24/4/2017

Objetivamente, o Lula salvou o movimento comunista da extinção, unificou os partidos e governos de esquerda no continente e ainda os alimentou com dinheiro por muitos anos. Quem, em um século, fez mais pelo comunismo na América Latina? Nem Fidel Castro.

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Por que todo comunista que enriquece no poder a turma diz que não é comunista? Por esse critério, nunca houve um governante comunista no mundo, exceto Lênin. é claro. que não teve tempo de enriquecer porque ficou doente e morreu logo depois de tomar o poder.
Não há nada mais estúpido no mundo — nada, absolutamente nada — do que a idéia pequeno-burguesa do que é comunismo.

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Comparado com Ceaucescu, Mao ou Fidel Castro, o Lula não roubou NADA.

Ruth Tomazi “NADA” é pouco para definir a casa dos trilhões. Também é pouco para definir a decadência moral. Também é pouco para os milhares que morreram em consequência da pouca assistência na saúde e na segurança. Também é pouco para a desesperança causada. ConVer mais
Olavo de Carvalho Você não tem idéia da fortuna que eles acumularam — algo que o Lula não alcançou nem em imaginação. E, em matéria de mortes, a superioridade deles e da ordem do intergaláctico.
Lucas Novaes Professor, o que aconteceu com o Ceausescu foi uma espécie de sonho intervencionista realizado ou os militares tiveram influência internacional para agir?
Olavo de Carvalho Foi queima de arquivo.

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Conclusão de décadas de experiência. Brasileiros são incapazes de aliar-se em nome de um interesse superior. Só a parceria no crime funciona, porque aí o instinto de autodefesa grupal abrange e supera os interesses individuais. Se a aliança é para uma finalidade boa, esta será sempre sacrificada a interesses menores.

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No Brasil, só o crime é capaz de unificar esforços. Tudo o mais se desmembra e se esfarela.

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O cúmulo do vegetarianismo, segundo o Josias Teófilo:
Levar a namorada atrás da moita — e comer a moita.

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Nosso amigo Mauricio Marques Canto Jr. ainda está no hospital e precisa muito das preces de todos. Por favor, não se esqueçam dele.

Eder Borges Nossa!! O que aconteceu com o Maurício??
Olavo de Carvalho Teve um trombo-embolismo com inúmeras conseqüências perigosas.

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Todo símbolo está preso a uma paisagem, a um lugar, a um tempo, de modo que aos poucos o seu sentido universal se torna opaco. Interpretações teológicas e morais prontas são meros intelectualismos que dão um simulacro de compreensão (embora, no seu conteúdo, possam ser objetivamente verdadeiras) e tornam tudo mais opaco ainda. As artes, especialmente a literatura, existem para transmutar os símbolos em novas formas e torná-los transparentes de novo.

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A ansiedade, o faniquito de “agir”, denotam uma sensibilidade epidérmica, falta de interioridade e concentração. Superficialidade, portanto fraqueza. 
“A imobilidade gera a sabedoria”, ensinava Aristóteles. 
O impulso da expressão emocional imediata, que tantos enxergam como sinal de “sinceridade”, é também pura dispersão. A expressão das emoções tem de ser refreada para que elas possam interiorizar-se, criando a intimidade de um “mundo” pessoal.

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Sugestão: ouça repetidamente grandes composições sinfônicas — de Mozart, de Beethoven, de Brahms, de Sibelius ou do seu compositor preferido — até decorá-las. Quando elas fizerem morada definitiva na sua memória, você não terá como exteriorizá-las, nem cantando, nem assobiando, nem muito menos tocando todos os instrumentos de uma orquestra ao mesmo tempo. Elas terão se incorporado para sempre à intimidade da sua paisagem interior.

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Se, como tantos professam hoje em dia, o mundo exterior não é senão uma ilusão, aquele que diz isso não passará, ele próprio, uma ilusão para um interlocutor igualmente ilusório. Nessas condições, não vejo que raio de importância poderá ter o que quer que ele diga.

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Da página do Mauro Ventura:

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Você lê a história de Caim e Abel e acha que entende. Alguém extrai do episódio uma bela lição de moral, e aí é que tudo parece claro e óbvio como 2 + 2 = 4. A inveja é um pecado, e fim de papo.
Mas, cá entre nós, você tem mesmo alguma idéia do que é INVEJA ESPIRITUAL?
É claro que não. É preciso um bocado de cultura e experiência só para admitir, coçando a cabeça, que ela é um dos maiores enigmas da alma humana. 
Você pensa que inveja espiritual é a mesma coisa que invejar o brinquedinho do seu irmão, o carro novo do seu vizinho, o sucesso do seu amigo com as garotas ou a bolada que algum sortudo ganhou na loteria?
Caim, com certeza, estava anos-luz acima disso. Para invejar o amor divino, é preciso tê-lo conhecido de perto. Caim era homem de elevada estatura espiritual, quase tanto quanto o seu irmão. Compreendê-lo não é fácil. É só por isso que o seu crime é um arquétipo imortal e não uma mera notícia do “Jornal Nacional”. Shakespeare, Hermann Hesse e Lipot Szondi, entre outras inteligências notáveis, meditaram esse assunto por anos a fio.

Will B Lauria Caim,pai dos construtores de cidades,viu e ouviu coisas que fariam qualquer Zé Mané atual gelar a espinha ou levitar de puro êxtase. Foi assassino,foi marcado por proteção e foi pai de civilização.Personagem complexo…
Londerson Araújo Engraçado que o Saramago achava que entendia essa história professor e chegou até escrever um livro, que foi o seu último em vida. Segundo ele, Deus era mau por não aceitar a oferta de Caim e ponto final.
Olavo de Carvalho Londerson Araújo : Uma vez o Agamenon Mendes Pedreira publicou uma foto como esta, com a legenda: “O escritor José Saramago puxando a passeata dos Sem-Terra”.
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Se o crime de Caim fosse a expressão de uma inveja banal, por que Deus o teria protegido contra qualquer represália e feito dele o fundador da civilização? 
Todo o mistério da História humana tem aí sua raiz.

Rodolfo Cattaneo Prof. Olavo de Carvalho adoro seus comentários sobre teologia. 
Olavo de Carvalho Não é teologia, é arte de ler compreendendo.

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Caim se parece menos com qualquer criminoso vulgar do que com os zelotes que crêem servir a Deus quando matam santos e profetas.

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Do ponto de vista da moralidade atual, Caim era o bonzinho vegetariano, ecológico, e Abel o malvadão que criava animais para o abate. O auge da civilização global presta homenagem inconsciente ao seu remoto fundador…

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Estou mencionando Caim apenas como exemplo de algo que expliquei na aula do COF sábado passado. O simbolismo da história de Caim e Abel é compacto e antigo, portanto opaco para a sensibilidade atual. Minhas humildes investigações a respeito estão a léguas de distância da obra de arte literária — infelizmente inexistente — capaz de recolocar diante de nós os personagens em toda a riqueza e complexidade do seu drama. Especulações teológicas sem a prévia descompactação dos símbolos arriscam perder-se em generalidades banais.

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“Descompactação” não é “interpretação”., não é hermenêutica. É restauração do símbolo em modalidade mais diferenciada, mais detalhada.

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Pergunto: Com todos os desenvolvimentos extraordinários que teve nos últimos séculos, a arte literária está em condições de nos recontar a história de Caim e Abel como Thomas Mann recontou a de “José e Seus Irmãos”? Parece que ainda não. Certos mistérios bíblicos requerem algo mais do que o gênio literário para ser recontados. Exigem uma revelação pessoal como a recebida por Maria Valtorta ou Anna-Katharina Emmerich.

Lucas Novaes Professor, seria necessária uma perfeita extração (não sei se é o verbo correto), da simbologia contida na passagem de Caim e Abel, por exemplo, para que esse elemento resultante fosse utilizado da maneira correta na literatura? Passei perto do que o senhor quer dizer? Quanto mais próximo da criação, no tempo das Escrituras, mais complexo tudo parece ser.
Olavo de Carvalho Uma extração perfeita só é possível mediante revelação pessoal, como no caso de Maria Valtorta. Nos outros casos, é tudo aproximativo e ficcional, mas ajuda.

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Maria Valtorta mostra como estamos — nós e até os mais argutos teólogos — longe de apreender adequadamente (não digo compreender intelectualmente) alguns episódios bíblicos que todo mundo cita a torto e a direito. O livro dela não explica nem interpreta o Evangelho, mas o reconta com mil detalhes concretos que os primeiros leitores do texto conheciam, e nós não.

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Os detalhes que Maria Valtorna cita são reais, comprovados historicamente. Por isso é que se reconhece a sua revelação pessoal como autêntica. Mas, na falta de uma revelação desse tipo, não é proibido, é aliás muito útil, compor uma obra de ficção com detalhes inventados meramente verossímeis ou possíveis, como fez Thomas Mann.

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Episódios que no Evangelho são contados em uma página viram trinta ou quarenta no livro da Maria Valtorta.

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A descompactação não é uma interpretação. É uma imagem ampliada e mais nítida. Sem isso, toda interpretação é pura especulação.

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