2.7.2017

Se a popularidade de um cidadão pode-se medir pelo número de páginas falsas em seu nome que aparecem na internet, eu sou mais popular do que bola de futebol.
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Também sou recordista de críticos anônimos.

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Nos anos 50 do século passado, Otto Maria Carpeaux, numa das suas ranhetadas clássicas, disse que o romance de George Orwell, “1984”, logo seria esquecido. Decorridas seis décadas, o livro ainda é um sucesso mundial, e esquecido foi o Carpeaux, do qual, se eu não o retirasse do túmulo, ninguém lembraria mais nem o nome.

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“1984” vai muito além de uma mera sátira do regime soviético. Apreende certos traços estruturais da mentalidade revolucionária que sobrevivem ao comunismo, pelo simples fato de que o antecederam.

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Qualquer ser humano que fale em nome de uma comunidade — seja política, racial, religiosa, profissional, acadêmica ou esotérica — mente sem parar, mente desde a raiz, porque a identidade que assume já é fictícia, a voz que sai da sua boca não é dele, é a de um papel social.

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Muitas vezes, no afã de obter audiência, o cidadão fala como se fosse o porta-voz de um consenso, quando o consenso não existe e ele quer é produzi-lo. Tecnicamente falando, isso é A DEFINIÇÃO MESMA da erística, a arte de ludibriar o ouvinte.

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Por isso, quando ouvem um cidadão falar no tom de quem representa a autoridade de um consenso estabelecido, fiquem atentos: em CEM POR CENTO dos casos estarão diante de um vigarista. Não há exceções.

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Um escritor de verdade busca ENCONTRAR A PRÓPRIA VOZ, expressar a singularidade da sua experiência do mundo. O charlatão, ao contrário, sai no encalço de uma “egrégora”, de um aglomerado coletivo de vozes cuja autoridade possa parasitar. Tornar-se um professor universitário, no Brasil, consiste em aprender esse truque.

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Um escritor de verdade pode ser católico, comunista, liberal, protestante, maçom ou qualquer outra coisa, mas evitará por todos os meios imitar a voz dessas comunidades e marcará, no estilo, a singularidade da sua perspectiva existencial.

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O que se vê por toda parte é católico falando em tom cardinalício, protestante parodiando a Bíblia, comunista bancando o Comitê Cental do Partido, maçom posando de grão-mestre, e assim por diante.

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Quando um sujeito imita a voz do seu grupo, o que ele está fazendo é tomar a mediocridade como modelo — é tornar-se um aspirante a medíocre.

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Wolfgang Pauli costumava dizer que certas idéias são tão idiotas que não chegam nem mesmo a estar erradas.

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Pela milésima vez: Sentir-se ofendido é sinal de baixeza. Mesmo quando você foi ofendido realmente.

Nando Castro O que fazer, então? Haha
Olavo de Carvalho Mande tomar no cu e esqueça.

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Só uma pessoa no mundo pode humilhar você: Você mesmo.

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Quando um boboca me xinga, não sinto que ele está me ofendendo, mas tomando o meu tempo com bobagem.

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O Arruinaldo, por exemplo.

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