5.4.2018

Não se trata de “preferências” ou de “opções” por este ou aquele “modelo de governo”. Trata-se apenas de reconhecer que aquilo que aconteceu, aconteceu. O fato consumado é autoprobante e argumentar a favor dele ou contra é perda de tempo. Trata-se apenas de reconhecê-lo e aprender com ele: Se a democracia representativa se corrompeu ao ponto de tornar-se, ela própria, o centro vivo do banditismo e da desordem, e se, diante da falência de todos os órgãos representativos, o povo em massa impôs a sua vontade, restaurando a ordem contra aqueles mesmos que tinham o dever nominal de defendê-la, então a democracia representativa ACABOU e estamos em pleno regime de democracia direta. É um grande risco e uma grande chance e é um grande momento da história brasileira. Quem mandou o ladrão-mor para a cadeia não foram as instituições, não foram “as autoridades constituídas”: Foi o povo impondo diretamente a sua decisão. Que venham outras. Uma identidade nacional é a memória dos grandes feitos realizados em comum. Foi a partir de 2013-2015 que o povo brasileiro começou a escrever a sua história em vez de recebe-la pronta. Espero que tome gosto pela coisa e nunca mais se deixe conduzir por seus próprios representantes e empregados.

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Desculpem os erros de digitação, mas está foda digitar sem dedo.

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4.4.2018

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Já consegui convencer a turma do hospital de que camisolinha, nimim, só moribundo e inconsciente. Fora disso, é cueca e não tem conversa. Eles aceitaram bem o inevitável.

“Vestir os nus”, já ensinava Pirandello, é uma nobre ação, mas não, porra, deixando à mostra logo o pinto e o cu.

Não como mais comida de hospital. Mando buscar um puta churrasco com farofa no “Texas de Brazil” e subo ao topo do mundo.

Ficar amarrado num leito de hospital pode chegar a ser uma diversão, quando os seus acompanhantes de empreitada são a Roxane, a Leilah e o Pedro. Gente engraçada é uma bênção dos céus.

Síndrome de abstinência o caraio. Não sinto a menor diferença quanto tenho de passar um, dois ou cem dias sem fumar. O fumo não é compulsão nem vício. É frescura. Precisamos dele como as mulheres precisam de maquiagem. Nem mais, nem menos.

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Ao visitante:

Se o meu trabalho ou as minhas palavras servirem de ocasião para que o Amor de Deus ilumine e fecunde a tua inteligência e a tua vida, serei grato a ti até o último dia, e rezarei para que voltes sempre à minha casa.

Olavo de Carvalho

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Bom senso da espécie humana

Do mesmo modo, em relação ao cristianismo. É mais fácil inventar um cristianismo do que procurar o que realmente existe. Por exemplo, para falar de repressão sexual – “esta nossa velha desconhecida” – e provar que o cristianismo só tem repressão sexual, essa dona Marilena Chauí pega a estátua de Santa Teresa, por Bernini, e mostra que o êxtase de Santa Teresa, na estátua de Bernini, tem a fisionomia de um orgasmo corporal; de onde ela conclui que os êxtases místicos de Santa Teresa eram meros orgasmos disfarçados por muita repressão. Ora, em primeiro lugar, Bernini, que fez a estátua, nunca viu Santa Teresa. Em segundo lugar, como seria possível representar materialmente um êxtase espiritual senão sob a feição de um orgasmo físico? Agora, dona Marilena começa por atribuir à santa as características da estátua – o que é inteiramente absurdo. No século passado, um grande historiador – Michelet – pegou um quadro de Franz Hals e descreveu a psicologia do personagem — René Descartes — pelo quadro -, só que que Hals nunca tinha visto Descartes mais gordo. O caso ficou célebre como rateada de um grande historiador. Dona Marilena faz a mesma coisa, só que movida por uma intenção de “desmascarar”, e na verdade ela só se desmascara a si mesma. A necessidade que certas pessoas têm de depreciar os que lhes são espiritualmente superiores é o que se chama inveja espiritual, e é um dos sentimentos mais baixos que podem existir. Há pessoas que não gostam de Cristianismo porque um padre as suspendeu da aula ou lhes botou medo da masturbação. E fica aquela raiva de padre, que depois, travestindo-se de filosofia, é projetada sobre dois mil anos de Cristianismo. Mas não é filosofia, é rancor pessoal mesquinho. É querer medir a civilização com o tamanho das suas dorezinhas pessoais. Não se pode fazer isto. E condenar o Cristianismo é praticamente condenar a humanidade. Condenar qualquer destas grandes tradições – Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, Budismo – é condenar a humanidade. É preciso confiar um pouco no bom senso da espécie humana.