20.5.2017

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“Light in August” de William Faulkner é uma história de crimes e horrores com final feliz. Mais feliz ainda porque até a última página o leitor, suando frio, torce para que esse desenlace aconteça mas sente que é impossível. Um “tour de force” narrativo admirável.

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Em toda a história, o único personagem que parece ter a cabeça no lugar é Lena Groves, a mocinha simplória que sai em busca do homem que a abandonou grávida e acaba encontrando um outro que a ama. A gravidez e o bebê representam a força inabalável da vida no meio das mortes e desvarios que a cercam.

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Uncle Doc e o Reverendo Hightower representam duas perversões opostas do sentimento religioso: o moralismo cruel e o amolecimento sentimental que, levado por um arrependimento confuso, se dispõe, após muito relutar, a mentir para salvar da pena de morte um assassino.

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Byron Bunch, que acaba se casando com Lena, é um coitado, raiando a idiotice, mas de uma honestidade tenaz e quase heróica que no fim é premiada com a realização do seu sonho.

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“L’Âme de Napoleon”, de Léon Bloy, é uma apaixonada defesa de Napoleão Bonaparte desde um ponto de vista católico. Argumento difícil, mas que no fim acaba tendo alguma credibilidade.

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Estou esperando o dia em que os fofoqueiros vão parar de dizer que a Igreja só admite a procriação como finalidade das relações sexuais. Alguém acha mesmo que os papas, santos e mártires foram todos idiotas ao ponto de acreditar que na hora de transar alguém pode estar pensando em fraldas e mamadeiras?

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Agora explicando melhor. A procriação é a finalidade NATURAL do casamento. “Natural” quer dizer que a Natureza a realiza por si, independentemente da consciência e dos desejos dos cônjuges. A Igreja NÃO QUER que você fique pensando em procriação cada vez que faz amor. Só quer que você NÃO IMPEÇA a Natureza de fazer o trabalho dela.
Acima da finalidade natural existe a finalidade HUMANA, que a Igreja define como amor e ajuda mútua. E do amor faz parte inerente o desejo e — segundo Sto. Tomás — o DIREITO que cada cônjuge tem de (expressão dele) “deleitar-se no corpo do outro”.
Acima da finalidade humana há uma finalidade ESPIRITUAL, que consiste em cada um ajudar na santificação do outro e na salvação da sua alma.
Não é nenhum bicho-de-sete-cabeças, é?

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Um truque esplêndido de “Light in August” é que logo no último capítulo, inesperadamente, Faulkner introduz um novo personagem que será testemunha e narrador do episódio final. Esse personagem é um simples vendedor de móveis que ignora TUDO do resto da história e só conta, de maneira humorística, aquilo que viu: o desajeitado namoro de Byron Bunch e Lena Groves, culminando no momento em que, após uma relutância de meses, a moça aceita a proposta amorosa de Byron. O tom cômico alivia a tensão da narrativa anterior e vacina o leitor contra a tentação do sentimentalismo meloso que, depois de tanta angústia, arriscava tornar-se irresistível.

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Até os momentos finais o atrapalhado Byron não sabe direito se quer ajudar Lena a encontrar o amante fujão ou casar logo com ela.

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Faulkner é um mestre na descrição dos sentimentos paradoxais, em que uma emoção se esboça e é logo neutralizada pela emoção oposta — exatamente aquilo que Leibniz denominava “petites perceptions”. Esses trechos são às vezes meio difíceis de ler, tal a sutileza psicológica da coisa.

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Tempos atrás fiz um esforço monstro, e totalmente fracassado, para explicar a um padre metido a filósofo que a prova da existência de Deus “ex contingentia” NÃO PARTE de nenhum fato contingente, mas sim da noção geral de “contingência” (enquanto oposta à “necessidade”), e que portanto essa prova não demonstra nem pode demonstrar a EXISTÊNCIA ATUAL de Deus (muito menos do Deus cristão em particular) e sim apenas a NECESSIDADE LÓGICA da existência de “algum” Deus. Para saltar daí até a existência do Deus cristão é preciso muitos outros argumentos suplementares. Não consegui me fazer entender. Depois descobri que esse padre é fã da “Carta Capetal”,e vi que tinha perdido meu precioso tempo.

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Cá entre nós: Se Deus Pai enviou Nosso Senhor Jesus Cristo mil e tantos anos antes de Sto. Anselmo com sua prova da existência divina, é óbvio que Ele preferiu ser conhecido primeiro como FATO PRESENTE e só depois como objeto de prova lógica.

Mônica Camatti Prof. Olavo, a outra acusação que um “católico” fez para lhe chamar de herege foi o fato de o senhor afirmar que os evangelhos são a Revelação numa narrativa, e não a doutrina. O que o senhor pode nos atualizar sobre este assunto? Eu respondi que o desenvolvimento da doutrina se deu através da Igreja e do Espírito Santo atuando nela, e os únicos aspectos doutrinais no evangelho são a instituição do sacramento do matrimônio, da eucaristia e do batismo, mas tudo de forma narrada, pois o rito doutrinal em si foi a Igreja através da Tradição Oral que ensinou. Dizer que o Evangelho é a narrativa da Revelação é heresia desde quando? Os seus haters são perturbados ou loucos.
Olavo de Carvalho Mônica Camatti Isso está muito bem explicado em Martin Grabmann, “História da Teologia Católica” e em várias obras de Alois Dempf, Nada posso fazer ante um paspalho que não sabe distinguir entre narrativa e exposição doutrinal.

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Não consigo imaginar os apóstolos pedindo a Jesus uma prova lógica de que Ele existia.

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O importante não é estudar muito, é testar e verificar até ter a certeza de que você entendeu o que estudou. Às vezes o neguinho acredita que sabe uma coisa, mas diante da primeira pergunta já se atrapalha todo.

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Quando Deus quer que você aprenda a arte da dialética, Ele manda um diabinho contradizer tudo o que você pensa. “A dialética — ensinava Hegel — é o espírito de contradição sistematizado.”

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A maior parte das pessoas não sabe viver um minuto fora do seu círculo de certezas adquiridas. O primeiro diabinho que encontram as faz saltar logo para as certezas opostas.

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Nenhum comunista jamais mentiu contra mim de maneira tão insistente e descarada quanto uns fulanos que se dizem protestantes ou católicos.
Essa gente nada fez nem aliás poderia fazer para dar ao pensamento cristão um lugar de respeito na cultura nacional, mas está fazendo tudo para reduzi-lo a objeto de chacota.

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Um grande flagelo para a humanidade são idiotas investidos da convicção de que falam em nome da Bíblia ou da Igreja.

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Antes de começar a cagar regras, tente resumir e explicar cem livros.
Aí talvez começará a perceber que, se não entende nem mesmo idéias expostas em textos que você pode reler quantas vezes queira, muito menos entende as idéias que passam velozmente pela sua própria cabeça e logo desaparecem.
Talvez chegue a entender mesmo que suas opiniões não são sequer suas opiniões, apenas um arranjo de frases que só uma vaga e ilusória esperança torna parecidas com elas.

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Creio que cheguei a dar, tempos atrás, pelo menos umas dez aulas só sobre o soneto de Fernando Pessoa, “Súbita mão de algum fantasma oculto”. Se ninguém aprendeu nada com elas, pelo menos eu aprendi que a imaginação do poeta ia muito além da minha.

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O filósofo Alain, que foi um professor genial, inventou um exercício dos mais úteis. Chama-se “Pensar o que você pensa”. Funciona assim: Tome um assunto do qual não sabe absolutamente nada, e expresse com a maior exatidão possível, e com a maior seriedade, as idéias que lhe ocorram a respeito. Faça isso uns pares de vezes e verá como conhece pouco a sua própria maneira de pensar.

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Não conheço um só idiota que não acredite piamente que está do lado do Bem.

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Cardeal Burke, eu te amo!

https://www.lifesitenews.com/news/breaking-cardinal-burke-calls-for-consecration-of-russia-to-immaculate-hear

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Nunca, nunca, nunca falo em nome da Igreja. Não sou teólogo, não sou cardeal, não sou bispo nem muito menos Papa. Sou apenas um católico de merda que tenta expressar as coisas exatamente como as percebe, com a certeza de que pode errar tanto na percepção quanto na expressão. Para esses casos, tenho meus orientadores em matéria de doutrina, que geralmente me asseguram que estou menos louco do que me parece.

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Está acontecendo AGORA:

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Eis um evento politicamente incorretíssimo! 😉

I SEMINÁRIO CAPIXABA DE FILOSOFIA
A FILOSOFIA DE OLAVO DE CARVALHO E O RESGATE DA INTELIGÊNCIA BRASILEIRA
20 de maio de 2017

INSCRIÇÕES SECAFI:

– MEIA-ENTRADA: R$ 30,00 (56 vagas) Link exclusivo para adquirir MEIA-ENTRADA:https://pag.ae/blkxy4S

[Quem tem direito ao benefício? Lei Federal nº 12.933/2013 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12933.htm; Leis Estaduais nº 4.955/1994, n. 7.737/2004 e nº 10.500/2016 (http://www.conslegis.es.gov.br/) A comprovação do direito à meia-entrada será exigida no dia do evento.]

– INTEIRA: R$ 60,00 (84 vagas) Link exclusivo para adquirir ENTRADA INTEIRA: https://pag.ae/bhkxyS7

Total de vagas: 140

PROGRAMAÇÃO:

13:30h – SAUDAÇÕES

14:00 – CONFERÊNCIA DE ABERTURA: Olavo de Carvalho na Cultura Nacional – Ricardo da Costa

I) 15:00h – “O JARDIM DAS AFLIÇÕES”
Tema: Responsabilidade Intelectual.
Conferência: Hélio Angotti Neto
Debatedor: Leonardo Serafini Penitente

II) 16:20h – “ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA”
Tema: Educação clássica e a formação da inteligência
Conferência: Francisco Escorsim
Debatedores: Ricardo da Costa e Jelcimar Jr.

—- intervalo —-

III) 18:10h – “A FILOSOFIA E SEU INVERSO”
Tema: Técnica Filosófica
Conferência: Leandro Mello Ferreira
Debatedor: Francisco Escorsim

IV) 19:30h – “OS EUA E A NOVA ORDEM MUNDIAL”
Tema: Filosofia política e atualidades
Conferência: Filipe Martins
Debatedores: Silvio Grimaldo, Bruno Garschagen e Helvécio Jr.

22:00h – ENCERRAMENTO

 

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Os fronts da guerra anti-Trump são quatro:
1) Mídia.
2) Violentas agitações de rua (mortadelas).
3) Manobras parlamentares.
4) Serviços secretos.

http://dailycaller.com/2017/05/19/harvard-report-there-is-a-huge-anti-trump-bias-in-mainstream-media/

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Não há mais volta, nem acordo possível: Donald J. Trump e o establishment globalista americano não podem caber no mesmo território. Se um sobreviver, o outro morrerá.

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Durante a missa, ficamos implorando que a velhinha chefe do côro da St. Joseph’s encontre alguma outra atividade que a faça feliz; que tenha uns netinhos, umas meinhas para tricotar, umas fraldinhas para trocar e, por caridade, pare de cantar. Não queremos ser obrigados a amarrá-la no topo de uma árvore como o Bardo do Asterix.

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Matheus Noronha Sturari com Hélio Angotti Neto em America Centro Empresarial.

Eis o gigante Dr. Hélio Angotti Neto, seu trabalho deve ser acompanhado, apoiado, divulgado e, acima de tudo, admirado.

JS Cesar Prof.° Olavo, poderia falar mais sobre os 5 níveis de poder de um personagem segundo Aristóteles? A PROPÓSITO! Que tal se o sr. comentasse alguns pontos sobre a obra dele, “Poética”?
Olavo de Carvalho JS Cesar Isso está muito bem explicado no livro do Northrop Frye, “Anatomia da Crítica”.

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Vamos e venhamos. A alta hierarquia católica — bem como seus similares protestantes — tem dado tratamento mais gentil e compreensivo a inimigos da Igreja, a comunistas e a assassinos de santos e profetas do que a qualquer garota de saia curta ou a qualquer moleque que se tranque no banheiro com um exemplar da “Playboy”. Vejo isso com meus próprios olhos e sei, com certeza, que é coisa feia.

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Pois o Vaticano não fez um “Diálogo com os marxistas”? Muito mais decente seria um “Diálogo com os punheteiros”. Ninguém jamais matou um cristão a punhetadas

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Do ponto de vista estritamente lógico, há mais motivos razoáveis para tocar uma punheta do que para ser comunista. Ninguém toca uma punheta sem razão, mas ser comunista é frescura satânica.

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Não acho injusto que tipos como o Clóvis de Burros, o Leandro Espiritual e o Mário Sérgio Nutella ganhem mais dinheiro que eu. Afinal, estou no ramo da educação e da alta cultura, que no Brasil nunca foi dos mais rentáveis, e eles no das diversões públicas, do entretenimento, no qual seus ganhos são até modestos em comparação com os do Faustão, da Xuxa ou do Zeca Pagodinho.

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Quanto ao Marco Antonio Vil, estou esperando que ele se torne homem bastante para dizer o meu nome quando fala mal de mim, para só então lhe responder alguma coisa, se tão improvável transfiguração vier jamais a acontecer. Enquanto ele continuar lançando intrigas no ar sem destinatário preciso, continuarei fiel ao dever de cavalheirismo que me impede de bater em velhinhas fofoqueiras.

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Do ponto de vista estritamente lógico, há mais motivos razoáveis para tocar uma punheta do que para ser comunista. Ninguém toca uma punheta sem razão, mas ser comunista é frescura satânica.

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Pois o Vaticano não fez um “Diálogo com os marxistas”? Muito mais decente seria um “Diálogo com os punheteiros”. Ninguém jamais matou um cristão a punhetadas.

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