30.7.2017

Para quem quer falar da Inquisição sem dar uma de Dona Issa:

Agostino Borromeo, “L’inquisizione: atti del Simposio internazionale, Città del Vaticano, 29-31 ottobre 1998”, Roma, Biblioteca apostolica vaticana, 2003 – 788 páginas.

Alvim Neto Professor, desculpa a pergunta fora de tópico. Seria correto afirmar, analogicamente, que Machado de Assis está para Tostói assim como o José Geraldo Vieira está para Dostoiésvsky, levando em consideração os estilos de ambos e as suas respectivas importâncias dentro das suas literaturas nacionais?
Olavo de Carvalho O José Geraldo tem algo a ver com Dostoiévsky, mas Machado nada tem em comum com Tolstoi.
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No minuto 4:34, profetizei em 2012 o advento de Dona Issa ao planeta:

 

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A forma mais extrema da credulidade é a incredulidade ante o inabitual. As inteligências anêmicas dependem inteiramente do círculo da sua experiência costumeira — delas e do seu círculo de referência –, para além do qual nada enxergam e tudo lhes parece inverossímil.
Só que no Brasil essa deficiência cognitiva é motivo de orgulho. Cada um ostenta a sua como se fosse o critério supremo da realidade, chamando tudo o mais de “teoria da conspiração”, “paranóia” etc.
Já faz uns cinco anos que indiquei treze livros básicos sobre a questão da Nova Ordem Mundial, e até hoje milhões de mentecaptos, sem ler nenhum deles, continuam apegados às suas opiniões, que adquiriram na Rede Globo.

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Ao longo da minha vida, conheci de perto muitos personagens de envergadura mundial: filósofos, escritores, cientistas, artistas, governantes, bilionários, burocratas de alto calibre, mestres espirituais autênticos e falsos, terroristas, vigaristas apocalípticos etc. etc. Também estudei o suficiente para atender à exigência básica para a formação de um cientista social (segundo Max Weber), que é o conhecimento comparativo de épocas e civilizações diversas. E vivi experiências tão variadas e extremas que todo apego que eu pudesse ter às opiniões da vizinhança foi desfeito em pó.
Não creio que, sem esse tipo de vivências, alguém possa ter alguma idéia aproximada do que seja a realidade da História mundial hoje em dia.
Mas tem neguinho que nunca saiu de casa e fica aí cagando regra.

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Uma vez uma dona apareceu com um livro de dois ingleses segundo o qual Jesus tinha se casado com Maria Madalena e ido morar com ela no Japão, onde tiveram muitos filhinhos aos quais transmitiram os segredos do cristianismo esotérico.
— Limpe o cu com essa coisa, recomendei.
— Mas é uma pesquisa séria, ela respondeu.
— Melhor ainda. Limpar o cu é coisa séria.

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A atitude mais patética que conheço é um sujeito comparar a minha vida de estudos com o seu diplominha da Universidade Internacional de Vila Nhocunhé e concluir pela superioridade deste último.

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Por volta dos 23 anos, tomei uma decisão que recomendo a todos: ler livros que dissessem o oposto daqueles que eu havia lido até então. É uma experiência da qual a maioria foge entre gritos de horror e dores indescritíveis.

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A frase mais linda que já ouvi de um jovem brasileiro foi esta de 2013:
— Você não sabe nada. Você não leu “Veias Abertas da América Latina”.

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O primeiro livro reacionário que eu li depois de anos de intoxicação comunista foi “La Rebelión de las Masas”, de José Ortega y Gasset, escolhido propositadamente como antimodelo. A cada linha eu era obrigado a confessar:
— E não é que o filho da puta tem razão?

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Acabei lendo todos os livros do autor — e dos outros filósofos espanhóis amigos dele — e escrevendo a respeito um breve ensaio que foi premiado pelo governo da Espanha. Aos 26 anos eu era um orteguiano de estrita observância.

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O segundo filósofo que me encantou foi Éric Weil. Não é um pensador muito original, mas talvez o melhor leitor de filosofia que o século XX conheceu.

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Foi por volta dos 28 anos que mergulhei em Platão e Aristóteles para não abandoná-los nunca mais.

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Ainda leio ou releio Giorgy Lukacs, Henri Lefebvre, Max Horkheimer e Lucien Goldmann de vez em quando, com algum proveito. Não conheço nenhum liberal ou conservador que tenha esse hábito.

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O mais brilhante dos reacionários, segundo opiniões respeitáveis, foi Charles Maurras. Conheço bem a história dele, mas não consigo ler os seus livros. Há no estilo dele um não-sei-quê que mata o meu interesse logo nas primeiras linhas.

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Um reacionário que leio até hoje com imenso prazer é Léon Daudet, um discípulo de Maurras. Que verve, que eloqüência, que vivacidade!

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Dos escritores anticomunistas mais famosos, um que não cesso de ler com prazer sempre renovado é Arthur Koestler — não os seus romances, mas os ensaios e memórias. “Arrow in the Blue” e “The Invisible Writing” estão entre os mais interessantes relatos autobiográficos de todos os tempos.

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Aos trinta e poucos anos, minha inteligência recebeu um reforço inigualável com a leitura das “investigações Lógicas” e da “Crise das Ciências Européias” de Edmund Husserl. É preciso lê-los com lápis e papel ao alcance, como livros de matemática. O esforço pode levar meses ou anos, mas é imensamente recompensador. Ninguém jamais será um filósofo se não levou umas boas doses de Husserl na veia.

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Conselho de amigo: Não leia Ortega em tradução. Ele é o maior prosador espanhol de todos os tempos, um encanto intraduzível.

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A sorte é que quem foi educado em português do Brasil entende espanhol quase que por instinto. A recíproca não é verdadeira.

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Até hoje não entendi bem a diferença entre pagar impostos e tomar no cu.

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Segundo o Fuckerberger, transexuais, assim como gays em geral, são “grupos protegidos” que não podem ser alvos de uma palavra dura e nem mesmo de uma piadinha. O mesmo não se aplica, é claro, a religiosos e leigos cristãos. De fato, pensando bem, de que valem todos aqueles santos e mártires, aquelas freiras que desistem de todos os prazeres materiais e vão para os mais bárbaros cafundós do universo cuidar de órfãos, de tuberculosos, de leprosos, de que valem essas pessoas em comparação com a grandeza moral de um Laerte ou de um Jean Uiui? Que gravidade têm 150 mil assassinatos anuais de cristãos em comparação com o horror indescritível de uma piadinha de gays?
O novo código moral que Fuckerbergers e similares querem impor ao mundo é criminoso, psicopático, monstruoso.

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Recordar é viver (contribuição do Ricardo Ribeiro de Souza):

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Orgulho hétero é veadagem.

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Aprendam, bostinhas da Câmara Federal:

https://www.facebook.com/jairmessias.bolsonaro/videos/884120468403607/

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Casamento gay significa que ninguém mais poderá dar o cu sem certidão.

Clea Coppola Me perdoe: e esta errado? cada um dá o que tem e pode. A aprovação da união foi justa. Se dou, como você fala o “cu”, dou pq quero. Acha justo que eles não tenham segurança jurídica nessa relação? Não menciono nada de religiosidade e sim, de direito. Vi casais conviverem em união por anos e, ao falecer um deles, a família que nada fez por eles, disputam seus bens. Sou hétero , mas justa. Quem teria mais direitos? O convivente ou a família que o rejeitou? O mundo mudou: sou a favor? Não. Mas não me nego a aceitar a nova realidade.

Clea Coppola : Você não entendeu a piada, mas, sem perceber, inventou outra melhor ainda: dar o cu com segurança jurídica.

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Para acrescentar à coleção de velhas canções francesas:

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Nada se pode fazer para restaurar a inteligência de quem não percebe, à primeira vista, que “casamento gay” é metonímia e que “união estável entre pessoas do mesmo sexo” é eufemismo.

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O que define o casamento não é a mera “união”, mas o direito recíproco ao desfrute sexual entre os parceiros, claramente delimitado, no casamento tradicional, pela diferença entre os órgãos sexuais dos cônjuges. Numa “união entre pessoas do mesmo sexo”, esse direito é indefinível e mesmo indescritível. Basta isso para mostrar que tudo aí não passa de uma figura de linguagem destinada a dar ares de união matrimonial ao que não o é de maneira alguma nem pode sê-lo jamais.

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Por exemplo (se ainda não ficou claro): Num casamento tradicional, o homem não tem NENHUM direito legalmente assegurado de fazer sexo anal na mulher, embora ela possa permiti-lo se quiser (e mesmo que o permita ela não tem nenhuma obrigação legal de continuar a permiti-lo quando não quiser mais). O “casamento gay” vai assegurar esse direito, fornecendo ao gay ativo a mesma garantia jurídica que nega ao marido heterossexual?

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Uma união juridicamente estável que não regule os direitos sexuais dos cônjuges ( e que até finge ignorá-los) não é nem será jamais um matrimônio, exceto em sentido paródico.

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Que é que esse sujeito está fazendo no Brasil, senão promover, com o beneplácito do governo, a mais descarada apologia do terrorismo?

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Nosso hangout está um pouquinho atrasado por problemas técnicos, mas vamos entrar no ar daqui a pouco.

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Uma vez legalizado o casamento gay, nada impedirá que, instado a isso por maridos assanhados, o Estado institua a paridade de direitos entre o macho heterossexual e o gay ativo, forçando as mulheres a aceitar o coito anal.

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