1.1.2018

O ano começa com um choque de realidade:

https://www.washingtontimes.com/news/2017/dec/28/global-warming-films-flop-box-office-2017/

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Não creio jamais ter tido — nem aliás desejado — outro talento senão o de enxergar o óbvio e declará-lo com alguma fidelidade. Tudo o que é muito elaborado, rebuscado e puramente mental me repugna. O mundo, para mim, é o vasto sistema informativo e mnemônico sem o qual o meu pobre cérebro, como que isolado do corpo e conservado em vida por algum aparelho eletrônico, não saberia sequer da sua própria existência física e por isso mesmo se acreditaria a totalidade universal.

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Aprendi com o falecido prof. Ignacio da Silva Telles esta lição que foi essencial para a minha vida de estudos:
— Para que fichar os livros? É só arrumá-los na estante e eles já são um fichário.

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Alguém me ensinou isto ontem, e jamais o esquecerei: Quando você ganha mais dinheiro, seus problemas financeiros não acabam. Só mudam de escala.

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Considero a minha participação no Facebook uma parte integrante das minhas obrigações de escritor. Compor, pingo por pingo, o único diário filosófico-humorístico da língua portuguesa — já com mais de duas mil páginas — não é ambição literária pequena.

O filistino, o cultor de chavões da moda, o artista da sedução fácil, o macaqueador de aparências, não tem A MENOR IDÉIA da disciplina interior que torna um escritor digno de ser lido. Não creio exagerar quando comparo essa disciplina à ascese monástica, menos o aparato regulamentar e o suporte ritual. Ascese reduzida, portanto, à confissão solitária permanente, implacável, que bloqueia a fuga de um homem para longe do seu próprio coração, da verdade da sua vida.

Mesmo que um escritor não tenha a menor intenção religiosa, não escapará da máxima de Antonio Machado: “Quién habla solo espera hablar a Dios un dia.”

Eis o verso inteiro:

“Converso con el hombre que siempre va conmigo
—quien habla solo espera hablar a Dios un día—;
mi soliloquio es plática con este buen amigo
que me enseñó el secreto de la filantropía.”

Antonio Machado

Condenar-se é usurpar a função do diabo; perdoar-se, a de Deus. Não perca tempo com essas coisas. Tente apenas compreender-se e ajudar-se, e faça o mesmo com todo mundo. Creio que este é “el secreto de la filantropía”.

Quando me acusam de um mal que não cometi, busco sua analogia próxima ou remota com algum que cometi e sempre descubro alguma coisa útil, da qual o acusador não tem idéia próxima nem remota.

Afinal, para que conhecer as idéias do Olavo de Carvalho, se para discutir com ele basta ter ouvido algum zunzum contra o tradicionalismo católico, o Partido Republicano, a Maçonaria, o Brexit ou os malditos judeus?

Gustave Flaubert, que era um ateu, e Henry Miller, que era um pornógrafo, praticavam o exame de consciência tão bem ou melhor do que qualquer católico que eu conheça.

Luciane Badiz House Mas o que adianta fazer isso se a intenção não era “nunca mais Vos tornar a ofender?”
Olavo de Carvalho O simples respeito pela verdade da existência já é o começo — aliás indispensável — do amor a Deus.

 

Reduzir tudo a uma disputa entre escolhas ideológicas, negando formal ou informalmente a possibilidade de um simples confronto do verdadeiro e do falso, é a quintessência da estupidez moderna. Rotular o esquerdista de esquerdista ou o direitista de direitista é não dizer absolutamente nada.

Se Sto. Tomás de Aquino tem razão ao dizer que só conhecemos Deus por analogia, muito do que chamamos “amor a Deus” é amor a alguma outra coisa.

Uma pergunta que não me sai da cabeça é: Por que tantas pessoas acham que as suas fantasias sexuais são sagradas?

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Pensem nisto: a forma mais brutal e genocida de racismo não se voltou contra uma raça tida como inferior, mas contra um povo superiormente inteligente que inspirava no racista um tremendo complexo de inferioridade. Ninguém chama um povo de inferior para matá-lo, mas para legitimar a sua redução a burro de carga.

O atual racismo antibranco nos EUA não mostra a intenção de escravizar a raça branca, mas de extirpá-la da existência. Parece-se mais com o nazismo do que com a arrogância escravagista.

É assim que começa um genocídio:

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Isso é propaganda racista ostensiva.

Não posso saber se Henry Miller foi para o céu ou para o inferno, mas sei com certeza que ele me ensinou a técnica da sinceridade interior tão bem quanto os católicos Georges Bernanos e François Mauriac.

 

 

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