5.10.2017

Num país onde 64 por cento da população desejam a liberação do comércio de armas de fogo, a minoria iluminada acha que ter uma delas é sinal de desequilíbrio mental. O Brasil é mesmo a terra do “Alienista” de Machado de Assis.

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Os EUA têm CEM MILHÕES de habitantes a mais que o Brasil, cinquenta por cento deles armados até os dentes, e tem SETE VEZES MENOS homicídios por arma de fogo. Por isso o Marco Antonio Vil suspira de alívio por estar longe da violência americana.

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Em todo o território americano, é ILEGAL modificar uma arma semi-automática para transformá-la numa automática — que foi exatamente o que o autor do massacre em Las Vegas fez. Se restrições à posse uso de armas servissem para prevenir homicídios, o crime de Las Vegas jamais teria acontecido. Explorando, no entanto, justamente a força hipnótica do paradoxo — a famosa estimulação contraditória –, os desarmamentistas, em vez de confessar que sua política é inócua e inútil, querem se aproveitar do episódio como pretexto para baixar MAIS restrições.
Nós, brasileiros, que somos campeões no duplo terreno da violência armada e do controle de armas, entendemos o quanto essa política é ofensiva à razão e à dignidade humanas, mas os americanos ainda são capazes de acreditar que possa haver nela um fundo de boa-fé.

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Qual o limite último daquilo que Max Weber chamava o “monopólio estatal do uso da força física”? Não há limite. Uma vez aceito esse monopólio como princípio legítimo, o Estado confere a si mesmo todos os direitos, numa gama que vai da proibição de olhares e palavras (compreendidos como agressão física virtual) até o assassinato em massa.

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O fato político mais relevante da nossa época, em todo o Ocidente, é o advento de uma esquerda elitista em luta contra uma direita populista.

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Que cada uma dessas facções, especialmente no Brasil, esteja meio inconsciente do seu papel atual e continue usando o vocabulário de outras épocas, é uma fonte de confusões tão inumeráveis quanto incapacitantes.

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Quando, ao longo do tempo, uma agenda político-social se impregnou fundo na cultura e no “senso comum”, ela já não parece uma agenda e sim a realidade mesma. Antonio Gramsci compreendeu isso com clareza ao dizer que a “revolução cultural” faria com que todo mundo fosse esquerdista sem saber. A mentalidade formada por esse fenômeno luta dia e noite pela causa da esquerda ao mesmo tempo que considera paranóia e teoria da conspiração qualquer menção à existência de uma hegemonia esquerdista. Cada vez que converso com um jornalista brasileiro, confirmo que Gramsci acertou na mosca.

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Por exemplo, o conceito da democracia como geração contínua e ilimitada de novos direitos se tornou tão natural e tão automatizado na mentalidade geral, que acaba sendo impossível, para a maioria das pessoas, perceber a obviedade suprema de que novos direitos são novos controles sociais e de que “mais direitos” significa, na prática, MENOS direitos.

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A quase totalidade dos nossos “legisladores” (termo que não posso escrever senão entre enfáticas aspas) não chega sequer a perceber que o direito de um é a obrigação de outro… Votam leis sem ter a menor idéia do que seja uma lei.

É sempre difícil saber se um político é idiota ou filho da puta…

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É ABSOLUTAMENTE IMPOSSÍVEL, a qualquer lei, estabelecer “direitos”. Leis, por definição e fatalidade lógica incontornável, só impõem obrigações e restrições.

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A expressão “direitos” é pura metonímia: designa uma obrigação ou restrição pelo hipotético efeito benéfico que, para um terceiro, resultará do seu cumprimento.

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Não foi por acaso, mas por fatalidade inexorável, que os “direitos do homem e do cidadão” resultaram no Reinado do Terror e no advento da ditadura napoleônica.
Explicar essa obviedade a uma cabecinha viciada em retórica advocatícia me parece uma tarefa quase impossível.

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É sempre difícil saber se um político é idiota ou filho da puta. São duas perfeições que se mesclam e se confundem.

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Se leis fossem sempre coisa boa, Deus teria feito mais de dez.

O número de leis existentes viola o princípio de que ninguém pode alegar ignorância da lei.

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O governante que impõe obrigações e restrições com o nome de “direitos” é como o estuprador que alega: “Não fui eu que comi o cidadão. Foi o cu dele que se apropriou do meu pau.”

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Nos EUA só existe liberdade de imprensa porque a primeira assembléia constituinte decidiu: “Este Congresso NÃO legislará sobre liberdade de imprensa.”

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Ainda estou com Lao-Tsé: o melhor governo é o que não faz NADA.

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Nos altos círculos intelectuais e acadêmicos, a luta pela legitimação social da pedofilia começou há quase um século, com André Gide (v. “Si le Grain ne Meurt”). Alcançou um ponto alto nos EUA com Alfred Kinsey (v. Judith Riesman, “Sexual Sabotage”) e na França com o líder gayzista Tony Duvert (v. “L’Enfant au Masculin”, 1980). Agora o fenômeno já é reconhecido até por órgãos de mídia (v. o link), e o Brasil ainda está cheio de IDIOTAS SEMI-ANALFABETOS que acham que falar disso é “teoria da conspiração”. No Brasil a completa ignorância é a única fonte legítima de autoridade intelectual.

https://www.thestar.com/news/insight/2013/12/22/is_pedophilia_a_sexual_orientation.html

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http://www.infomoney.com.br/blogs/economia-e-politica/economia-e-politica-direto-ao-ponto/post/6992595/olavo-carvalho-figura-mais-relevante-intelectualidade-atual-diz-cineasta

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O Livro dos Trinta e Seis Estratagemas Chineses diz que o sábio apreende os perigos ainda em germe, podendo assim preveni-los, ao passo que o homem vulgar só percebe o fato consumado quando é tarde demais para evitá-lo.
O que o autor do Livro não poderia imaginar é que um dia haveria um país no qual os homens vulgares se tornariam incapazes de perceber não apenas as raízes presentes dos problemas futuros, mas as raízes passadas dos perigos presentes.

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Em 1993 o gigantesco esquema de corrupção e dominação petista já estava sendo montado discretamente, e poderia ser desmantelado no nascedouro. Falei disso para dezenas de platéias civis e militares. Foi como tentar ensinar cálculo integral a uma lagartixa.

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É claro que vim aos EUA para aprender. Mas não para aprender com os pensadores americanos, que na maior parte eu já havia lido no Brasil e dos quais, para ser franco, só uns três ou quatro me parecem interessantes. Vim para aprender com o povo americano — o povo do interior, não o das capitais — o segredo da sua realização suprema: a criação de comunidades ordeiras, pacíficas e prósperas, num ambiente arquitetônico belíssimo na sua simplicidade e na sua integração quase perfeita ao ambiente natural. Não se pode aprender isso em Miami ou Nova York. Por isso escolhi o interior da Virginia, Estado que, por ser a mãe dos EUA, transmitiu suas virtudes ao filho sem contaminar-se dos vícios que ele adquiriu depois.

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Infelizmente, a nação americana que os brasileiros conhecem é a de Nova York, Miami e Hollywood — a casca ao mesmo tempo vistosa e podre que encobre um tesouro de virtudes humanas.

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