3/5/2017

Mais uma dieta salvadora que se desmoraliza:

https://www.thesun.co.uk/living/3465492/should-you-follow-gwyneth-paltrow-and-go-gluten-free-trendy-diet-increases-your-risk-of-heart-disease/

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A única dieta boa é: Comer.

Olavo de Carvalho Algumas comidas podem ser suspensas por curtos períodos, para finalidades específicas.

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O livro “O Guru de Varginha”, coletânea de textos meus do Facebook preparada pela Carla Farinazzi e pela Stella Caymmi, que talvez saia ainda este ano, terá por subtítulo “Notas, Piadas e Recordações”. Isso mostra todo o espírito da coisa. Recordações são, obviamente, pedaços engraçados ou interessantes da minha porca vida; piadas todo mundo sabe o que é, e notas são fragmentos de idéias a ser desenvolvidos — às vezes corrigidos — em escritos mais longos. Nada, absolutamente nada permite tirar daí a conclusão de que pelos meus textos do Facebook alguém conhece “o pensamento do Olavo de Carvalho”.

Maria Fernanda Rossi A Carla Farinazzi arrasou na preparação dessa coletânea. 👏🏼👏🏼
Olavo de Carvalho A Carla foi um presente dos céus.
Carla Farinazzi Uma delícia de livro, podem apostar!

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Hoje em dia, todo trabalho intelectual é forçado a encaixar-se numa complexa estrutura burocrática preexistente ou, o que é mais complexo ainda, a criar a sua própria. Na mais confortável das hipóteses, enormes frações do seu tempo serão gastas em atividades administrativas, jurídicas e contábeis, fazendo com que os fins próprios da vida intelectual, se ainda restar algum, se reduzam a um complemento dos seus “deveres de cidadania” — quase um mero “hobby”, no fim das contas.

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A revolta dos povos contra a tirania global é o mais claro e inequívoco exemplo de LUTA DE CLASSES que já se viu no mundo. E, nessa luta, a esquerda em peso está a favor da classe dominante. 
Mais um exemplo da regra de Hegel: toda idéia, quando se encarna em fatos, se transforma na idéia oposta.

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Quando o temor a Deus se oficializa, torna-se temor das instituições, da opinião pública e da polícia e está a um passo, se tanto, de se transformar em temor do diabo.

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Neguinho tem de estar para lá de doido para escrever que sou direitista nos EUA e esquerdista no Brasil esperando que alguém com QI superior a 12 acredite nisso.

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Pedido de socorro:

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Meus detratores imaginam, ingenuamente, que suas vidas reais estão a salvo de ser vasculhadas e expostas como eles vasculham e expõem a minha vida imaginária.
Na verdade, fico sabendo, por mil fontes, de tudo aquilo que jamais perguntei. 
Só a caridade e a preguiça me impedem de escrever a respeito.

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Imagino se Platão teria conseguido escrever a sua obra se tivesse de registrar a Academia como empresa, inscrever-se no sindicato dos filósofos, fazer desconto em folha nos salários dos seus empregados, publicar balancetes, fazer declaração de imposto de renda e enfrentar processos trabalhistas…

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Já expliquei aos entusiastas do “mercado”, mas não adianta: Se tudo vira mercadoria, tudo tem de ser quantificado, contabilizado, administrado e, é claro, fiscalizado pelas autoridades estatais. É assim que o capitalismo vira socialismo por força da sua própria dialética interna, sem nenhuma revolução proletária e até contra a vontade dos proletários, que são sempre quem paga o pato.

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O capitalismo só sobrevive como tal enquanto é limitado por fatores culturais externos e anteriores. Integre tudo no mercado, e a brincadeira acaba em dois minutos.

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O destino fatal da burguesia é transformar-se em Nomenklatura sem nem perceber. Só os intelectuais, religiosos e militares podem impedir que isso aconteça. A burguesia é idiota demais para governar o mundo.

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O problema do Mises e do Hayek é a sua monumental incultura religiosa, que os impediu de entender o papel verdadeiro dos fatores espirituais na História. Suas análises são perfeitas para um capitalismo e um socialismo abstratos, mas há mais coisas entre o céu e a terra do que imagina o vão liberalismo.

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A elite capitalista, já transfigurada em governo mundial e dominadora absoluta de um mercado cuja liberdade ela gosta de celebrar da boca para fora, já está planejando não somente a sociedade futura, mas o advento da nova espécie biológica que, nos seus sonhos entre lindos e macabros, substituirá o obsoleto “homo sapiens”.
Se isso não é um hiper-socialismo que transcende os mais ambiciosos desejos de Stalin, não sei que porra é.
Planejo escrever algo sobre isso na revista “Verbum”.

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Por outras razões que ele nem imaginava, o Joseph Schumpeter tinha razão: Quem vai acabar com o capitalismo não são os proletários, são os capitalistas.

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“Quando você aprendeu os nomes de uma coisa em todas as línguas do mundo, você ainda não sabe NADA sobre a coisa.”
(Richard Feynman)

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O desprezo pelas tradições orais, o apego idolátrico à letra do texto, é um dos vícios essenciais do materialismo moderno. É quase inacreditável que tantos tenham chegado a ver nele o princípio fundador do cristianismo. 
Um dos raros méritos do século XX universitário é ter consagrado o respeito pela história oral, mas ainda falta muito para que essa descoberta — ou redescoberta — exerça os seus efeitos benéficos sobre todo o universo da cultura.

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Ver no cristianismo, essencialmente, uma “religião do livro”, é um princípio ISLÂMICO, e não cristão.
O que inspira a fé cristã não é o livro sagrado, mas os FATOS narrados nele, que transcendem INFINITAMENTE o conteúdo do texto.

Leonardo Rocha Por isso mesmo Deus se fez carne, não livro!
Olavo de Carvalho Exatíssimo.

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No Islam, o livro sagrado É a própria revelação. No cristianismo, a revelação são os fatos reais — nascimento, vida, paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo –, não a narração escrita deles.

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Não adianta você ler a Bíblia o dia inteiro. Se você não consome o pão e o vinho consagrados — o Corpo e o Sangue –, você está fora da jogada.

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Jesus consagrou o pão e o vinho e disse: “Fazei ISTO em memória de Mim.” Ele nunca disse: “Fazei apenas um memorial disto.”

Cleber Olympio Em memória de mim. Memória forma um memorial. Logo, isto (a Ceia) deve ser feita como um memorial.
Olavo de Carvalho Não creio que exista qualquer ambigüidade possível na expressão “Fazei ISTO” (TOYTO poiete). Jesus jamais disse “ANAMNESYN poiete”.

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“Tudo o que Eu fiz, vós o FAREIS.” Não apenas: “Tudo o que Eu fiz, vós recordareis.”

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P. S. – Não estou tentando convencer ninguém de nada. Apenas anotando os pensamentos que me ocorrem. Isto é um diário, não um sermão.

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Não creio que exista qualquer ambigüidade possível na expressão “Fazei ISTO” (TOYTO poiete).

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Fazer ALGO “em memória de” NÃO É o mesmo que fazer apenas um memorial desse algo. Jesus jamais disse “ANAMNESYN poiete”.

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Pergunta e resposta:
Cleber Olympio Jesus também disse ser a porta: acaso ele era feito de madeira? Francamente!
Eu: Desculpe a franqueza, mas, quando você entra por uma porta, atravessa a madeira ou o vão?

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Fabio L. Leite Nem sei se pode ser considerado metáfora. Jesus *literalmente* é a porta e o caminho pelo Qual a natureza humana une-se à Divina, participando da Pessoa Divina do Filho. Só “entramos” na divindade pela porta que é Jesus Cristo. Ele veio para isso.
Olavo de Carvalho Fabio L. Leite É, na verdade, mais um SÍMBOLO do que uma metáfora. O símbolo se diferencia da metáfora porque contém em si algo da realidade do simbolizado. Mas isso é ontologia. Gramaticalmente, o símbolo se expressa em metáforas.
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“Eu sou a Porta” é metáfora, mas “Fazei isto” não é.

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Nosso amigo Cleber Olympio não é capaz de perceber a diferença entre uma mera alusão verbal e a ordem explícita de praticar um ATO. No primeiro caso, Jesus busca apenas, por meio de uma analogia, levar os ouvintes a COMPREENDER algo, apreender MENTALMENTE um conceito. No segundo, Ele lhes ordena REALIZAR FISICAMENTE um RITO. Todo e qualquer rito tem de ser realizado FISICAMENTE, não apenas “lembrado”. Uma criança de dez anos pode compreender isso com clareza, mas uma alma fanatizada e imbecilizada por um ilusório sentimento de superioridade ante a Igreja Católica encontrará aí dificuldades intransponíveis e multiplicará teimosamente objeções vãs, cansativas e sem nenhum proveito

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Quando Cristo diz “Eu sou a Porta”, Ele não está mandando ninguém construir uma porta. Mas, quando Ele diz “FAZEI ISTO”, não tem barriga-me-dói. É fazer, e fim de papo.

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Repito: Não estou tentando convencer ninguém de nada. Quando respondo a objeções, é mais para botar as minhas próprias idéias em ordem e me vacinar contra erros de raciocínio.

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Toda objeção idiota é um antídoto homeopático à minha própria idiotice. Como não ser grato a quem me oferece uma?

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Quando alguém me traz algum argumento baseado em mera confusão verbal, geralmente está confuso demais para poder imaginar que já tropecei nessa mesma confusão e a superei quarenta ou cinquenta anos atrás. Traz-me de volta os meus próprios erros com um atraso de meio século.

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Em todo caso, recordar é viver. Ter de corrigir de novo os meus velhos erros revigora o meu pobre cérebro.

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Vou explicar como isso funciona. Quando você resolve um problema, quando supera uma dificuldade lógica, a solução se incorpora na sua memória como um esquema, um algoritmo, despido da sua formulação verbal explícita. Quando você volta a pensar no assunto, você descompacta o algoritmo e renova a sua formulação verbal. É um exercício.

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Resumo de novo: Jesus mandou REPETIR RITUALMENTE UM ATO, NÃO APENAS “RECORDÁ-LO”. A diferença é brutal, óbvia e inconfundível. Só mesmo muito blá-blá-blá teológico para torná-la difícil de perceber.

Rodrigo Jungmann Parece – me que os milagres eucarísticos resolvem a questão, para além de pontos conceituais, prof. Olavo de Carvalho.
Olavo de Carvalho Exatamente.
Daniela Cavalcanti de Gouveia o que o senhor acha da comunhão sem o vinho? eu nao entendo isso, não. sou herege.
Olavo de Carvalho Pessoalmente, prefiro a comunhão em duas espécies, mas não tenho nada a argumentar contra a outra hipótese.

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Se você quer ser um escritor, muitas vezes terá de sacrificar a velocidade da intuição em proveito da comunicação.

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Se você superou um erro, mas não consegue ou não tenta nunca mais descompactar o algoritmo, você está imunizado contra aquele erro, mas só passivamente: consegue não cair nele, mas não consegue combaté-lo na sociedade e na cultura.

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A vantagem de ser um escritor é que, cada vez que você descompacta um velho algoritmo, novas intuições aparecem e se condensam em novos algoritmos.

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