6.8.2017

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-“Mapa da ignorância” é um conjunto esquemático de interrogações pelo qual tomamos consciência daquilo que nos falta saber para compreender melhor aquilo que sabemos numa determinada fase da nossa evolução cognitiva.
“Horizonte de consciência” é o limite daquilo que compreendemos nessa fase.
Um “mapa da ignorância” pobre ou vazio assinala um horizonte de consciência fechado e incapaz de ampliar-se.
Qualquer doutrina filosófica insinua automaticamente, pela sua própria existência, seu respectivo mapa da ignorância. O problema é: aos olhos de quem? Do próprio filósofo ou do seu leitor apenas? O filósofo está consciente dos problemas principais e imediatos que precisaria resolver para dar plena razão da sua doutrina, ou simplesmente a apresenta como auto-suficiente, como se o seu horizonte de consciência fosse o limite da consciência humana na sua época? Os problemas que uma filosofia sugere imediatamente ao leitor foram incorporados pelo filósofo no seu mapa da ignorância, ou fazem parte apenas da sua inconsciência?

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Por exemplo, no debate com o Prof. Duguin tornou-se claro que ele nunca havia se perguntado sobre o nacionalismo americano, tão importante — como se viu na eleição do Trump — para a compreensão do fenômeno globalista do qual ele acreditava ter pleno domínio.
Chamando a atenção dele para esse problema, coloquei um item importante no mapa da sua ignorância, e, embora reclamando um pouco na hora do debate, ele aproveitou a dica mais tarde, ampliando o seu horizonte de consciência.

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Na recente entrevista que ele deu ao Alex Jones, ficou claro que o entrevistador não tinha a menor idéia da existência de três globalismos, entendendo portanto o esquema russo como um puro antiglobalismo — ou alternativa ao globalismo –, que é como a PROPAGANDA russa costuma apresentá-lo.

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A simples ingerência do esquema russo-chinês na Venezuela — e mais especialmente a da China no próprio globalismo ocidental — mostra que não há aí nenhuma simples reação nacionalista ao globalismo ocidental, mas um esquema globalista de pleno direito.

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A coisa mais óbvia do mundo é que qualquer reação nacionalista surgida na área dominada por um determinado globalismo pode ser sempre absorvida e utilizada por um outro globalismo. O discurso aparentemente nacionalista do Ciro Gomes é um exemplo.

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