo, está. O que está cem por cento errado — e nisto não adiantaria nem um Papa me contradizer — é colocá-las nessa situação e depois não se interessar nem um pouquinho em saber como isso afetou sua vida real, o que aconteceu com elas, quantas elas são, quantas por isso abandonaram a Igreja, quantas arranjaram amantes, etc. etc. O desinteresse por esse assunto é um escândalo, sobretudo se comparado à curiosidade insana e ânsia de opinar sobre o celibato clerical.

Luís Guilherme F. Pereira Mas não é exatamente este o propósito de parte da Amoris Laetitia?
Olavo de Carvalho Uma doutrina, qualquer que seja, não pode responder a uma questão factual.

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Procurei, procurei, e não encontrei um
único livro ou tese universitária a respeito.

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Comparem com a pletora de livros, teses, artigos, debates, filmes, programas de TV sobre o celibato clerical, e respondam: Por que tanto interesse pelos que escolheram o seu destino e nenhum por aqueles a quem ele foi imposto contra a sua vontade?

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A única resposta boa seria:
— Tem razão, professor. Vou estudar esse assunto e escrever um livro a respeito.

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Np Brasil tudo pode acontecer. Juro quis isto é verdade. Quando morávamos em Petrópolis, havia ali uma igreja evangélica na qual um pastorzinho, no auge do fervor insano, orava assim:
— Porra, Deus! Abençoa nóis, caraio!

Acredito cem por cento que não havia sombra de malícia nessa loucura.

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Sean Hannity está para ser demitido da Fox News por ter ousado tocar no assunto Seth Rich. O bloqueio é total, e por bons motivos.

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Até hoje não vi um, um único caso de crime atribuído pela mídia à “extrema direita”, que, investigado de perto, não revelasse ter sido cometido por alguém de esquerda. Só mais um exemplo:

https://www.infowars.com/white-supremacist-portland-stabber-was-a-bernie-supporter-threatened-to-kill-trump-supporters/

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Nos EUA, só quinze por cento das pessoas se consideram relativamente bem sucedidas no casamento. Mesmo supondo-se, num excesso de otimismo, que na população católica a proporção seja O DOBRO, ou mesmo O TRIPLO, ainda assim o número de católicos submetidos ao celibato forçado — ou à beira dessa condição — seria suficiente para despertar a atenção de sociólogos, psicólogos, educadores e sobretudo sacerdotes. Mas nem mesmo os inimigos da Igreja se interessam pelo assunto. A bibliografia a respeito é tão escassa, que dá a impressão de que o problema simplesmente não existe. Para mim, esse é um dos maiores mistérios da consciência moderna.

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Não divido os seres humanos em direitistas e esquerdistas, nem em católicos e não-católicos (ou cristãos e não-cristãos), nem em normais e anormais, nem em bonzinhos e malvadinhos, mas nas duas categorias essenciais: aqueles que buscam desesperadamente a verdade da existência e aqueles que vivem perfeitamente bem sem isso. Os membros da primeira categoria constituem uma fração ínfima da população, mas já reparei que, em prol da minha saúde mental e física, o melhor para mim seria evitar todo contato com os da segunda. Encontro na Bíblia mais de quarenta advertências contra as conversas fúteis, mas no Brasil todo desinteresse pelas picuinhas em que a maioria das pessoas consome a quase totalidade dos seus neurônios é considerado pedantismo, elitismo e falta de caridade.

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Como regra geral, é quase impossível que a busca pela verdade da existência não se traduza numa fome de conhecimento, na paixão pelos estudos. Mas, na sociedade presente, é tão forte a tendência de desviar todo esforço de cultura para objetivos secundários, laterais e menores, que é quase impossível que a paixão inicial não acabe se pervertendo em mero carreirismo profissional ou diletantismo chique.

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Como, ademais, são os carreiristas e diletantes que majoritariamente constituirão a imagem pública da “pessoa culta”, isso estimulará muitas pessoas religiosas a desprezar a cultura e apegar-se ao fetiche da “simplicidade de coração”, imaginando, por um engano monstruoso, ser nisso muito fiéis ao ensinamento bíblico.

Nesse sentido, o ingresso das igrejas evangélicas no Brasil, a partir dos anos 70 do século passado, agravou formidavelmente o mal endêmico do desprezo pelo conhecimento.

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Na maior parte dos casos que tenho observado, a religião reduz-se apenas a um Ersatz da busca pela verdade da existência. Fórmulas prontas de ordem geral, encontradas na Bíblia ou na Doutrina da Igreja, substituem confortavelmente as perguntas difíceis sobre a vida real e concreta.

Lucas Soares Isso não é um esboço do que os cientificistas pensam de quem tem religião? Com diferença de que eles crêem que a religião é somente isso mesmo…
Olavo de Carvalho É mais fácil olhar todos os fenômenos humanos pela sua simplificação caricatural do que pela sua verdade íntima.

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Quando você está realmente em busca da verdade, nenhum preceito bíblico ou mandamento da Igreja acalma o seu coração. Ao contrário, cada um deles amplia num mistério insondável os paradoxos da existência comum.
O tom de segurança tranqüila e soberana com que tantos posam de detentores de certezas finais — isto quando não as usam como porretes para castigar hereges — só mostra que, em vez de ter encontrado as respostas, não chegaram sequer a entender as perguntas.

Octavio Guimarães Neto Professor Olavo, como fazer para aceitar um preceito como VERDADE, sabendo que este não a encerra e que esta é insondável? Pessoalmente procuro, como indicou Santo Agostinho, “descansar meu coração em Deus”, confiando na sua Misericórdia e na ação personalissima do Espírito Santo em minha vida, sinalizando a VERDADE, na medida que eu me abra para ela , segundo a graça que me é dada. Como é a sua vivência desse processo?
Olavo de Carvalho Octavio Guimarães Neto Quando um ser humano “descansa o seu coração em Deus”, quer dizer que Deus lhe revelou verdades que ele jamais conseguirá traduzir em palavras. A “paz que ultrapassa todo entendimento” ultrapassa, mais ainda, a linguagem humana. Não se traduz em afirmações ou negações.

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Cada linha que escrevi foi para um só leitor: Deus. Escrevi-a na esperança de que, no Juízo Final, Ele me explique inteiro tudo o que compreendi em fragmentos.

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Regra de estilo: Nunca reduza nada a uma caricatura. Ou a coisa é caricatural em si mesma, e neste caso basta descrevê-la, ou não deve ser objeto de gozação. Ou a comicidade é um efeito espontâneo do absurdo real, ou é agressividade impotente.

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“Notre vie est un voyage
Dans l’hiver et dans la nuit,
Nous cherchons notre passage
Dans le ciel ou rien ne luit.”

Estes versos vêm de uma canção dos guardas suíços massacrados pelos revolucionários nas Tulherias em 1792 (um episódio transfigurado em música por Wilhelm Kienzl na belíssima ópera “Der Kuhreigen”, de 1911). A “Canção dos Guardas Suíços” é também conhecida como “Napoleons Lied”.

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Por que a Bíblia amaldiçoa aquele que traz o escândalo, mas reconhece que o escândalo é necessário?
Porque sem o escândalo a fé religiosa se reduz a um anestésico da inteligência. Mas esse anestésico é exatamente o que a maioria deseja encontrar nela.

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A oração maluca do pastorzinho de Petrópolis não foi nenhuma blasfêmia. Foi o grito sincero de uma alma simplória desesperada:
— Porra, Deus! Abençoa nóis, caraio!

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Se o anjo pôde aguentar umas porradas de Jacó, por que não pode ouvir os palavrões de um crente angustiado?

28.5.2017

Da página da Léa Nilse Mesquita :

“Impressionante! – acho que essa é a frase que mais uso no meu dia-a-dia.

E, ontem, era ela que me vinha ao ler comentários feitos à postagem que fiz de uma nota de Olavo de Carvalho, que volto a copiar pra facilitar a compreensão do que aqui vou dizer:

“Só pessoas insensíveis ou imaturas não percebem que um casamento fiel para toda a vida é um MILAGRE, não uma coisa normal e exigível na ordem natural.”

Eu copiei a nota por ver nela uma verdade. Talvez uma verdade difícil de ser mastigada e digerida, principalmente por nós mulheres, por causa de nossa imaturidade que a embrulha e regurgita no estômago. Nós queríamos que não fosse assim, como se a fidelidade devesse ser quase um direito que temos de exigir porque casamos.

Mas é assim que é na vida dos casais? Por acaso, o casamento fiel para a vida toda é a coisa mais natural e corriqueira no mundo real?

A nota do Olavo, para mim, tocava na clave de transmitir uma verdade da existência – é assim, assim é.

Mas, nos comentários era como se nosso filósofo, ao expressá-la, estivesse a defender a infidelidade, os homens e mulheres infiéis. Sua frase virou insensatez, um erro doutrinário que fere os mandamentos de Deus, uma besteira sobre um ponto defendido pela Igreja.

É isso que pra mim é impressionante. Era como se eu estivesse vendo as pessoas a conceber que, ao expressar as realidades da vida, só o fazemos em termos que denotem um “a favor” ou “contra” daquilo que estamos a tratar – toda descrição fatual das coisas, tais como são ou se apresentam aos nossos olhos, estaria abolida.

Imagino que me dirão que ninguém falou isso, que estou extrapolando ou deturpando os comentários feitos. Mas quem diz que a frase “um casamento fiel para toda a vida é um MILAGRE, não uma coisa normal ou exigível na ordem natural” é insensatez, um erro que contradiz o mandamento de Deus ou uma basteira sobre um ponto que a Igreja defende não está interpretando que Olavo, em sua frase, está como que a defender a infidelidade?”

OBS. — Bravíssima, Léa! No Brasil as tchurma não sabe o que é juízo de realidade. Em tudo só vê o pró e contra. Toma partido e vota contra ou a favor da álgebra elementar, da física quântica, dos Dez Mandamentos e do fato de que os mosquitos voam.

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Esclarecendo:

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Não faz o menor sentido falar em “direitos” quando não há sequer a promessa de uma garantia jurídica para sustentá-los. É horrível ter de explicar isso a criaturas que falam no tom da autoridade papal.

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Denis de Rougemont, em “L’Amour et l’Occident”, um livro brilhantíssimo, observa que o adultério é o tema mais freqüente e disseminado na literatura ocidental. Isso já deveria bastar para fazer entender que a fidelidade matrimonial só é um “direito” desde o ponto de vista do Estado moderno, que é a estrutura legal das modernas ilusões, uma máquina de prometer o que não pode cumprir.
Para a Igreja, no entanto, o matrimônio é um SACRAMENTO, algo que só pode chegar a cumprir as suas metas com a ajuda do Espírito Santo. Um casamento fiel não é coisa que se adquira num cartório.

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Os sujeitos que juram que todas as culturas valem o mesmo são os primeiros a achar que a cultura dos outros vale menos que a deles.

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Entendem agora porque a Igreja perdoa muitos adultérios e as pessoas cuja mentalidade foi forjada pelo Estado moderno não perdoam nem unzinho só?

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Napoleão Bonaparte, no seu Código, só consagrou a fidelidade matrimonial como obrigação civil porque se cansou de ser corno.

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Assinei e peço que assinem:

https://www.change.org/p/livres-evitar-que-o-nome-do-plen%C3%A1rio-da-alepe-mude-de-joaquim-nabuco-para-eduardo-campos

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Ciúme é um sentimento canino. Ponto final.

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No meu entender, humilhar uma criança pequena é o pior dos crimes. Se for a pretexto de educá-la, pior ainda. Jesus perdoou ladrões e assassinos, mas Ele mesmo disse que aquele que fizesse o mal a uma criança deveria ser jogado ao mar com uma pedra amarrada no pescoço.
Quantas humilhações morais horríveis já não foram impostas a crianças inocentes em nome da educação cristã?

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Digo isso porque NÃO tive essa experiência na escola católica em que recebi minha primeira instrução. Os padres que ali me educaram eram as pessoas mais doces do mundo.

Geraldo Ribeiro A primeira instrução na escola católica terá sido o estímulo fundamental para a extraordinária carreira nos estudos?
Olavo de Carvalho Geraldo Ribeiro Não sei, mas a fé católica entrou na minha alma como um encantamento sem fim, uma coisa maravilhosa e indescritível, nada daquelas experiências deprimentes que tantos meninos da minha geração — o Bruno Tolentino entre outros — tiveram em escolas católicas.

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Toda a segurança emocional de uma criança, pelo resto da sua vida, depende da confiança que tenha no amor dos pais. Introduzir aí a dúvida e o medo traz um DANO IRREPARÁVEL.

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Da instrução católica que recebi na infância, só restaram na minha memória muitas lágrimas de comoção ante os milagres, a caridade, o perdão, a Graça, a beleza. Nem uma só lágrima de tristeza. Ah, como eu gostaria de que todos os meninos do mundo tivessem tido experiência igual!

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Nos momentos mais deprimentes e conturbados da minha infância, a Igreja era sempre o abrigo, a ilha da bem-aventurança, a porta do Céu. Não mentirei se disser que, em cinco anos de convivência com os Padres Mário Rimondi, Mário Dodi e Pedro Pelotto na Igreja de Nossa Senhora da Paz em São Paulo, não levei uma só bronca, não ouvi uma palavra amarga sequer.

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NENHUMA Graça é um “direito”.

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O Catecismo da Doutrina Católica (1647,1648) reconhece que a fidelidade conjugal é uma conquista difícil, que só se torna possível pela Graça. A distância entre esse conceito e a noção jurídica do “direito” é IMENSURÁVEL.

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Juridicamente, a fidelidade conjugal é apenas ausência de adultério, ao menos comprovado. O amor não tem como entrar nesse conceito. No casamento cristão, ao contrário, a fidelidade é o efeito — ou obra — de um amor inflexível e constante, imitação do amor divino. É só na sua exterioridade mais grosseira que essas duas noções podem parecer a mesma.

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O que afirmo categoricamente é que a obrigação da fidelidade no puro casamento civil sem suporte religioso é uma carga pesada demais para qualquer ser humano real. O Código Civil de Napoleão não é a Bíblia e o Estado não fornece graças divinas.

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Eu SEI o que é a graça divina como suporte do amor humano. E não sei por ter lido, e sim por tê-la recebido. A diferença que isso faz é imensurável, para usar a palavra mais modesta que me ocorre.

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Cada vez que digo à Roxane “Eu vou amar você para sempre”, não estou querendo dizer que sou o bam-bam-bam das virtudes, o campeão da fidelidade matrimonial. Soaria imensamente ridículo. Estou dizendo apenas: “Deus não deixará que o nosso amor acabe.” Isso é tudo.

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Existem milhares de livros, debates e estudos em revistas científicas e teológicas sobre o celibato clerical, o qual não deveria, em princípio, ser um grande problema já que sua adoção deriva de uma livre decisão individual.
Em comparação, é QUASE IMPOSSÍVEL encontrar estudos sobre pessoas casadas que, abandonadas pelos seus cônjuges (ou separadas deles por motivo grave), são FORÇADAS a uma vida de celibato que não escolheram nem escolheriam jamais por vontade própria. O número dessas pessoas não é pequeno.
É certo que as controvérsias sobre o celibato clerical são alimentadas por inimigos da Igreja, constituindo, portanto, uma característica guerra cultural, e sendo esse o motivo mais óbvio da sua proliferação.
Mas por quê o silêncio geral — mesmo dos anticatólicos mais inflamados — sobre o problema incomparavelmente mais grave do celibato forçado?
Em vez me fornecer a sua gentil opinião — que valeria tanto quanto a minha, se alguma eu tivesse, que aliás não tenho nenhuma –, peço que o leitor me ajude a encontrar estudos sérios e fundamentados sobre o problema, não do ponto de vista teológico-doutrinal, onde não há controvérsia alguma a respeito, mas do ponto de vista psicológico, sociológico e psicopedagógico.

Paulo Braga Professor, uma dúvida minha que talvez o senhor possa responder. É certo que durante os primeiros séculos da Era Cristã a igreja não exigia do clero que esse fosse celibatário. Como nas Igrejas Ortodoxas havia aqueles que optavam por se casar e aqueles que optavam pelo celibato. Não seria melhor hoje que a Igreja permitisse ao seu clero secular a opção de ser ou não casado e mantivesse a obrigação do celibato apenas para as Ordens Religiosas?!
Olavo de Carvalho Minha resposta, decididamente, é : Não sei. Não discuto a doutrina da Igreja,.Tomo-a como verdade geral e só questiono situações concretas. É o máximo que o meu QI permite.

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Os confessores do Rei Luís XIV perdoaram-lhe algumas centenas de adultérios e nem por isso deixaram de chamá-lo de “Sua Majestade Cristianíssima”.
A fusão do casamento religioso com o casamento civil, desde o Código Napoleão, tornou impossível qualquer fenômeno análogo. O adúltero tem contra si não somente as penas do inferno, das quais pode se livrar mediante a confissão sacramental, mas uma infinidade de punições jurídicas, sociais, econômicas e psicológicas das quais não pode se livrar de maneira alguma, exceto se tiver muito dinheiro e for perfeitamente amoral.
O que me pergunto — e não sei responder — é: Quanto do espírito do Código Napoleão se infiltrou sutilmente nos julgamentos da massa católica sobre fidelidade e adultério? Nunca encontrei, a respeito, um estudo histórico que satisfizesse à minha curiosidade.

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Como vocês vêem, não costumo fugir de problemas para os quais não tenho solução, quando não me parecem logicamente insolúveis em si mesmos.

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Jesus disse: “Meu jugo é suave”. Podemos dizer o mesmo do jugo eclesiástico, QUANDO ALIADO AO ESTADO LEIGO MODERNO?
Não creio que seja honesto, da parte de um católico sincero intelectualizado, fugir desse problema, nem fazer de conta que está perfeitamente confortável diante dessa situação.

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Sempre reconheci e sem a menor dificuldade reconheço que sou um bosta, mas faço um esforço sincero para viver a vida católica, e, decididamente, não considero que faça parte dela fingir que não vejo aquilo que vejo.

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É claro, o Brasil está repleto de almas puríssimas que resolvem tudo mediante uma simples consulta ao Código de Direito Canônico, sobretudo quando não chegam sequer a entender a formulação do problema.

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A vida católica real é cheia de enigmas, perplexidades e sofrimentos morais sem os quais ela se reduziria à obediência mecânica, que é o ideal de tantos brasileirinhos devotos.

Rodrigo Jungmann Pode um fornicador ser salvo?
Olavo de Carvalho Se não pudesse, o sacramento da confissão seria 171.

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Conheço muitos católicos tão lindos, mas tão lindos, que jamais consentiriam em descer das alturas sublimes da sua fé inabalável para perguntar: “Pai, por que me abandonaste?”

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Se você perdeu algum post das semanas anteriores, recupere-o aqui:

http://diariofilosofico.org/

27.5.2017

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Não suporto mais o estilo dos jornalistas americanos, tão cheio de desculpinhas, circunlóquios e rapapés. Todos eles têm, urgentemente, de tomar umas lições com o Paul j. Watson.

P. S. – O Watson não é americano.

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Observação do Isaac após a prece da família:
— We didn’t puêi fóu Mauício.

Olavo de Carvalho Veja que grande amigo você conquistou, Mauricio Marques Canto Jr..
Mauricio Marques Canto Jr. Isaac é um doce de criança e ainda vai se tornar um grande irmão.

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O Pe. Paulo Ricardo observa, com argúcia, que o filho pródigo só passa do mero desgosto consigo mesmo ao arrependimento verdadeiro DEPOIS que o pai o recebe com alegria em vez de puni-lo. Isso quer dizer que, sem a EXPERIÊNCIA CONCRETA E VIVA (não o mero pensamento ou a mera noção teológica) do amor divino superabundante, o arrependimento verdadeiro não existe nem pode existir.

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O único objetivo da minha vida (voltado inicialmente para mim mesmo e sem nenhum sonho de atividade profissional), foi buscar tenazmente a verdade da existência numa linguagem capaz de dizê-la. Nesse sentido, e se é certo que a amizade consiste em “idem velle, idem nolle” — a convergência nos valores e metas centrais da existência –, então tenho de reconhecer, categoricamente, que não tive NENHUM amigo antes de conhecer o Bruno Tolentino, já perto dos cinquenta anos de idade.

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Até então, tive de me fazer de muito interessado em picuinhas para não ofender as pessoas em torno.

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O homem medíocre é NECESSARIAMENTE hipócrita. Quem não busca dia e noite a verdade da existência não tem Deus nenhum.

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Isaac chegando na minha casa:
— Can I see vovô upstéus?

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Isaac:
— I love to have a flammy.
( = family)

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Eles têm dois avós: o Vovô e o Abuelito.

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A familia da Margarita é do Equador.

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Discurso memorável.

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Alguém aí já viu Nosso Senhor prometer uma democracia no céu?

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A coisa mais óbvia do mundo: É melhor uma monarquia absoluta com um rei justo e bondoso do que uma democracia governada por gangsters, narcotraficantes e pedófilos. Confundir as normas jurídicas com a verdadeira estrutura do poder é coisa de retardado mental.

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Nunca me preocupei em construir uma “obra” literária, apenas em chegar a dispor de uma linguagem apta a transmitir a verdade da existência tal como ela surgia diante dos meus olhos. Só agora comecei a pensar seriamente na obra escrita, porque sei que não tenho mais de uma década e meia de capacidade produtiva, se tanto, e é melhor que a minha mensagem fique registrada num formato verbal mais definitivo, sem os vaivéns e hesitações da expressão oral.

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Tudo o que o Bruno Tolentino escreveu de melhor foi entre os vinte e os quarenta anos — a idade áurea da vocação poética. Mas filosofia é coisa de velho.

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“A ave de Minerva — dizia Hegel — só levanta vôo depois do entardecer.”

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A etiqueta da antiga aristocracia era uma espécie de ginástica. A polidez pequeno-burguesa, uma espécie de castração.

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Uma coisa é impor regras de conduta verbal a homens adestrados para os combates, os duelos e as grandes aventuras amorosas. Outra é impô-las a escriturários e lojistas que têm medo de olhar as pernas das mulheres no metrô.

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No dia em que eu chamar um político de “excelência”, podem ter certeza: é Alzheimer.

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Uma civilização que incentiva as mulheres a mostrar as pernas e proíbe os homens de olhá-las está condenada à extinção.

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Um dia será preciso escolher entre a burqa e o fio dental. Abaixo o meio-termo!

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Frase do dia (da Carmela Manna Ferreira):

Leandro Karnal foi amamentado por uma plantação de soja.

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Enigma: Por que, nos filmes de Hollywood, que gerações de críticos esquerdistas dizem ser a apologia do Ocidente capitalista e branco, o índio é sempre inocente e o culpado é sempre o capitalista?

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Enquanto me restarem energias, violarei sistematicamente todas as regras de boa conduta verbal que chegarem ao meu conhecimento.

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Prof. Ricardo da Costa: Palestra de abertura do I Seminário Capixaba de Filosofia:

https://www.youtube.com/watch?v=0heDSv4BYA8

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Depois de muito meditar, cheguei à conclusão: pentelhos só servem para machucar pirocas e enfeiar bucetas. Seus equivalentes humanos não servem nem para isso.

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O Walter Williams tinha razão, A partir do momento em que você engoliu a lenga-lenga antitabagista, está maduro para acreditar em aquecimento global, ideologia de gênero, “saúde reprodutiva” ( = aborto), desarmamento civil, veganismo, liberação das drogas, imigração sem limites e “solução global para problemas globais”.

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A União Européia foi inventada por Alexandre Parvus, o assessor econômico de Lênin, e anunciada pela primeira vez ao público por Leon Trotski em 1917.

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Para mim, o suprassumo da polidez é aquele velhinho da piada do Juca Chaves, o qual, apresentado a um jovem, pergunta:
— Você é filho da Dona Fulaninha? Pois é. Comi muuuuuito a senhora sua mãe.

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Uma civilização precisa ter descido ao último círculo da estupidez para acreditar, com o dr. Freud, que o amor humano é uma sublimação do instinto sexual, quando qualquer portador de dois olhos e dois neurônios pode observar que o amor já brota entre crianças pequenas muito antes de que elas tenham espermatozóides e óvulos, sem os quais não faz o menor sentido falar em instinto sexual.
O amor não só é o impulso humano fundamental, universal, onipresente e incondicionado, sem outra causa senão a nossa simples natureza e modo de ser, mas o amor erótico não passa de uma manifestação parcial, tardia, especializada e limitada desse mesmo impulso.

26.5.2017

Um ser humano tem de amadurecer muito para entender que existem problemas sem solução.

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Mas esses problemas são preciosos, do ponto de vista cognitivo: é neles que reside a estrutura mesma da condição humana.

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Quando jovem, li “A Grande Conspiração”, de Sayers e Kahn (publicado pela editora comunista Brasiliense), que descrevia as operações secretas desenvolvidas pelas potências ocidentais para boicotar a Revolução Russa. Fiquei, naturalmente, impressionado. O principal agente dessas operações era um americano chamado Sidney Reilly. Agora descubro que Reilly trabalhava para um banqueiro russo de nome Jivotovski, o qual, além de ser TIO MATERNO DE LEON TROTSKI, enriqueceu fazendo negócios ilegais com a Alemanha durante a I Guerra para foder com o governo russo e depois financiou a Revolução. Quando um comunista conta uma história, inverta-a em 180 graus e você estará muito próximo da verdade.

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Por isso o cristianismo ensina que o único remédio é cada um carregar sua cruz.

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“O sofrimento humano é a maravilha do universo.” (Georges Bernanos)

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Apegar-se à indefinição de “gênero” não resolve nada: Só transfere o problema para os outros, que nunca saberão com quem estão falando.

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Porra, será que o único brasileiro que nunca roubou ninguém sou eu? Ou será que eu roubei e não sei?

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David Janssen e William Holden eram daqueles atores sutilíssimos, que conseguem transmitir uma emoção sem mover um músculo. Ambos morreram jovens, de tanto encher a cara. Acho que essa profissão faz mal.

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Franz Kafka não conseguiria imaginar uma cena dessas: a mídia chique inteirinha pressionando para que um crime NÃO seja investigado:

http://www.wnd.com/2017/05/cnn-pounces-on-congressman-calling-for-fed-probe-of-seth-rich-murder/

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Pepsi, astrologia e Newton estão superados. A crítica mais profunda, séria e devastadora que já fizeram à minha obra foi esta: Num post do Facebook errei a extensão da Ponte Rio-Niterói.

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Os direitos fundamentais do cidadão brasileiro são: crack na veia e piroca no cu.

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Uma vez um crítico, no Grobo ou na Fôia –, não lembro direito — escreveu que determinado romancista, cujo nome a caridade me impede de mencionar, era “um autor de alcance universal” (sic) porque seus livros eram bem vendidos em todos os mercados editoriais do mundo.
Nesse instante entendi que a literatura brasileira havia acabado.

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Num é pa mi gambá — mesmo porque o mérito não é meu, é do Edson Camargo –, mas o Mídia Sem Máscara nunca esteve tão bonito.

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Perguntar não ofende: Por que hoje em dia todo mundo ostenta suas “convicções democráticas” como se fossem a mais alta virtude concebível, se o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo jamais foi democrata? Será que os novos modelos universais da virtude são o Marco Antonio Vil e o Arruinaldo Azebunda?

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Preferimos a democracia pelo mesmo motivo que escolhemos antes um sapato largo do que um sapato apertado. Com a diferença de que a democracia encolhe no caminho.

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A vergonha e o tormento que sentimos ante os nossos pecados NÃO SÃO o verdadeiro arrependimento. São uma mixórdia de emoções toscas que BLOQUEIAM o arrependimento. O arrependimento verdadeiro é de ordem espiritual, e não há nenhuma maneira de um sujeito se colocar na Presença de Deus levando toda essa carga de sensações psicofísicas confusas e atordoantes. Rezo com insistência pedindo o verdadeiro arrependimento, e creio que o único progresso que fiz nessa direção foi entender que eu não sabia o que era. A melhor maneira de um sujeito não saber algo é imaginar que já sabe, sem nunca sequer ter perguntado a respeito.

25.5.2017

“Fiz o possível por entender aqueles homens, penetrar-lhes na alma, sentir as suas dores, admirar-lhes a relativa grandeza, enxergar nos seus defeitos a sombra dos meus defeitos.”
Esta frase das ” Memórias do Cárcere” de Graciliano Ramos, que hoje mesmo o Bruno Gama Duarte recordou a propósito de outra coisa, revela algo sobre a devastadora crise moral brasileira. Nos anos 30 do século passado, um comunista, um ateu, podia tentar compreender e amar as almas dos que o prenderam e atormentaram. Hoje em dia, os que se dizem cristãos são incapazes de imaginar como um ser humano quem simplesmente diga algo que lhes pareça um pouco estranho. Coisificar, demonizar, odiar e temer — tais são as operações básicas com que a alma contemporânea tenta se orientar perante as outras almas.

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A politização geral da vida humana reduziu a atividade das consciências à mais elementar e mecânica das operações: a catalogação partidária. Já não há mais seres humanos de carne e osso, apenas eleitores, cuja única substância ontológica é o nome do candidato em que votam. O “cidadão” já era um ente abstrato, o “eleitor” é um segundo recorte abstrativo feito em cima do primeiro. Tão logo você nota que o sujeito é “de direita”ou “de esquerda”, está alcançado o único e supremo objetivo da inteligência humana.

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Para não dizer que só há duas categorias, há quatro: a direita, a esquerda, e os respectivos “extremos”, os quais, é claro, devem ser evitados a todo preço, a bem da ordem pública, das boas maneiras e da estética facial.

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Embora a coisa mais evidente do mundo seja que hoje a autodenominada esquerda é o instrumento principal a serviço da ordem globalista, a auto-imagem de cada esquerdista ainda se define pelos antigos sentimentos de rebeldia e independência que se associaram à idéia de “revolução”. Isso faz com que seja quase impossível, a um esquerdista dos nossos dias, saber onde está e o que está fazendo. Em conseqüência, cada vez que ele vê um cidadão defendendo os interesses nacionais contra os dominadores globalistas, coisa que a própria esquerda fazia umas décadas atrás, ele já enxerga por trás disso o “ódio a gays, negros e mulheres” (os quais não tinham entrado na história de maneira alguma), e se enche de horror.

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A própria catalogação ideológica, que é o instrumento principal ou único de orientação da consciência contemporânea no mundo, tornou-se nada mais que projeção fantasmagórica, o que reduz a menos que zero o pouco de valor cognitivo que ainda pudesse lhe restar,

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O pior é que, quando o sujeito começa a tomar uma vaga consciência disso, ele busca um alívio proclamando que “esquerda e direita estão superadas” e apegando-se miseravelmente à ilusão da sua superioridade cognitiva no instante mesmo em que se dedica dia e noite a não compreender nada de nada.

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Já notaram que TODO MUNDO é “contra os extremismos de esquerda e de direita”? Como, nessas condições, se torna cada vez mais difícil encontrar um extremista de verdade fora do ISIS, o remédio é incluir nessa categoria qualquer idéia que soe um pouco esquisita, e, lutando pelo seu banimento total dos ambientes decentes, se não pela prisão dos seus responsáveis, acreditar piamente que o oposto do extremismo consiste em tomar medidas extremas.

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Hoje em dia, basta você dizer que um sujeito nunca roubou um tostão, que nunca bateu na mulher nem tocou punheta em público, para todo mundo jurar que você é do partido dele.

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Um dos modestos orgulhos que tenho no exercício da análise política é nunca ter xingado alguém de “falso direitista”. A principal característica da direita brasileira hoje em dia é o purismo, a ânsia irrefreada de traçar fronteiras doutrinais e banir os hereges. Desse mal não morrerei.

*

O simples reconhecimento de virtudes ou vícios evidentes e gritantes tornou-se uma carteirinha de filiação partidária. E negar a filiação equivale a uma identidade de agente secreto.

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Procura-se, vivo ou morto:
Quem foi que APAGOU o incêndio do Ministério da Cultura?

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Se o Arruinaldo tivesse sido demitido ou censurado, com certeza eu o defenderia. Mas não tem sentido defender o cidadão contra uma decisão que foi dele próprio.

*

Quando um colunista é achincalhado no próprio jornal ou revista onde escreve, o que ele tem de fazer, em vez de sair batendo pezinho, é usar as páginas mesmas da publicação para achincalhá-la de volta. Fiz Isso no Globo e na Época e, confesso, FOI UM TESÃO.

*

Ninguém acusou o Arruinaldo de porra nenhuma. O caso dele é como o daquele sujeito que, de tanto tocar punheta pensando na mulher do vizinho, se sente acusado de comê-la.

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Não parem de prestar atenção ao caso Seth Rich. Todo o segredo por trás do “conluio do Trump com os russos” está aí:

http://www.wnd.com/2017/05/twitter-suspends-news-agency-for-seth-rich-report/

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Poderosos interesses estão mobilizados para bloquear toda investigação do caso Seth Rich. Sean Hannity perdeu anunciantes por tocar no assunto e o WND foi suspenso do Twitter.

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Seth Rich era um membro do Diretório Nacional Democrata. Foi ele, e não “os russos”, quem passou ao Wikileaks os e-mails comprometedores. Depois disso ele apareceu assassinado em circunstâncias misteriosas, e a investigação policial foi totalmente irregular, omitindo-se de interrogar testemunhas essenciais. Seth Rich tinha de desaparecer para que a história dos “russos” adquirisse ao menos um simulacro de verossimilhança.

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Acabo de receber e estou lendo, com enorme satisfação, “Contra a Escola. Ensaio sobre Literatura, Ensino e Educação Liberal” (Campinas, Vide Editorial, 2016), de Fausto Zamboni, professor de Língua e Literatura Italiana na UNIOESTE-PR . É um livro que recomendo enfaticamente a pais, professores e estudantes preocupados com a catástrofe educacional brasileira e a todos os que buscam um meio de educar-se numa sociedade em que o governo, a mídia e as escolas públicas e privadas fazem tudo para tornar isso impossível. O autor não só analisa essa questão com inteligência e conhecimento de causa, mas — o que é raríssimo hoje em dia — escreve como um verdadeiro escritor, com pleno domínio dos seus meios de expressão. Bravo, Fausto Zamboni!

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Lá vem merda.

http://www.infomoney.com.br/mercados/politica/noticia/6558599/dilma-entra-com-liminar-stf-para-anular-impeachment-voltar-cargo

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Aqueles que acham lindo violar regras sedimentadas em milênios de experiência não toleram a mais mínima violação das regras que eles mesmos inventaram.

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Enigma dos enigmas: Por que, nos filmes de Hollywood, os carinhas NUNCA contam as balas antes de entrar num tiroteio?

24.5.2017

Gurdjieff, que não era nada bobo, dizia que o amor erótico é retribuído com amor ou repulsa, conforme a genética; o amor espiritual, com amor sempre; e o amor romântico, sempre com repulsa.
Logo, os românticos, se não querem sair invariavelmente frustrados, que tratem de apostar na genética e no espírito, e não nas fantasias que os encantam.

*

O problema do Uspensky é que ele levava o Gurdjieff a sério — um erro que o próprio Gurdjieff jamais cometeu.

*

Se você entende que tudo no Gurdjieff é uma imensa gozação, é impossível lê-lo sem exclamar a cada linha: “Gênio!”. Se você o leva a sério, está, como dizia ele mesmo, em maus lençóis.

*

O mesmo aplica-se a Emil Cioran.

Fábio V. Barreto Professor, quais seriam os livros essenciais de Cioran e de Gurdijieff que o senhor indicaria a quem ainda não leu nada desses autores?
Olavo de Carvalho Você pode ler a obra inteira ou trechos escolhidos a esmo. Funciona dos dois modos.

*

Gurdjieff e Cioran assumem a palavra em nome do diabo e fazem da Criação inteira objeto de piada. A mim me parece que o próprio Deus os acha infinitamente engraçados, mas chora cada vez que alguém os leva a sério.

Olavo de Carvalho Rajneesh foi discípulo indireto de Gurdjieff.

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“Quem me compreende sabe que eu sou um palhaço.” (Emil Cioran)

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Gurdjieff e Cioran serão excelentes amostras no curso “O mínimo que você precisa saber para não ler como um idiota”.

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Um dos motivos pelos quais não posso fazer agora o programa do curso é que os livros dos dois estão guardados no depósito.

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Gurdijeff e Cioran são o diabo em dose homeopática.

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Quando expliquei a intelectuais romenos a minha visão de Cioran, Andrei Pleshu e Gabriel Liiceanu olharam embasbacados um para o outro e comentaram:
— Filho da mãe. Ele nos decifrou.

Diogo Staley Acontece isso da mesma forma com a Blavatsky? Ela e Gurdijeff são a mesma merda ?
Olavo de Carvalho Não. Gurdjieff era um gozador, Blavatsky uma vigarista.

*

O problema com F. Nietzsche, Ludwig Klages e Otto Weininger é que eles se levavam tragicamente a sério. Não é possível interpretá-los na clave cômica.

Olavo de Carvalho Um morreu louco, o outro virou um nome amaldiçoado e o terceiro estourou os miolos.

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O coitado do Klages foi perseguido pelos nazistas e depois acusado de nazismo. Pura automacumba.

João Ricardo Nascimento O que o senhor acha do Walter Lippmann?
Olavo de Carvalho Globalista de primeira hora.

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Que eu me lembre, só cometi uma séria injustiça no meu trabalho de jornalista. Paguei uma justa indenização por ela, e mais pagaria se tivesse.

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Nunca tentei foder com a vida de nenhum ser humano. Nem conseguiram foder com a minha. Os que se foderam tentando fizeram-no por suas próprias ações, sem nenhuma ajuda minha. Há muitos cus abertos no mundo, mas preenchê-los não faz parte das minhas atribuições.

*

A literatura é, no nosso trato com a realidade da experiência, o espelho em que Perseu olha o rosto refletido da Medusa, neutralizando o feitiço da visão direta e crua.

*

Uma realidade que seja rebelde a todo tratamento literário é um turbilhão hipnótico e devastador, um flagelo incompreensível que reduz as consciências à total inermidade.
Assim tem sido a vida brasileira nas últimas quatro décadas.

Luciano Medeyros o que é tratamento literario?

Olavo de Carvalho É transfigurar a experiência em obra de arte literária.

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Agora só falta grampearem as minhas conversas com a Hillary Clinton e com o George Soros.

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Todo livro que você lê foi um dia uma vaga idéia na cabeça do autor, depois um longo trabalho de construção, destruição e reconstrução até consolidar-se em obra pronta, depois uma carreira editorial seguida de longos debates entre leitores, críticos e escritores em geral, até formar uma certa imagem relativamente estável na constelação dos fenômenos culturais e multiplicar-se em reedições e traduções. Toda essa pré-história está presente, de maneira velada, no instante em que você abre o livro pela primeira vez. Conhecê-la — ou pelo menos imaginá-la — é assegurar que sua reação à leitura não será uma pura fantasia subjetiva, mas uma participação viva na história das formas, dos símbolos e das idéias.

*

Quer ser feliz? Não se sinta ofendido jamais, mesmo quando o é.

Thiago Löwe Professor, olha o quê o Zé Virilha disse: “biodiversidade não é criação divina, mas é ação do homem.” — Marco Antonio Villa.
Olavo de Carvalho Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu, Puta que pariu,

*

Estou com setenta anos, e nunca, nunca, nunca me ocorreu pensar que qualquer restrição que eu tivesse às idéias de um filósofo devesse diminuir, moderar ou atenuar a minha admiração por ele. Mesmo que fossem idéias fundamentais da sua filosofia e não meras opiniões de detalhe.

*

Aliás nenhum filósofo jamais pensou uma tolice dessas. Filosofia e mesquinharia são incompatíveis.

*

Entendem agora por que eu dizia em 2015 que era impossível destruir o esquema petista sem destruir junto o estamento burocrático inteiro? Onde todo mundo tem rabo preso, cada um cujo rabo aparece vai logo mostrar o do vizinho. A diferença é que naquela época estava começando a se formar um poder popular capaz de ocupar o espaço dos comunolarápios e associados, ao passo que agora, com o povo disperso e cabisbaixo, só resta a disputa entre os ladrões. Nesta, o PT tem uma invejável capacidade de iniciativa e, capenga o quanto esteja, pode até sobreviver à queima dos seus adversários.

*

Aristóteles fez mil objeções à filosofia de Platão e continuou a considerá-lo nada menos que a melhor pessoa do mundo.

*

Discordo de vários pontos da filosofia do Mário Ferreira e, enquanto viver, continuarei a proclamar que ele foi não apenas o maior dos nossos filósofos, mas o maior dos brasileiros.

*

Recebi do Cel. Jorge Ribeiro, que por sua vez o recebeu de um amigo:

Repassando como recebi. Mas é bastante preocupante.

Vamos aos Fatos:
– A JBS recebeu 1 bilhão do BNDES no governo Dilma.

-Joesley é amigo de Lula e fez negócios com filhos de Lula.

-Joesley armou toda a situação, inclusive tentou induzir Aécio a se incriminar, colocando palavras em sua boca, quando disse que “precisa ser alguém que pode matar depois”.

-Joesley armou um possível pagamento a Cunha, que ainda não foi comprovado.

-Joesley é quem foi a Temer informar sobre Cunha, com gravador, pra induzir Temer concordar com o esquema.

-Joesley criou uma situação de troca de favores pra incriminar Temer por favorecimento ilícito.

Objetivos:
Derrubar Temer. Incriminar Aécio e associa-lo à Sergio Moro.

Atingir a operação lava a jato.

Quem se beneficia com isso:
Lula e o PT são os únicos beneficiados.

Lula vai se fazer de vítima e tentar se sair como perseguido por Aécio e Sergio Moro.

O que pode acontecer:

-Com Aécio, Nada. Pedir dinheiro não é crime.

-Com Temer, pode ser acusado de concordar com o “manter Cunha calado”, mas calado sobre o que? O que Cunha poderia falar para prejudicar Temer? Se o PT diz que Cunha aconselhava e aconselha Temer no governo, não tem sentido pagar um “cala boca” para um “colaborador”. Isso não fez sentido.

Quem está por trás disso:
Os amigos de Lula e Joesley Batista, da JBS.

Os fatos revelados hoje são nada mais que um esquema de assassinato de reputação, aparentemente articulado pelo próprio Lula.

É bom lembrar que essa semana, ontem mesmo, Lula foi indiciado e se tornou réu na operação Zelotes, por vender medida provisória e embolsar 6 BILHÕES, valores infinitamente maiores que os 2 milhões que Aécio pediu.

O plano é o seguinte: Tirar Temer agora, convoca-se eleições diretas para que o Lula saia candidato antes de virar de ser condenado.

A JBS é do Lula, esses dois irmãos nada mais são do que laranja na rede de empresas.

Esse jornalista da Globo é assumidamente petista, é só entrar nas redes sociais do cara e ver as suas publicações.

Tudo acontecendo muito rápido!
A notícia foi divulgada às 19:30 de ontem pela Globo News, às 20:00 horas de ontem mesmo, já tinha dois deputados da oposição com dois pedidos de Impeachment protocolados, sem ninguém escutar os audios da delação dos irmãos.

Os vermelhos já estavam à postos na frente do Palácio Presidencial e na Avenida Paulista. A Globo News divulgando sem cessar o Impeachment certo do Temer.
Isso não cheira armação para vocês?
Um dos irmãos delatores literalmente “se picou” para Nova York com o aval da polícia responsável pelo acordo de delação, gravação, imagens, filmes e notas de dinheiro marcadas; detalhe os irmãos podem sair do Brasil sem tornozeleira eletrônica e pedir asilo político para os Estados Unidos, onde nos últimos dois anos a empresa abriu mais de 50 frigoríficos.

Essa JBS abriu em 2007 no governo Lula, foi a empresa que mais recebeu dinheiro do BNDES, cedido pelo Mantega, hoje essa JBS é a maior empresa alimentícia de Brasil em apenas 10 anos. (Não há dúvida que é a maior parceira… do Lula. Ele estava nas cordas depois do depoimento ao Sergio Moro, era preciso fazer soar o gongo e desviar a atenção da cara esmagada do Lula !…)

Essa empresa comprou a maioria dos frigoríficos tradicionais do Brasil (com a aberta e franca cooperação do BNDES, que foi criado para AUXILIAR A CONSTRUIR NOVAS EMPRESAS e não PARA FINANCIAR COMPRA DE EMPRESAS EXISTENTES) e o Brasil virou um monopólio na área de frigoríficos.

O carinha foi visto saindo do seu apartamento em Nova York com a mulher e várias malas cheias (sabe-se lá o que tinha nas malas); esse depoimento é do porteiro do prédio em Nova York.

Há MUITA coisa debaixo desse tapete,e é melhor esperar…”

*

Tal como eu disse, na guerra das denúncias recíprocas, o PT é mais veloz do que seus adversários.

*

Um jornalista da grande mídia, que converse habitualmente com políticos, por telefone, deve ter a prudência de gravar ele próprio as ligações.

*

É bem possível que essa nova safra de escândalos seja realmente uma armação petista. Essa hipótese faz muito sentido. Resta saber se a armação foi feita com fundamento na realidade ou em meras especulações caluniosas. Vamos esperar para ver.

*

Até agora, nada se provou contra a irmã do Aécio Neves nem muito menos contra o Arruinaldo.

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Nunca se pode esquecer que o Zé Dirceu foi fundador e chefe do serviço de inteligência do PT desde o começo dos anos 90. Ele não é um zé–mané. É agente de inteligência treinado em Cuba.

E saiu da cadeia com a pica em brasa à procura de cus.

O do Arruinaldo já não estava muito bom…

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Mas destruir a própria carreira — ou o próprio cu — não é crime. É direito inalienável do cidadão brasileiro. Se o Arruinaldo nada fez além de se foder, isso não é motivo para fodê-lo mais um pouco.

 

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A trinca, deslumbrada com a atração do momento: o priminho Fred.

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Se há um novo Caso Watergate, é este:

http://circa.com/politics/barack-obamas-team-secretly-disclosed-years-of-illegal-nsa-searches-spying-on-americans

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A dupla de petistas que dirige a Veja podia estar mesmo louquinha para arruinar o Arruinaldo, mas o fato é que o famoso grampo não resultou em nenhuma acusação criminal contra o colunista. E também é verdade que ele não foi demitido: demitiu-se porque quis, ofendido de que a revista tornasse públicas as conexões tucanas dele, que até os nenéns nos berçários conheciam. Não vejo motivo nem para especular algo de criminoso nessas conexões, nem para fazer do colunista uma vítima de “censura”.

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Já faz mais de um quarto de século que a mídia nacional se alimenta de grampos vazados, sempre em nome de uma tal de “ética”, que não tenho a menor idéia do que seja.
Foram os petistas que inventaram a moda, que depois se voltou contra eles e cujo controle eles agora tentam recuperar, aparentemente com sucesso.

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Qualquer que seja o caso, os fatos recentes comprovam que nas redações de jornais, estações de rádio e noticiários de TV não resta mais nenhum jornalista: só lobistas e cabos eleitorais.

*

Trump ou Macron? Há duas coisas que se pode fazer diante da violência crescente dos imigrantes islâmicos: (1) Limitar o ingresso deles, prevenindo novos crimes: (2) Permitir que eles continuem entrando em números cada vez maiores, multiplicando os crimes, e aumentar o poder policial do Estado sobre a população em geral. Não é preciso ser muito esperto para perceber que só a primeira alternativa é uma solução. A segunda não é parte do problema. É o problema inteiro.

https://www.yahoo.com/news/threat-very-high-france-set-extend-state-emergency-114335611.html

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Há pelo menos duas soluções teóricas que são frequentemente sugeridas para o problema brasileiro. A primeira é a intervenção militar. A segunda é a volta da monarquia. Mas até agora não me explicaram QUEM vai fazer uma coisa ou a outra.

*

 

23.5.2017

A igualdade social e econômica de homens e mulheres só se tornou possível num estado avançadíssimo de desenvolvimento do capitalismo industrial, uma sociedade inabarcavelmente complexa, fruto de milênios de esforços acumulados.
Ela não tem nada de natural. É uma invenção tardia, dificílima de realizar e repleta de conseqüências impremeditadas.
A mais tola ingenuidade é imaginar que tudo o que desejamos é um direito natural.
Eu, por exemplo, desejo e exerço a liberdade de opinião, mas não sou idiota ao ponto de pensar que é um direito natural. É uma sorte incrível, que a maior parte da humanidade jamais desfrutou, e que caiu no nosso colo por efeito de uma evolução histórica que mal chegamos a compreender.

*

Tenho afeição e respeito por todos os meus alunos. Jamais falaria nem falei jamais a um deles num tom de superioridade esmagadora e humilhante. Por isso mesmo acho lindo, fantástico, extraordinário, quando um zé-mané qualquer, que nunca escreveu quatro palavras sem errar cinco, nem ensinou sequer um papagaio a dizer “papai” e “mamãe”, aparece falando deles com desprezo olímpico, do alto do trono de peidos que ergueu em sua própria glória no céu da Terra do Nunca.
A empáfia do imbecil é uma das maravilhas do universo.

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A marca registrada do incapaz é andar por aí com uma régua de admirações na mão, banindo as que lhe parecem excessivas. Leibniz já dizia: É característico do espírito mesquinho elogiar sempre com moderação.

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A coisa mais lindinha que li na mídia nos últimos anos foi o Frei Betto dizendo que é “contra os extremismos de esquerda e de direita”.
A frase em si já é a marca inconfundível do cabeça-oca que só quer parecer bonitinho.
Mas, na boca do referido, ela se torna uma autogozação involuntária memorável.
Tendo sido colaborador da ditadura Fidel Castro e até co-autor da Constituição comunista de Cuba, com certeza ele acha que condenar à morte 17 mil pessoas, meter cem mil opositores na cadeia e espalhar guerrilhas por três continentes não é extremismo de maneira alguma, é um primor de moderação.

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As situações loucas preparam sempre algumas surpresas auspiciosas. Uma das análises mais realistas do conflito americano, infinitamente superior a tudo o que saiu no Grobo e na Fôia, veio justamente do “Diário da Causa Operária”.
http://causaoperaria.org.br/blog/2017/05/22/impeachment-imperialismo-quer-derrubar-trump-para-impor-um-governo-neoliberal/

 

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Sir Roger Moore morreu ontem, aos 89 anos. Ao lado de Vittorio Gassmann, Marcello Mastroianni e Jean Gabin, ele foi, no meu entender, um dos maiores atores do século, ao qual devemos inumeráveis momentos de diversão e inspiração. Entre os atores de língua inglesa, era aliás O ÚNICO capaz de falar corretamente em idiomas latinos, inclusive o português.

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Um casamento compõe-se de três coisas.
1 – Atração erótica.
2 – Afeição familiar e amor comum aos filhos.
3 – Afinidade espiritual: valores culturais, morais e religiosos compartilhados, convergência nas metas superiores da vida (“idem velle, idem nolle”).
O primeiro fator é genético. Szondi explica.
O segundo é uma questão de bom caráter e educação.
O terceiro, hoje em dia, é um milagre.
Dos três, o único que é relativamente dispensável, em certas circunstâncias, é o primeiro.
Mas a noção moderna do casamento civil ignora os três. Foi a pior idéia de Napoleão Bonaparte.

Rafael Hollanda O que o senhor pensa de casamentos com cônjuges de religiões diferentes?

Olavo de Carvalho Um acaba convertendo o outro.

 

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Gurdjieff, que não era nada bobo, dizia que o amor erótico é retribuído com amor ou repulsa, conforme a genética; o amor espiritual, com amor sempre; e o amor romântico, sempre com repulsa.
Logo, os românticos, se não querem sair invariavelmente frustrados, que tratem de apostar na genética e no espírito, e não nas fantasias que os encantam.

Hélder Araújo Professor, aquela obra do Ouspensky, Organon, o senhor a considera tão importante quanto apregoam os seguidores do Gurdjieff?

Olavo de Carvalho O próprio Gurdjieff achava esse livro desprezível.

Olavo de Carvalho Como tudo o que o Gurdjieff diz, há nisso uma ponta de gozação.

 

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O formalismo abstratista — epistemológico e jurídico — está na base do Estado moderno. O casamento civil não une duas criaturas de carne e osso, nem muito menos suas almas imortais. Une dois “cidadãos” — entidades que não existem concretamente, nem na carne, nem no espírito, mas são recortes abstrativos que só têm existência em sentido metonímico e perante as autoridades estatais.
É uma coisa tão utópica que, quando a inventaram, já tiveram de inventar o divórcio junto, pois sabiam que ia dar merda.

*

O casamento civil é tão abstratista que, partindo das suas premissas, nada se pode objetar ao casamento gay — o casamento tão abstrato, tão abstrato, que não inclui nem definição dos deveres sexuais respectivos.

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O casamento civil é tão abstratista que, partindo das suas premissas, nada se pode objetar ao casamento gay — o casamento tão abstrato, tão abstrato, que não inclui nem definição dos deveres sexuais respectivos.

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“Quem come quem?” Esta pergunta fatídica jamais ocorre no casamento hetero, mas no casamento gay ela é inevitável.

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O problema do Uspensky é que ele levava o Gurdjieff a sério — um erro que o próprio Gurdjieff jamais cometeu.

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Se você entende que tudo no Gurdjieff é uma imensa gozação, é impossível lê-lo sem exclamar a cada linha: “Gênio!”. Se você o leva a sério, está, como dizia ele mesmo, em maus lençóis.

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22.5.2017

Auto-educação. Todo dia eu repito para mim mesmo: “Mocréia também é gente.” Mas sempre resta uma pontinha de dúvida.

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Os EUA são um país maravilhoso, mas a mistura de moralismo extremo e extrema putaria é de esmigalhar qualquer cérebro humano ou animal. Pior: como reação ao moralismo, a putaria americana é agressiva, blasfemadora, trágica e muitas vezes macabra. Perto dela o puro esculacho brasileiro parece até inocente.
A tensão moral dessa situação, agravada desde o advento do “sex lib”, levou a um resultado paradoxal: hoje em dia, segundo todas as pesquisas, os “milennials” têm menos interesse em sexo do que qualquer geração anterior.
Por nada deste mundo eu desejaria ser um jovem americano de hoje.

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QUEM FOI?

QUEM fez com que um menino doentio, quase moribundo, durasse até tornar-se um velho forte e saudável, capaz de continuar seu trabalho até não se sabe quando?
QUEM deu a esse menino, depois de crescido e pai de vários filhos, ainda doente e carregado de obrigações e dívidas, a energia de estudar dia e noite nos intervalos de vários empregos simultâneos, lendo em ônibus, no metrô , em bancos de jardim e balcões de bares, guardando tudo na memória sem usar nenhuma técnica mnemônica?
QUEM lhe deu o impulso de continuar fazendo isso sem jamais ter recebido do ambiente em torno O MENOR estímulo intelectual?
QUEM deu a um zé-mané sem estudos regulares, sem um diploma de ginásio sequer, os meios de tornar-se um erudito reconhecido por dezenas de intelectuais do país e do exterior e de no fim das contas consagrar-se como a maior ou única autoridade intelectual num país de duzentos milhões de habitantes?
QUEM espalhou entre centenas de inimigos dele uma tal confusão mental que não podem escrever três palavras contra ele sem cair nas contradições mais grotescas e desmoralizar-se sem que ele nem precise lhes responder nada?
QUEM fez com que, sem um único centímetro de espaço na grande mídia e sem qualquer badalação nos jornais e na TV, a sua voz se tornasse tão influente ao ponto de ecoar nas ruas e nas praças em grandes manifestações populares?
QUEM fez com que, sem nunca ter ligado a mínima para a moral e a virtude, ele se tornasse capaz de explicar as palavras de Jesus a padres, bispos e pastores com tal simplicidade e poder de persuasão que, quando eles não gostam do que ele diz, só lhes resta amaldiçoá-lo à distância e fazer de si mesmos objeto de chacota?
QUEM fez com que, sem uma notinha num jornal, sem dois segundos de promoção na TV, seus livros alcançassem tiragens de centenas de milhares de cópias, superando de longe os de seus concorrentes mais badalados pela mídia e pelo “establishment”?
QUEM possibilitou que ele, praticamente ou literalmente sozinho, cavasse um rombo enorme numa hegemonia intelectual de cinco décadas, abrindo espaço para a circulação de novas idéias que até então eram absolutamente inaudíveis no espaço público?
QUEM fez tudo isso? Se não foi Deus, eu é que não fui. Minha vida é uma sucessão tão evidente de milagres e prodígios, que quem quer que a contemple por minutos e não exclame “Glória a Deus!” é uma alma empedernida, cega e insensível a uma Presença divina que grita do alto dos telhados.
Por isso é que rio por dentro quando, afetando desprezo pela alta cultura, umas baratas de sacristia vêm me falar dos homens pobres, simples e humildezinhos a quem Deus revela o que sonega aos doutores.
Eu SEI que Deus faz isso. Ele fez comigo.

*

P. S. — O mais extraordinário de tudo é que, ao longo das décadas, eu não tinha NENHUM sentimento de missão a cumprir. Tudo o que eu sabia era que tinha de continuar estudando, aprendendo, perguntando e meditando, sem ter a menor idéia do “para quê”. O “para quê” só apareceu bem tarde na vida.

*

Moral é dizer aos outros o que fazer. Não adianta nada. Não adianta nem dizer a mim mesmo, porque digo e não cumpro. No fim das contas só há uma coisa a fazer: Orai sem cessar.

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A igualdade social e econômica de homens e mulheres só se tornou possível num estado avançadíssimo de desenvolvimento do capitalismo industrial, uma sociedade inabarcavelmente complexa, fruto de milênios de esforços acumulados.
Ela não tem nada de natural. É uma invenção tardia, dificílima de realizar e repleta de conseqüências impremeditadas.
A mais tola ingenuidade é imaginar que tudo o que desejamos é um direito natural.
Eu, por exemplo, desejo e exerço a liberdade de opinião, mas não sou idiota ao ponto de pensar que é um direito natural. É uma sorte incrível, que a maior parte da humanidade jamais desfrutou, e que caiu no nosso colo por efeito de uma evolução histórica que mal chegamos a compreender.

21.5.2017

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Quando, convidado a listar os “livros que mudaram a sua vida”, o sujeito responde com clássicos do porte de Dante, Homero e Shakespeare, ele pode impressionar uma platéia que ignore até mesmo essas autores, mas dá, com isso, a mais decisiva prova de incultura que se poderia exigir.
Clássicos antigos, medievais e renascentistas existem para FORMAR a mente enquanto é jovem, não para “mudá-la” depois de adulta.
Mudança é encontro com algo novo, inédito, inesperado.
O homem que aos quarenta ou cinquenta anos é “mudado” por um livro que teria a obrigação de haver lido aos quinze ou vinte só prova que não teve formação nenhuma.
É como alguém que, no ano de 2017, descobre que Hitler invadiu a França.

*

Usando a palavra em sentido impreciso: um homem de cultura só pode ser “mudado” por um clássico quando, relendo-o, descobre nele algo que passara despercebido aos estudiosos anteriores. Mas nesse caso não foi o livro que o mudou, foi ele que mudou a compreendão do livro.

*

Muitos livros formaram a minha mente, e já mencionei centenas deles nas minhas aulas, mas só um “mudou a minha vida”. Foi “La Vie Intellectuelle” do P. Sertillanges. Não porque me ensinasse algo de muito inédito, mas porque me mostrou um dever a cumprir, e esse dever se tornou a minha vida.

*

Desde a adolescência eu já sofria com a vulgaridade e indolência mental do ambiente brasileiro, fenômeno que foi se tornando mais deprimente com o passar do tempo. Foi o livro do P. Sertillanges que me mostrou que eu poderia fazer alguma coisa contra isso em vez de ficar só choramingando.

*

Isso mostra que tomo a expressão “livro que mudou a minha vida” em sentido literal, material e sério e não apenas como exibição de gostosura, como é moda hoje em dia.

*

A esta altura, meus alunos já devem ter compreendido que o reinado da estupidez esquerdista nunca foi “o” problema, mas apenas a forma temporária e particularmente grave que a indolência cultural brasileira assumiu durante quatro ou cinco décadas. Digo “particularmente grave” porque deliberada, organizada e dispendiosíssima.

*

Seria uma ilusão fatal imaginar que a desmoralização do esquerdismo, mesmo que fosse completa (que não é), já representa a salvação ou começo de salvação da cultura nacional. Ao contrário. Abalada a hegemonia cultural da esquerda, o antipetismo se tornou tão fácil e convidativo que atraiu as ambições de centenas de idiotas e picaretas — pessoas que não podem levantar a cultura de um país porque não têm força nem mesmo para levantar suas próprias pirocas intelectuais.

*

O PIRULA DA DIREITA. Agora apareceu um tal de Luiz Camargo, que, após os salamaleques de praxe (“aprendi muito com o Olavo”etc. e tal), se mete a corrigir o que lhe parece ser algum detalhezinho errado nas minhas opiniões, mostrando assim a sua imensa superioridade intelectual. No caso, o detalhe é que me referi à Santíssima Virgem como descendente de Davi, quando, segundo o distinto, TODO MUNDO SABE que a genealogia davídica é de José, e não dela.
Infelizmente, a Catholic Encyclopedia diz:
“As if to exclude all doubt concerning the Davidic descent of Mary, the Evangelist (Luke 1:32, 69) states that the child born of Mary without the intervention of man shall be given “the throne of David His father”, and that the Lord God has “raised up a horn of salvation to us in the house of David his servant”. [21] St. Paul too testifies that Jesus Christ “was made to him [God] of the seed of David, according to the flesh” (Romans 1:3). If Mary were not of Davidic descent, her Son conceived by the Holy Ghost could not be said to be “of the seed of David”. Hence commentators tell us that in the text “in the sixth month the angel Gabriel was sent from God. . .to a virgin espoused to a man whose name was Joseph, of the house of David” (Luke 1:26-27); the last clause “of the house of David” does not refer to Joseph, but to the virgin who is the principal person in the narrative; thus we have a direct inspired testimony to Mary’s Davidic descent. [22] ‘

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O rito de passagem para virar INTELEQUITUAU neste país é corrigir — e corrigir errado, obrigatoriamente — alguma vírgula nas opiniões do Olavo de Carvalho e em seguida cagar inumeráveis regras naquele tom triunfal de “Mãe ói eu”.

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Na maioria dos casos, a afirmação “Aprendi muito com o Olavo”, usada como salvo-conduto para deixar subentendido “Mas já o superei”, significa exatamente: “Não aprendi porra nenhuma com o Olavo nem com ninguém”.

Xavier Gil Adoro esta: “Admiro o Olavo, mas só retenho o que é bom.”
Olavo de Carvalho Retenção anal de piroca.

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http://medicinaefilosofia.blogspot.com.br/2017/05/i-seminario-capixaba-de-filosofia-secafi.html

Hélio Angotti Neto A música que deveria ter tocado durante a aula sobre o Jardim das Aflições! https://www.youtube.com/watch?v=F5zg_af9b8c

Hélio Angotti Neto

Acontecendo agora. Mesa sobre política e filosofia. Silvio Grimaldo, Filipe G. Martins e Helvécio Júnior.

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Filosofia Política de verdade…

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Vitor Mathees Souza adicionou 3 novas fotos — com Hélio Angotti Neto e outras 3 pessoas.

Seminário Capixaba provou que veio pra ficar.

Que venha o de 2018.

Enquanto tiver saúde e disposição, registrarei sempre a minha presença.

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Aluisio Souza participando de I Seminário Capixaba de Filosofia (SECAFI) com Hélio Angotti Neto em America Centro Empresarial.

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Se alguém chamar isto de “doutrinação”, EU MATO:

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Brasileiro, quando nasce, já leva no berçário uma dose de xilocaína no cuzinho e está pronto para a vida.

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Mudando de assunto. Se Napoleão, em vez de avançar até Moscou, tivesse apenas ocupado as terras produtivas da Rússia e se dedicado a explorá-las, o tzar JAMAIS conseguiria retomá-las.

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Como se pode ver pelo Seminário Capixaba, os alunos do Olavo não passam de um bando de jovens iletrados, vítimas de lavagem cerebral, escravos do guru astrólogo. Tão diferentes dos cultíssimos seguidores do Leandro Espiritual.

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Será que agora entendem — tarde demais — que o inimigo do Brasil não é só o petismo, mas o estamento burocrático inteiro?

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E será que entendem que no fundo do estamento burocrático está o filisteísmo, o desprezo pelo espírito, que é a fé única e suprema das nossas classes dominantes?

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E será que entendem que o comunopriapismo das nossas universidades nunca poderá fazer nada contra o filisteísmo, só reforçá-lo?

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Não haverá uma política decente no Brasil antes de (re)constituída uma intelectualidade de alto nível capaz de fiscalizar com severidade o discurso político.

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O reinado do pseudo-intelectual universitário ambicioso e sem escrúpulos não parece, mas É um flagelo pior do que toda a corrupção federal, a qual jamais teria vindo a existir sem ele. Quem prepara a classe política, senão as universidades?

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Da página do Ricardo da Costa:

A BELEZA DO ÓBVIO FACE OS RESSENTIDOS E IMBECIS

Livros nas prateleiras de uma biblioteca privada são pérolas à espera do ímpeto/agonia de Zurga, pescador de pérolas de Bizet. Não há prazer maior do que colhê-las, em casa, nem maior angústia do que saber que o tempo nunca será suficiente para apreciá-las. Esse prazer/angústia cresce quando adquirimos um novo livro e ele passa à frente da ordem de leitura mentalmente criada.

Pois, ontem, graças ao amigo Hélio Angotti Neto, adquiri, finalmente, “O Jardim das Aflições”, do filósofo Olavo de Carvalho. Há pouco terminei seu Livro I. Parei para meditá-lo. Confesso minha estupefação. Com a belíssima forma, mescla algo heteróclita de meditação/crônica/ensaio, associada à uma narrativa envolvente e crítica, polida e mordaz, ácida e cortês (agora entendi a intenção subreptícia da coleção “Os Pensadores”! E a nota/síntese sobre a Inquisição?). Parei uma tarde de ler Quintiliano, Herênio e Llull, Olavo de Carvalho. Culpa sua!

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A culpa de tudo é do povão trabalhador e pagador de impostos. Quem mandou ter cu?

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Não adianta chorar sobre o leite derramado, mas agora, finalmente, terá ficado claro aos olhos de todos por que, em vez do impeachment da Dilma, era absolutamente necessário exigir a anulação total das eleições de 2014 e a prisão dos membros do TSE?
Em março de 2015, o povo tinha força para isso. Bastava organizá-lo e dirigir suas energias para o alvo certo.
A elite estava atordoada e amedrontada. Os Arruinaldos, Kims e demais impeachmentistas deram-lhe tempo de refazer-se e dispersar o povo.
Foram, nisso, ajudados pelos seus adversários “intervencionistas”, que preferiam tudo esperar dos militares em vez de organizar o povo para a ação direta.
A política do Brasil nos últimos anos tornou-se, para usar a expressão do Carlos Drummond de Andrade, “um vácuo atormentado, um sistema de erros”.

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Sempre que soube o que era preciso — e possível — fazer, eu o disse. Agora já não sei mais. Se voltar a saber, avisarei, mas sem a menor esperança de ser ouvido

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Aécio Neves e Michel Temer, convocados pela História a tornar-se heróis nacionais, preferiram conservar a amizade dos cocôs. .

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Quando encontrar um militar, avise-o de que a nação, a conselho médico, não pode aguentar mais uma dose de cu-doce.

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Já observei que na literatura nacional só se encontram personagens “irônicos”, no sentido da escala Aristóteles-Frye, isto é, coitadinhos que estão sempre abaixo da situação e se deixam arrastar ou corromper por ela sem nem ter consciência clara do que está acontecendo.
Se vocês se lembram da máxima de Hugo von Hofmannsthal, “Nada está na política de um país que primeiro não esteja na sua literatura”, terão aí um bom estímulo para meditar sobre as raízes culturais da pequenez moral generalizada.

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Se bem me lembro, foi Michel de Montaigne quem disse que entre o homem culto e o inculto há mais diferença do que entre um homem e um ganso.

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Ah, já sei, aparecerá alguém com a história das pessoas simplezinhas repletas de sabedoria. Confesso que no Brasil jamais vi uma pessoa simplezinha, muito menos simplezinha e sábia. Quando mais inculto o cidadão, mais metido e palpiteiro.

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Cá entre nós, o único sujeito simplezinho que conheci no Brasil fui eu mesmo. Nunca fui nada além de um zé-mané que estudou. Não tenho nem diproma.

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20.5.2017

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“Light in August” de William Faulkner é uma história de crimes e horrores com final feliz. Mais feliz ainda porque até a última página o leitor, suando frio, torce para que esse desenlace aconteça mas sente que é impossível. Um “tour de force” narrativo admirável.

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Em toda a história, o único personagem que parece ter a cabeça no lugar é Lena Groves, a mocinha simplória que sai em busca do homem que a abandonou grávida e acaba encontrando um outro que a ama. A gravidez e o bebê representam a força inabalável da vida no meio das mortes e desvarios que a cercam.

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Uncle Doc e o Reverendo Hightower representam duas perversões opostas do sentimento religioso: o moralismo cruel e o amolecimento sentimental que, levado por um arrependimento confuso, se dispõe, após muito relutar, a mentir para salvar da pena de morte um assassino.

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Byron Bunch, que acaba se casando com Lena, é um coitado, raiando a idiotice, mas de uma honestidade tenaz e quase heróica que no fim é premiada com a realização do seu sonho.

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“L’Âme de Napoleon”, de Léon Bloy, é uma apaixonada defesa de Napoleão Bonaparte desde um ponto de vista católico. Argumento difícil, mas que no fim acaba tendo alguma credibilidade.

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Estou esperando o dia em que os fofoqueiros vão parar de dizer que a Igreja só admite a procriação como finalidade das relações sexuais. Alguém acha mesmo que os papas, santos e mártires foram todos idiotas ao ponto de acreditar que na hora de transar alguém pode estar pensando em fraldas e mamadeiras?

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Agora explicando melhor. A procriação é a finalidade NATURAL do casamento. “Natural” quer dizer que a Natureza a realiza por si, independentemente da consciência e dos desejos dos cônjuges. A Igreja NÃO QUER que você fique pensando em procriação cada vez que faz amor. Só quer que você NÃO IMPEÇA a Natureza de fazer o trabalho dela.
Acima da finalidade natural existe a finalidade HUMANA, que a Igreja define como amor e ajuda mútua. E do amor faz parte inerente o desejo e — segundo Sto. Tomás — o DIREITO que cada cônjuge tem de (expressão dele) “deleitar-se no corpo do outro”.
Acima da finalidade humana há uma finalidade ESPIRITUAL, que consiste em cada um ajudar na santificação do outro e na salvação da sua alma.
Não é nenhum bicho-de-sete-cabeças, é?

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Um truque esplêndido de “Light in August” é que logo no último capítulo, inesperadamente, Faulkner introduz um novo personagem que será testemunha e narrador do episódio final. Esse personagem é um simples vendedor de móveis que ignora TUDO do resto da história e só conta, de maneira humorística, aquilo que viu: o desajeitado namoro de Byron Bunch e Lena Groves, culminando no momento em que, após uma relutância de meses, a moça aceita a proposta amorosa de Byron. O tom cômico alivia a tensão da narrativa anterior e vacina o leitor contra a tentação do sentimentalismo meloso que, depois de tanta angústia, arriscava tornar-se irresistível.

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Até os momentos finais o atrapalhado Byron não sabe direito se quer ajudar Lena a encontrar o amante fujão ou casar logo com ela.

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Faulkner é um mestre na descrição dos sentimentos paradoxais, em que uma emoção se esboça e é logo neutralizada pela emoção oposta — exatamente aquilo que Leibniz denominava “petites perceptions”. Esses trechos são às vezes meio difíceis de ler, tal a sutileza psicológica da coisa.

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Tempos atrás fiz um esforço monstro, e totalmente fracassado, para explicar a um padre metido a filósofo que a prova da existência de Deus “ex contingentia” NÃO PARTE de nenhum fato contingente, mas sim da noção geral de “contingência” (enquanto oposta à “necessidade”), e que portanto essa prova não demonstra nem pode demonstrar a EXISTÊNCIA ATUAL de Deus (muito menos do Deus cristão em particular) e sim apenas a NECESSIDADE LÓGICA da existência de “algum” Deus. Para saltar daí até a existência do Deus cristão é preciso muitos outros argumentos suplementares. Não consegui me fazer entender. Depois descobri que esse padre é fã da “Carta Capetal”,e vi que tinha perdido meu precioso tempo.

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Cá entre nós: Se Deus Pai enviou Nosso Senhor Jesus Cristo mil e tantos anos antes de Sto. Anselmo com sua prova da existência divina, é óbvio que Ele preferiu ser conhecido primeiro como FATO PRESENTE e só depois como objeto de prova lógica.

Mônica Camatti Prof. Olavo, a outra acusação que um “católico” fez para lhe chamar de herege foi o fato de o senhor afirmar que os evangelhos são a Revelação numa narrativa, e não a doutrina. O que o senhor pode nos atualizar sobre este assunto? Eu respondi que o desenvolvimento da doutrina se deu através da Igreja e do Espírito Santo atuando nela, e os únicos aspectos doutrinais no evangelho são a instituição do sacramento do matrimônio, da eucaristia e do batismo, mas tudo de forma narrada, pois o rito doutrinal em si foi a Igreja através da Tradição Oral que ensinou. Dizer que o Evangelho é a narrativa da Revelação é heresia desde quando? Os seus haters são perturbados ou loucos.
Olavo de Carvalho Mônica Camatti Isso está muito bem explicado em Martin Grabmann, “História da Teologia Católica” e em várias obras de Alois Dempf, Nada posso fazer ante um paspalho que não sabe distinguir entre narrativa e exposição doutrinal.

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Não consigo imaginar os apóstolos pedindo a Jesus uma prova lógica de que Ele existia.

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O importante não é estudar muito, é testar e verificar até ter a certeza de que você entendeu o que estudou. Às vezes o neguinho acredita que sabe uma coisa, mas diante da primeira pergunta já se atrapalha todo.

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Quando Deus quer que você aprenda a arte da dialética, Ele manda um diabinho contradizer tudo o que você pensa. “A dialética — ensinava Hegel — é o espírito de contradição sistematizado.”

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A maior parte das pessoas não sabe viver um minuto fora do seu círculo de certezas adquiridas. O primeiro diabinho que encontram as faz saltar logo para as certezas opostas.

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Nenhum comunista jamais mentiu contra mim de maneira tão insistente e descarada quanto uns fulanos que se dizem protestantes ou católicos.
Essa gente nada fez nem aliás poderia fazer para dar ao pensamento cristão um lugar de respeito na cultura nacional, mas está fazendo tudo para reduzi-lo a objeto de chacota.

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Um grande flagelo para a humanidade são idiotas investidos da convicção de que falam em nome da Bíblia ou da Igreja.

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Antes de começar a cagar regras, tente resumir e explicar cem livros.
Aí talvez começará a perceber que, se não entende nem mesmo idéias expostas em textos que você pode reler quantas vezes queira, muito menos entende as idéias que passam velozmente pela sua própria cabeça e logo desaparecem.
Talvez chegue a entender mesmo que suas opiniões não são sequer suas opiniões, apenas um arranjo de frases que só uma vaga e ilusória esperança torna parecidas com elas.

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Creio que cheguei a dar, tempos atrás, pelo menos umas dez aulas só sobre o soneto de Fernando Pessoa, “Súbita mão de algum fantasma oculto”. Se ninguém aprendeu nada com elas, pelo menos eu aprendi que a imaginação do poeta ia muito além da minha.

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O filósofo Alain, que foi um professor genial, inventou um exercício dos mais úteis. Chama-se “Pensar o que você pensa”. Funciona assim: Tome um assunto do qual não sabe absolutamente nada, e expresse com a maior exatidão possível, e com a maior seriedade, as idéias que lhe ocorram a respeito. Faça isso uns pares de vezes e verá como conhece pouco a sua própria maneira de pensar.

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Não conheço um só idiota que não acredite piamente que está do lado do Bem.

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Cardeal Burke, eu te amo!

https://www.lifesitenews.com/news/breaking-cardinal-burke-calls-for-consecration-of-russia-to-immaculate-hear

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Nunca, nunca, nunca falo em nome da Igreja. Não sou teólogo, não sou cardeal, não sou bispo nem muito menos Papa. Sou apenas um católico de merda que tenta expressar as coisas exatamente como as percebe, com a certeza de que pode errar tanto na percepção quanto na expressão. Para esses casos, tenho meus orientadores em matéria de doutrina, que geralmente me asseguram que estou menos louco do que me parece.

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Está acontecendo AGORA:

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Eis um evento politicamente incorretíssimo! 😉

I SEMINÁRIO CAPIXABA DE FILOSOFIA
A FILOSOFIA DE OLAVO DE CARVALHO E O RESGATE DA INTELIGÊNCIA BRASILEIRA
20 de maio de 2017

INSCRIÇÕES SECAFI:

– MEIA-ENTRADA: R$ 30,00 (56 vagas) Link exclusivo para adquirir MEIA-ENTRADA:https://pag.ae/blkxy4S

[Quem tem direito ao benefício? Lei Federal nº 12.933/2013 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12933.htm; Leis Estaduais nº 4.955/1994, n. 7.737/2004 e nº 10.500/2016 (http://www.conslegis.es.gov.br/) A comprovação do direito à meia-entrada será exigida no dia do evento.]

– INTEIRA: R$ 60,00 (84 vagas) Link exclusivo para adquirir ENTRADA INTEIRA: https://pag.ae/bhkxyS7

Total de vagas: 140

PROGRAMAÇÃO:

13:30h – SAUDAÇÕES

14:00 – CONFERÊNCIA DE ABERTURA: Olavo de Carvalho na Cultura Nacional – Ricardo da Costa

I) 15:00h – “O JARDIM DAS AFLIÇÕES”
Tema: Responsabilidade Intelectual.
Conferência: Hélio Angotti Neto
Debatedor: Leonardo Serafini Penitente

II) 16:20h – “ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA”
Tema: Educação clássica e a formação da inteligência
Conferência: Francisco Escorsim
Debatedores: Ricardo da Costa e Jelcimar Jr.

—- intervalo —-

III) 18:10h – “A FILOSOFIA E SEU INVERSO”
Tema: Técnica Filosófica
Conferência: Leandro Mello Ferreira
Debatedor: Francisco Escorsim

IV) 19:30h – “OS EUA E A NOVA ORDEM MUNDIAL”
Tema: Filosofia política e atualidades
Conferência: Filipe Martins
Debatedores: Silvio Grimaldo, Bruno Garschagen e Helvécio Jr.

22:00h – ENCERRAMENTO

 

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Os fronts da guerra anti-Trump são quatro:
1) Mídia.
2) Violentas agitações de rua (mortadelas).
3) Manobras parlamentares.
4) Serviços secretos.

http://dailycaller.com/2017/05/19/harvard-report-there-is-a-huge-anti-trump-bias-in-mainstream-media/

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Não há mais volta, nem acordo possível: Donald J. Trump e o establishment globalista americano não podem caber no mesmo território. Se um sobreviver, o outro morrerá.

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Durante a missa, ficamos implorando que a velhinha chefe do côro da St. Joseph’s encontre alguma outra atividade que a faça feliz; que tenha uns netinhos, umas meinhas para tricotar, umas fraldinhas para trocar e, por caridade, pare de cantar. Não queremos ser obrigados a amarrá-la no topo de uma árvore como o Bardo do Asterix.

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Matheus Noronha Sturari com Hélio Angotti Neto em America Centro Empresarial.

Eis o gigante Dr. Hélio Angotti Neto, seu trabalho deve ser acompanhado, apoiado, divulgado e, acima de tudo, admirado.

JS Cesar Prof.° Olavo, poderia falar mais sobre os 5 níveis de poder de um personagem segundo Aristóteles? A PROPÓSITO! Que tal se o sr. comentasse alguns pontos sobre a obra dele, “Poética”?
Olavo de Carvalho JS Cesar Isso está muito bem explicado no livro do Northrop Frye, “Anatomia da Crítica”.

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Vamos e venhamos. A alta hierarquia católica — bem como seus similares protestantes — tem dado tratamento mais gentil e compreensivo a inimigos da Igreja, a comunistas e a assassinos de santos e profetas do que a qualquer garota de saia curta ou a qualquer moleque que se tranque no banheiro com um exemplar da “Playboy”. Vejo isso com meus próprios olhos e sei, com certeza, que é coisa feia.

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Pois o Vaticano não fez um “Diálogo com os marxistas”? Muito mais decente seria um “Diálogo com os punheteiros”. Ninguém jamais matou um cristão a punhetadas

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Do ponto de vista estritamente lógico, há mais motivos razoáveis para tocar uma punheta do que para ser comunista. Ninguém toca uma punheta sem razão, mas ser comunista é frescura satânica.

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Não acho injusto que tipos como o Clóvis de Burros, o Leandro Espiritual e o Mário Sérgio Nutella ganhem mais dinheiro que eu. Afinal, estou no ramo da educação e da alta cultura, que no Brasil nunca foi dos mais rentáveis, e eles no das diversões públicas, do entretenimento, no qual seus ganhos são até modestos em comparação com os do Faustão, da Xuxa ou do Zeca Pagodinho.

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Quanto ao Marco Antonio Vil, estou esperando que ele se torne homem bastante para dizer o meu nome quando fala mal de mim, para só então lhe responder alguma coisa, se tão improvável transfiguração vier jamais a acontecer. Enquanto ele continuar lançando intrigas no ar sem destinatário preciso, continuarei fiel ao dever de cavalheirismo que me impede de bater em velhinhas fofoqueiras.

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Do ponto de vista estritamente lógico, há mais motivos razoáveis para tocar uma punheta do que para ser comunista. Ninguém toca uma punheta sem razão, mas ser comunista é frescura satânica.

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Pois o Vaticano não fez um “Diálogo com os marxistas”? Muito mais decente seria um “Diálogo com os punheteiros”. Ninguém jamais matou um cristão a punhetadas.

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