3.7.2017

 

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O mais óbvio sintoma da pseudocultura entojada dos nossos dias é o vício de comparar a minha figura com a do Paulo Francis. Creio que foi o Robert Civita quem inventou a moda. Toda a afinidade que eu possa ter com esse meu falecido amigo reside na coincidência de que, na superfície jornalística das coisas, ambos representamos durante algum tempo a exceção “direitista” ao monopolismo hegemônico da esquerda. Em TUDO o mais — ou seja, em tudo o que de fato interessa à história cultural séria –, nenhuma comparação é possível. Francis foi um cronista político por vocação, desde a juventude, e um romancista falhado na maturidade. Eu sou um professor de filosofia que só entrou na crônica política já cinquentão, de má vontade e por absoluta falta de quem mais ousasse dizer certas obviedades, ainda que com atraso formidável (deixei isso muito claro no prefácio a “O Imbecil Coletivo”). Não vejo nos escritos do Francis o menor esforço de filosofar, mesmo sobre a política, nem nos meus um sinal, remoto que seja, de uma vocação de romancista, bom ou mau. Quanto às influências que nos moldaram — as coordenadas que nos localizam no mapa do pensamento mundial –. não poderiam ser mais diferentes. O Francis era eminentemente um filhote dos “intelectuais públicos” anglo-americanos, aos quais dou uma importância muito limitada, ao passo que a lista (incompletíssima) dos “meus gurus”, na homepage www.oloavodecarvalho.org, só menciona autores pelos quais o Francis jamais demonstrou o menor interesse.
Quando a mídia nos compara, ela prova que só enxerga de nós aquilo que ela mesma, sem nos consultar, projetou sobre as nossas figuras segundo uma escala de interesses que é dela, não do Francis e muito menos minha.

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Pior: A linguagem do Francis era um condensado — bem engenhoso, aliás — da fala dos chamados “intelectuais de Ipanema”, que adquiriu forma escrita no “Pasquim”. A minha é um complexo barroco que eu mesmo inventei combinando modelos como Léon Bloy, Eric Weil, o vocabulário escolástico, a fala de certos radialistas e humoristas populares e outros exemplos totalmente alheios à esfera de interesses do Francis. O único escritor brasileiro que me inspirou um pouco, nessa área, foi o José Geraldo Vieira.

Caio Fonseca Alborghetti, professor?
Olavo de Carvalho Sim, mil vezes.

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Viva!

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Olavo de Carvalho Daniel Aragão merecia o prêmio de melhor fotografia também.

https://cine-pe.com.br/2017/07/03/o-jardim-das-aflicoes-e-consagrado-melhor-filme-do-cine-pe-2017/

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Sempre pensei que o nazismo fosse um tardio desvio nacionalista do movimento socialista, mas acabo de aprender que o socialismo alemão já nasceu nacionalista e só depois se tornou internacionalista. Inspirado em Fichte, a quem considerava “o maior dos patriotas alemães”, Ferdinand Lasalle, um dos mais próximos colaboradores de Karl Marx e fundador da Associação Geral dos Trabalhadores Alemães, pregava pelo menos desde 1859 aquilo que viria a ser um dos itens principais do programa de Adolf Hitler: a unificação dos povos de língua alemã sob um Estado central. Nunca fui um fã de Alain de Benoist, mas tenho de confessar que devo a ele essa informação

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Na verdade o movimento socialista andou sempre indo e vindo entre o internacionalismo e o nacionalismo.