Perfeição moral

Há gays valentes e heterossexuais boiolas. A quintessência da boiolice não tem nada a ver com sexo. É uma covardia abjeta, um desfibramento da alma, uma pusilanimidade visceral ~ que os educadores de hoje em dia consideram o suprassumo da perfeição moral e os engenheiros da ONU gostariam de espalhar por toda a humanidade.

O que eu preciso lembrar

Isto é tudo o que eu preciso lembrar todos os dias para não me tornar um idiota:

Criador inefável, Tu que és a fonte verdadeira da luz e da ciência, derrama sobre as trevas da minha inteligência um raio da tua claridade. Dá-me inteligência para compreender, memória para reter, facilidade para aprender, sutileza para interpretar, e graça abundante para falar.

Meu Deus, semeia em mim a semente da tua bondade. Faz-me pobre sem ser miserável, humilde sem fingimento, alegre sem superficialidade, sincero sem hipocrisia; que faça o bem sem presunção, que corrija o próximo sem arrogância, que admita a sua correção sem soberba, que a minha palavra e a minha vida sejam coerentes.

Concede-me, Verdade das verdades, inteligência para conhecer-te, diligência para te procurar, sabedoria para te encontrar, uma boa conduta para te agradar, confiança para esperar em ti, constância para fazer a tua vontade.

Orienta, meu Deus, a minha vida, concede-me saber o que tu me pedes e ajuda-me a realizá-lo para o meu próprio bem e o de todos os meus irmãos. Amém.

Sto. Tomás de Aquino

Frases de Olavo de Carvalho X

O amor é sobretudo um instinto de defender o ser amado contra a tristeza.

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Não existe caminho das pedras. O Brasil só pode ser melhorado cérebro por cérebro.

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Não há ingenuidade maior do que querer parecer esperto.
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-O que você quer ter sido quando morrer?

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O Brasil só tem DOIS problemas: uma incultura MONSTRUOSA e a ânsia do brilho fácil.

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Pare de propor soluções nacionais, seu filho da puta. Faça algo para se educar e educar as pessoas em torno.

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Já expliquei mil vezes: Não tenho nenhuma solução para os problemas nacionais, mas tenho algumas para você deixar de ser burro.

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Estudar pouco e discutir muito é a desgraça do brasileiro.

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À medida que vai se empoderando, o sujeito sai logo enfoderando todo mundo em torno.

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O comodismo conservador é tão obsceno quanto o fanatismo esquerdista.

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A moral burguesa só se preocupa com pequenos deslizes sexuais porque é covarde demais para enxergar os grandes crimes do satanismo universal.

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Ser jovem é uma doença que o tempo cura.

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Em grego, “idios” quer dizer “o mesmo”. “Idiotes”, de onde veio o nosso termo “idiota”, é o sujeito que nada enxerga além dele mesmo, que julga tudo pela sua própria pequenez.

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Quanto ao politicamente correto: só crianças acreditam que mudando o nome de algo, ele passa a ser o que elas desejam.

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O Brasil é o país em que famílias de bandidos mortos em conflito de facções nos presídios tem o direito a uma indenização do Estado e as vítimas destes mesmos criminosos da sociedade não faz jus a nada.

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Revolução é um projeto de futuro para toda a sociedade a ser implantado mediante a concentração de poder.

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A vocação é algo para o qual você tem uma resistência específica. A minha resistência específica é a burrice humana.

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A resposta-padrão “Fascista é o cu da sua mãe” está superada. Agora é “Comunista é o cu da sua mãe”.

Feliz Ano Novo

Meus votos de Feliz Ano Novo para cada um de vocês são os seguintes: Aconteça o que acontecer, não se deixe desencorajar. Não feche os olhos ante a realidade, por pior que ela seja. A coragem do espírito, o amor incondicional à verdade, é a mãe de todas as virtudes — e não existe amor à verdade quando, por pensar que já a possui, você deixa de buscá-la. Peça a Deus que preserve, acima de tudo, a luz da sua consciência e a sua humildade de reconhecer a verdade quando ela aparece e é diferente do que você esperava. O resto deixe por conta d’Ele. Assim você atravessará o ano vitoriosamente, mesmo que tudo em volta seja derrota e tristeza.

Apelo a pais e mães

Sempre apelo a pais e mães, com o risco de me defrontar com o seu ceticismo e até com uma ponta de escárnio: Custe o que custar, nunca façam a sua criança chorar. Nunca. Nem sob os pretextos mais lindamente moralizantes. Uma criança pequena (digamos, até uns cinco anos) se esquece muito facilmente de um conselho, de uma ordem, de uma repreensão, mas o SENTIMENTO que isso lhe infundiu permanece para sempre, totalmente separado do conteúdo lógico e moral que você pretendia lhe transmitir. Você quis ensinar moral, disciplina, bom comportamento, mas ensinou só tristeza, raiva, ressentimento, depressão. O aprendizado das regras morais só é possível quando a criança alcançou um domínio lingüistico suficiente para poder reagir antes com a inteligência mais fina do que com a emoção imediata. No começo da vida, só o que interessa é transmitir à criança aquele amor incondicional que infundirá nela, justamente, a segurança emocional que a tornará capaz, mais tarde, de introjetar regras de comportamento sem excessivo dispêndio de energia emocional. Isso deveria ser óbvio à primeira vista, mas quantos pais e não vêm, em resposta, brandir na minha cara um exemplar da Bíblia e falar das virtudes das reprimendas e castigos, sem que nunca lhes ocorre perguntar de que idade são os filhos e filhos que a Bíblia manda reprimir e castigar.

Controle social

Não há instrumento de controle social mais eficiente do que a imposição de novas normas de linguagem, que limitam o pensamento e modelam a conduta das multidões e mesmo das elites sem que estas ou aquelas, no mais das vezes, cheguem sequer a perceber que estão sendo manipuladas.

Aprendizado voluntário

”A partir de um certo momento na vida só existe o aprendizado voluntário. Reparem que o aprendizado de uma criança não é voluntário, é espontâneo. Na medida em que a criança cresce, ela busca novos conhecimentos como alguém que busca apenas respirar; ela tem uma curiosidade sem fim. Contudo, num dado momento, isso não é mais possível. Você somente aprenderá aquilo que for de teu real interesse. Mas por que você deve querer aprender? Essa é a pergunta. Você somente irá querer aprender se você vislumbrar algum objetivo que transcenda infinitamente os teus interesses pela sobrevivência imediata. Você não sabe exatamente o que é esse objetivo, mas você o vislumbra. E isso é o que nós podemos chamar de imagem paradisíaca. Se não existe uma imagem apocalíptica, o fim do mundo!, e de uma outra vida que transcenda tudo aquilo que nós conhecemos, se não existem imagens do paraíso, da felicidade eterna, então não há razão para aprender.

Excetuando os aprendizados para fins pragmáticos e imediatos, o que move o aprendizado ideal é uma aspiração pelo Infinito que existe no ser humano. Em princípio, nós podemos dizer que a aspiração pelo Infinito é a própria natureza humana, ou seja, para sermos humanos precisamos ter essa aspiração, do contrário seremos apenas bichinhos. Mas essa possibilidade que define o ser humano raramente é realizada por todos. Dito de outro modo, a maior parte dos seres humanos permanece abaixo do que é a possibilidade humana essencial.

Então, se uma criança tem o seu conhecimento ampliado espontaneamente na medida em que ela cresce, você, já adulto, parou de crescer, e só aprenderá se fizer um esforço a mais, se quiser, de fato, aprender. E você só desejará aprender se você medir a sua vida na escala do Infinito ou da felicidade eterna. Sem a imagem paradisíaca o ser humano paralisa. E é isso, no fundo, que nós buscamos quando lemos qualquer livro. Por trás do simples ato de você ler mais uma página existe o Infinito buscado por você. Se não existir, não há motivo para ler. A não ser que seja uma leitura para fins imediatos que auxiliem em tua subsistência. Assim, para ler, não é necessária uma técnica, mas uma motivação. E a única motivação fundamental é a aspiração pelo Infinito. Essa motivação pode te levar a compreender as coisas mais difíceis. Se você entender que o aprendizado de certos assuntos que você quer aprender no momento, por difíceis que sejam, possui sob si o acesso à dimensão paradisíaca, ninguém vai segurar você. Você aprenderá o assunto de qualquer modo.

Mas é claro que a relação entre o objetivo último de todo aprendizado, mediante a leitura ou não, e as dificuldades imediatas, tem que aparecer de modo claro para você. E frequentemente ela não aparece. Assim, você se perguntará: ‘Em que isto me auxiliará a alcançar o objetivo último?’. De início, uma coisa parecerá nada ter a ver com a outra. E por isso surgirá o problema do que você deve ler e estudar. A resposta é esta: leia e estude somente aquilo que pareça aproximar você da beatitude eterna. Aquilo que não tem para você o atrativo da felicidade eterna não te dará forças para aprender, e, na verdade, não há razão alguma para aprender”.

(Como tornar-se um leitor inteligente)

Politicamente correto

Muito antes da era do politicamente correto, eu já odiava piadas racistas. Sempre entendi a sátira como uma das armas preferenciais dos fracos contra os fortes, contra os importantes, contra os manda-chuvas. Fazer sátira dos pequenos, dos vencidos da vida, não é sátira, é sadismo e, pior ainda, é ostentação vaidosa de uma superioridade sem mérito, nascida do acaso e da sorte. Mas hoje em dia a indignação que se exibe contra as piadas racistas não é um sentimento genuíno, é uma chantagem emocional, é um teatrinho histérico, postiço a mais não poder, planejado para tomar a superioridade de quem não a merece e dá-la a outro que a merecerá menos ainda, porque não a terá recebido do mero acaso e sim do fingimento calculado, da fraude e do roubo.

Natal

Quando você fala com alguém, não joga simplesmente palavras para todo lado, mas as dirige a uma pessoa determinada, da qual você sabe alguma coisa. Falar com Deus não é diferente disso.

Que poderia ser o melhor Natal da sua vida? Aquele em que você percebesse claramente a Presença de Deus. Que é a Presença de Deus? Ela é tantas coisas que todos os livros do mundo não bastariam para descrevê-la. De todas essas coisas, sei somente uma, uminha. Ela pode ser muito modesta no conjunto, mas para mim é a mais importante, justamente porque é a única que conheço com a certeza absoluta de quem viveu a experiência e sabe do que está falando.
Vou tentar resumi-la. Espero que você goste deste presente de Natal.

É o seguinte. Quando você fala com alguém, não joga simplesmente palavras para todo lado, mas as dirige a uma pessoa determinada, da qual você sabe alguma coisa. Falar com Deus não é diferente disso. Você tem de se dirigir a Ele como a uma pessoa determinada, não um anônimo desconhecido que não está em parte alguma.

Você tem de se apegar a algo que você sabe de Deus com certeza, e falar a esse algo como se fosse Deus inteiro. É claro que não é, mas Deus não liga para isso. Quando falamos com seres humanos, é a mesma coisa. Você fala com esta pessoa, neste lugar, num momento determinado do tempo, como se o que estivesse diante de você fosse a pessoa inteira, do nascimento à morte, sabendo que não é, mas que de algum modo o que você diz a esse recorte de pessoa chega à pessoa inteira.

Pois bem, de Deus há uma coisa que sei com certeza, e é por esse canal que falo com Ele.

Na verdade são duas coisas.
A primeira é que Ele me conhece mais do que eu mesmo, e que nada que eu diga de mim para Ele será novidade. Ao contrário: conto um pedacinho da história e Ele me mostra o resto.

Só há um problema: Você quer mesmo saber tanta coisa a seu respeito? Se você não tem a firme disposição de aceitar o seu retrato tal como Deus o mostra, com todas as surpresas agradáveis e desagradáveis que Ele tem para lhe mostrar, Ele não lhe mostrará nada.

Às vezes queremos contar a Deus os nossos pecados, mas como podemos fazê-lo, se é o próprio Espírito Santo quem nos ensina quais são esses pecados? Às vezes pensamos que é um, e na verdade é outro. Uma boa coisa é pedir a Deus que lhe revele seus verdadeiros pecados, para que você os confesse. Nos dias seguintes você vai se lembrar de vários deles, que já tinham se perdido na memória ou que nunca estiveram lá.

Mas é claro que o que estou dizendo não se refere só a pecados. Você pode pedir que Deus lhe mostre quem você é. Só que, se Ele mostrar tudo de uma vez, não caberá no seu círculo de atenção. Portanto, peça que Ele lhe revele, de tudo quanto você é, só aquilo que Ele acha verdadeiramente importante que você saiba na presente etapa da sua vida.

A segunda coisa é essencial para que isso funcione.
Todos nós falamos de nós mesmos usando a palavra “eu”. O eu é o centro agente e consciente que tenta dirigir os nossos atos e pensamentos no meio de uma gigantesca confusão que vem do nosso inconsciente, do meio social, de fragmentos de conversas entreouvidas, da TV, do diabo. Ora, toda essa confusão está em nós, ela é nós de algum modo, mas não é o nosso “eu”. Isso quer dizer que cada um de nós só é um “eu” de maneira parcial e imperfeita. Somos muito imperfeitamente personalizados. Há muitos pedaços em nós que nos são estranhos, que são anônimos. Pedaços de nós que são coisa, e não pessoa.
Os bichos e coisas ao nosso redor não têm um eu. Não podem falar consigo mesmos, viver a vida interior de alguém que se conhece como centro agente, responsável, consciente, ao menos em parte, da sua história e co-autor consciente, espera-se, dos capítulos restantes.

De todos os seres e coisas, só o ser humano tem um “eu”, ainda que incompleto e imperfeito.

Deus, no entanto, tem um Eu completo e perfeito. Ele mesmo, por meio de Moisés, nos ensinou o Seu Nome, e esse nome é “Eu Sou”. Nele não há elementos estranhos, que Ele próprio desconheça. Em Deus não existe alteridade.
Mas se o Eu de Deus é completo e perfeito, e o nosso é parcial, fragmentário e imperfeito, isso quer dizer que só temos um eu por Graça de Deus, porque Ele nos conferiu, na medida das nossas possibilidades, uma capacidade que, a rigor, só Ele possui.

Foi nesse sentido que Paul Claudel, o poeta, disse: “Deus é Aquele que, em mim, é mais eu do que eu mesmo.”
Deus, portanto, não só sabe tudo a seu respeito, mas é d’Ele que vem a capacidade que você tem de falar consigo mesmo (e com Ele), a capacidade de possuir uma “intimidade” que nenhuma coisa ou bicho jamais terá.
Foi por isso que outro poeta, Antonio Machado, disse: “Quem fala consigo espera falar a Deus um dia.”
Um dia? Quando? Você salta da conversa solitária para a conversa com Deus no instante em que toma consciência de que:
(a) está falando com Alguém que conhece você melhor que você mesmo;
(b) está falando com Alguém que é a própria raiz, a fonte mais íntima da sua capacidade de conhecer-se e de falar consigo mesmo.
Alguém que é mais você do que você mesmo. Então você descobre que Ele sempre esteve aí e que a única coisa que separava você d’Ele era o que o separava de você mesmo.
A partir desse instante, o falar consigo mesmo, na oração, é uma abertura para descobertas sem fim e para uma intensificação do seu eu, da sua consciência de si, da sua presença diante de si mesmo, dos outros eus, do mundo e do próprio Deus.”

Descubra isto neste Natal e seja feliz.

Paralaxe Cognitiva

Surgiu em um grupo privado uma pergunta sobre a diferença entre o conceito de “Paralaxe Cognitiva” do Professor Olavo de Carvalho e de “Contradição Performativa” do Jürgen Habermas. Como o assunto pode interessar aos meus colegas do COF e aos leitores do Olavo, publicarei aqui minha resposta:

«Não há como confundir as duas coisas. Mesmo aquelas análises rasteiras que tomam por base o significado dicionarístico dos termos já dariam conta de distinguir os dois conceitos.

A palavra “performativo” que serve de qualificativo no conceito de “Contradição Performativa” se refere aos pressupostos comunicativos imprescindíveis a todo ato discursivo. Isso já dá uma pista de que a “contradição performativa” nada mais é do que uma contradição formal entre o conteúdo proposicional do discurso (o “que” é dito) e o ato ilocucionário (o “como” é dito). É uma contradição que se revela atomisticamente APENAS no ato do discurso. Quem é capaz de entender isso e tem alguma cultura filosófica também é capaz de entender que a contradição performativa é um conceito bem restrito e que só faz sentido dentro da filosofia analítica (e de seus derivados), lidando apenas com o discurso lógico.

A “Paralaxe Cognitiva”, por outro lado, é o deslocamento entre um sistema filosófico e a experiência real do filósofo. Não se trata de uma mera contradição lógico-discursiva, mas sim de um “fechamento” para a realidade, de uma negação da experiência concreta em nome de uma construção mental. A “paralaxe cognitiva” não se revela no ato ilocucionário e nada tem a ver com o elemento performático do discurso, pois, diferentemente da “contradição performativa”, ela pressupõe uma epistemologia (como a do intuicionismo radical do Olavo) capaz de ir além da linguagem e dos fenômenos (no sentido kantiano) e acessar a essência das coisas, a realidade mesma.

Maquiavel, por exemplo, não cometeu nenhuma “contradição performativa” n’O Príncipe, já que não apresentou nenhuma afirmação que pode ser desmentida pelo simples ato performativo de afirmá-la, mas sua elaboração teórica da estratégia de tomada e manutenção do poder é um caso clássico de “paralaxe cognitiva”, já que se fosse posta em prática teria como uma de suas primeiras consequências o assassinato do próprio Maquiavel (que desejava, ele próprio, aumentar seu quociente de poder e de influência, o que tem como primeiro pressuposto não morrer).

Em suma, uma coisa não tem nada a ver com a outra.»

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Olavo de Carvalho Filipe G. Martins Explicação perfeita. Uma só paralaxe cognitiva pode gerar uma montanha de contradições performativas.

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Olavo de Carvalho P. S. – Investigar contradições performativas pode ser uma boa pista para diagnosticar uma paralaxe cognitiva, embora esta possa também existir sem elas.