14.7.2017

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Lucy — um mês.

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Nada, exceto a estupidez e o servilismo, obriga alguém a pensar como “um homem do seu tempo”, isto é, a tomar as crenças dominantes da sua época, ou do seu meio profissional, como critérios e parâmetros universalmente válidos para o julgamento de outras épocas e civilizações. Não só a inteligência humana é constituída de modo a poder transitar entre atmosferas mentais distantes no tempo e no espaço, como também, a rigor, só aquilo que atravessou as épocas, imune à variação das modas, dos gostos e dos sentimentos, aquilo que, como dizia Goethe, “nunca teve atualidade”, pode pretender ao estatuto de medida universal. Mas compreender isso é quase impossível quando o meio social em que o juiz das épocas passadas se sente integrado é o da academia, ou intelectualidade dominante, cuja autoridade e aliás até mesmo cuja subsistência dependem da firmeza com que ela acredite ser o cume do progresso humano.

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Julgar outras épocas e civilizações à luz da tradição judaico-cristã é muito mais científico do que fazê-lo segundo os cânones da antropologia relativista, que já foi ela própria relativizada pela passagem do tempo.

Luciano Garrido Julgar, no sentido de atribuir valor, não me parece algo científico. A não ser que a palavra tenha sido usada em outro sentido.
Olavo de Carvalho Ao contrário, Não pode haver ciência sem julgamentos de valor. O Max Weber ficou quase louco tentando se livrar deles.

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Filipe G. Martins

14 h · 

«Vocês, que crêem poder predizer o rumo da história com base nas cotações da bolsa de Nova York; vocês, que só crêem na força determinante do dinheiro e de mais nada; vocês, que por isso se imaginam os homens mais realistas do mundo, são na verdade umas galinhas estúpidas e indefesas, que se acreditam a salvo da raposa porque estão encarapitadas num poleiro de ouro. Como se a raposa ligasse para isso. Como se a experiência diária dos assaltos, dos homicídios, dos seqüestros em cada esquina não estivesse gritando, do alto dos telhados, que entre o rico desarmado e o pobre armado é este último quem tem nas mãos as rédeas do destino.

(…)

De onde vocês, capitalistas, tiraram a idéia de que o dinheiro rege o mundo, senão daquela filosofia que criou essa idéia precisamente como arma de destruição do capitalismo? Vocês não percebem que essa filosofia precisa que vocês acreditem nisso, exatamente porque, falsa como descrição da realidade, ela adquire um poder de profecia auto-realizável tão logo suas vítimas passem a acreditar nela e a comportar-se como ela quer que se comportem para mais facilmente poder derrubá-los?

(…)

Acordem enquanto é tempo. Libertem-se desse falso realismo. Joguem fora esse seu termômetro financeiro maluco e comecem a prestar atenção aos fatos do dia a dia, à mutação dos valores morais e das mentalidades, à destruição geral da linguagem e da inteligência, à progressiva acomodação nacional a um estado crescente de terrorismo cotidiano, à propaganda comunista nas instituições de ensino, à tolerância crescente para com a violência criminosa compreendida como ‘protesto social’, à articulação continental de guerrilheiros, traficantes e mídia cúmplice. Nenhuma dessas coisas pode ser adivinhada pelas cotações da bolsa. Mas são elas — e não as cotações da bolsa — que constituem a substância da História.»

Olavo de Carvalho em julho de 2002, quando os liberais e as figuras públicas que se julgam práticas e realistas, em sua maioria, ainda acreditavam que o Lula não seria eleito e que tudo o que importava era a economia — um cenário que, mesmo que com outros personagens, não é tão diferente assim do que nós temos hoje, quando até mesmo alguns dos que criticam o economicismo continuam pensando e agindo como se a economia regesse o mundo.

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O Ludwig von Mises ensinou que a base da economia era a ação humana, mas entenderam que a base da ação humana era a economia.

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Quando disserem: “Você é o que você come”, responda:
— E quem decide o que eu vou comer?

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Quando um sujeito passa a ganhar mais de um milhão de dólares por mês, deveria receber um aviso:
— Daqui por diante, tudo o que você disser poderá ser usado contra você.

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Se eu encontrasse o Bill Gates, o George Soros ou o Zuckerberger na rua, eu lhe perguntaria:
— Você já tem tanto dinheiro, para quê quer também ter idéias?

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Para mim, a obrigação de neguim rico é ter uns castelos na Suíça, umas ilhas no Pacífico, uma frota de iates, uns milhares de cavalos de corrida, um montão de mulheres lindas e não encher o saco.

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A desgraça do mundo começa quando um bilionário contrata umas centenas de intelectuais para lhe dar idéias que ele possa dizer que são dele.

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Só o homem que não tem consciência de ser uma alma (já falei disso outro dia) pode imaginar que nada mais existe além de uma realidade corporal “neutra”, de um lado, e preferências humanas subjetivas, de outro — a “res extensa” e a “res cogitans”, heterogêneas e incomunicáveis. João de S. Tomás, no século XVII, já descobriu que isso era impossível.

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Richard Wagner estava certo: Tomava o dinheiro dos bilionários, comia as mulheres deles e lhes criava tantos problemas que não lhes restava um minuto de sossego para que eles pudessem ter idéias.

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Toda ciência começa e termina com julgamentos de valor. Por exemplo: Quais pesquisas MERECEM verbas? Quais hipóteses MERECEM atenção? Quais questões MERECEM ser estudadas?

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Se a ciência não pode fazer juízos de valor, todos os juízos de valor — inclusive sobre o valor da própria ciência — serão desprovidos de qualquer base científica e a ciência não terá outra finalidade senão fornecer pretextos cientificos para enfeitar o irracional. Max Weber ficou semilouco porque não encontrou solução para esse problema.

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Uma vez eu disse que a primeira ciência que tentou se constituir como um discurso lógico do princípio ao fim foi a teologia cristã. Embora isso seja um fato histórico facílimo de comprovar, milhares de Pirulas saíram rindo. Risadinha de deboche é argumento de puta.

Matheus Bacila Há algum livro no qual possa ler sobre isso, professor Olavo de Carvalho?
Olavo de Carvalho Sim os livros do Alois Dempf sobre a formação da cultura escolástica e sobre a unidade da ciência.

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O melhor produto intelectual do marxismo foi a crítica da “razão instrumental” pela Escola de Frankfurt. Embora seja bastante incompleta e nem de longe se compare ao que Edmund Husserl viria a fazer na “Crise das Ciências Européias”, considero-a um legado de valor permanente. O problema é que liberais e conservadores não querem sujar suas mãozinhas mexendo nisso,

Robson Andrade Preciso ler esse livro do Husserl!!!
Olavo de Carvalho É um dos cinco ou seis livros mais importantes do século XX.

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Os estudos de Georg Lukacs e Lucien Goldmann que comparam a estrutura do gênero romance à estrutura da economia capitalista são também muito valiosos, por mais bobagens que esses autores tenham dito fora desse assunto.

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Já cheguei à conclusão de que o maior problema do gênero humano é a dificuldade de pensar um problema de cada vez. Quando alguém não entende alguma coisa, trata logo de misturá-la a um montão de outras coisas ainda mais complicadas.

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Mas outro problema é que os jovens gostam mais de pensar na clave do certo e do errado do que na do verdadeiro e falso. A ânsia incontida de estar do lado certo leva a crer numa infinidade de mentiras.

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Quando o Lucien Goldmann disse que para ele o socialismo era “uma experiência religiosa”, entendi o que era um gênio idiota. E ele foi dizer isso logo na frente do Eric Voegelin…

Lya Ferreira Tem a resposta do Eric Voegelin?
Olavo de Carvalho Risadinha discreta.

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Os juízos de valor não são, como pensava Max Weber, uma premissa irracional da ciência. São a parte MAIS DIFÍCIL da investigação científica.

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Comparado com o Époisses, o Brie é queijo para crianças.

Thiago Rachid Precisa fazer financiamento bancário pra conseguir comprar?
Olavo de Carvalho No Brasil, sim.

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Para a CNN e similares, isto não é notícia:

http://dailycaller.com/2017/06/16/this-list-of-attacks-against-conservatives-is-mind-blowing/

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O erro básico do Trump: querer reformar o país antes de assegurar o controle da máquina estatal: é como serrar uma árvore antes de ter um serrote.

https://www.infowars.com/dobbs-deep-state-trying-to-destroy-president-trump-break-will-of-american-people/

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Prestem atenção:

https://www.infowars.com/the-one-world-government-technocracy-is-breaking-down-the-elites-are-panicking/

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Será que estou na lista de suspeitos? Afinal, andei conversando com o Alexander Duguin.

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Império do livre mercado, o caralho. CADA pacote que você recebe da Amazon leva US$ 1,57 em subsídios do governo federal. A América brasilianiza-se.

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O lugar desses filhos da puta é na cadeia.

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O relativismo cultural vale como uma precaução metodológica inicial, para frear o ímpeto de julgar tudo “a priori” segundo a opinião vigente, mas, erigido em dogma que molda antecipadamente as conclusões, achatando e neutralizando tudo, torna-se um dos princípios fundamentais da estupidez acadêmica. Principalmente porque ele É a opinião vigente, o que o torna instantaneamente autocontraditório.

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“Se a escola deixa um menino pequeno colar na prova, quando cresce ele vira o quê? Ministro.”
(Pierluigi Piazzi)

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Cultura inútil que pode ser útil: Em pelo menos noventa por cento dos filmes sobre a Guerra Civil Americana, os personagens aparecem usando armas que não existiam na época, especialmente a Winchester 1873 e o revólver Colt do mesmo ano. A metralhadora Gattling existia. O rifle Spencer de sete tiros também.

Francisco Augusto Júnior Professor, o senhor recomenda o filme Bonnie and Clyde (1967)? Gostou?
Olavo de Carvalho Gostei, mas é uma tristeza só do começo ao fim. Vida de bandido é completo nonsense.

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Uma parte da minha coleção pela qual tenho especial carinho é a dos rifles de alavanca (lever gun), a arma mais típicamente americana. Tenho pelo menos um de cada uma das marcas que fizeram a história do modelo: Henry, Winchester, Browning e Marlin.

Diogo Coelho O senhor usa quais armas para treinar tiro?
Olavo de Carvalho Uma Benelli semi-automática cal. 30-06, uma Steyr-Mannlicher de ferrolho cal. 375 H&H e uma Tikka (finlandesa) cal. 338 Win. Raramente treino com revólveres ou pistolas porque não me dou bem com armas pequenas.

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Outra parte da qual gosto muito é a dos rifles da I e II Guerras mundiais, só alguns dos quais ainda servem para atirar, como o Mosin-Nagant russo, o MAS-36 francês, o Garand M1 americano e um Mauser 98K fabricado na China com peças alemãs.

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Histórias onde todo é mundo é bom, como alguns romances do José Geraldo Vieira, podem prender a nossa atenção, mas se todo mundo é filho da puta a gente sempre sabe a merda que vai acontecer. O melhor é quando o bem e o mal se misturam e se engalfinham.

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Em romances como os de Dostoiévsky, Jacob Wassermann, William Faulkner e Hubert Selby Jr. o bem e o mal convivem de muito perto e frequentemente se transformam um no outro.

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Na língua portuguesa, não conheço histórias de sentido moral mais elevado que as do José Geraldo Vieira. Lê-las melhora as pessoas.

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Filmes de Máfia são sempre emocionantes porque em cabeça de mafioso a ética mais rigorosa e a total falta de ética convivem perfeitamente bem.

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“Espero morrer aos cem anos, baleado por algum marido ciumento.”
(Pierluigi Piazzi)

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