28.5.2017

Da página da Léa Nilse Mesquita :

“Impressionante! – acho que essa é a frase que mais uso no meu dia-a-dia.

E, ontem, era ela que me vinha ao ler comentários feitos à postagem que fiz de uma nota de Olavo de Carvalho, que volto a copiar pra facilitar a compreensão do que aqui vou dizer:

“Só pessoas insensíveis ou imaturas não percebem que um casamento fiel para toda a vida é um MILAGRE, não uma coisa normal e exigível na ordem natural.”

Eu copiei a nota por ver nela uma verdade. Talvez uma verdade difícil de ser mastigada e digerida, principalmente por nós mulheres, por causa de nossa imaturidade que a embrulha e regurgita no estômago. Nós queríamos que não fosse assim, como se a fidelidade devesse ser quase um direito que temos de exigir porque casamos.

Mas é assim que é na vida dos casais? Por acaso, o casamento fiel para a vida toda é a coisa mais natural e corriqueira no mundo real?

A nota do Olavo, para mim, tocava na clave de transmitir uma verdade da existência – é assim, assim é.

Mas, nos comentários era como se nosso filósofo, ao expressá-la, estivesse a defender a infidelidade, os homens e mulheres infiéis. Sua frase virou insensatez, um erro doutrinário que fere os mandamentos de Deus, uma besteira sobre um ponto defendido pela Igreja.

É isso que pra mim é impressionante. Era como se eu estivesse vendo as pessoas a conceber que, ao expressar as realidades da vida, só o fazemos em termos que denotem um “a favor” ou “contra” daquilo que estamos a tratar – toda descrição fatual das coisas, tais como são ou se apresentam aos nossos olhos, estaria abolida.

Imagino que me dirão que ninguém falou isso, que estou extrapolando ou deturpando os comentários feitos. Mas quem diz que a frase “um casamento fiel para toda a vida é um MILAGRE, não uma coisa normal ou exigível na ordem natural” é insensatez, um erro que contradiz o mandamento de Deus ou uma basteira sobre um ponto que a Igreja defende não está interpretando que Olavo, em sua frase, está como que a defender a infidelidade?”

OBS. — Bravíssima, Léa! No Brasil as tchurma não sabe o que é juízo de realidade. Em tudo só vê o pró e contra. Toma partido e vota contra ou a favor da álgebra elementar, da física quântica, dos Dez Mandamentos e do fato de que os mosquitos voam.

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Esclarecendo:

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Não faz o menor sentido falar em “direitos” quando não há sequer a promessa de uma garantia jurídica para sustentá-los. É horrível ter de explicar isso a criaturas que falam no tom da autoridade papal.

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Denis de Rougemont, em “L’Amour et l’Occident”, um livro brilhantíssimo, observa que o adultério é o tema mais freqüente e disseminado na literatura ocidental. Isso já deveria bastar para fazer entender que a fidelidade matrimonial só é um “direito” desde o ponto de vista do Estado moderno, que é a estrutura legal das modernas ilusões, uma máquina de prometer o que não pode cumprir.
Para a Igreja, no entanto, o matrimônio é um SACRAMENTO, algo que só pode chegar a cumprir as suas metas com a ajuda do Espírito Santo. Um casamento fiel não é coisa que se adquira num cartório.

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Os sujeitos que juram que todas as culturas valem o mesmo são os primeiros a achar que a cultura dos outros vale menos que a deles.

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Entendem agora porque a Igreja perdoa muitos adultérios e as pessoas cuja mentalidade foi forjada pelo Estado moderno não perdoam nem unzinho só?

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Napoleão Bonaparte, no seu Código, só consagrou a fidelidade matrimonial como obrigação civil porque se cansou de ser corno.

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Assinei e peço que assinem:

https://www.change.org/p/livres-evitar-que-o-nome-do-plen%C3%A1rio-da-alepe-mude-de-joaquim-nabuco-para-eduardo-campos

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Ciúme é um sentimento canino. Ponto final.

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No meu entender, humilhar uma criança pequena é o pior dos crimes. Se for a pretexto de educá-la, pior ainda. Jesus perdoou ladrões e assassinos, mas Ele mesmo disse que aquele que fizesse o mal a uma criança deveria ser jogado ao mar com uma pedra amarrada no pescoço.
Quantas humilhações morais horríveis já não foram impostas a crianças inocentes em nome da educação cristã?

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Digo isso porque NÃO tive essa experiência na escola católica em que recebi minha primeira instrução. Os padres que ali me educaram eram as pessoas mais doces do mundo.

Geraldo Ribeiro A primeira instrução na escola católica terá sido o estímulo fundamental para a extraordinária carreira nos estudos?
Olavo de Carvalho Geraldo Ribeiro Não sei, mas a fé católica entrou na minha alma como um encantamento sem fim, uma coisa maravilhosa e indescritível, nada daquelas experiências deprimentes que tantos meninos da minha geração — o Bruno Tolentino entre outros — tiveram em escolas católicas.

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Toda a segurança emocional de uma criança, pelo resto da sua vida, depende da confiança que tenha no amor dos pais. Introduzir aí a dúvida e o medo traz um DANO IRREPARÁVEL.

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Da instrução católica que recebi na infância, só restaram na minha memória muitas lágrimas de comoção ante os milagres, a caridade, o perdão, a Graça, a beleza. Nem uma só lágrima de tristeza. Ah, como eu gostaria de que todos os meninos do mundo tivessem tido experiência igual!

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Nos momentos mais deprimentes e conturbados da minha infância, a Igreja era sempre o abrigo, a ilha da bem-aventurança, a porta do Céu. Não mentirei se disser que, em cinco anos de convivência com os Padres Mário Rimondi, Mário Dodi e Pedro Pelotto na Igreja de Nossa Senhora da Paz em São Paulo, não levei uma só bronca, não ouvi uma palavra amarga sequer.

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NENHUMA Graça é um “direito”.

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O Catecismo da Doutrina Católica (1647,1648) reconhece que a fidelidade conjugal é uma conquista difícil, que só se torna possível pela Graça. A distância entre esse conceito e a noção jurídica do “direito” é IMENSURÁVEL.

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Juridicamente, a fidelidade conjugal é apenas ausência de adultério, ao menos comprovado. O amor não tem como entrar nesse conceito. No casamento cristão, ao contrário, a fidelidade é o efeito — ou obra — de um amor inflexível e constante, imitação do amor divino. É só na sua exterioridade mais grosseira que essas duas noções podem parecer a mesma.

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O que afirmo categoricamente é que a obrigação da fidelidade no puro casamento civil sem suporte religioso é uma carga pesada demais para qualquer ser humano real. O Código Civil de Napoleão não é a Bíblia e o Estado não fornece graças divinas.

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Eu SEI o que é a graça divina como suporte do amor humano. E não sei por ter lido, e sim por tê-la recebido. A diferença que isso faz é imensurável, para usar a palavra mais modesta que me ocorre.

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Cada vez que digo à Roxane “Eu vou amar você para sempre”, não estou querendo dizer que sou o bam-bam-bam das virtudes, o campeão da fidelidade matrimonial. Soaria imensamente ridículo. Estou dizendo apenas: “Deus não deixará que o nosso amor acabe.” Isso é tudo.

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Existem milhares de livros, debates e estudos em revistas científicas e teológicas sobre o celibato clerical, o qual não deveria, em princípio, ser um grande problema já que sua adoção deriva de uma livre decisão individual.
Em comparação, é QUASE IMPOSSÍVEL encontrar estudos sobre pessoas casadas que, abandonadas pelos seus cônjuges (ou separadas deles por motivo grave), são FORÇADAS a uma vida de celibato que não escolheram nem escolheriam jamais por vontade própria. O número dessas pessoas não é pequeno.
É certo que as controvérsias sobre o celibato clerical são alimentadas por inimigos da Igreja, constituindo, portanto, uma característica guerra cultural, e sendo esse o motivo mais óbvio da sua proliferação.
Mas por quê o silêncio geral — mesmo dos anticatólicos mais inflamados — sobre o problema incomparavelmente mais grave do celibato forçado?
Em vez me fornecer a sua gentil opinião — que valeria tanto quanto a minha, se alguma eu tivesse, que aliás não tenho nenhuma –, peço que o leitor me ajude a encontrar estudos sérios e fundamentados sobre o problema, não do ponto de vista teológico-doutrinal, onde não há controvérsia alguma a respeito, mas do ponto de vista psicológico, sociológico e psicopedagógico.

Paulo Braga Professor, uma dúvida minha que talvez o senhor possa responder. É certo que durante os primeiros séculos da Era Cristã a igreja não exigia do clero que esse fosse celibatário. Como nas Igrejas Ortodoxas havia aqueles que optavam por se casar e aqueles que optavam pelo celibato. Não seria melhor hoje que a Igreja permitisse ao seu clero secular a opção de ser ou não casado e mantivesse a obrigação do celibato apenas para as Ordens Religiosas?!
Olavo de Carvalho Minha resposta, decididamente, é : Não sei. Não discuto a doutrina da Igreja,.Tomo-a como verdade geral e só questiono situações concretas. É o máximo que o meu QI permite.

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Os confessores do Rei Luís XIV perdoaram-lhe algumas centenas de adultérios e nem por isso deixaram de chamá-lo de “Sua Majestade Cristianíssima”.
A fusão do casamento religioso com o casamento civil, desde o Código Napoleão, tornou impossível qualquer fenômeno análogo. O adúltero tem contra si não somente as penas do inferno, das quais pode se livrar mediante a confissão sacramental, mas uma infinidade de punições jurídicas, sociais, econômicas e psicológicas das quais não pode se livrar de maneira alguma, exceto se tiver muito dinheiro e for perfeitamente amoral.
O que me pergunto — e não sei responder — é: Quanto do espírito do Código Napoleão se infiltrou sutilmente nos julgamentos da massa católica sobre fidelidade e adultério? Nunca encontrei, a respeito, um estudo histórico que satisfizesse à minha curiosidade.

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Como vocês vêem, não costumo fugir de problemas para os quais não tenho solução, quando não me parecem logicamente insolúveis em si mesmos.

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Jesus disse: “Meu jugo é suave”. Podemos dizer o mesmo do jugo eclesiástico, QUANDO ALIADO AO ESTADO LEIGO MODERNO?
Não creio que seja honesto, da parte de um católico sincero intelectualizado, fugir desse problema, nem fazer de conta que está perfeitamente confortável diante dessa situação.

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Sempre reconheci e sem a menor dificuldade reconheço que sou um bosta, mas faço um esforço sincero para viver a vida católica, e, decididamente, não considero que faça parte dela fingir que não vejo aquilo que vejo.

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É claro, o Brasil está repleto de almas puríssimas que resolvem tudo mediante uma simples consulta ao Código de Direito Canônico, sobretudo quando não chegam sequer a entender a formulação do problema.

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A vida católica real é cheia de enigmas, perplexidades e sofrimentos morais sem os quais ela se reduziria à obediência mecânica, que é o ideal de tantos brasileirinhos devotos.

Rodrigo Jungmann Pode um fornicador ser salvo?
Olavo de Carvalho Se não pudesse, o sacramento da confissão seria 171.

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Conheço muitos católicos tão lindos, mas tão lindos, que jamais consentiriam em descer das alturas sublimes da sua fé inabalável para perguntar: “Pai, por que me abandonaste?”

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Se você perdeu algum post das semanas anteriores, recupere-o aqui:

http://diariofilosofico.org/

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