O arrependimento profundo

O arrependimento profundo, quando acontece, não tem nada de tristeza e depressão. É um acontecimento cheio de júbilo, no qual a alma, com esperança infinita, se entrega das mãos de Deus, dizendo: “Meu Pai, eu não presto. Refaça-me à Sua maneira.”

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10.10.2017

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http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/10/1925778-ideologo-de-bolsonaro-olavo-de-carvalho-critica-nova-direita.shtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compfb

Dar uma entrevista à “Folha de S. Paulo” é confirmar, uma vez mais, a definição enunciada por Mário Vargas Llosa: “O jornalismo é uma máquina na qual entra um homem e sai um hamburguer.”
A repórter Isabel Fleck conversou comigo durante duas horas e quarenta e seis minutos só para me transformar no estereótipo que ela já trazia pronto na cabeça antes de tocar a campainha da minha casa: o “ideólogo de Bolsonaro”. Essa operação, que um macaco treinado realizaria tão bem quanto ela, exige, como condição indispensável, a completa ignorância do que sejam uma ideologia e um ideólogo. Antonio Gramsci foi ideólogo do Partido Comunista Italiano, do qual era militante e aliás fundador. Giovanni Gentile foi ideólogo do Partido Fascista, do qual era militante e aliás co-fundador. Alfred Rosenberg foi ideólogo do Partido Nazista, do qual era militante e aliás co-fundador. Alberto Guerreiro Ramos foi ideólogo do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), do qual era militante e aliás co-fundador. Luigi Sturzo foi ideólogo da Democracia Cristã italiana, da qual era militante e aliás co-fundador. Emir Sader, o célebre Marquês de Sader, é ideólogo do PT, do qual é militante e aliás co-fundador. Uma ideologia é o discurso justificador de um um programa político definido, criado no seio de uma organização partidária específica, com um claro projeto de sociedade e uma estratégia determinada para a conquista e o exercício do poder. Qualquer pessoa que conheça mesmo por alto a minha obra escrita e os meus ensinamentos orais sabe que aí não se encontra NADA disso e que, ao contrário, cada palavra minha enfatiza a total incompatibilidade entre o conhecimento científico da política e a adesão a qualquer programa ideológico que seja.
Pior: no próprio corpo da entrevista, afirmo que DESCONHEÇO o programa político do candidato Bolsonaro e que só anunciei minha intenção de votar nele (aliás sem nem mesmo recomendar que alguém mais o fizesse) por simpatia pela sua comprovada honestidade pessoal e pelo caráter nacional da sua candidatura em face de dois concorrentes obviamente associados a esquemas de poder internacionais.
Onde, em que continente, galáxia, buraco de tatu, banheiro público ou hospício do universo, isso faz de mim o “ideólogo” de uma candidatura ou de um partido?
Se nem mesmo conheço um determinado programa político, como posso ser o seu inventor ou formulador?
O uso do termo só tem sentido como tentativa de fazer de mim uma espécie de Emir Sader da direita, isto é, de me reduzir às dimensões do que o analfabetismo funcional imperante na redação da “Folha de S. Paulo” pode conceber.
Sendo trabalhoso demais corrigir uma por uma as distorções e simplificações pueris que a repórter impôs às minhas palavras, reproduzirei aqui, simplesmente, a gravação que fiz da entrevista. A câmera, sem que eu percebesse, caiu ao lado do computador, de modo que a imagem parece expressionismo alemão, mas o conteúdo verbal está reproduzido na íntegra. Daqui a pouco a gravação estará no ar.

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Filipe G. Martins

18 h · 

Poucas vezes li uma reportagem tão ruim quanto a que foi publicada hoje, pela Folha de São Paulo, a respeito do Professor Olavo de Carvalho.

Dividida entre acreditar no que ouviu do próprio entrevistado ou no que ouviu de seus colegas de redação, a jornalista Isabel Fleck nos apresenta uma matéria esquizofrênica, na qual as palavras do entrevistado desmentem e contradizem, não apenas o título da reportagem, como todas as conclusões adjetivosas da jornalista.

Garantindo-nos que estamos diante do ideólogo de um presidenciável, Isabel nos apresenta um filósofo sem grande preocupações de natureza político-eleitoral, que afirma ignorar por completo o conteúdo programático e ideológico do presidenciável em questão, que se diz disposto a aconselhar qualquer candidato interessado e que, ademais, não está assim tão satisfeito com os rumos da direita brasileira nascente.

Para completar, não há na reportagem nenhum esforço para revelar qual é, afinal, o ideário do tal “ideólogo” ou como esse ideário influenciou o presidenciável — qualquer presidenciável.

De interessante, restam apenas as fotos e a amostra involuntária, mas insofismável, do estágio deplorável em que se encontra o jornalismo brasileiro.

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Isabel Fleck repete a expressão “o ideólogo” ONZE VEZES. A ânsia de carimbar é irresistível. Ética jornalística ZERO, confiabilidade ZERO.

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O Bolívar Lamounier, quando quer fazer gracinha, só consegue ser ainda mais ridículo do que ao posar de intelectual. É um coitado:

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Esse molambo intelectual deplorável, caricatura tucana de cientista social, acha que eu deveria me envergonhar das minhas armas de caça porque em Las Vegas um fanático intoxicado de idéias da Antifa fuzilou, COM ARMA PROIBIDA (provando que o desarmamentismo é fraude), uma multidão de cinquenta conservadores.

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Obviamente não fui eu quem “argumentou em favor do Bolsonaro” posando com uma arma de caça. Uma coisa não tem porra nenhuma a ver com a outra. É o Lamounier quem, por associação pueril de imagem e idéia, monta esse raciocínio postiço, boboca, e, sem a menor vergonha na cara, o atribui a mim.

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O Lamounier diz que “já leu o suficiente” dos meus escritos e se mostra assanhadíssimo para debater comigo. Debater o quê? Só um charlatão exibicionista escolhe o oponente antes de escolher o assunto. Não conheço uma só objeção séria que essa criatura tenha feito a qualquer idéia transmitida nos meus livros e cursos. Até agora só vi, dele, uma tentativa patética de parecer engraçadinho. Se quer debater a candidatura Bolsonaro, que procure algum cabo eleitoral, alguém à altura dos seus interesses intelectuais.

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Se eu juntar tudo o que já pensei e penso da candidatura Bolsonaro, não preencho dez linhas, no conjunto de uma obra que já vai para as quarenta mil páginas. Mas, para um microcéfalo como esse Bolívar Lamounier, minha mera simpatia por um candidato presidencial é o centro e o topo do meu pensamento, que, não obstante, ele afirma conhecer. Que palhaçada! Entendem por que digo que os pseudo-intelectuais têm de ser varridos da cena pública e arranjar empregos decentes em postos de gasolina?

Bolívar Lamounier Debato com você em qualquer auditório, onde e quando quiser
Quarenta mil páginas não é credencial, é pista.

Bolívar Lamounier : Levante uma questão intelectualmente relevante para a qual tenhamos repostas conflitantes, e sugira um debate. Já expliquei: escolher o oponente antes do assunto é coisa de boboca exibicionista. Candidatura Bolsonaro pode ser assunto para o SEU nível de interesses, não para o meu.

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A associação fortuita de uma imagem e uma idéia é o truque mais velho e mais bobo da propaganda comercial. Chamar isso de jornalismo já é uma caricatura grotesca. Mas, quando um sujeito com pretensões de intelectual acadêmico raciocina como se essa associação fosse prova de si mesma, aí já não é possível distinguir entre uma caixa craniana e um penico.

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Obviamente o Lamounier não leu sequer o meu “curriculum vitae”.

 

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Trocar o Tomole pelo Augusto Nunes é trocar um cocô de passarinho por um prato de “crême brulée”.

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Analfabetismo funcional é ISTO: comparo as dez ou menos linhas que pensei sobre a candidatura Bolsonaro com as quarenta mil páginas que escrevi sobre outros assuntos, e o Lamounier responde como se eu estivesse ME GABANDO das quarenta mil páginas, apresentando-as como “credencial”. Está difícil, está difícil.

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O homem que alimente a pretensão de ser um intelectual e “formador de opinião” tem de ser muito fútil, leviano e desprovido de consciência para meter-se a fazer gracinhas desarmamentistas diante de um episódio medonho como o de Las Vegas, no qual, aproveitando-se de uma daquelas malditas “gun free zones” criadas para satisfação e deleite de assassinos em massa, um destes, intoxicado de panfletos esquerdistas e munido de arma ilegal – prova viva de que o desarmamentismo é uma chacota cínica –, fuzila cinquenta conservadores que a lei desarmou e entregou à sua mercê, indefesos como coelhos na gaiola.

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Um intelectual orgânico é apenas um cabo eleitoral enfeitado. O Brasil está repleto deles.

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Detalhe revelador. Após fazer as fotos da entrevista, a fotógrafa da Foia, Vivi Zanatta, quis umas poses minhas com armas. Achei que não tinha cabimento, pois não estávamos no mato como em Carson, e sim num ambiente urbano, mas ela insistiu, dizendo que era para sua coleção pessoal, e acabei aceitando. Quem, afinal, vai suspeitar de más intenções numa risonha mocinha grávida com cara de espiga de milho? Pois bem, agora entendo que foi tudo um truque sujo do maldito jornal para lotar a página com fotos do Olavo de Carvalho armado e associar a figura do “ideólogo do Bolsonaro” com o massacre de Las Vegas, exatamente como tinha feito com o próprio candidato uns dias antes – como se os cinquenta mortos daquela cidade, cercados e indefesos numa “gun free zone”, não tivessem sido assassinados precisamente pelo desarmamentismo. A baixeza moral, a canalhice do expediente não requer comentários.

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Aproveitando-se dessa circunstância para fazer insinuações canalhas contra mim, o Bolívar Lamounier mostrou que nada tem de intelectual sério, é apenas um cabo eleitoral tucano.

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https://pt.aleteia.org/2017/10/09/catolicos-da-polonia-cercam-as-fronteiras-pais-para-rezar-o-rosario/amp/

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Não me gabo de ser um espertalhão invencível, não me incomodo de ser feito de trouxa. Dou a cada vigarista UMA chance. A última. Isso me poupa de alimentar suspeitas inquietantes e me dá, em troca, certezas definitivas.

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Nada se compreenderá do meu pensamento se não se admitir, ao menos como hipótese, algo que tenho afirmado e reafirmado em vão: que, sobre a maior parte das questões da política contemporânea, no Brasil e no mundo, não tenho opinião nenhuma, rigorosamente nenhuma. Entre elas, todas as que não examinei pessoalmente ou não tenho competência para examinar.
Insistir nesse ponto é ao mesmo tempo necessário e inútil, porque, neste país em que raramente alguém se abstém de ter opinião sobre o que quer que seja e distribuí-la generosamente até mesmo a quem não deseja ouvi-la, a maioria opinante, julgando-nos por si mesma, acredita poder sempre deduzir, da opinião que demos sobre alguma coisa, as que temos sobre todas as demais coisas, inclusive as que desconhecemos por completo.

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Uma das marcas mais características da inferioridade intelectual das nossas classes falantes, nas últimas décadas, é a sua absoluta impossibilidade de conceber, mesmo por alto, a existência de algum pensamento pessoal, independente, criativo, inclassificável nas categorias partidárias mais conhecidas e vulgares. “Compreender” um pensamento, nessa atmosfera, consiste em reduzi-lo a algum programa partidário existente e em voga, filiá-lo a alguma campanha eleitoral. É coisa de uma grosseria, de uma estupidez que raia a animalidade pura e simples.

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Não vejo por que, em nome da postiça unidade de uma corrente política que ajudei a nascer, mas à qual não me filio de maneira alguma, eu deva manter boas relações com qualquer um que tenha subido na vida nas asas do mero antipetismo. Não é digno de um estudioso sério escolher suas amizades com um critério de cabo eleitoral.

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Se o Lamounier acha que as pessoas não devem votar no Bolsonaro, que é que eu tenho a ver com isso? Acabo de me recusar a escrever um prefácio para um livro sobre o Bolsonaro PRECISAMENTE PORQUE não sou cabo eleitoral, e não vejo porque deva discutir a respeito com um cabo eleitoral do Dória ou do Picolé de Chuchu.

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Um dia as regras atuais do combate intelectual neste país serão descritas nos livros de História, e ninguém acreditará que, em vez de ter sua filosofia discutida e contestada, um filósofo teve a sua vida pessoal vasculhada, inventada, deformada e achincalhada; que em vez de ser questionado e contestado por seus pares e concorrentes ele foi xingado e difamado por jornalistas semi-analfabetos e toda sorte de joões-ninguéns totalmente alheios a qualquer ocupação filosófica, literária ou científica, como se em vez de ser o que é ele fosse um político ladrão, um empresário corrupto, o chefe de uma organização subversiva ou o líder de uma quadrilha de traficantes — com a única diferença de que cada um desses tipos costuma ter um exército de dezenas ou centenas de empregados e assessores bem pagos para ajudá-lo no combate, e ele não tinha sequer uma secretária para tomar-lhe um ditado.
Tudo isso é tão fantástico e absurdo que, se eu não tivesse sido preparado desde a infância para nada esperar deste mundo senão caos, traição e miséria, ancorando minha vida no céu somente, teria morrido pavor já nos primeiros capítulos desta história que não obstante se arrasta há muitas décadas.