2/5/2017

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Umas poucas décadas de “liberação sexual” bastaram para fazer de qualquer iniciativa erótica masculina — mesmo puramente verbal — um ato virtualmente criminoso, mais fiscalizado e perseguido pelas autoridades do que já o foi em qualquer época ou civilização passada. Uma vez mais parece confirmar-se a regra de Hegel, de que toda idéia, quando sai do céu das abstrações para encarnar-se historicamente, se converte na sua oposta. 
A famosa “liberdade sexual” tende a restringir-se cada vez mais a certos grupos privilegiados, que o Estado nomeia como “discriminados” na exata medida em que os protege e em que discrimina os demais.

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Esse fenômeno tornou-se possível graças à aliança macabra — tanto mais invasiva quanto mais informal e até inconsciente — entre a mentalidade revolucionária feminista e o conservadorismo moralista tão exacerbado em certos círculos da sociedade americana: aquela empenhada em fazer da mulher uma divindade intocável e prepotente, este ansioso para sacrificar toda liberdade individual no altar da “decência”. Mutatis mutandis, aliança análoga entre revolucionários globalistas e conservadores moralistas consagrou a paranóia antitabagista como o mais eficiente e respeitável instrumento de controle social nas mãos do Estado moderno.

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Imagino um historiador do século XXIII ou XXIV explicando que no ano de 2017 a palavra “merda” não era palavrão — ou, como dizem os americanos, “profanity” — porque se encontrava freqüentemente nas obras dos grandes escritores, na linguagem das classes ricas e ate nas entrevistas de presidentes da República. Se argumento análogo vale para os palavrões de Lutero, por que raios esse não valerá para os meus?

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No Brasil o cidadão, na sua vida pessoal, sem a menor inibição manda você tomar no cu, mas, no exercício das suas lindas funções profissionais, jura que ele próprio não tem cu nenhum, apenas um respeitabilíssimo “orifício anal”.

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Exemplo: https://www.facebook.com/1445379202420104/videos/1537414283216595

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Em Portugal todo mundo tem cu e reconhece isso em público sem a menor inibição, mas, quando desembarca no Brasil, abandona na alfândega essa coisa nojenta e ganha das autoridades locais um belo “orifício anal”.

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O eufemismo é a língua oficial dos canalhas.

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Nenhum discípulo, admirador ou seguidor de Lutero tem a mínima autoridade moral para reclamar dos meus palavrões, já que seu mestre usava esses termos para praguejar, amaldiçoar e estigmatizar — o que a Bíblia proíbe formalmente, mesmo que seja feito com as palavras mais elegantes –, enquanto eu os uso para fins de piada e mero efeito literário sem qualquer intenção agressiva.

E note-se que estou falando de seguidores SÉRIOS de Lutero, não de criminosos abjetos como o Julio Souzero e seu ghost-writer.

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Pergunta essencial do Lucas Novaes : Que diabos é “viado com o cu cheio de areia”? Será que é um cidadão com calcinha na praia?

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Por que um candidato presidencial pode dizer semelhante enormidade e eu não posso sequer dizer que as pessoas têm cus?

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Segundo o Julio Soumzero e seu ghost-writer andam espalhando por aí, a prova de que faço jogo duplo, sendo conservador nos EUA e esquerdista no Brasil (I!!), é que só escrevo palavrões em português, não em inglês. O fato é que nunca escrevo porra nenhuma em inglês, o Alessandro é que traduz os meus artigos e livros, nos quais não se encontram mesmo palavrões, que reservo para o Facebook. Mas, como não gosto de desagradar a ninguém, posso enviar aos dois engraçadinhos, já que tanta falta sentem de palavrões em inglês, a seguinte e gentil mensagem:
— Fuck you, motherfuckers.

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Há uma escala de gravidade das ofensas. Mandar um sujeito tomar no cu é, conforme o gosto do freguês, uma injúria ou um gentil convite. Mas chamá-lo de “fascista” é atribuir-lhe ao menos implicitamente o delito de racismo e, portanto, constitui crime de calúnia. Eis por que não chamo ninguém de fascista, só mando tomar no cu e deixo à criatura a liberdade de escolher se fiz isso por gentileza ou por maus bofes.

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Parem de perseguir o Jean Ui Ui. Ele é sócio remido, pode dizer o que quiser.

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Pessoas com formação jurídica não dão o cu. Cedem o orifício anal em comodato.

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Só pessoas de muito baixo nível cagam merda, bosta ou cocô. Gente fina caga “excrementos”.

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Aliás, nem cagam. “Defecam”.

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Usar os critérios atuais de polidez verbal para julgar os escritos bíblicos é não só o cúmulo da hipocrisia, mas uma insolência blasfema. Se o Apóstolo Paulo usou a palavra “skybalon”, que popularmente tinha a acepção de “merda”, e em outros contextos equivalia mais à de coisa estragada, ele sabia o que estava fazendo e compreendia que um termo ser ou não indecente é fator que varia conforme a situação e os jogos estilísticos. Traduzir essa palavra por “esterco”, como geralmente se faz, é cobrir com um véu de eufemismo uma eloqüência que, sendo santa e, literariamente, genial (para dizer o mínimo), não precisa de protetores nem de amortecedores.

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Alguém aí diz que os palavrões não enriquecem o meu texto. Não enriquecem, o cazzo. Digam isto melhor, se puderem.

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Quem pode superar o encanto verbal daquele menininho espanho? “Yo estaba cagando” é a melhor maneira de começar a narrativa de um incêndio.

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Quanto mais se dilui em merda a tradição literária, maior é a suscetibilidade dos ofendidinhos ante o uso culto de termos populares. 
Os códigos atuais da “linguagem polída” — criação de jornalistas analfabetos funcionais, juristas venais e politiqueiros ladrões — são o resíduo kitsch do que um dia foi o amor à alta literatura.

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Um escritor, se o é de fato, só se preocupa com exatidão e expressividade. Está pouco cagando para as suscetibilidades de analfabetos funcionais.

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A melhor lição de estilística já dada no Brasil foi a de Graciliano Ramos ao revisar o texto de um bocó presunçoso:
— “Outrossim” é a puta que o pariu.

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Este artigo de 1998 mostra como começou, POR CULPA DA CLASSE JORNALÍSTICA, a destruição da língua portuguesa no Brasil:

http://www.olavodecarvalho.org/textos/manured.htm

 

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Como quis dar a estes posts o tom informal de uma conversa entre amigos, uso aqui os mesmos palavrões que uso em casa. Não sou de vestir guarda-pó ou uniforme de bombeiro na hora de escrever.

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Nos EUA, a mania dos códigos de polidez já virou obsessão. Violá-los pode destruir uma vida. Diga “shit” em vez de “crap”, e você está liquidado.

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E quem impõe esses códigos são os mesmos que apregoam o aquecimento global, aplaudem a invasão islâmica e acham que as galinhas têm direitos humanos.

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Em Nova York, um homem sair vestido de mulher com a bunda à mostra é mais decente do que ele dizer a uma mulher que ela é bonita.

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“The Promise” é um baita filme — uma espécie de “Doutor Jivago” armênio –, mas a atriz, definitivamente, não faz o meu tipo. Tem a cara do Piupiu.

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— Pare de usar palavrões, seu bosta! Caralho! Puta que pariu! Que merda!

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Tenho comido mais queijo Roquefort do que o Mickey Mouse jamais comeu.

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Quem disse que eu não amo o Julio Soumzero? Como não amar um sujeito que toda hora me deixa chutar o seu cu?

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Nunca, na minha vida, vi uma coisa tão impotente quanto os esforços do Julio Soumzero e similares para jogar as pessoas contra mim. Eles querem me foder com um pinto de geléia.

Xavier Gil Como foi mesmo que ele começou essa antipatia besta pela sua pessoa?
Olavo de Carvalho Nem lembro mais.

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Horror sem limites:

https://www.infowars.com/ex-banker-claims-he-was-invited-to-take-part-in-child-sacrifice-rituals/

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