Encontrar o fio da meada

“Quando Jesus traçou uma clara linha demarcatória entre o Seu Reino e o de César, Ele não estava brincando. É muito fácil dizer que as leis, as instituições, o Estado devem curvar-se aos ensinamentos de Cristo. Mas para isso os ensinamentos têm de passar por uma série de filtros — a rede das relações econômicas, o sistema judiciário, os hábitos consagrados da população, a burrice generalizada –, de modo que, quando chega ao seu destinatário último — as almas –, o cristianismo já está completamente desfigurado. Virou moral burguesa, igualitarismo socialista, qualquer porcaria. Todos os monstrengos sociais engendrados pelo ser humano falam em nome do Senhor, nos infundem culpas quando os desobedecemos e fazem parecer que agradar a eles é agradar a Deus. Toda essa floresta de erros que vem de fora cria raízes dentro de nós, de maneira que nós mesmos ajudamos o mundo a nos enganar. Encontrar o fio da meada, percorrer o caminho de volta desde as suas caricaturas públicas até o sopro do Espírito Santo, é uma aventura cognitiva superior às forças humanas, na qual só o próprio Espírito Santo pode nos guiar”.

19/4/2017

Os contatos entre homem e mulher, na cama, são através de uma película de látex. Fora da cama, através das autoridades constituídas.
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O resultado de meio século de liberdade sexual: Se você quer fazer um gracejo para uma mulher, consulte primeiro um advogado. Ele lhe explicará como obter um alvará da polícia.
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A coisa mais perigosa do mundo, depois das bombas do Kim, é olhar as pernas de uma mulher que as exibe.

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A segunda coisa mais perigosa é acusar um muçulmano de algo que ele tenha feito.

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Se ele for imigrante ilegal, o perigo triplica.

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Esperem a legalização do casamento gay, e verão o que acontece: gayzice fora do casamento será crime.

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A ampliação dos direitos democráticos mede-se em centímetros de pica.

17/4/2017

 

 

Nada é mais patético que a revolta do ser humano contra a linearidade do tempo. Civilizações inteiras ergueram-se em cima dessa ilusão. Nenhuma delas reencarnou.

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Estou pensando em enviar à turma da Odebrecht, a título de brinde, alguns tubos de KY da marca “Olavo Tem Razão”.

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O traço mais geral e constante da historiografia oficial brasileira sobre o regime de 1964 é julgá-lo sempre na escala de valores absolutos, e jamais em comparação com os regimes que financiavam, treinavam e armavam os guerrilheiros. Basta isso para mostrar que toda essa historiografia, por baixo da sua afetação pedante de objetividade científica, é PURA FRAUDE.

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O traço mais geral e constante da historiografia oficial brasileira sobre o regime de 1964 é julgá-lo sempre na escala de valores absolutos, e jamais em comparação com os regimes que financiavam, treinavam e armavam os guerrilheiros. Basta isso para mostrar que toda essa historiografia, por baixo da sua afetação pedante de objetividade científica, é PURA FRAUDE.

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Se oitenta por cento dos formandos das nossas universidades não estão capacitados a ler textos correspondentes ao seu nível formal de escolaridade nas áreas específicas que estão estudando — se é que cabe usar essa palavra –, então é óbvio que essas universidades não têm, por sua vez, a qualificação requerida para julgá-los, aprová-los e diplomá-los. Cada uma delas é apenas uma indústria de diplomas, uma organização criminosa, e tem de ser fechada o quanto antes.

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A professora que a Ana Caroline Campagnolo está processando deu uma entrevista na qual mostra, com despudor quase ingênuo, o quanto o simples fato de alguém divergir dela a escandaliza, o quanto ela é incapaz de imaginar a diferença de opiniões como coisa normal e desejável.

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Esse tipo de atitude vem se tornando endêmico na nossa sociedade. Em vez de conversar como gente, o sujeito arregala os olhos, com uma expressão de incredulidade, de espanto, de horror, como quem visse o impossível, o absurdo materializado na sua frente.
Uns adotam essa pose por malícia e cálculo, na esperança de fazer o interlocutor sentir-se anormal, sujo, obsceno, de tirar dele toda vontade de argumentar.
Outros já a introjetaram e sentem realmente a emoção que demonstram.
É a diferença entre psicopatas e histéricos.

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Uns aprenderam essas caretas como técnica de extinção de comportamento.
Outros as imitam e acabam sentindo mesmo a emoção que os primeiros fingem.
Nisso consiste todo o “intercâmbio intelectual” nos meios universitários deste país.

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Vou lhes contar uma coisa. Nos anos 90 freqüentei um bocado os meios militares e empresariais de São Paulo e do Rio. Sabem quantos homens cultos encontrei ali? NENHUM.
Havia, é claro, sujeitos que liam livros e até os citavam com certa propriedade.
Mas você só se torna um homem culto quando a cultura adquirida fecundou e moldou a sua PERSONALIDADE, o seu modo interior de sentir e perceber — não quando ela apenas lhe deu alguns instrumentos de raciocínio, que você carrega como equipamento exterior.
Estudar filosofia, ciência política, direito, sociologia etc. JAMAIS fará de você um homem culto, se você não consumir literatura em doses ainda maiores, e com aquela ânsia incontida de apreender novas e mais ricas maneiras de sentir, de perceber, de ouvir e de falar.
Quando eu comentava isso com a Roxane, ela lembrou a entrevista do Clóvis de Burros ao Abujamra. Este último, por comunistão metido que seja, e com todas as limitações que possa ter, é um homem de cultura, tem a sensibilidade do homem culto, pelo simples fato da experiência teatral de décadas. O Clóvis continua tosco e grosso por mais livros que leia.

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Daniel Brilhante de Brito, o homem mais culto que conheci no Rio de Janeiro, simplesmente não conseguia expressar suas idéias e emoções sem recorrer a citações de mil poemas e romances que havia lido. Tudo aquilo já era ELE MESMO, o seu mundo próprio e pessoal.

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Momentos inesquecíveis. O Fórum da Liberdade, reunião de liberais no Rio Grande, sempre convidava algum esquerdista para falar e, no mínimo, para apanhar. Quando me botaram ao lado do Leonel Brizola, não tive coragem de bater nele. O desgraçado era o sujeito mais simpático, amigável e cativante que eu já havia conhecido.

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O homem culto reconhece-se não no refinamento das maneiras, mas no refinamento das emoções.

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No Brasil, o refinamento das maneiras é quase sempre merda envernizada.

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Santa Teresa de Ávila dizia que a convivência com pessoas cultas, mesmo que não sejam espirituais, é sempre benéfica para a alma.

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Tanto meu pai quanto meu padrinho de batismo, que me criou durante parte da infância, eram homens gentis, incapazes de uma grosseria. Nada na minha formação me inculcou a imagem do machão tipo pinto-na-mesa.

P. S. – Eles eram assim com as crianças. Com os outros, não sei.

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No Brasil, as pessoas têm ojeriza a reconhecer qualquer qualidade boa naqueles a quem consideram homens maus. Só acreditam em maldade integral, visceral, ontológica. É tudo ou nada.

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A única macheza em que acredito é aquela que persiste no meio de um tiroteio. O resto é veadagem enfeitada.

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Quando trabalhei no Recenseamento Escolar, nas matas do Litoral Sul de São Paulo, havia no nosso grupo um boiolinha que começou ranhetando e nos humilhando desde o primeiro momento. Na hora em que pisou no primeiro lamaçal, desistiu e voltou para a cidade.

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Quando trabalhei no Recenseamento Escolar, nas matas do Litoral Sul de São Paulo, havia no nosso grupo um boiolinha que começou ranhetando e nos humilhando desde o primeiro momento. Na hora em que pisou no primeiro lamaçal, desistiu e voltou para a cidade.

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Momentos inesquecíveis. Já devo ter contado esta, mas não resisto a relembrá-la. Quando eu tinha uns treze anos, fui com dois amigos fazer um acampamento nas matas de Caraguatatuba. No caminho, uma tropa de pirralhos de cinco ou seis anos implorou para ir junto, e acabamos concordando. A barraca era pequena, a chuva não parava e na primeira noite ficaram todos doentes. Mas nenhum quis ir para casa. Ficaram todos até o fim, com febre e tudo, se fodendo bravamente, admiráveis e solidários.

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No meio deles havia um que sofria de claustrofobia. Acordava no meio da noite, gritando, e tinha de botar a cabeça para fora da barraca, debaixo do aguaceiro, onde se sentia aparentemente confortável. Depois voltava a dormir.

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Uma das ocupações mais lindinhas do pessoal científico é inventar máquinas que imitam vagamente algum processo natural e depois explicar esse processo natural pelo funcionamento das mesmas máquinas.

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Quanto mais progride a inteligência artificial, mais aumenta a burrice natural.

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Há fisiculturistas que chegam fortes e vigorosos aos cem anos de idade, outros morrem de enfarte aos trinta. Até hoje não entendi a diferença.

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Existe uma clínica aqui que pega um véio gagá e transforma num super-atleta em seis meses. Estou só esperando ficar gagá para me inscrever.

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Se uma universidade se recusa a usar medidas de força contra um estudante ativista que proclama que a verdade foi uma invenção iluminista criada para oprimir os povos pobres, só lhe resta mesmo concordar com ele e mandar a verdade à merda. De fato, é o que todas fazem.

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A teoria da verdade está inteirinha em Platão, Aristóteles e Sto. Tomás. Os iluministas têm tanto a ver com isso quanto eu tenho a ver com a vida sexual dos caranguejos.

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Ficou escandalizado? É que você não sabe que a verdade foi inventada pelos brancos para oprimir os pobrezinhos.

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Saindo da missa, hoje (fotos Josias Teófilo)