O pecador

O pecador pode ficar tão envergonhado dos seus erros que desvia os olhos de Deus, foge de Deus. A ênfase unilateral no arrependimento como EMOÇÃO leva a isso. Pensar na confissão sob o aspecto da metáfora médica alivia essa emoção e previne esse erro. O doente, em vez de esconder os seus males, os exibe ao médico.

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30.5.2017

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http://www.seminariodemusica.org/festival/

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Atenção:

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Atenção:
https://www.facebook.com/events/1923111737902399/

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Da página do Daniel Fernandes:

“Quanto mais superficial alguém for, mais provável será que ele ceda ao mal. Uma indicação de tal superficialidade é o uso de clichês.”
(Hannah Arendt)

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Pela média da conduta moral hoje em dia, se você só cometeu pecados da carne e mais nenhum outro — não roubou, não oprimiu inocentes, não prestou falso testemunho, não sonegou a caridade a seus irmãos, não perseguiu santos e profetas, etc. –, você já é quase um santo. Só falta parar com essa putaria.

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E essência do cristianismo:

“«Dite loro che perdonino sempre, sempre! tutto, tutto!»

(Alessandro Manzoni, “I Promessi Sposi”)

Alvim Neto Olavo de Carvalho Professor, o perdão tem de ser oferecido apenas quando a pessoa vem nos pedir? Já vi o senhor falando nisso por aqui no facebook, e estou com receio de ter interpretado errado. Poderia explicar-me?
Olavo de Carvalho O perdão pressupõe algum arrependimento, mesmo imperfeito. Mas pode ser oferecido antecipadamente como estímulo a um arrependimento que se anuncia inevitável.

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Da página do Benedito Gomes Barbosa Jr. :

Então vejamos… Hoje tem Olavo de Carvalho no Danilo Gentili. Amanhã tem o Lançamento da Frente Parlamentar Armas Pela Vida na Câmara e sessão do O Jardim das Aflições em Brasília e sessão do Desarmados na ALESP. Pensem na choradeira esquerdista…

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Honra seja feita ao Josias Teófilo e à sua equipe. Que filme brasileiro, desde que o cinema nacional existe, apresentou semelhante riqueza de temas, problemas e idéias? Desse ponto de vista, comparar “O Jardim das Aflições” com a filmografia nacional INTEIRA, incluindo o presunçoso “Cinema Novo”, é comparar uma catedral com uma toca de tatu. É POR ISSO — e não pelos pretextos políticos de última hora — que o filme é odiado. Ele espalhou por toda parte as dores de um insuportável — e plenamente justificado — complexo de inferioridade.

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Artigo excelente, leitura altamente recomendada

https://www.revistaamalgama.com.br/05/2017/resenha-o-jardim-das-aflicoes-documentario-olavo-de-carvalho-josias-teofilo/

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Rodolpho Loreto com Roxane Carvalho e outras 7 pessoas.

Aluno é uma palavra de origem latina que significa “a” (sem) “lumni” (Luz). Tomando aqui luz no sentido de ciência, todo aluno precisa necessariamente de alguém que ilumine sua mente e também mostre o caminho certo a percorrer.

Me causa estranheza o tanto de gente a afirmar que não precisa de um mestre — aqui tomado como professor ou agente de educação/conhecimento. É como se todos nós fossemos anjos que já possuem o conhecimento das coisas de forma perfeitíssima. Tal “frescura” de não admitir a submissão a alguém que lhe é anterior e em cujos ombros você subiu — ou ainda sobe — para enxergar o horizonte mais distante que sua porca capacidade te permite é algo simplesmente repugnante.

Não é novidade pra ninguém que nesta principiante caminhada na vida intelectual tenho referências de muito valor e peso, como o professor Ricardo da Costa, o professor Sergio De Carvalho Pachá, o professor William Bottazzini Rezende, etc. E também não é segredo de que entre todas estas referências, quatro me são especiais e que eu reputo com orgulho ser discípulo — do latim discipulus, “aquele que toma”. São eles os professores Olavo de Carvalho, Sidney Silveira, Carlos Nougué e um quarto cujo nome não irei citar aqui por pedido deste, mas que todos os três anteriores conhecem muito bem.

Receber um elogio de um desses grandes homens, como é o caso do gigante Olavo de Carvalho, é melhor que qualquer diploma universitário de qualquer “PUC que pariu” da vida. Quero agradecer ao professor este gesto tão generoso para com este néscio que muito mal sabe escrever e ler com deficiência, mas que busca em sua sabedoria as melhores maneiras possíveis de desbastar este matagal imenso que é a filosofia tomista. Sem o senhor, professor, bem como os demais supracitados, jamais conseguiria dar um passo sequer em direção à luz de CRISTO.

https://www.facebook.com/olavo.decarvalho/posts/10155296102817192

Obrigado do fundo do coração.

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Brado de alarma:

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Há muitas almas puríssimas que, vendo os resultados do meu trabalho, rolam na cama entre lágrimas e dores, perguntando:
— Por que Deus escolheu esse filho da puta e não nós, que somos tão santinhos?
Têm razão. Deus não me escolheu pelos meus méritos, mas justamente pela falta deles. Ele sabia que eu precisava fazer algum servicinho bem feito para Ele ter ao menos uma desculpa razoável para me salvar.

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Se eu fosse escrever os meus livros numa língua estrangeira, seria o latim. Não há outra, exceto ele e o português, em que o estilo nobre e o vulgar combinem tão harmoniosamente. E essa combinação é precisamente o meu sonho de escritor.

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Em inglês você não pode escrever “shit” sem que metade do público saia correndo.

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Escrevo em francês correto e falo espanhol razoavelmente, mas sinto que os palavrões nessas línguas são muito agressivos, rebeldes a um uso puramente cômico que é o que sempre tenho em vista. Os do italiano talvez servissem. Leio nessa língua sem dicionário, mas não a domino o suficiente para escrever. Romeno só consigo ler com dicionário.

O alemão é uma língua mágica e primitiva, para conversar com fadas e duendes.

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O Filipe Trielli tem razão: mimar as crianças não lhes faz mal nenhum. O que faz mal é superproteger, botando medo. Meu padrinho de batismo, que foi como que um segundo pai para mim, me dava literalmente tudo o que eu queria, tornando a minha infância excepcionalmente doce, apesar da doença que me atormentava. Mas, tão logo me vi capaz de correr e pular, ninguém me impedia de entrar em qualquer brincadeira maluca, daquelas em que os garotos sentiam que estropiar-se era a coisa mais divertida do mundo.

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Uma vez provado e bem provado pela Dra. Judith Reisman que as pesquisas sexológicas de Alfred J. Kinsey foram nada mais que falsificações criminosas, o fato é que ATÉ HOJE não existe nenhum estudo abrangente confiável sobre a conduta sexual da população americana. É o reino do achismo mais desvairado.

Matheus Andrade Professor Olavo de Carvalho o Hugh Hefner disse que construiu seu império baseado nos estudos do Kinsey?
Olavo de Carvalho Por aí você já avalia o quanto a coisa era científica.

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Regras de conduta que não visam à ordem social, mas a um resultado espiritual supramundano e mesmo “post mortem”, não constituem propriamente uma “moral”, exceto metonimicamente. São antes uma TÉCNICA ASCÉTICA, uma antecâmara da vida mística. Cada linha que leio no Pe. González Arintero me leva a essa conclusão.

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Cada vez que entendo uma coisa óbvia que torna tudo mais claro, pergunto a mim mesmo: — Por que raios ninguém me avisou disso antes?

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Dizer que a moral cristã é a base da ordem social me soa totalmente ridículo. Ela destruiu o Império Romano, caramba! E de que serve o Império Romano — ou qualquer ordem social deste mundo — em comparação com a salvação eterna de milhões de almas?

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https://www.facebook.com/ojardimdasaflicoes/photos/a.672560512873574.1073741828.617393518390274/1213353488794271/?type=3&fref=mentions

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Monteiro Haroldo

O Ódio anti-Olavo de Carvalho é um vírus contagioso que não para de produzir aberrações de todas as espécies e matizes possíveis e inimagináveis! É um verdadeiro Apocalipse de camundongos corcundas se espalhando por todas as partes e meandros da internet e até fora dela, é uma enfestação infernal e grotesca! Putz!

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O número de seguidores desta página aumenta em alguns milhares por semana. Se o número de enfezadinhos aumentar em dez por cento disso, eles já ocuparão um espaço monstruoso na internet, pois jamais sonegam à humanidade o conhecimento das suas opiniões. Não só as publicam, mas as enviam a um por um dos meus seguidores. É muita generosidade.

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Que seria da cultura nacional sem as opiniões do Paulo Porcão, dos Veadascos, do Bundadelli e tutti quanti? Seria um deserto, uma devastação, o mundo pós-apocalipse.

Val Serelo Quem é o Bundadelli?
Olavo de Carvalho Quem não conhece o Pauno Bundadelli, o fiofólogo de São Paulo?

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Alguém aí está conseguindo ver o programa do Danilo Gentili na TV aberta? Na TV a cabo? Na internet? Eu aqui não estou vendo nada.

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Estou vendo pelo celular da Leilah.

29.5.2017

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Levanto uma pergunta sobre o celibato forçado das pessoas leigas e, em resposta, surge uma discussão sobre o celibato clerical. Por favor: Muito ajuda quem não atrapalha.

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Em nenhum momento perguntei se o celibato forçado dos cônjuges separados é certo ou errado. Se a Igreja diz que está certo, está. O que está cem por cento errado — e nisto não adiantaria nem um Papa me contradizer — é colocá-las nessa situação e depois não se interessar nem um pouquinho em saber como isso afetou sua vida real, o que aconteceu com elas, quantas elas são, quantas por isso abandonaram a Igreja, quantas arranjaram amantes, etc. etc. O desinteresse por esse assunto é um escândalo, sobretudo se comparado à curiosidade insana e ânsia de opinar sobre o celibato clerical.

Luís Guilherme F. Pereira Mas não é exatamente este o propósito de parte da Amoris Laetitia?
Olavo de Carvalho Uma doutrina, qualquer que seja, não pode responder a uma questão factual.

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Procurei, procurei, e não encontrei um
único livro ou tese universitária a respeito.

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Comparem com a pletora de livros, teses, artigos, debates, filmes, programas de TV sobre o celibato clerical, e respondam: Por que tanto interesse pelos que escolheram o seu destino e nenhum por aqueles a quem ele foi imposto contra a sua vontade?

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A única resposta boa seria:
— Tem razão, professor. Vou estudar esse assunto e escrever um livro a respeito.

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Np Brasil tudo pode acontecer. Juro quis isto é verdade. Quando morávamos em Petrópolis, havia ali uma igreja evangélica na qual um pastorzinho, no auge do fervor insano, orava assim:
— Porra, Deus! Abençoa nóis, caraio!

Acredito cem por cento que não havia sombra de malícia nessa loucura.

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Sean Hannity está para ser demitido da Fox News por ter ousado tocar no assunto Seth Rich. O bloqueio é total, e por bons motivos.

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Até hoje não vi um, um único caso de crime atribuído pela mídia à “extrema direita”, que, investigado de perto, não revelasse ter sido cometido por alguém de esquerda. Só mais um exemplo:

https://www.infowars.com/white-supremacist-portland-stabber-was-a-bernie-supporter-threatened-to-kill-trump-supporters/

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Nos EUA, só quinze por cento das pessoas se consideram relativamente bem sucedidas no casamento. Mesmo supondo-se, num excesso de otimismo, que na população católica a proporção seja O DOBRO, ou mesmo O TRIPLO, ainda assim o número de católicos submetidos ao celibato forçado — ou à beira dessa condição — seria suficiente para despertar a atenção de sociólogos, psicólogos, educadores e sobretudo sacerdotes. Mas nem mesmo os inimigos da Igreja se interessam pelo assunto. A bibliografia a respeito é tão escassa, que dá a impressão de que o problema simplesmente não existe. Para mim, esse é um dos maiores mistérios da consciência moderna.

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Não divido os seres humanos em direitistas e esquerdistas, nem em católicos e não-católicos (ou cristãos e não-cristãos), nem em normais e anormais, nem em bonzinhos e malvadinhos, mas nas duas categorias essenciais: aqueles que buscam desesperadamente a verdade da existência e aqueles que vivem perfeitamente bem sem isso. Os membros da primeira categoria constituem uma fração ínfima da população, mas já reparei que, em prol da minha saúde mental e física, o melhor para mim seria evitar todo contato com os da segunda. Encontro na Bíblia mais de quarenta advertências contra as conversas fúteis, mas no Brasil todo desinteresse pelas picuinhas em que a maioria das pessoas consome a quase totalidade dos seus neurônios é considerado pedantismo, elitismo e falta de caridade.

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Como regra geral, é quase impossível que a busca pela verdade da existência não se traduza numa fome de conhecimento, na paixão pelos estudos. Mas, na sociedade presente, é tão forte a tendência de desviar todo esforço de cultura para objetivos secundários, laterais e menores, que é quase impossível que a paixão inicial não acabe se pervertendo em mero carreirismo profissional ou diletantismo chique.

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Como, ademais, são os carreiristas e diletantes que majoritariamente constituirão a imagem pública da “pessoa culta”, isso estimulará muitas pessoas religiosas a desprezar a cultura e apegar-se ao fetiche da “simplicidade de coração”, imaginando, por um engano monstruoso, ser nisso muito fiéis ao ensinamento bíblico.

Nesse sentido, o ingresso das igrejas evangélicas no Brasil, a partir dos anos 70 do século passado, agravou formidavelmente o mal endêmico do desprezo pelo conhecimento.

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Na maior parte dos casos que tenho observado, a religião reduz-se apenas a um Ersatz da busca pela verdade da existência. Fórmulas prontas de ordem geral, encontradas na Bíblia ou na Doutrina da Igreja, substituem confortavelmente as perguntas difíceis sobre a vida real e concreta.

Lucas Soares Isso não é um esboço do que os cientificistas pensam de quem tem religião? Com diferença de que eles crêem que a religião é somente isso mesmo…
Olavo de Carvalho É mais fácil olhar todos os fenômenos humanos pela sua simplificação caricatural do que pela sua verdade íntima.

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Quando você está realmente em busca da verdade, nenhum preceito bíblico ou mandamento da Igreja acalma o seu coração. Ao contrário, cada um deles amplia num mistério insondável os paradoxos da existência comum.
O tom de segurança tranqüila e soberana com que tantos posam de detentores de certezas finais — isto quando não as usam como porretes para castigar hereges — só mostra que, em vez de ter encontrado as respostas, não chegaram sequer a entender as perguntas.

Octavio Guimarães Neto Professor Olavo, como fazer para aceitar um preceito como VERDADE, sabendo que este não a encerra e que esta é insondável? Pessoalmente procuro, como indicou Santo Agostinho, “descansar meu coração em Deus”, confiando na sua Misericórdia e na ação personalissima do Espírito Santo em minha vida, sinalizando a VERDADE, na medida que eu me abra para ela , segundo a graça que me é dada. Como é a sua vivência desse processo?
Olavo de Carvalho Octavio Guimarães Neto Quando um ser humano “descansa o seu coração em Deus”, quer dizer que Deus lhe revelou verdades que ele jamais conseguirá traduzir em palavras. A “paz que ultrapassa todo entendimento” ultrapassa, mais ainda, a linguagem humana. Não se traduz em afirmações ou negações.

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Cada linha que escrevi foi para um só leitor: Deus. Escrevi-a na esperança de que, no Juízo Final, Ele me explique inteiro tudo o que compreendi em fragmentos.

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Regra de estilo: Nunca reduza nada a uma caricatura. Ou a coisa é caricatural em si mesma, e neste caso basta descrevê-la, ou não deve ser objeto de gozação. Ou a comicidade é um efeito espontâneo do absurdo real, ou é agressividade impotente.

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“Notre vie est un voyage
Dans l’hiver et dans la nuit,
Nous cherchons notre passage
Dans le ciel ou rien ne luit.”

Estes versos vêm de uma canção dos guardas suíços massacrados pelos revolucionários nas Tulherias em 1792 (um episódio transfigurado em música por Wilhelm Kienzl na belíssima ópera “Der Kuhreigen”, de 1911). A “Canção dos Guardas Suíços” é também conhecida como “Napoleons Lied”.

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Por que a Bíblia amaldiçoa aquele que traz o escândalo, mas reconhece que o escândalo é necessário?
Porque sem o escândalo a fé religiosa se reduz a um anestésico da inteligência. Mas esse anestésico é exatamente o que a maioria deseja encontrar nela.

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A oração maluca do pastorzinho de Petrópolis não foi nenhuma blasfêmia. Foi o grito sincero de uma alma simplória desesperada:
— Porra, Deus! Abençoa nóis, caraio!

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Se o anjo pôde aguentar umas porradas de Jacó, por que não pode ouvir os palavrões de um crente angustiado?

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Só para evitar confusões. O caso de S. José não tem nada a ver com celibato forçado, mas com simples castidade matrimonial. Ele nunca foi proibido de abraçar Maria, acariciá-la e dizer-lhe palavras doces.

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Tenho mesmo a impressão de que o destino final de todo casamento bem sucedido é tornar-se, um dia, matrimônio casto. Quando o amor se torna intenso e profundo além de um certo ponto, o sexo começa a parecer apenas uma caricatura dele.

José Aníbal Petráglia Perfeito, Mestre Olavo de Carvalho… e daí vai para o derivativo externo, com jovens e saradas, não é mesmo??? rrssssss… Humanos precisam de sexo… ou não???
Olavo de Carvalho Acredite, no amor há coisas mais apaixonantes do que o sexo. Sexo é só o começo.

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Se a sua esposa deu para o vizinho, espere que ela se arrependa e em seguida ame-a mais do que antes. É a mais velha e mais eficiente solução que existe. Está na Parábola do Filho Pródigo, mas as pessoas não querem aprender de jeito nenhum. O “direito” à fidelidade transformou todo mundo em gente importante que, na mais generosa das hipóteses, só perdoa por condescendência.

Eduardo Gabriel Mas o sujeito tem o direito de perdoá-la com toda a sinceridade do seu coração, porém, não ficar mais com a pistoleira, certo, professor?
Olavo de Carvalho Perdoar SIGNIFICA redobrar o amor.

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René Descartes tinha razão: Todos os nossos problemas provêm do fato de que antes de ser adultos fomos crianças.

Cf. trauma de emergência da razão.

Célio Rodrigues Olavo, seria o Millôr Fernandes o escritor brasileiro que melhor sintetizou em aforismos a brasilidade, o nosso modo de pensar, agir e sentir com uma sutileza ímpar? Eu fico estarrecido com a genialidade desse homem. Ele consegue captar a alma e a realidade brasileira, quiça humana, em toda a sua crueza e safadeza, que é difícil imaginar algo superior.
Olavo de Carvalho Célio Rodrigues O Millôr é um dos grandes aforistas da literatura mundial. Melhor que o Lichtenberg e tão bom quanto o Karl Kraus.
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Muitos homens e mulheres sentem que botar um par de cornos na sua cabeça é um crime de lesa-majestade.

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Adrilles Jorge Professor Olavo de Carvalho , o senhor já foi corneado? Como o senhor reagiu ou como acha que reagiria em caso de cornitude? Juro que não é interesse mexeriqueiro, é antropológico mesmo. rs Amar alguém de fato cria um estado de dependência e insegurança afetiva. Para além do sentido egoísta de posse. Ver alguém que ama com outra pessoa dá a impressão de uma mutilação de seu próprio corpo. Doentio? Mas o amor pode ser considerado algo razoável, racional em sua intenção? O senhor não acha que a resposta vaidosa do corno em si não é uma reparação do ego à ferida do sujeito que se doa, amando, e não recebendo em troca a devida ( que ele acha devida) compensação pelo seu amor? Mas esta seria uma deturpação do amor? Ou o amor em si , o amor romântico seria uma deturpação daquele amor paciente do qual nos fala Paulo?
Olavo de Carvalho Adrilles Jorge Fui, antes de casar. A minha namorada se engraçou com outro carinha numa festa. Eu não liguei muito, mas, como todo mundo estava me olhando com cara de piedade, achei que era melhor dar umas porradas no indivíduo para salvar a minha reputação. Molecagem pura.

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William Faulkner observa que muitos protestantes acreditam que sua raiva e seu desejo de vingança são a Ira de Deus. Sei de muitos católicos que embarcam nessa.

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Se algum dia eu matar um tirano, genocida, um assassino de inocentes, terei até alguma razão para achar que Deus me usou como instrumento da Sua ira. Mas até hoje, confesso, em nenhuma das vezes em que chutei um cu imaginei que o fizesse em nome de Deus.

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Se você perdoa a mulher adúltera mas nunca mais quer ver a cara dela nem pintada de ouro, é claro que não perdoou coisa nenhuma, apenas deu o nome de perdão a uma vingancinha.

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A vingancinha pode ser até justa, mas não é um perdão.

Mônica Camatti Deus nos perdoa e portanto nos aceita como amigos novamente, como convidados para ir ao Céu conviver com Ele pelos séculos dos séculos. Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou a pedir na oração do Pai Nosso: “Perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tem ofendido”, e se nosso conceito de perdão se resume à exclusão da presença da pessoa perdoada, Deus fará assim mesmo conosco. Perdão de verdade é perdão ao modo do amor divino, e não existe outro. “Perdoar” e excluir a pessoa é vingancinha, birrinha de gente que não tem a mínima noção do quanto e como Deus nos perdoa, até os limites inimagináveis.
Olavo de Carvalho É isso, Mônica.

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Quando Jesus perdoou a mulher adúltera, ela não havia cometido UM adultério, mas umas dúzias.

Monteiro Haroldo Professor, perdoar supõe esquecer, intrinsecamente?
Olavo de Carvalho Mais que isso.

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Os romanos acreditavam que era própria do varão a conduta equilibrada, gentil, sóbria e disciplinada. Já as mulheres tinham a tendência natural — e portanto o direito — às crises de nervos, gritos e imprecações. Galeno conta que o pai dele era um primor de gentileza, mas a mãe às vezes ficava tão brava com as empregadas que chegava a mordê-las. Ninguém a chamou de louca por isso.

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Pelo padrão romano, a Dilma Rousseff agiu com plena normalidade ao fazer guerra de cabides com a camareira.

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Sempre que faço algum mal, quero que me perdoem e me deem uma chance de consertar. Não quero tomar no cu em nome da Justiça. Você não é assim?

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Todo mundo quer ser cristão, com a ressalva de que esse negócio de perdoar é um saco.

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Perdoai as nossas ofensas, assim como nós torcemos os pescocinhos dos que nos ofenderam.

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Daqui a pouco vamos gravar a entrevista para o programa do Danilo Gentili.

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Fico impressionado com as pessoas que, cheias de convicção, repetem frases que elas mesmas não entendem, e acreditam que estão mesmo dizendo alguma coisa. Da minha parte, sou incapaz de não perceber que não entendo quando realmente não estou entendendo. Por exemplo, em muitos livros de mística leio que o santo, durante sua experiência de Deus, se desligou totalmente do mundo dos sentidos, e cinco linhas depois ele conta que a visão o fez chorar. Como chorar sem os sentidos? É um choro metafórico, puramente espiritual? Se é, em que consiste realmente a diferença? Quem lê essas coisas e passa batido sobre as dúvidas desse tipo não quis realmente entender nada.

Israel Azevedo Professor Olavo de Carvalho, o senhor já leu a “Imitação de Cristo” de Thomás de Kempis?
Olavo de Carvalho Sim. Numa época muito triste da minha vida, lia esse livro obsessivamente. Ele não me acalmava, mas me fortalecia.

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De modo mais geral, como é possível ter QUALQUER emoção sem os sentidos corporais?

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Quando você depara com um mistério, a única reação sensata é a perplexidade, a busca angustiada de uma explicação mesmo impossível. Mas em geral o que noto é que as pessoas têm a reação oposta: “É um mistério, portanto não pensemos mais nisso. Basta crer.”
Isso é confundir a fé com psitacismo. 
A verdadeira fé busca desesperadamente o entendimento, mesmo sabendo que só o alcançará depois da morte.

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O problema que coloquei no post anterior, do choro sem os sentidos, não pode ser resolvido por NENHUMA explicação teológica, já que se trata de um enigma da psicofisiologia humana e não de uma dificuldade teológica.

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É possível que alguns santos em êxtase já tenham passado a uma esfera supratemporal na qual a fisiologia que vigora não é a da corporalidade terrestre, mas uma antecipação do “corpo de glória”. Sem fisiologia nenhuma é que a experiência se torna impossível. Dito de outro modo: podemos ver sem olhos terrestres, mas não SEM OLHO NENHUM. Tudo isso é um mistério maravilhoso.

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Alguma idéia da fisiologia supraterrestre nos é dada pelas narrativas de pessoas que retornaram da morte.

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Como é possível ler essas coisas e não sentir a alma inundada por um oceano de perguntas?

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Max Weber achava que a essência da fé religiosa é abdicar do entendimento. Se é assim, não tenho fé nenhuma. Nem eu, nem Sto. Agostinho, nem Pascal.

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Outros acham que a fé á a busca de uma tranquilidade, de um reconforto, de um descanso da inteligência. Se é assim, a minha não está funcionando, porque só me cria problemas.

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Toda e qualquer doutrina ou teoria consiste em afirmações abstratas de ordem geral. Há algumas delas no Evangelho, mas, em essência, ele não se compõe delas e sim de uma NARRATIVA.

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Mas sou tão pervertido que não trocaria esses problemas por nenhuma temporada de descanso nas Bahamas.

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Quando a Igreja diz que tal ou qual afirmação inexplicável é matéria de fé, o que ela está dizendo é que essa afirmação NÃO É UMA DOUTRINA, uma teoria, porque a primeira e mais essencial qualidade de uma teoria ou doutrina é ser uma explicação. Está dizendo que essa afirmação traduz um FATO, um dado bruto da realidade cuja explicação nos escapa.

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Cristo ressuscitou. Isso é uma explicação? Explicação uma pinóia. É um fato sem explicação.

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Basicamente, crer em qualquer sentença do Evangelho não é crer numa “doutrina”, mas num TESTEMUNHO. Testemunhos não nos trazem explicações, mas fatos.

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Toda e qualquer doutrina ou teoria consiste em afirmações abstratas de ordem geral. Há algumas delas no Evangelho, mas, em essência, ele não se compõe delas e sim de uma NARRATIVA.

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De uma coisa estou convencido. A maioria dos que abandonam a Igreja não o faz por ter adquirido convicções racionalistas, cientificistas, marxistas etc., mas simplesmente por não agüentar por mais de alguns minutos um fato sem explicação pronta ou ao menos sem o vislumbre de uma explicação em futuro breve.

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Não se trata de trocar a “fé” pela “razão”, mas de trocar os fatos por um sentimento de coerência — necessariamente falso, aliás.

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Uns querem o cristianismo sem a castidade; outros, sem o casamento indissolúvel; outros, sem a obrigação de ir à missa; outros, sem o clero; etc., etc. Tudo isso Deus perdoa. Mas um cristianismo sem a obrigação de perdoar, isso nem Deus aguenta.

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Fabio L. Leite e Rodolpho Loreto são tipos raros que REALMENTE estudam Teologia. Dá gosto ler os seus posts. Eles me ensinam muita coisa.

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A nossa exata medida

“Eu não quero julgar o Frithjof Schuon, sem dúvida foi um grande homem, mas parece que ele achava que era um pouco maior ainda. Porque tem isso. Tem o sujeito que não é nada mas acha que é alguma coisa, e tem o sujeito que é muita coisa mas acha que é mais ainda. É loucura uma coisa, como é loucura outra. A gente tem obrigação de saber a nossa exata medida.

(True Outspeak, 26-03-2007)”

28.5.2017

Da página da Léa Nilse Mesquita :

“Impressionante! – acho que essa é a frase que mais uso no meu dia-a-dia.

E, ontem, era ela que me vinha ao ler comentários feitos à postagem que fiz de uma nota de Olavo de Carvalho, que volto a copiar pra facilitar a compreensão do que aqui vou dizer:

“Só pessoas insensíveis ou imaturas não percebem que um casamento fiel para toda a vida é um MILAGRE, não uma coisa normal e exigível na ordem natural.”

Eu copiei a nota por ver nela uma verdade. Talvez uma verdade difícil de ser mastigada e digerida, principalmente por nós mulheres, por causa de nossa imaturidade que a embrulha e regurgita no estômago. Nós queríamos que não fosse assim, como se a fidelidade devesse ser quase um direito que temos de exigir porque casamos.

Mas é assim que é na vida dos casais? Por acaso, o casamento fiel para a vida toda é a coisa mais natural e corriqueira no mundo real?

A nota do Olavo, para mim, tocava na clave de transmitir uma verdade da existência – é assim, assim é.

Mas, nos comentários era como se nosso filósofo, ao expressá-la, estivesse a defender a infidelidade, os homens e mulheres infiéis. Sua frase virou insensatez, um erro doutrinário que fere os mandamentos de Deus, uma besteira sobre um ponto defendido pela Igreja.

É isso que pra mim é impressionante. Era como se eu estivesse vendo as pessoas a conceber que, ao expressar as realidades da vida, só o fazemos em termos que denotem um “a favor” ou “contra” daquilo que estamos a tratar – toda descrição fatual das coisas, tais como são ou se apresentam aos nossos olhos, estaria abolida.

Imagino que me dirão que ninguém falou isso, que estou extrapolando ou deturpando os comentários feitos. Mas quem diz que a frase “um casamento fiel para toda a vida é um MILAGRE, não uma coisa normal ou exigível na ordem natural” é insensatez, um erro que contradiz o mandamento de Deus ou uma basteira sobre um ponto que a Igreja defende não está interpretando que Olavo, em sua frase, está como que a defender a infidelidade?”

OBS. — Bravíssima, Léa! No Brasil as tchurma não sabe o que é juízo de realidade. Em tudo só vê o pró e contra. Toma partido e vota contra ou a favor da álgebra elementar, da física quântica, dos Dez Mandamentos e do fato de que os mosquitos voam.

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Esclarecendo:

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Não faz o menor sentido falar em “direitos” quando não há sequer a promessa de uma garantia jurídica para sustentá-los. É horrível ter de explicar isso a criaturas que falam no tom da autoridade papal.

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Denis de Rougemont, em “L’Amour et l’Occident”, um livro brilhantíssimo, observa que o adultério é o tema mais freqüente e disseminado na literatura ocidental. Isso já deveria bastar para fazer entender que a fidelidade matrimonial só é um “direito” desde o ponto de vista do Estado moderno, que é a estrutura legal das modernas ilusões, uma máquina de prometer o que não pode cumprir.
Para a Igreja, no entanto, o matrimônio é um SACRAMENTO, algo que só pode chegar a cumprir as suas metas com a ajuda do Espírito Santo. Um casamento fiel não é coisa que se adquira num cartório.

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Os sujeitos que juram que todas as culturas valem o mesmo são os primeiros a achar que a cultura dos outros vale menos que a deles.

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Entendem agora porque a Igreja perdoa muitos adultérios e as pessoas cuja mentalidade foi forjada pelo Estado moderno não perdoam nem unzinho só?

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Napoleão Bonaparte, no seu Código, só consagrou a fidelidade matrimonial como obrigação civil porque se cansou de ser corno.

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Assinei e peço que assinem:

https://www.change.org/p/livres-evitar-que-o-nome-do-plen%C3%A1rio-da-alepe-mude-de-joaquim-nabuco-para-eduardo-campos

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Ciúme é um sentimento canino. Ponto final.

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No meu entender, humilhar uma criança pequena é o pior dos crimes. Se for a pretexto de educá-la, pior ainda. Jesus perdoou ladrões e assassinos, mas Ele mesmo disse que aquele que fizesse o mal a uma criança deveria ser jogado ao mar com uma pedra amarrada no pescoço.
Quantas humilhações morais horríveis já não foram impostas a crianças inocentes em nome da educação cristã?

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Digo isso porque NÃO tive essa experiência na escola católica em que recebi minha primeira instrução. Os padres que ali me educaram eram as pessoas mais doces do mundo.

Geraldo Ribeiro A primeira instrução na escola católica terá sido o estímulo fundamental para a extraordinária carreira nos estudos?
Olavo de Carvalho Geraldo Ribeiro Não sei, mas a fé católica entrou na minha alma como um encantamento sem fim, uma coisa maravilhosa e indescritível, nada daquelas experiências deprimentes que tantos meninos da minha geração — o Bruno Tolentino entre outros — tiveram em escolas católicas.

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Toda a segurança emocional de uma criança, pelo resto da sua vida, depende da confiança que tenha no amor dos pais. Introduzir aí a dúvida e o medo traz um DANO IRREPARÁVEL.

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Da instrução católica que recebi na infância, só restaram na minha memória muitas lágrimas de comoção ante os milagres, a caridade, o perdão, a Graça, a beleza. Nem uma só lágrima de tristeza. Ah, como eu gostaria de que todos os meninos do mundo tivessem tido experiência igual!

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Nos momentos mais deprimentes e conturbados da minha infância, a Igreja era sempre o abrigo, a ilha da bem-aventurança, a porta do Céu. Não mentirei se disser que, em cinco anos de convivência com os Padres Mário Rimondi, Mário Dodi e Pedro Pelotto na Igreja de Nossa Senhora da Paz em São Paulo, não levei uma só bronca, não ouvi uma palavra amarga sequer.

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NENHUMA Graça é um “direito”.

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O Catecismo da Doutrina Católica (1647,1648) reconhece que a fidelidade conjugal é uma conquista difícil, que só se torna possível pela Graça. A distância entre esse conceito e a noção jurídica do “direito” é IMENSURÁVEL.

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Juridicamente, a fidelidade conjugal é apenas ausência de adultério, ao menos comprovado. O amor não tem como entrar nesse conceito. No casamento cristão, ao contrário, a fidelidade é o efeito — ou obra — de um amor inflexível e constante, imitação do amor divino. É só na sua exterioridade mais grosseira que essas duas noções podem parecer a mesma.

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O que afirmo categoricamente é que a obrigação da fidelidade no puro casamento civil sem suporte religioso é uma carga pesada demais para qualquer ser humano real. O Código Civil de Napoleão não é a Bíblia e o Estado não fornece graças divinas.

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Eu SEI o que é a graça divina como suporte do amor humano. E não sei por ter lido, e sim por tê-la recebido. A diferença que isso faz é imensurável, para usar a palavra mais modesta que me ocorre.

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Cada vez que digo à Roxane “Eu vou amar você para sempre”, não estou querendo dizer que sou o bam-bam-bam das virtudes, o campeão da fidelidade matrimonial. Soaria imensamente ridículo. Estou dizendo apenas: “Deus não deixará que o nosso amor acabe.” Isso é tudo.

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Existem milhares de livros, debates e estudos em revistas científicas e teológicas sobre o celibato clerical, o qual não deveria, em princípio, ser um grande problema já que sua adoção deriva de uma livre decisão individual.
Em comparação, é QUASE IMPOSSÍVEL encontrar estudos sobre pessoas casadas que, abandonadas pelos seus cônjuges (ou separadas deles por motivo grave), são FORÇADAS a uma vida de celibato que não escolheram nem escolheriam jamais por vontade própria. O número dessas pessoas não é pequeno.
É certo que as controvérsias sobre o celibato clerical são alimentadas por inimigos da Igreja, constituindo, portanto, uma característica guerra cultural, e sendo esse o motivo mais óbvio da sua proliferação.
Mas por quê o silêncio geral — mesmo dos anticatólicos mais inflamados — sobre o problema incomparavelmente mais grave do celibato forçado?
Em vez me fornecer a sua gentil opinião — que valeria tanto quanto a minha, se alguma eu tivesse, que aliás não tenho nenhuma –, peço que o leitor me ajude a encontrar estudos sérios e fundamentados sobre o problema, não do ponto de vista teológico-doutrinal, onde não há controvérsia alguma a respeito, mas do ponto de vista psicológico, sociológico e psicopedagógico.

Paulo Braga Professor, uma dúvida minha que talvez o senhor possa responder. É certo que durante os primeiros séculos da Era Cristã a igreja não exigia do clero que esse fosse celibatário. Como nas Igrejas Ortodoxas havia aqueles que optavam por se casar e aqueles que optavam pelo celibato. Não seria melhor hoje que a Igreja permitisse ao seu clero secular a opção de ser ou não casado e mantivesse a obrigação do celibato apenas para as Ordens Religiosas?!
Olavo de Carvalho Minha resposta, decididamente, é : Não sei. Não discuto a doutrina da Igreja,.Tomo-a como verdade geral e só questiono situações concretas. É o máximo que o meu QI permite.

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Os confessores do Rei Luís XIV perdoaram-lhe algumas centenas de adultérios e nem por isso deixaram de chamá-lo de “Sua Majestade Cristianíssima”.
A fusão do casamento religioso com o casamento civil, desde o Código Napoleão, tornou impossível qualquer fenômeno análogo. O adúltero tem contra si não somente as penas do inferno, das quais pode se livrar mediante a confissão sacramental, mas uma infinidade de punições jurídicas, sociais, econômicas e psicológicas das quais não pode se livrar de maneira alguma, exceto se tiver muito dinheiro e for perfeitamente amoral.
O que me pergunto — e não sei responder — é: Quanto do espírito do Código Napoleão se infiltrou sutilmente nos julgamentos da massa católica sobre fidelidade e adultério? Nunca encontrei, a respeito, um estudo histórico que satisfizesse à minha curiosidade.

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Como vocês vêem, não costumo fugir de problemas para os quais não tenho solução, quando não me parecem logicamente insolúveis em si mesmos.

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Jesus disse: “Meu jugo é suave”. Podemos dizer o mesmo do jugo eclesiástico, QUANDO ALIADO AO ESTADO LEIGO MODERNO?
Não creio que seja honesto, da parte de um católico sincero intelectualizado, fugir desse problema, nem fazer de conta que está perfeitamente confortável diante dessa situação.

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Sempre reconheci e sem a menor dificuldade reconheço que sou um bosta, mas faço um esforço sincero para viver a vida católica, e, decididamente, não considero que faça parte dela fingir que não vejo aquilo que vejo.

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É claro, o Brasil está repleto de almas puríssimas que resolvem tudo mediante uma simples consulta ao Código de Direito Canônico, sobretudo quando não chegam sequer a entender a formulação do problema.

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A vida católica real é cheia de enigmas, perplexidades e sofrimentos morais sem os quais ela se reduziria à obediência mecânica, que é o ideal de tantos brasileirinhos devotos.

Rodrigo Jungmann Pode um fornicador ser salvo?
Olavo de Carvalho Se não pudesse, o sacramento da confissão seria 171.

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Conheço muitos católicos tão lindos, mas tão lindos, que jamais consentiriam em descer das alturas sublimes da sua fé inabalável para perguntar: “Pai, por que me abandonaste?”

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