Beleza feminina e sexo

” A atração do homem pela beleza feminina tem pouco ou nada a ver com “sexo”. É um impulso imensamente mais forte e mais vasto, que transcende não só a esfera do interesse sexual, mas a da vida terrestre inteira. Quem reduz isso ao sexo é como aquele sapo da fábula, que, contemplando o céu do fundo do poço onde morava, o definia como um buraquinho no teto da sua casa”.

A religião

“A religião, por si só, não garante o conhecimento da dimensão divina. Mas nós podemos ter algum conhecimento disso se praticarmos a religião de determinadas maneiras e se seguirmos o conselho bíblico: “Medite a lei divina dia e noite”. Se você não faz isso, não adianta rezar, não adianta ir na igreja. O negócio é o seguinte: pensar dia e noite naquilo. Cristo disse: “Batei, batei e será aberta a porta”. De tanto você perguntar, você obtém a resposta. O principal sinal do amor por uma pessoa, é que você presta atenção nela. Se você não presta atenção em Deus, como vai falar que tem amor a Deus? Que besteira é essa? É só frescura! O interesse, o querer saber, o perguntar dia e noite “Meu Deus, o que o Senhor quer dizer, o que está dizendo para mim?”, nós temos que pensar nisso o tempo todo, e perguntar a Deus o sentido das coisas. Se a gente não faz isso, nossa experiência da religião é superficial.”

Breve descrição das camadas

Breve descrição das camadas (ou estágios) do fenômeno Amor:

1º- Desejo sem um objeto desejado. Pura química hormonal. Produto da dinâmica interna.

2º – O desejo é despertado pela visão de algo. Uma perna bonita, um bumbum, um sorriso… um traço especifico que gera atração.

3º- O desejo surge não por um traço especifico, mas por um “encantamento’ pela pessoa inteira. Uma impressão geral, indefinida e não localizada, sem que se saiba dizer exatamente o que o atraiu nessa pessoa. Esse estágio apresenta uma série de ambiguidades, como o ciume, o medo de não ser correspondido, etc.

4º – Consolidação no sonho conjugal. O desejo de ter a pessoa amada ao lado para sempre. Adquire valor moral. Constitui-se da aceitação de sacrifícios mútuos para a formação de uma família.

5º- Só no topo da experiencia conjugal pode surgir o pleno e genuíno Amor, em seu sentido total. Com o impulso firme, constante e irrevogável de tudo sacrificar pela pessoa amada, de perdoar sempre e incondicionalmente os seus defeitos e pecados, de protege-la contra todo mal e toda tristeza, ainda que as custas da própria vida, e de conserva-la como maior bem não só nessa vida terrestre como por toda eternidade.

“Neste ultimo nível o sexo propriamente dito perdeu toda existência autônoma, e ou é esquecido, ou passa a desempenhar um papel ocasional e bem modesto entre mil e um modos diversos de expressar o amor. Cada um desses níveis engloba e transcende o anterior. E só quem chegou ao ultimo mais elevado compreende o que estava em jogo nas fases superadas.” (Olavão)

Doutrinas gnósticas

Esse pessoal que acha que temos de combater as doutrinas gnósticas são todos um bando de idiotas, pois o gnosticismo não é uma doutrina, ele é uma dimensão da experiência humana. Toda vez que você se sente uma vítima inocente do curso universal das coisas, você é um gnóstico; mesmo que não acredite nas doutrinas gnósticas, você está sendo um naquele momento. O gnosticismo é a proclamação da sua inocência perante Deus e a inculpação de Deus; quem é que não fez isso alguma vez na vida?

Josias Teófilo na  Folha de S. Paulo

Meu artigo na Folha de S. Paulo de hoje:

JOSIAS TEÓFILO
Esquerda faz retórica política no cinema

No final da década de 1960, no Recife, meu avô, o cineasta Pedro Teófilo, filmou dois longas-metragens em 35mm. Segundo relatos de família, uma rede de intrigas o impediu de concluir os filmes.

Meu avô morreu pobre e esquecido, delirante num quarto com as suas invenções. Nada de estranho nessa história: como diz Olavo de Carvalho, o Brasil é o país das vocações frustradas.

A história de Pedro Teófilo paira sobre a minha vida. Algumas semelhanças saltam aos olhos: resolvi fazer um filme através de um sistema de crowdfunding, parecido com as cotas de participação que o meu avô utilizara e, ainda como ele, vejo-me cercado igualmente por uma rede de intrigas e maledicências.

Desde quando resolvi fazer o documentário “O Jardim das Aflições”, um retrato do pensamento e do cotidiano do filósofo Olavo de Carvalho, vi-me numa trama típica do Brasil dos anos 2010, em que se busca politizar tudo.

A esquerda, desde os anos 1960, especializou-se em fazer retórica política no cinema. “De todas as artes, o cinema é a mais importante”, dizia Lênin. Hoje os esquemas da retórica socialista, da luta de classes até o discurso atualizado de opressão das minorias, tornaram-se o único terreno possível. Quem se opuser a isso frontalmente vai viver o mesmo que eu vivi.

Vi profissionais se recusarem a trabalhar no meu filme ou pedirem para não serem creditados, com medo de represálias da classe. Outros tentaram de todas as formas convencer profissionais a não trabalhar no documentário.

Antes tudo era subterrâneo. Ninguém falava nada sobre o documentário. Até que, depois de ser recusado por praticamente todos os festivais brasileiros, ele foi selecionado para o Cine PE, em Pernambuco.

Eu sabia que alguma coisa iria acontecer, mas não esperava tão escandalosa e ineficiente tentativa de censura. Não vou aqui entrar em detalhes sobre a absurdidade daquele ato; já o fizeram Cora Rónai, Cacá Diegues, André Barcinski, Ruth de Aquino, Eduardo Escorel, Carlos Andreazza e tantos outros.

Reforço apenas que se trata de um sintoma da condição doentia do establishment cinematográfico nacional ligado à esquerda socialista.

O cinema brasileiro é como uma casa fechada há três décadas. Quase tudo está mofado e podre. É preciso abrir as janelas e deixar o ar entrar.

No Recife, sentia-me como se tivesse chegado de Chernobyl: ninguém chegava perto, todos me evitavam, ninguém citava publicamente os meus projetos, nem mesmo meus amigos próximos. A classe falante da minha cidade permanece muda e complacente à tentativa de censura. Gilberto Freyre faz falta.

Em compensação, o público lota todas sessões do filme. A estreia no Recife confirmou essa visão: nunca uma plateia foi tão calorosa e atenta a um filme. Parecia final de Copa do Mundo, mas era só a estreia de um filme sobre filosofia.

Qual a explicação para isso? Esse é um público que foi ignorado por décadas no cinema brasileiro, por pura limitação ideológica.

O júri do Cine PE, liderado pelo mestre Vladimir Carvalho, consagrou “O Jardim das Aflições”com o prêmio de melhor filme e melhor montagem, e o público o elegeu como melhor pelo júri popular.

E eu dediquei os prêmios a Pedro Teófilo, meu avô.

JOSIAS TEÓFILO é cineasta e autor do livro “O Cinema Sonhado”. Dirigiu o documentário “O Jardim das Aflições”, sobre o filósofo Olavo de Carvalho.

“O Jardim das Aflições” é consagrado melhor filme

https://cine-pe.com.br/2017/07/03/o-jardim-das-aflicoes-e-consagrado-melhor-filme-do-cine-pe-2017/

“O Jardim das Aflições” é consagrado melhor filme do CINE PE 2017

A 21ª edição do Cine PE chegou ao fim, na noite desta segunda-feira (3), no Cinema São Luiz, e consagrou o pernambucano “O Jardim das Aflições”, documentário dirigido por Josias Teófilo, como Melhor Longa-Metragem escolhido pelo júri oficial do festival e pelo júri popular, que este ano foi realizado através de votação on-line. O polêmico documentário sobre o pensamento do filósofo Olavo de Carvalho mostra a rotina pacata do intelectual paulista, que atualmente reside com sua família na cidade de Colonial Heights, estado da Virgínia (EUA), partindo dos temas do livro homônimo publicado por Olavo em 1995. “O Jardim das Aflições” também ganhou o Calunga de melhor montagem.

A ficção “Diamante, o Bailarina”, de Pedro Jorde, de São Paulo, ganhou o prêmio de Melhor Curta Nacional. Já o curta “Luiza”, do paraense Caio Baú, recebeu Menção Honrosa do Júri pela delicadeza e sensibilidade na abordagem da sexualidade de uma jovem deficiente com sua família, mostrando os tabus e as dificuldades de lidar com essa realidade. Na competição de curtas pernambucanos, o vencedor foi “Los Tomates de Carmelo”, de Danilo Baracho.

O júri oficial do Cine PE foi formado por Emanoel Freitas (ator, diretor artístico, gestor e produtor de eventos), Indaiá Freire (jornalista, produtora cultural, mestra em literatura e cinema), Tony Tramell (jornalista, ativista cultural e assistente de direção), Caio Julio Cesano (Secretário Municipal de Cultura de Londrina, doutor em multimeios, mestre em Comunicação e Mercado), Naura Schneider (atriz, produtora e jornalista) e Vladimir Carvalho (documentarista, cineasta e escritor).

JÚRI POPULAR – o público do CINE PE pôde eleger, através de votação on-line no site https://cine-pe.com.br/vote/, os seus filmes favoritos nas três categorias do festival. Para o público, o melhor curta pernambucano foi “Autofagia”, de Felipe Soares. Já o melhor curta nacional ficou com o paulistano “Mulheres Negras: Projetos de Mundo”, de Day Rodrigues e Lucas Ogasawara. O melhor longa, para o júri popular, foi “O Jardim das Aflições” (PE), de Josias Teófilo.

PRÊMIO DA CRÍTICA – Composto pelos críticos Amilton Pinheiro, Ana Carolina Garcia, Clarissa Kuschnir e Rodrigo Torres, a crítica especializada concedeu a Calunga de Melhor Longa para “Los Leones” (MG), de André Lage, de Melhor Curta Nacional para “O Ex-Mágico” (PE), animação de Olimpio Costa e Mauricio Nunes, e de Melhor Curta Pernambucano para “Entre Andares” (PE), de Aline van der Linden e Marina Moura Maciel.

PRÊMIO CANAL BRASIL – Com júri formado pelos jornalistas Amilton Pinheiro, Ana Carolina Garcia, Clarissa Kuschnir, Robledo Milani e Rodrigo Torres, o Prêmio Canal Brasil elegeu como melhor curta “Diamante, o Bailarina” (SP), de Pedro Jorge. Com o objetivo estimular a nova geração de cineastas, o Canal Brasil oferece, nos principais festivais de cinema do país, um troféu e R$ 15 mil para o melhor filme de curta-metragem, que também é exibido em sua grade de programação.

Confira lista completa de premiados:

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS

Melhor Filme – “Los Tomates de Carmelo” (PE), Danilo Baracho

Melhor Direção – Danilo Baracho, “Los Tomates de Carmelo” (PE)

Melhor Roteiro – Marcelo Cavalcante, “Marina e o pássaro perdido” (PE)

Melhor Fotografia – Danilo Baracho, “Los Tomates de Carmelo” (PE)

Melhor Montagem – Marcus Paiva, “Soberanos da Resistência” (PE)

Melhor Edição de Som – Sérgio Kyrilos, “Marina e o pássaro perdido” (PE)

Melhor Trilha Sonora – Carlos Ferrera, “Soberanos da Resistência” (PE)

Melhor Direção de Arte – Felipe Soares, “Autofagia” (PE)

Melhor Ator – Emanuel David D`Lúcard, “Autofagia” (PE)

Melhor Atriz – Brenda Lígia, “Aqui Jaz” (PE)

JURI POPULAR – “Autofagia” (PE), Felipe Soares

PREMIO DA CRÍTICA – “Entre andares” (PE), Aline van der Linden e Marina Moura Maciel

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS

Melhor Filme – “Diamante, o Bailarina” (SP), Pedro Jorge

Melhor Direção – Day Rodrigues e Lucas Ogasawara, “Mulheres Negras: projetos de mundo” (SP)

Melhor Roteiro – Olimpio Costa e Mauricio Nunes, “O Ex-Mágico” (PE)

Melhor Fotografia – Pedro Maffei, “Retratos da Alma” (DF)

Melhor Montagem – Márcio Miranda Perez, “Quando os dias eram eternos” (SP)

Melhor Edição de Som – Jefferson Mandú, “O Ex-Mágico” (PE)

Melhor Trilha Sonora – Claudio Nascimento, “O Ex-Mágico” (PE)

Melhor Direção de Arte – Daniela Aldrovandi, “Diamante, o Bailarina” (SP)

Melhor Ator – Eucir de Souza, “Sal” (SP)

Melhor Atriz – Helena Albergaria, “O Tronco” (SP)

MENÇÃO HONROSA DO JÚRI – “Luiza” (PR), Caio Baú

JURI POPULAR – “Mulheres Negras: projetos de mundo” (SP), Day Rodrigues e Lucas Ogasawara

PREMIO DA CRÍTICA – “O Ex-Mágico” (PE), Olimpio Costa e Mauricio Nunes

PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS

“Diamante, o Bailarina” (SP), Pedro Jorge

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS:

Melhor Filme – “O Jardim das Aflições” (PE), Josias Teófilo

Melhor Direção – Edu Felistoque, “Toro” (SP)

Melhor Roteiro – Edu Felistoque, Julio Meloni, “Toro” (SP)

Melhor Fotografia – Alex Lopes, João Atala, Raul Salas, Natalia Sahlit, Inti Briones, “O Crime da Gávea” (RJ)

Melhor Montagem – Matheus Bazzo e Daniel Aragão, “O Jardim das Aflições” (PE)

Melhor edição de som – Guilherme Picolo, Lucas Costabile, “Toro” (SP)

Melhor Trilha Sonora – Nancys Rubias , She Devils , Kumbia Queers, “Los Leones” (MG)

Melhor Direção de Arte – Lúcia Quental, “O Crime da Gávea” (RJ)

Melhor Ator Coadjuvante – Rodrigo Lampi, “Toro” (SP)

Melhor Atriz Coadjuvante – Aline Fanju, “O Crime da Gávea” (RJ)

Melhor Ator – Mário Bortolotto, “Borrasca” (SP)

Melhor Atriz – Simone Spoladore, “O Crime da Gávea” (RJ)

JURI POPULAR – “O Jardim das Aflições” (PE), Josias Teófilo

PREMIO DA CRÍTICA – “Los Leones” (MG), André Lage

Voz feminina

Deus criou a voz feminina para que fosse encantadora e tocasse os corações; a voz masculina para que despertasse respeito e seriedade. Uma mulher obrigada a falar como homem é uma heroína abandonada por aquele que deveria protegê-la. O homem que aceita a imposição de falar como mulher é o canalha que a abandonou.

Livros sobre o marxismo

Direto do perfil de Flavio Morgenstern seguem alguns trechos de minhas postagens.

No Brasil é assim : Comunista só lê comunistas, liberal só lê liberais, e assim por diante. Cada um tem medo de contaminar a sua alminha com pensamentos pecaminosos.

Para um sujeito falar com alguma propriedade sobre o movimento comunista, deve antes ter estudado as seguintes coisas:

(1) Os clássicos do marxismo: Marx, Engels, Lênin, Stálin, Mao Dzedong.

(2) Os filósofos marxistas mais importantes: Lukács, Korsch,
Gramsci, Adorno, Horkheimer, Marcuse, Lefebvre, Althusser.

(3) “Main Currents of Marxism”, de Leszek Kolakowski.

(4) Alguns bons livros de história e sociologia do movimento
revolucionário em geral, como “Fire in the Minds of Men”, de James H. Billington, “The Pursuit of the Millenium”, de Norman Cohn, “The New Science of Politics”, de Eric Voegelin.

(5) Livros dos críticos mais célebres do marxismo, como Eugen von Böhm-Bawerk, Ludwig von Mises, Raymond Aron, Roger Scruton, Nicolai Berdiaev e tantos outros.

(6) Livros sobre estratégia e tática da tomada do poder pelos comunistas, sobre a atividade subterrânea do movimento comunista no Ocidente e principalmente sobre as “medidas ativas” (desinformação, agentes de influência), como os de Anatolyi Golitsyn, Christopher Andrew, John Earl Haynes, Ladislaw Bittman, Diana West.

(7) Depoimentos, no maior número possível, de ex-agentes ou militantes comunistas que contam a sua experiência a serviço do movimento ou de governos comunistas, como Arthur Koestler, Ian Valtin, Ion Mihai Pacepa, Whittaker Chambers, David Horowitz.

(8) Depoimentos de alto valor sobre a condição humana nas sociedades socialistas, como os de Guillermo Cabrera Infante, Vladimir Bukovski, Nadiejda Mandelstam, Alexander Soljenítsin, Richard Wurmbrand.

É um programa de leitura que pode ser cumprido em quatro ou cinco anos por um bom estudante. Não conheço, na direita ou na esquerda brasileiras, ninguém, absolutamente ninguém que o tenha cumprido.

A campanha dos histéricos contra os meus alunos não deixa de ter sua razão de ser. Eles pressentem que, quando vocês começarem a publicar livros, teses acadêmicas e artigos em jornais, o tempo deles terá acabado de uma vez para sempre.

Quem é Marilena Chauí, quem é Vladimir Safatle, quem é Breno Altman, quem é qualquer um desses vigaristas comparado aos melhores alunos dos meus cursos? Um nada, absolutamente um nada. Por enquanto, continuem estudando e se preparando em silêncio.

No momento devido, vamos restaurar a alta cultura neste país e não haverá mais lugar para a putaria subsidiada.

O Jardim das Aflições – Bruno Pessoa

Filme sobre Olavo de Carvalho lota sessão do Cine PEExibição de O Jardim das Aflições foi marcada pela reação calorosa do público

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/viver/2017/06/29/internas_viver,710688/filme-sobre-olavo-de-carvalho.shtml

20170629071051218596iAlguns temiam protestos durante a sessão de O jardim das aflições, documentário de Josias Teófilo sobre o filósofo Olavo de Carvalho, exibido na segunda noite do Cine PE, na quarta-feira (28). O receio se mostrou infundado bem antes da projeção: bastou o nome do diretor ser anunciado na abertura da programação e boa parte do público presente no Cinema São Luiz ovacionou o jovem cineasta pernambucano.

Confira o horário dos filmes em cartaz no Divirta-se

Segundo a organização do festival, os ingressos esgotaram ainda na terça-feira (27) e quase mil pessoas compareceram ao evento. Longe de qualquer reação negativa, o que se viu foi uma aclamação antecipada, como se a simples presença do documentário na programação fosse motivo de celebração. Poucas vezes a audiência do Cine PE se mostrou tão efusiva, de forma tão unânime. Além das salvas de palmas e gritos calorosos, muitos abordaram pessoalmente o diretor para cumprimentos ou fotos.

A inclusão do documentário na grade do festival quase inviabilizou o evento, já que, no mês passado, alguns cineastas decidiram retirar suas obras em discordância à escalação de O jardim das aflições e do filme Real: O plano por trás da história, exibido na noite da segunda-feira (27). A saída dos realizadores criou lacunas na programação, obrigando o adiamento do evento, mas a celeuma trouxe enorme exposição para o longa de Josias, visibilidade antes restrita quase que exclusivamente aos admiradores do filósofo e apoiadores do projeto, viabilizado em boa parte a partir de uma plataforma de financiamento coletivo.

O filme entra em cartaz hoje no circuito comercial, no UCI Recife. Josias Teófilo espera também conseguir emplacar o filme na programação Cinema São Luiz. Durante discurso que precedeu a exibição do longa do Cine PE, fez questão de citar nominalmente o programador da sala, Geraldo Pinho, e falar sobre o desejo de ver O jardim das aflições em cartaz no tradicional cinema.

A polêmica acabou, em certa medida, sendo benéfica também para o festival, ao menos neste segundo dia de evento: raras vezes nos últimos anos o Cine PE público tão expressivo, ainda mais em uma noite de quarta-feira. Bom também para outros realizadores que tiveram as obras exibidas na ocasião. A programação contou com as animações Almas secas e Marina e o passarinho perdido, além do documentário Soberanos da resistência, concorrentes na Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Pernambucanos. Já a mostra competitiva nacional teve três títulos: O ex-mágico (PE), Luiza (PR) e Dia dos namorados (RS).

Higienizando o ambiente

Se tenho um certo orgulho de haver higienizado um pouco o ambiente intelectual brasileiro, nunca dei grande valor aos meus escritos antipetistas e anti-Foro-de-São Paulo. Eram apenas o cumprimento de uma obrigação jornalística elementar que os coleguinhas em geral se recusavam obstinadamente a cumprir. Também é certo que ocasionalmente esses escritos serviram para ilustrar conceitos e métodos que expus nos meus cursos de filosofia política, mas sua importância não vai além disso.
Se essa parte do meu trabalho ajudou acidentalmente alguns oportunistas a subirem na vida, estimulando-os a brilhar como criadores retroativos das minhas opiniões, não me parece que estivesse ao meu alcance controlar todos os efeitos colaterais das minhas ações. E, se a mídia esquerdista não consegue me distinguir dessas criaturas, é porque está no nível delas e não no meu. Na verdade, para usar uma expressão clássica do Eric Voegelin, a quase totalidade do que se escreve sobre política neste país, na gama inteira do espectro ideológico, está abaixo da possibilidade de uma discussão racional e só pode ser objeto de estudo sociopsicológico, no mais das vezes sociopatológico.