Rafael Falcón

Não sou olavete veterano: quando cheguei ao Olavo de Carvalho, ele já estava fora do Brasil. Choraminguei um pouco essa mágoa, mas tive sorte de pegar o começo do COF e assistir enquanto um bando de joões-ninguém ia crescendo, eu incluso, e de repente um blogueiro meio esquisito virava o Felipe Moura Brasil, um sujeito cuja foto era Aristóteles com camisa de futebol se revelava o Renan Martins dos Santos, etc.

De certo modo, olhávamos para nós mesmos como aquelas bandas de garagem. Nós nos víamos como amadores, e estávamos até certo ponto brincando de intelectuais. Então veio o Mínimo, e tudo mudou. Era impossível ignorar a seriedade do que estava acontecendo. Olavo não estava mais falando só para uns poucos; estava criando uma comunidade.

O Jardim das Aflições marcará uma fase nova para essa comunidade, que anos atrás um amigo, inteligente mas imprevidente, chamou com desprezo de “gueto”, comparando-a às elevações intelectuais da vida universitária. A partir de agora, o “gueto”, que já era uma comunidade ampla de leitores, será o Brasil inteiro. Por meio de uma obra de arte, Olavo deixará o estatuto de “best-seller” para tornar-se, de uma vez por todas, um símbolo.

Como poderíamos pedir mais? Tudo o que queríamos que fosse ouvido e levado a sério, durante esses anos em que fomos tratados como esquisitões ou simples loucos, agora o será. Acima de tudo, os que sofremos por ver como a verdade era achincalhada na pessoa do nosso professor, festejamos agora que alguma justiça lhe será feita perante o público. Neste mundo podre, em que o mérito tão poucas vezes é reconhecido, há maior vitória para celebrar?

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