Educar os filhos.

Andre Chilano

5 h · 

– Olavo de Carvalho, COF – Aula 197
Eu vejo as pessoas se preocupando sobre como vão educar os filhos. Bom, eu também não sei como você deve educar seu filho, mas eu vou te fazer uma pergunta: quando ele tem algum sofrimento, é você o remédio que ele procura? Quando está infeliz, ele diz assim ‘Eu vou lá com meu pai, porque ele vai me deixar alegre’? Se a resposta é não, então tem algo errado.

Porque a primeira função de pai e mãe é proteger a criança. Mas não é só proteger contra a fome, contra os bandidos, etc., é proteger também contra os demônios que a assaltam desde dentro, contra os perigos psicológicos, contra os temores, contra a infelicidade, contra a tristeza! O pai e a mãe têm que ser o abrigo da criança contra essas coisas.

Se meu filho está triste, como é que eu vou fazer para alegrá-lo? Vou fazer umas palhaçadas, contar uma piada? Não, isto é muito externo, eu estarei rebaixando o sofrimento dele. Às vezes uma piada conserta, claro, mas outras vezes não é assim. Então tem de haver algo que transmite uma alegria direto do seu coração para o da criança. E se você fizer isso uma vez, duas vezes, três vezes, você nunca terá problema de educação com essa criança, porque ela vai te obedecer em tudo. Porque ela confia em você. Mas eu nunca vi as pessoas tentando fazer isso. Se elas se preocupam com a educação das crianças, é porque algo está dando errado, mas está dando errado porque o item número um não foi preenchido!

Por que as pessoas obedeciam a Jesus Cristo? É simples: porque se tinha uma tempestade e elas ficavam apavoradas, Jesus Cristo mandava parar a tempestade, e ela parava. Se o sujeito faz isso pra mim, eu o obedeço em qualquer coisa! Sim ou não? Então, bom, nós não temos o poder de parar as tempestades, mas há coisas que nós podemos fazer, tempestades interiores que nós podemos parar.

Eu, sinceramente, vi mais pessoas preocupadas com seu filho ter uma boa educação, fazer uma boa escola ou desenvolver certas virtudes do que essa preocupação de você ser o remédio da tristeza dos seus filhos, de você ser o porto seguro onde, quando eles atracam, a tristeza vai embora.

Bom, se Jesus Cristo mandasse parar a tempestade, e ela não parasse, vocês acham que as pessoas continuariam lhe obedecendo? Podia ter uma boa conversa, mas não ia resolver nada, não é?

É esta verdadeira proteção que você tem que dar ao seu filho, e se você der isso, não terá nenhum problema pra educá-lo, porque ele vai te obedecer em tudo, eu garanto isso pra você! Se você é a fonte da alegria, você é a fonte da vida, e ele vai te obedecer porque isso é bom pra ele. Agora, se você precisa usar de uma ameaça ou chantagem, é porque já perdeu o principal. E o principal se chama autoridade, e autoridade significa você ser AUTOR de alguma coisa! Então é algo que sai de você e vai para a criança, e de que ela precisa desesperadamente.

Qual a primeira virtude necessária? Não seria ele amar a você como ama a si mesmo? Se você não faz isso pra ele, como espera que ele faça isso para os outros?

Via Everton Marinho

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Lentes deformantes

Foi Maquiavel quem ensinou ao Ocidente que olhar a humanidade pelas lentes deformantes da malícia corrosiva, atribuindo a tudo os motivos mais baixos e sórdidos, é realismo. Mas isso não é realismo nenhum. É uma redução metonímica da substância a algumas de suas propriedades e acidentes. É fantasia de um tímido ressentido que, incapaz de se opor eficazmente à adversidade, se vinga da própria fraqueza xingando e rebaixando a espécie humana. 
A deformação maquiavélica do rosto humano se tornou, no último século, quase uma obrigação para muitos escritores, mas, da minha parte, desde jovem notei que nada poderia compreender da realidade se não me vacinasse primeiro contra o vírus desse Ersatz de realismo

Derrotas

Não desanimem. Ante a derrota dos cristãos na Primeira Cruzada, São Bernardo de Clairvaux disse que quem não se escandalizasse com essa incompreensível sentença divina já seria, só com isso, um santo. Hoje temos de suportar no mínimo um escândalo por dia. Talvez alguns de vocês se tornem santos.

Consciência

Se a consciência que tenho de mim mesmo — a identidade do meu “eu”– fosse um efeito da continuidade corporal, ela seria inconstante e mutável como os sucessivos estados do meu corpo, e não haveria por trás destes uma consciência constante capaz de registrar, comparar e unificar num conceito geral estável as mudanças que o meu corpo sofre. Se fosse um produto da impregnação linguística, um simulacro de identidade introjetado pelo uso repetido do nome e do pronome, como faria eu para saber que o nome pelo qual me chamam e o pronome pelo qual me designo se referem a mim? Se, por fim, fosse um resultado da abstração que por trás dos estados apreende a unidade da substância, QUEM, pergunto eu, operaria o mecanismo abstrativo?

Conclusão: a identidade do meu eu é independente e transcendente em face do meu corpo, da linguagem e das operações da minha inteligência abstrativa. É uma condição prévia sem a qual não pode haver identidade corporal, nem linguagem, nem pensamento. A identidade do “eu” é a própria unidade do real que se manifesta na existência de uma substância em particular que sou eu. Nenhuma explicação causal tem o poder de reduzi-la a qualquer fator, pois é ela que unifica todos os fatores. A existência do “eu” é o inexplicável por trás de tudo o que é explicável.”

“Quando morremos, vemos, desde cima, o nosso corpo inerte. É a prova de que jamais “tivemos” um corpo, apenas passamos por ele como inquilinos. Mas, se não possuímos um corpo, como podemos possuir tudo o mais que ele utiliza, manipula, desfruta e padece? Esta é a verdade dura e sublime: nada possuímos além de um “eu”.Os místicos que nos pedem para eliminar o “eu” querem que façamos algo que eles mesmos não podem fazer — e que, aliás, se fosse feito, não seria de utilidade alguma.Podemos nos livrar de sucessivas idéias do eu surgidas ao longo da nossa existência, mas livrar-nos do eu propriamente dito seria livrar-nos de quem nos livra dessas idéias.Falar em “alma” não resolve grande coisa. Se fôssemos a nossa “alma” não poderíamos contemplá-la e julgá-la. Concepções erradas sobre o eu estão na base de toda ética formulada em termos de “egoismo” e “altruísmo”. NENHUMA conduta moral, seja a de um santo, a de um “serial killer” ou a de um zé-mané, pode ser descrita nesses termos.”

Quando for escritor

Aluno – Quando vou saber se já li literatura o suficiente para estudar filosofia?
Olavo de Carvalho – No dia em que você escrever coisas e puder dizer o seguinte: “Poxa, eu já estou escrevendo como George Bernanos, ou Léon Bloy, ou Alessandro Manzoni”. Na hora em que você disser “Opa, entrei no grêmio dos escritores”. Olha, antes de você ser um filósofo, você precisa ser um escritor de algum modo, não apenas um jornalista. Você precisa escrever como um escritor, não como jornalista. Há certos filósofos que não são conhecidos pelo valor estilístico dos seus escritos, mas quando você analisa esses escritos e vê o domínio da linguagem que esse sujeito tem, você diz “Esse cara é mais do que um poeta!” Você lê Edmund Husserl, por exemplo, descrevendo em termos técnicos as operações mais finas do conhecimento humano. É um prodígio de linguagem o que esse sujeito faz, apesar de a linguagem que esse sujeito usa não é aquela conhecida comumente como literária, mas ele tem o pleno domínio dos meios de expressão.”

Sociedade sem classes

“Entendam a coisa mais simples do mundo: Os comunistas prometem uma sociedade sem classes, mas não podem realizá-la sem antes obter o poder total sobre a sociedade. Como nenhum poder é total, a luta pela conquista e pela consolidação do poder não termina nunca e a sociedade sem classes não precisa jamais ser realizada. Sempre foi assim e sempre será assim.
O que define o comunismo não é portanto a sociedade sem classes, mas a luta pelo poder total. Nada mais.
Karl Marx não era idiota ao ponto de não perceber uma coisa tão óbvia. Por isso mesmo, quando lhe perguntavam como seria a sociedade sem classes ele logo desconversava.
Por que os governos comunistas, quanto mais poderosos ficam, mais assassinos se tornam e vice-versa? Porque essa é a lógica interna a que a idéia da “sociedade sem classes” não pode escapar. Para o advento da sociedade sem classes, sempre faltará remover mais alguns obstáculos…”

Pedro Bial

Dahise Brando

Ontem às 15:35 · 

Ainda não tinha postado as minhas fotos que foram tiradas na casa do professor Olavo de Carvalho, na entrevista que ele deu ao Bial! Essa entrevista parece que irá ao ar no dia 9/10 de abril no programa dele, foram quase duas horas de conversa informal, mas quando se corta a gordura e comerciais, não passará de uns 45 minutos, isso sem falar que, por nunca ter assistido o programa dele com entrevistas internacionais, nāo saberemos que formato irá ao ar, em geral o Bial tem alguém para fazer o contraponto! A entrevista feita por ele ao Olavo, nos anos 90 foi relembrada durante o encontro. Vamos aguardar para ver o que será editado, espero que ele seja honesto! 
Não tivemos autorização da produção para gravar a entrevista, mas pude tirar fotos desde a chegada dele até o fim da entrevista!

Base do conhecimento

Quando nós partimos do princípio que a base do conhecimento é a experiência, nós temos que entender primeiro o que é a experiência. A experiência se dá sempre dentro de um quadro existencial neste mundo que nós vivemos. Então, a existência do mundo é a primeira premissa da ciência. A segunda premissa tem que ser a natureza do próprio conhecimento humano. Você não vai encontrar uma única época na história em que os seres humanos tenham vivido na ignorância total e nem alguma em que eles tenham vivido na total sabedoria. O ser humano vive, desde que existe, num lusco-fusco, numa mistura de sabedoria e ignorância, de conhecimento e ignorância. Isso quer dizer que a realidade dentro da qual nós vivemos tem necessariamente extensões para além do limite conhecido e isto não é uma coincidência, não é uma situação provisória que nós possamos ter a esperança de vencer amanhã. Nós nunca chegaremos ao conhecimento total porque isso é incompatível com a própria duração da vida humana. Uma criatura que vive durante um período ‘x’ e depois morre não pode ter o conhecimento total porque ela não pode ter o conhecimento do que acontecerá no dia seguinte porque que ela morreu. Portanto, a ambição do conhecimento total é incompatível com a própria estrutura da realidade na qual nós vivemos. Isso quer dizer que essa estrutura da realidade comporta necessariamente a noção de um ‘para além’, de uma transcendência. Ela incorpora isso necessariamente, e quem não for capaz de aprender isso, não tem o direito de abrir a boca num debate científico. A noção de transcendência é absolutamente necessária para qualquer raciocínio que você comece a fazer.

Por outro lado, a atitude que você tem perante essa transcendência só pode ser duas: ou é uma atitude de abertura confiante, ou é uma atitude de recuo temeroso. Só existem essas duas. A atitude de abertura é a que preside a fundação da Filosofia, da Ciência e das Religiões. A outra atitude é que produz o agnosticismo. O agnosticismo é você ter medo de Deus ao ponto de odiá-lo e não querer mais pensar naquilo; a transcendência te apavora de tal maneira que você tem que fechar os olhos e negar que aquilo existe. Então você inventa três ou quatro preceitos metodológicos e diz o seguinte: ‘daqui pra frente nós só vamos investigar isso, mais isso e mais isso. O que estiver fora disso não interessa e nem mesmo existe.

Militância revolucionária

“Toda militância revolucionária é, pois, inseparável da ânsia de poder, e é preciso um brutal descaramento ou uma inconsciência patológica para não perceber que essa paixão é infinitamente mais destrutiva que o desejo de riqueza. A riqueza, por mais que as abstrações dos financistas tentem relativizá-la, tem sempre um fundo de materialidade – casas, comida, roupas, utensílios – que faz dela uma coisa concreta, um bem visível que vale por si, independentemente da opulência ou miséria circundantes. Já o poder, como bem viu Nietzsche, não é nada se não é mais poder. Isto é a coisa mais óbvia do mundo: por mais mediada que esteja pelas relações sociais, a riqueza é, em última instância, domínio sobre as coisas. O poder é domínio sobre os homens. Um rico não se torna pobre quando seus vizinhos também enriquecem, mas um poder que seja igualado por outros poderes se anula automaticamente. A riqueza desenvolve-se por acréscimo de bens, ao passo que o poder, em essência, não aumenta pela ampliação de seus meios, e sim pela supressão dos meios de ação dos outros homens. Para instaurar um Estado policial não é preciso dar mais armas à Polícia: basta tirá-las dos cidadãos. O ditador não se torna ditador por se arrogar novos direitos, mas por suprimir os velhos direitos do povo.”

— Olavo de Carvalho, há quase 20 anos enviando essa lição aos brasileiros de hoje (http://www.olavodecarvalho.org/semana/990916jt.htm).

O analfabeto funcional

O analfabeto funcional vive num mundo de puras frases, onde não há verdades ou mentiras, só vaias e aplausos.
Discutir com o analfabeto funcional é desesperador, porque, não entendendo o que ele próprio diz, ele pode mudar retroativamente o sentido das suas frases quantas vezes deseje.