9.12.2017

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Muitos escritos filosóficos são de alto valor literário, mas nem sempre os grandes filósofos são também grandes escritores. Não cabe comparar os vôos poéticos de Platão com os rascunhos compactos de Aristóteles, a elegância e a graça de Leibniz com as desesperadoras circunvoluções verbais de Schelling ou a limpidez cristalina de Louis Lavelle com a complexa engenharia lógica de Edmund Husserl.

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As muiezinha:

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É aqui que nói mora (foto Roxane Carvalho):

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Lorena Miranda Cutlak, cada vez melhor:

Advento, 2017

Lorena Miranda Cutlak Grata pela leitura, professor Olavo!

JS Cesar Prof Olavo, numa aula, o sr disse: “A literatura port. é Camões numa ponta e Pessoa na outra”. Até hoje, custo a acreditar que o sr quis dizer mesmo o que parece. Pessoa foi mesmo tudo isso? O pior é que eu sempre o li com raiva, pensando: “Porra, não gosto desse sujeito, mas ele sempre diz o que eu quero dizer… “

Olavo de Carvalho Fernando Pessoa nunca chegou a ser o poeta que quis ser. Mas as tentativas foram notáveis.

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As realizações do Donald Trump neste seu primeiro ano de governo são tão espetaculares que até a parte mais sensata do Partido Democrata deseja que ele continue no governo. A proposta do impeachment, que toda a midia aplaudia, foi rejeitada na Câmara por 360 votos contra 58.

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Nunca faço o gesto do dedo anular levantado porque, ao mandar um cidadão tomar no cu, espero que ele o faça com o pinto de algum terceiro, não com o meu.

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Uma vez eu e o Dr. Roberto Campos passamos horas discutindo quanto tempo, em média, decorria entre uma revolução cultural e uma revolução política (no sentido mais genérico e não truculento da palavra “revolução”). Concluímos que era uns trinta anos. A revolução cultural que vim preparando desde os anos 80 e cujos primeiros ensaios datam de 1993 só começou mesmo com a publicação de alguns livros notáveis dos meus alunos e com o filme do Josias Teófilo. É urgente ter paciência.

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Minha idéia da revolução cultural surgiu com a leitura dos livros de Lima Barreto, onde eu confirmava da maneira mais dramática a minha convicção de que o mal do Brasil era o desprezo geral pelo conhecimento, secundado, como compensação imaginária, pelo amor idolátrico aos símbolos convencionais do “status” intelectual: cargos, diplomas, honrarias, essa merda toda. Quando me convenci de que, sem corrigir isso, era inútil discutir “problemas brasileiros”, achei que estava na hora de fazer algo a respeito.

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Pensem bem: se um sujeito fracassa porque é burro, não é possível começar a resolver o problema dele pela sua situação financeira. Ou se eleva o QI do desgraçado, ou ele vai continuar se fodendo pelo resto da vida.
Também os grandes programas educacionais dos sucessivos governos eram todos inúteis, porque concebidos por indivíduos que queriam educar os outros antes de educar-se a si mesmos.

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A única solução que eu via — e vejo ainda — era espalhar na sociedade a paixão do conhecimento. Do conhecimento valorizado por si mesmo, independentemente de carreiras profissionais e busca de “status”.
Isso, obviamente, não podia ser realizado dentro do sistema educacional vigente, todo ele montado numa concepção utilitária do conhecimento, ora compreendido como modo de subir na vida, ora como instrumento a serviço de algum partido político.

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Também não era possível obter efeitos pela via do Mário Ferreira dos Santos, divulgando um sistema filosófico pronto. Era preciso espalhar as sementes sem nenhuma tentativa de premoldar o formato doutrinal da colheita resultante. Era preciso INSPIRAR sem controlar.

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Já entendi o problema do Clóvis de Burros. Ele estudou com o Pierre Bourdieu. O Bourdieu diz coisas interessantes, mas não distingue entre meras analogias e processos reais de causa e efeito. V.

http://www.olavodecarvalho.org/um-guru-da-educacao-brasileira/

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É quase inconcebível — mas aconteceu — que nenhum aluno jamais apresentasse ao Pierre Bourdieu objeções similares às que formulei nesse artigo. Isso mostra que todos se deixaram hipnotizar pelas analogias ao ponto de sobrepô-las aos fatos da sua própria experiência. O Bourdieu inventou um jeito elegante de imbecilizar pessoas inteligentes.

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Da página da Bruna Luiza :

“Estou com vinte e sete anos, tendo feito uma porção de bobagens, sem saber positivamente nada; ignorando se tenho qualidades naturais, escrevendo em explosões; sem dinheiro, sem família, carregado de dificuldades e responsabilidades. Mas de tudo isso, o que mais me amola é sentir que não sou inteligente. Mulato, desorganizado, incompreensível e incompreendido, era a única coisa que me encheria de satisfação, ser inteligente, muito e muito! A humanidade vive da inteligência, pela inteligência e para a inteligência, e eu, inteligente, entraria por força na humanidade, isto é, na grande humanidade de que quero fazer parte.” — Lima Barreto

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Penso com carinho sem fim em todos aqueles que eu desejaria transformar em gênios. Isso inclui muitos indivíduos que me são hostis, e que ao me atirar pedras só ferem — quando não matam de vez — o seu próprio futuro.

Ane Hauagge São hostis contigo para produzirem admoestações sensacionais como esta aqui do Karnal: “Se não tiver comida não há o que comer.”
Olavo de Carvalho A história da humanidade divide-se em antes e depois dessa descoberta.

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O objetivo da filosofia não é criar filosofias, teorias filosóficas. É criar filósofos, pessoas que amem o conhecimento, a compreensão, a lucidez, a sabedoria.

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Quando um intelectual qualquer me parece estar com charlatanice, nada me agrada mais do que ir AO CENTRO MESMO do seu pensamento e desmantelá-lo em poucas linhas. Para isso, evidentemente, é preciso antes havê-lo compreendido tal como ele mesmo se compreendia. Roer pelas beiradas é só ranhetice, frescura, compensação postiça de algum complexo de inferioridade. Coisa de quem não tem centro e portanto não pode enxergar o centro de coisa nenhuma.

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Acho que já contei, mas repito. Quando debati com o Leonel Brizola, no Fórum da Liberdade, não tive coragem de bater nele. O homem era de uma simpatia tão cativante que inspirava de imediato um sentimento de amizade.

Mas acho que isso só funcionava em pessoa, não na TV ou em comícios.

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Mesmo sabendo que o Brizola tinha sido o pior governador que o Rio já tivera desde o tempo de Mem de Sá, eu não conseguia vê-lo como político, apenas como um conversador agradável.

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Outro que me impressinou pela simpatia foi o ex-governador de São Paulo, Paulo Egydio Martins. Tentei convencê-lo a voltar à política, mas ele desistiu.

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Por fim, o Jeff Nyquist em português. Ele é um dos melhores analistas politicos dos EUA, se não o melhor.

http://revendas.ecclesiae.com.br/o-tolo-e-seu-inimigo

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Imigração sem truques sujos. Li no WND:

Since the new admissions policies went into effect, only 9 percent of refugees were Muslim and 63 percent were Christian.

Read more at http://www.wnd.com/…/trumps-extreme-vetting-sparks-dramat…/…

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