4.8.2017

No Brasil todo mundo tem opiniões sobre assuntos que não lhe interessam nem no mais mínimo que seja.

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Noventa e nove por cento das acusações de corrupção provam, acima de tudo, a mediocridade do acusador.

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Poucos opinadores facebookianos sabem distinguir entre uma divergência ocasional e uma inimizade pérfida.

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O maior sucesso de vendas na Amazon esta semana é “Reasons to Vote for Democrats — A comprehensive guide”(Razões para Votar nos Democratas — Um Guia Abrangente), de Michael Knowles. O livro tem recebido aplausos entusiásticos da crítica, principalmente porque se constitui de 256 páginas TOTALMENTE EM BRANCO.

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Para mim, é claro que pessoas como Alexandre Borges, Flavio Morgenstern e Carlos Andreazza não merecem levar pedradas só porque tomaram posição contra a candidatura Bolsonaro. Para muitos brasileiros, o PSDB ainda é a única alternativa ao petismo, e tudo o que conta num candidato é a capacidade administrativa comprovada, bem como o “physique du role” — três critérios que levam inexoravelmente a escolher João Dória. Tenho tentado explicar que tanto o Dória quanto o Ciro Gomes, com todas as suas qualidades pessoais que eu seria o último a negar, são candidatos comprometidos com esquemas internacionais — o Dória com a ideologia “diversitária” da ONU, o Ciro com o BRICS e especialmente com a China. A vitória de qualquer dos dois é GARANTIA SEGURA de que a política nacional continuará sendo decidida do exterior, de que o Brasil continuará sendo o rabo do cachorro — o que é precisamente o “handicap” estrutural da nossa História. Os movimentos de 2013 a 2015 mostraram que o nosso povo estava ansioso não só para se livrar de meia dúzia de políticos ladrões, mas para assumir o controle do seu próprio destino. Ora, a primeira condição para isso é uma candidatura puramente nacional à presidência da República, e a única que atende a essa condição é a do Jair Bolsonaro. Qualquer outra escolha é baseada em preferências subjetivas alheias à realidade do momento histórico. Isso, evidentemente, não é motivo para julgar que quem quer que não entenda esse ponto à primeira vista é um bandido, um criminoso, um inimigo do Brasil.

O Alexandre Borges tomou parte na campanha do Flavio Bolsonaro, que é um dos seus melhores amigos.

By the way, o Alexandre Borges informa que nunca tomou realmente posição contra o Bolsonaro. É tudo um zunzum.

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É claro que um candidato puramente nacional — e aliás nacionalista –, se eleito à presidência, enfrentará resistências medonhas, tão grandes, talvez, como aquelas que o Trump vem encontrando, e nós padeceremos esse destino junto com ele. Mas o nosso dever não é fugir do destino, é?

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Ao entrar numa discussão, você tem de decidir primeiro se quer ganhar a adesão do interlocutor ou acabar com a reputação dele. Para muitas pessoas, essa escolha não é muito clara.

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É natural — mas às vezes catastrófico — que muitas pessoas, ao escolher um candidato presidencial, procurem nele uma projeção ampliada do seu ego ideal, e rejeitem o candidato que pareça a inversão dela.
Por isso informo: Votarei no Bolsonaro sem ter o menor desejo de ser ele quando eu crescer.

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Em política, as qualidades pessoais de um governante só importam quando são qualidades excepcionais, de gênio, de santo ou de monstro, que escapam totalmente ao controle dos seus parceiros. Em todos os demais casos, SÓ o que importa são seus compromissos assumidos com grupos de pressão. Nas próximas eleições brasileiras, não vejo nenhum gênio, santo ou monstro candidato.

Amanda Kelly Ouvi de Salazar que ele se aproximava da segunda qualidade, professor. E até hoje muitos portugueses amam a memória dele, lamentando profundamente a Revolução dos Cravos.
Olavo de Carvalho Salazar não sabia administrar uma democracia, mas soube usar uma ditadura para fazer o bem ao país.

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O Lula, por exemplo, nunca passou de um “office-boy” de Cuba. Só num país de babacas um sujeito tão medíocre pode ter passado como “líder carismático”. NUNCA houve um líder carismático no Brasil. Nunca, nenhum, nenhunzinho. Nossa política é intriga de sapinhos na lagoa.

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Em nenhum país do mundo se realizou tão perfeitamente a fórmula de Karl Marx: “Semeei dragões e colhi pulgas.”

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O Brasil não pode criar gênios, santos ou monstros na política porque é a SOCIEDADE ANTROPOFÁGICA: tudo o que mede mais de um metro e vinte de estatura humana, ela come e caga.

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Jogadas no aparelho digestivo de semelhante bicharoco, muitas das minhas idéias já circulam por aí em formato de bosta.

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O Brasil consegue criar alguma grandeza nas letras porque a invenção literária é relativamente independente da sociedade, até pode buscar abrigo na solidão ou no exterior. Na política, tudo o que aparece é a imagem cuspida e escarrada da sociedade fecal.

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Quando vi a multidão enfurecida nas ruas, entre 2013 e 2015, pensei: “O que um George Washington, um Napoleão, um Lênin não fariam com isso!” Aí apareceu o Kim Katakokinho.

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Ao Bolsonaro faltam ainda muitas das qualidades que compõem um líder carismático: a amplitude da ambição, a compreensão aguda do momento histórico, a posse de uma herança intelectual rica, etc. Mas ele tem pelo menos uma delas: Não se compromete com ninguém, segue apenas a sua própria cabeça.

É justamente a qualidade que falta ao Ciro Gomes, embora ele a simule.

Daniela Cavalcanti de Gouveia ariano . com quatro planetas em áries, se nao me engano. vai ouvir quem? rsrsrs
Olavo de Carvalho O problema é que ele tem Mercúrio em Peixes. Quando diz uma coisa, parece que está dizendo outra.

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Não tenho a menor dúvida de que o Mário Ferreira dos Santos foi um MONSTRO, como Balzac ou Victor Hugo: descomunal, oceânico, informe, mal acabado, indigerível, indefecável.

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O Mário Ferreira dos Santos foi o Incrível Hulk da filosofia.

Londerson Araújo Discordo professor, acredito que ele deveria ser o Batman. Todos nós sabemos que a DC é melhor que a Marvel.
Olavo de Carvalho O Batmen é muito elegante – a qualidade que o Mário menos tinha.

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O que o Trump está fazendo na economia americana é incrível. Nunca se viu tanto progresso em tão pouco tempo. Mas, se ele espera que o progresso econômico dissolva e anule o ódio da esquerda globalista, pode esperar sentado. Quanto melhor, pior.

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De Frango rides again. Porca miséria, como esse sujeito é burro!

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Não posso dizer que o último artigo do De Frango é totalmente inútil. Como ele afirma que o Eugène Canseliet é um dos meus gurus, lembrei-me de que uns trinta anos atrás havia comprado um livro desse autor, que não cheguei a ler porque o perdi numa mudança de casa. Agradeço ao De Frango, que me deu a dica de comprar esse livro de novo para averiguar retroativamente a influência decisiva que exerceu sobre este seu não-leitor.

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Custou 74 dólares a porra do livro. Se for ruim, vou cobrar do De Frango.

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Pensem por dois segundos. Se digo que as castas são tipos psicológicos e não classes sociais, e completo dizendo que elas estão presentes em todas as sociedades existentes, hierárquicas ou não, como posso ao mesmo tempo estar “pregando” o advento de uma sociedade hierárquica de classes em substituição à democracia?
Pensaram? Pois então pensaram mais do que o De Frango pensou em toda a sua porca vida.

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Não vou refrescar para o lado do De Frango só porque ele é véio. Burro, quando envelhece, fica burro véio.

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O Flavio Morgenstern, tal como o Alexandre Borges já havia feito, esclarece que nunca falou contra o Bolsonaro. Pouco importa. Estou respondendo a um zunzum que se espalhou contra eles, e não a eles.

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Uma das vantagens de uma sociedade bem estabilizada e moralmente homogênea é que fica fácil distinguir os bons e os maus. Uma desvantagem é que, quando aparecem novas formas de maldade, elas escapam do horizonte de visão dos critérios antigos, e aí todo mundo é feito de trouxa. É exatamente o que acontece nos EUA.

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Quando é que os idiotas filhos da puta cornos canalhas de merda vão perceber que não defendo nem prego NENHUM modelo de sociedade, que só examino situações bem definidas e concretas?

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Nenéns, Inc.

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Jack, Lucy, Gwen e Isaac.

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Eu ia explicar, mas aí ela acordou.

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Rafaella Gappo Na verdade no sonho o sr me explicou mas ficou dando tantas voltas que eu fiquei agitada e acordei. Não me lembro qual foi a resposta! Hahaha

Em suma: Enrolei pacarai.

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O Arthur Koestler conta de um sujeito que tomava LSD para descobrir o sentido da vida. Descobria, mas ao acordar da viagem não lembrava nada. Uma vez decidiu deixar lápis e papel ao alcance para anotar rapidamente a mensagem. Anotou. Ao voltar ao estado de careta, leu o supremo segredo do universo:
— A banana é grande, mas a casca é maior.

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Acho que já contei esta, mas é muito educativa.
Conheci dois irmãos que eram tipos tão estrambóticos que tinham os apelidos de Sintagma e Paradigma. Eles viviam se enchendo de LSD na esperança de abrir as portas da percepção. Um dia um deles me jurou que abriam mesmo:
— Veja você. Se o meu irmão está a cinquenta metros de distância, eu cochicho o nome dele bem baixinho e ele ouve perfeitamente como se estivesse a cinquenta centímetros.
Diante de tão espetacular feito cognitivo, perguntei:
— Como é que você sabe que ele, a cinquenta metros, OUVIA como se estivesse a cinquenta centímetros, ou você que, estando a cinquenta centímetros, o ENXERGAVA como se estivesse a cinquenta metros?
Ele coçou a cabeça:
— Pô, eu nunca havia pensado nisso.