8.10.2017

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Alguns brasileiros esperam que um governo “de direita” acabe com a cultura esquerdista na base da repressão policial. Vinte anos de repressão policial, no tempo da ditadura, só reforçaram essa cultura ao ponto de que no dia seguinte da saída dos militares a esquerda já dominava o panorama nacional. Há mentes que funcionam pela lei da gravidade: quando soltas no ar, caem de volta no mesmo lugar em que estavam antes.

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A esquerda conserva seu domínio do establishment cultural — seus postos, suas verbas — mas nunca esteve tão fraca, tão estéril intelectualmente. A direita, com seu imediatismo eleitoral ou intervencionista, está perdendo a maior oportunidade que a História já lhe deu.

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Eduardo Paiva e Norton Dornelles : Que a repressão à cultura esquerdista no regime militar foi tênue, ineficiente e entremeada de tentativas de sedução por meio de verbas e cargos, é um fato. Mas negar que ela tenha existido e que, em essência, ela fosse a ÚNICA estratégia conhecida pelo governo da época é um erro histórico monstruoso, pura mitologia de uma direita nascente que, incapaz de criar uma cultura para ocupar o lugar da adversária, nada tem a lhe opor senão o ódio, o medo e o garganteio. O número de professores removidos dos seus cargos nos dois primeiros anos do regime militar já basta para dar por terra com essa ilusão autolisonjeira. A comparação com a América do século XIX é também baseada num estereótipo descabido. A cultura afro não se conservou mais forte no Brasil do que nos EUA porque a cultura protestante fosse “mais eficiente” em absorvê-la do que a católica, mas porque os negros nunca chegaram a ser mais de doze por cento da população americana, enquanto no nosso país chegaram a constituir A MAIORIA do contingente demográfico antes da chegada das grandes levas de imigrantes já no século XX (sem contar o fato de que o governo imperial maçônico reprimia, isto sim, a Igreja Católica). Quanto aos índios, não houve nos EUA nenhuma política de “repressão cultural”, mas um estado de guerra constante causado pela ocupação maciça do território (fenômeno que jamais veio a acontecer no Brasil). A cultura da esquerda não permaneceu dominante no Brasil por falta de repressão mas por FALTA DE UMA CULTURA ALTERNATIVA que ocupasse o seu lugar, tanto na época dos militares quanto AINDA HOJE. A indolência cultural da direita, que já era grande e vergonhosa quando os direitistas estavam no poder, tornou-se ainda maior e mais abjeta depois da “redemocratização”, e hoje, descontados os poucos frutos da MINHA PRÓPRIA atividade, continua a ser um traço marcante do estado de coisas no país.

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O governo militar só entendia a cultura como pura propaganda (corto o meu saco se alguém provar que havia na época UM general capaz de ler Georg Lukacs ou Theodor Adorno), e suas débeis iniciativas no campo foram, elas próprias, sinais da incultura oficial, como o filme “Independência ou Morte”, a introdução da “Educação Moral e Cívica”nas escolas ( da qual os próprios comunistas acabaram tirando proveito sem que o governo se desse conta), uma meia dúzia de filminhos de propaganda patriótica e a promoção de programas de TV como os do Amaral Netto.

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Se fossem retirados das livrarias todos os livros esquerdistas, a produção intelectual da direita não chegaria a preencher dois por cento do espaço nas prateleiras. Entendem o que é FALTA DE UMA CULTURA ALTERNATIVA?

Cesar Rey Xavier Sofro na pele toda vez que preciso indicar obras aos meus alunos. Não há equilíbrio do espectro ideológico das publicações. Não há contraponto suficiente.

Olavo de Carvalho “Não há contraponto suficiente” é o resumo da ópera.

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A indolência intelectual da direita brasileira não se mostra só na escassez da sua produção mas até no seu desinteresse pela produção existente já antiga. Quantos “formadores de opinião” direitistas hoje em dia leram João Camilo de Oliveira Torres, Gilberto Freyre, Nicolas Boer ou mesmo Gustavo Corção e José Guilherme Merquior? Quantos estão empenhados, como eu e meus alunos, no resgate das obras de Mário Ferreira dos Santos ou da figura histórica de José Bonifácio de Andrada e Silva? Que nada! Só pensam em eleição ou em “intervenção militar”.

Fábio de Nunes Obrigado,professor. Mas,já temos o blogue do Luciano Ayan. Hahahahaha
Olavo de Carvalho É a salvação da lavoura! Que seria de nós sem o Luciano Aymeuânus?

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Pequena obra-prima de diálogo num filminho da série “The Saint”:

MARIDO: — Você é imensamente chata quando bebe.
MULHER: — E você é imensamente chato quando eu não bebo.

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A produção de livros de polêmica jornalística até que não está mal. O que falta são livros de valor científico e literário.

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O método marxista INTEIRO, tanto na sua formulação originária quanto nas suas inúmeras versões modernizadas – de Lênin a Zizek –, jamais consistiu senão em analogias gerais entre entidades abstratas tomadas como “estruturas”, sem a menor atenção às ações e agentes humanos reais envolvidos no processo. É impossível que, por essa via, jamais se descubra alguma coisinha, mas esperar que aceitemos isso como uma ciência supera o que o mais benevolente saco humano pode aguentar.

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Em “O Anti-Édipo”, Gilles Deleuze e Félix Guattari fazem algumas analogias engenhosas entre livre mercado e abuso sexual da infância, donde concluem que o capitalismo é o culpado pela pedofilia, sem que nem lhes passe pela cabeça a noção de que esse fenômeno foi endêmico, em proporções imensamente mais vastas, em civilizações antigas e em sociedades tribais que desconheciam a economia de mercado, assim como — puta merda! — em comunidades animais. Muito menos lhes ocorre que, no quadro capitalista, nenhum teórico liberal ou conservador do livre mercado fez jamais a apologia da pedofilia, cabendo esse papel quase que exclusivamente a intelectuais de esquerda interessados em aproveitar-se das vulnerabilidades do sistema para corrompê-lo até que o seu fedor se torne insuportável.
O marxismo nunca passou disto: exploração astuta de curiosas coincidências — uma filosofia para cérebros medianos. Não espanta que desperte tamanho interesse nas massas de semi-intelectuais universitários e midiáticos e quase nenhum entre os gênios da filosofia, da ciência e das letras.

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Tal como muitos outros pensadores, os dois maiores gênios da filosofia no Ocidente — Sto. Tomás e Leibniz — viveram na mais estrita castidade, sem que isso prejudicasse no mais mínimo que fosse a sua inteligência ou criatividade. Em todo o mundo, milhões de pessoas, por motivos religiosos ou outros, vivem na mais completa abstinência sexual, e decerto sua presença numérica não é nenhum recorde nas estatísticas de doenças mentais. Outros BILHÕES de pessoas submetem-se à mais estrita monogamia, sem que esta, em si, e descontados os desastres que podem acontecer em qualquer situação humana, possa ser razoavelmente apontada como causa de distúrbios psíquicos. Diante desses fatos, é impossível não concluir que o desejo sexual não é uma compulsão irresistível ou necessidade incontornável, mas um impulso de força muito variável e relativa, dependendo, em grande parte, da imaginação e da vontade. Sendo assim, torna-se espantosa a obsessão sexual onipresente na nossa sociedade, que chega a fazer de preferências e fantasias sexuais a base de programas políticos inteiros, assunto constante nos debates legislativos e decisões de governo.

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Todo o bem que eu possa fazer nesta vida limita-se à esfera de atividade que me é própria: a educação superior de pessoas adultas. Não tenho vocação para a política, nem para a administração pública ou privada (não administro nem os cocôs do meu cachorro). Sei criar duas ou três crianças de uma vez, mas diante de uma classe repleta delas ficaria como barata tonta. Tenho alguma capacidade de liderança, em caso de necessidade, mas odeio dar ou receber ordens, de modo que não poderia jamais ser milico. Enfim, sinto-me como o cidadão português que, amassando com seu caminhão a porta do meu carro, olhou o estrago e, coçando a cabeça, concluiu com uma inocência comovente:
— É. Eu fiz o que pude.

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7.10.2017

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“Esse véio (Olavo de Carvalho) não tem cu para me enfrentar”, diz o Daniel Aragão.
O sujeito que acha que coragem é uma questão de cu não precisa dizer mais nada. É um cu destemido.

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Sinais dos tempos. Antigamente os valentões se gabavam dos seus paus. Agora gabam-se dos seus cus.

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Perguntinha inocente: Se é para derrubar estátuas de escravagistas, por que a do general Lee, que nunca teve um escravo, e não a do general Grant, que os tinha aos montes?

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Quando vejo tanta gente tendo chilique por qualquer bobagem, admito que o Whitall Perry tinha toda a razão no que disse dos brasileiros:
— It’s a very nervous people.

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Perguntinha inocente: O Bolsonaro me elogiou uma ou duas vezes, e pronto, já virei “mentor” dele. Então por que não sou mentor do Ciro Gomes, que já me elogiou muito mais?

“Olavo de Carvalho, esse grande brasileiro.” (Ciro Gomes, Bienal do Livro, 1997.)

Já recebi elogio até do Leonel Brizola. Só me parece que um leitor gostar do que eu escrevo não me torna mentor dele.

Até o Claudio Lembo falou bem de mim, caraio.

Não é esse o ponto que está em discussão. Já recebi elogio até do Leonel Brizola. Só estou dizendo que um leitor gostar do que eu escrevo não me torna mentor dele.

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Há DÉCADAS a elite globalista encomenda e financia milhares de pesquisas como esta. E ainda tem gente que acha que pode enfrentá-la no grito. (Agradeço o link ao Bruno Gama Duarte.)

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Tenho a CERTEZA de que as exposições do Santander e do MAM não foram feitas para disseminar a pedofilia, mas para desmoralizar os conservadores numa pegadinha judicial. E conseguiram.

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O touro sempre se fode porque acha que seu inimigo é o pano vermelho. Nem imagina que há toda uma platéia apostando na sua desgraça.

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Ah, seria tão bom se antes de descarregar sua ira contra alguma coisa o pessoal me perguntasse se é mesmo alguma coisa…

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Mais gente, na direita, ficou indignada com as exposições do que com a gigantesca fraude eleitoral de 2014.

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Vocabulário da Gwen-Gwen:

FAIO = fire.

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Quando penso no Brasil, sempre me inspiro no que disse da Espanha o grande Antonio Machado:

Fue un tiempo de mentira, de infamia. A España toda,
la malherida España, de Carnaval vestida
nos la pusieron, pobre y escuálida y beoda,
para que no acertara la mano con la herida.

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Conclusão das minhas pesquisas lingüisticas com as crianças:
Cockloach = balata.

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Com dinheiro, eu facilmente criaria no Brasil a melhor universidade do mundo. Já sei de cor todo o corpo docente da minha universidade imaginária.

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Infelizmente. no Brasil, só há verbas, estatais ou privadas, para projetos que sejam do interesse, não do povo brasileiro, mas da elite global.

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O povo brasileiro parece que nasceu mesmo, como dizia Capistrano de Abreu, para ser “capado e recapado, sangrado e ressangrado”.

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Se fosse criar uma universidade, sabem quanto dinheiro eu gastaria em construções? Nem um tostão. Distribuiria os departamentos pelos prédios da cidade, como fez a VCU.

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O sujeito que inventou o “campus” universitário deveria ser pendurado pelo saco em praça pública. É uma comedeira de dinheiro que só serve para isolar os estudantes da vida real da sociedade e fazer deles uma elite alienada e empombada.

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Tomar atitudes políticas com base na emoção é dar a cara a tapa:

https://oglobo.globo.com/cultura/artes-visuais/artistas-vao-processar-politicos-por-difamacao-21918515

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Quando uma facção política é incapaz de ter iniciativa intelectual e quer resolver tudo no voto, nos tribunais ou na porrada, como um bando de adolescentes enfezados, ela TOMA NO CU.
DIGO ISSO HÁ VINTE ANOS, MAS É COMO FALAR COM UM CARRAPATO.
Luta política sem hegemonia cultural é arte marcial estilo Daniel Aragão: bravura anal.

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Só o que se vê por toda parte, no Brasil, são cus carnívoros e picas veganas.

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Passei décadas criando um estilo literário que fosse a síntese do erudito e do brega. Consegui, mas, para compensar, ficou impossível de traduzir. Talvez só em romeno, língua cujos usuários têm uma tradição de humor absurdo parecida com a do Brasil.

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Aprendi muito com os fantásticos humoristas portugueses Santos Fernando e Raul Solnado. León Bloy, descontada a amargura, também me ensinou muito.

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Nada me desagrada mais, na expressão escrita ou oral, do que uma ênfase emotiva feita só de palavras.

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O Daniel Arregão está reclamando que eu tenho pau mole. Mas ele não me avisou que veio aqui na expectativa de que eu comesse o seu cu.

Admito, Daniel: as picas dos Veadascos são mais novas.

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Stella Caymmi, nas notas que acrescentou ao meu “Diário” em preparação, lembra ao distinto público que nos meus cursos no Rio eu botava o pessoal para estudar Georg Lukacs e Lucien Goldmann.

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Se uma facção política não tem um círculo de intelectuais qualificados para fazer exames periódicos da conjuntura e avaliar meticulosamente as possibilidades de ação, ela vai errar e se foder mesmo quando conta com o apoio da maioria da população. A direita brasileira não apenas não tem, mas nem desconfia que precisa.

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Josias Teófilo não fez o mal a ninguém e agiu sempre dentro da lei. Quem brigar com ele vai tomar uma fumeta dos diabos.

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Georg Lukacs, embora fosse um filho da puta e um puxa-saco compulsivo, foi o ÚNICO talento filosófico de primeira ordem que a tradição marxista gerou. Henri Lefebvre merece um honroso segundo lugar. Hoje em dia, o Antonio Negri não desonra a camiseta. O resto é um bando de idiotas.

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É difícil contentar as pessoas. Recebi o Daniel Arregão com toda a gentileza, alimentei o desgraçado, ofereci a ele metade da minha participação financeira no filme, mas, insensível como uma porta, não percebi que tudo o que ele queria era uma pica dura.
Fiquei surdo ao clamor mudo daquele cu atormentado.

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Hoje no COF: Razão e emoção.

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Este assunto já deu no saco, mas não posso deixar de observar o seguinte: Uma mulher de cinquenta anos, que até a véspera vivia da minha ajuda financeira, de repente e sem aviso prévio parte para uma tentativa de parricídio moral pela grande mídia, e ainda tem gente que acha que eu deveria tentar resolver tudo numa conversa em privado com a dita cuja. Só mesmo no Brasil, terra do analfabetismo funcional.

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Donald J. Trump não passa de um empresário inteligente, bom administrador da economia americana. Em matéria de LUTA política, é uma nulidade.

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O estudo “Poder e pedofilia”, que apresentei na aula de sábado passado, tem de ser complementado pelo de um fenômeno já velho de várias décadas, a onda de regressões fraudulentas de memória que resultou numa epidemia de acusações falsas de abuso sexual infantil e produziu uma atmosfera geral de suspeita contra pais e mães, logo aproveitada pela autoridade estatal como pretexto para solapar o pátrio poder na educação das crianças.
A pobre “direita” brasileira está perdida no meio desse ziguezague de transformações socioculturais como cego em tiroteio, com a diferença de que o cego também atira.

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A sexualização em massa das crianças é OBVIAMENTE uma indução à pedofilia, mas uma indução indireta e de longo prazo que visa à produção de um efeito estatístico disperso e não de um crime imediato e concreto. É algo que NÃO PODE ser combatido no campo jurídico-policial, ou pelo menos não pode sê-lo sem uma prévia descrição científica do fenômeno em toda a sua complexidade.

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Se o Trump tivesse dez por cento da inteligência política que seus devotos imaginam que ele tem, homens como o Jeff Nyquist e o Cliff Kincaid estariam na sua assessoria em vez dos dinossauros obamistas e rinos em profusão que ainda a povoam.

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A elite esquerdista endinheirada perdeu boa parte do seu prestígio, mas conserva todo o controle dos meios de fazer o povão de trouxa.

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Nos anos 90 propus uma pesquisa científica abrangente sobre o viés esquerdista da mídia nacional. Era o PRIMEIRO PASSO INDISPENSÁVEL para o surgimento de alternativas ao esquerdismo dominante. Até hoje não foi feita. E ainda querem que eu leve a direita nacional a sério, puta merda. Agora só falta algum carreirista macaquear a idéia para fins de autopromoção e realizá-la com o cu.

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O cu nacional já está tão afrouxado que mesmo com piroca abatida e mole a esquerda continua a comê-lo.

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Tentar combater a hegemonia gramsciana com medidas jurídico-policiais é como tentar espremer o ar com um alicate.

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O combate judicial tem seu lugar como instrumento auxiliar apenas, dentro de uma estratégia geral. Se não há estratégia geral nenhuma, ele se torna um fetiche substitutivo, ridículo e prejudicial.

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Façam as contas: Desde que, nos anos 90, abri praticamente sozinho um rombo no muro da hegemonia esquerdista, dando espaço para que surgissem alternativas à política dominante e monopolística , QUANTAS PESSOAS fizeram carreira na “direita”, ganhando com isso dinheiro, prestígio e cargos? E, de tudo o que elas fizeram, que foi que resultou de bom, de efetivamente bom para o povo brasileiro? A desproporção é colossal.

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“Só se vence aquilo que se substitui.” (Nietzsche)
A própria ditadura militar criou algo para substituir a cultura esquerdista?
A tal “direita nacional” está criando?
Só quem está criando somos eu e os meus alunos, que, nas dimensões do quadro total, somos umas formiguinhas.
O resto SÓ ESTÁ ATRAPALHANDO.

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Josias Teófilo fez mais contra a hegemonia gramsciana do que todos os movimentos “de direita” somados.