5.1.2018

Materialista é o sujeito que tem fé num treco que ele não sabe o que é.

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https://cristalvox.com/fatalidade-desmonta-conexao-cubana-que-agiria-com-armas-dia-24-em-porto-alegre/

É a segunda vez que, na falta de qualquer ação humana, a Providência toma a iniciativa de revelar e frustrar uma intervenção direta de Cuba nos assuntos internos do Brasil. A primeira foi em 1963, quando um acidente aéreo impediu a ocultação dos documentos que comprovavam a ajuda cubana à guerrilha das Ligas Camponesas. Agora foi esta:

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O mais pérfido inimigo do povo venezuelano é Jorge Castañeda. Ele quer se aproveitar da crise da Venezuela para dar vantagens a Cuba (dica do Geraldo Ribeiro):

http://tools.folha.com.br/print?url=http%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Fcolunas%2Fclovisrossi%2F2018%2F01%2F1948249-uma-eventual-saida-para-a-tragedia-venezuelana-passaria-por-havana.shtml&site=emcimadahora

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O capítulo 71 (87 na edição americana) de “A Terceira Existência de Joseph Kerkhoven” é um romance dentro do romance, estendendo-se por duzentas e tantas páginas, nas quais o escritor Alexandre Herzog, a conselho do Dr. Kerkhoven, conta a vida de misérias e humilhações que levou sob o império da sua esposa, a voraz e louca Ganna Mewis. É a descrição mais exata, cruel e implacável do casamento burguês, contrato comercial que se substituiu ao matrimônio cristão usurpando-lhe o estatuto de instituição altamente moral mediante o emprego de uma retórica jurídica repugnante. A autodestruição da civilização européia já estava toda ali em germe.

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Gosto dos filmes do Steven Seagal, mas estou seguro de que o cabelo dele é cocô de elefante endurecido.

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AVISO : Pode ser que a aula de hoje do COF seja cancelada na última hora. O provedor vai entrar em reestruturação pela manhã e esperamos que volte a funcionar em tempo para a aula, mas, sacumé, essas coisas sempre podem dar xabu. Avisarei mais tarde, OK?

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“Todo homem tem duas pátrias: a dele e a França.” Não sei quem disse isso, mas é a pura verdade. Todas as vezes que desembarquei por lá, no meio de africanos e afrobaianos, persas e chineses, russos e vietnamitas, senti que estava em casa. E nada sei da propalada ranhetice francesa. É só você não falar com os parisienses em inglês, e eles serão primores de gentileza. Se o seu francês é ruim, melhor ainda: eles ficam comovidos com o esforço.

Renan Martins Dos Santos Prof. Olavo, o Carlos Heitor Cony faleceu ontem. Alguma consideração sobre a obra dele?
Olavo de Carvalho Valiosa e profundamente humana. O Cony deixa saudades.

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O que faz de um corpo material um corpo material não é o simples fato de “ocupar um lugar no espaço”, é ter uma estrutura interna, uma “proporcionalidade intrínseca” como diria o Mário Ferreira dos Santos, um “em si” que distingue uma banana de uma pedra e uma pedra de outra pedra. Esse “em si” é invisível, inacessível à experiência direta e só cognoscível mediante uma complexa elaboração intelectual, o que torna irrelevante a afirmação de Kant de que os objetos da metafísica são incognoscíveis porque estão além da experiência sensível. Se tivéssemos só a experiência sensível para nos guiar, não poderíamos, ao menos com certeza razoável, conhecer uma banana ou uma pedra. O intelecto está presente nos mais simplórios atos de percepção, e se apoia descaradamente na imaginação, na conjetura e na pura e simples adivinhação. O primado das ciências físicas é só uma convenção acadêmica.

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Isso é ainda mais evidente no caso de corpos animais viventes, sobretudo o do próprio ser humano. O que faz de um corpo animal vivente um corpo animal vivente não é o simples fato de mover-se no espaço, é ter um centro sensitivo e consciente que está em comunicação instantânea com todas as partes e ações do seu corpo e, no caso dos animais superiores, sobretudo o homem, com todo um universo de signos à sua volta. É nesse centro que reside a sua unidade, e ele é totalmente inacessível à percepção sensorial desde fora. O filósofo francês (nascido no Vietnam) Michel Henry enfatiza, com razão, que a realidade dos animais viventes está toda na sua SUBJETIVIDADE, e esta, como o Deus de Sto. Tomás de Aquino, só é cognoscível por analogia.

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Uma das principais ocupações daquilo que vulgarmente se entende por ciência é tomar como realidade de um ente e sua simples definição nominal.

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O Carlos Heitor Cony, além de um escritor de primeira ordem, era homem bondoso e sincero. Foi também aquilo que se chama um amigo certo nas horas incertas. Oremos por ele.

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Terza Luzki Me diga onde está o cu a ser chutado, e chutarei.

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Só uns quinze minutos antes da aula poderei avisar se ela vai acontecer ou não. Preciso esperar para ver se o provedor estará funcionando.

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Uma vez me perdi no Rio, de madrugada. Achei um portão aberto na beira do cais e fui pedir orientação ao guarda. Ele me respondeu gentilmente:
Não ande aí por fora que será assaltado. Vá por dentro do porto, é só andar em frente.
Caminhei quilômetros entre gruas e pilhas de containers, uma visão noturna do outro mundo. Inesquecível.

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Raymond Abellio é um filósofo notável que teve algumas intuições fundamentais das quais tirou conclusões sistematicamente erradas. É impossível ler os livros dele sem ficar mais inteligente.

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4.1.2018

Nossa consciência tem um centro vital, localizado no miolo do coração, inalcançável pelo mero “pensamento”. Ele domina os opostos como o jovem Mercúrio segurando as duas cobras e, entre as contradições e perplexidades da vida, orienta o pensamento que, em vez de se afirmar como soberano, consente em obedecê-lo docilmente.

Miguel Soriani Professor, o que acontece se o caminho entre o “pensamento” e o coração estiver, por assim dizer, sujo? Seria serviço para a filosofia ou para a Religião? Ou para as duas? Abraço!
Daniel Bastos Coração o músculo ou o centro das emoções prof?
Olavo de Carvalho O músculo. As emoções vêm do estômago.
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O problema do Bannon é que ele leu muitos livros que estavam acima da sua compreensão.
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TRABALHADORES DO BRASIL!
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Não adianta me perguntar se mudei de opinião sobre isto ou aquilo. Não tenho opiniões. Só tenho percepções temporárias que se integram dialeticamente numa busca interminável.
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Diante da doutrina cristã segundo a qual, na Queda, o homem perdeu uma parte dos seus poderes cognitivos — assim explica o Doutor Sutil John Duns Scot –, o filósofo ou cientista que, guiado somente pela razão natural, se perguntasse se haveria necessidade de algum conhecimento superior revelado, responderia inevitavelmente que não e até julgaria inútil a pergunta, justamente por lhe faltarem não apenas aqueles mesmos poderes que Adão perdeu e todos nós perdemos, mas também a fé que assegura terem eles um dia existido e que nos faz desejá-los de volta. Ninguém sente falta daquilo que nem suspeita que exista. Eis aí condensado, com séculos de antecedência, o círculo vicioso em que o ateísmo moderno aprisionou o pensamento naquilo que Eric Voegelin viria a chamar “a proibição de perguntar”.
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A “terrestrialização absoluta do pensamento”, proposta por Antonio Gramsci, me lembra em tudo o personagem da peça “A Primeira Página” (levada ao cinema com Jack Lemmon e Walter Matthau), que, tendo levado um tiro no saco, se consola ganhando algum dinheiro como autor do subsequente best-seller “As Delícias da Impotência”.
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“Nunca peça desculpas a uma multidão sedenta de sangue.”
(Jordan Peterson)
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Se alguém vem aqui puxar o meu saco e depois vai dar “likes” no que os difamadores mais porcos dizem de mim, sua amizade é genuína como uma nota de 32 reais. Já tenho a listinha dos que fazem isso.
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O terrorista que, em “Os Demônios” de Dostoiévski, ateia fogo a uma favela, matando uma porção de pobres coitados para produzir uma revolta contra o governo, personifica a essência do movimento revolucionário: a visão de um futuro hipotético, a ser alcançado mediante não sei quantas causas intermediárias sobre as quais ele não tem o menor controle, dá a ele, no presente, a autoridade de trucidar aqueles mesmos que, hipoteticamente, seriam os beneficiários maiores desse futuro.
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Se alguém tem o direito de me impor o “gênero” em que ele imagina estar, eu não tenho o direito de dizer o que vejo com os olhos da cara. Perante a lei e a opinião bem-pensante, a imaginação dele prevalece sobre as minhas percepções sensíveis.
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Forçado a chamar um homem de mulher, você sempre pode responder:
— Mas eu também me sinto mulher e fico ofendida de que um macho usurpe o meu gênero.
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O Horowitz inventou uma espécie de “Escola Sem Partido”:
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