15/4/2017

*

Antonio Gramsci estava CERTÍSSIMO quando disse que quem faz a revolução são os intelectuais. E Georg Lukacs estava igualmente certo ao dizer que o proletariado em nome do qual os intelectuais falam não é o proletariado existente, mas apenas o “proletariado possível” que eles mesmos planejam inventar.

Izabella Simões No passado, os intelectuais usavam o proletariado, mas a nova esquerda usa a escumalha: ladrões, prostitutas, faminazis…
Olavo de Carvalho Isabella Izabella Simões : E depois manda matar todos.

*

Desde que inventaram as camisinhas, só raríssimos seres humanos desfrutam do verdadeiro contato carnal. A “democracia sexual” reservou esse privilégio a uma minoria aristocrática. Basta isso para alienar da realidade enormes faixas de população.

Célio Rodrigues Desconfio que a energia sexual seja a chave que oculta o mistério do EU.
Olavo de Carvalho Não. Se fosse assim, os leões teriam um “eu”/

*

Se o mercado é o juiz último em todas as questões, então tudo é mercadoria. Se tudo é mercadoria, tudo tem de ser quantificado, contabilizado e, inexoravelmente, administrado. Eis como o primado do mercado se destrói a si mesmo e vira socialismo sem nem perceber.
Só fatores sociais de ordem moral, cultural e religiosa podem se opor ao socialismo. Liberdade de mercado, o socialismo come no café da manhã. Se aqueles fatores são absorvidos no mercado, a vitória do socialismo torna-se apenas questão de tempo. Eis por que, aprovando cem por cento a economia liberal, acredito que o liberalismo, em si, não é uma alternativa eficiente ao socialismo.

Bruno Maria Otenio Seria o pensamento distributista de Chesterton e Belloc uma alternativa? Ou isso funciona melhor somente em pequenas comunidades?
Olavo de Carvalho É utópico. A única alternativa possível é a economia liberal com uma população cristã.

*

A realidade não pode ser explicada, pela simples razão de que ela é o juiz último de todas as explicações.

*

Só haverá uma “explicação científica do universo” quando a ciência inventar um outro universo à sua imagem e semelhança para poder explicá-lo.

*

Já cheguei, por experiência, à conclusão de que há tantos patifes entre os intelectuais e cientistas quanto entre os políticos e os jornalistas.

*

O confronto entre nacionalistas e globalistas é só um aspecto parcial e temporário da revolta da humanidade normal contra o “beautiful people”.

*

Pela minha experiência, quem vê um amigo ou parente morto chora baixinho ou curte sua tristeza em silêncio. Jamais grita “NÃÃÃÃÃÃOOOO!” como nessas merdas de filmes.

*

Narcissa, a personagem de William Faulkner que comete adultério PARA evitar que a chamem de adúltera, é a quintessência da moral burguesa.

*

A velha Jenny, nonagenária paralítica que literalmente morre de vergonha ante o comportamento de Narcissa, é a prova de que nem toda moral é socialmente determinada.

*

Isso está no conto “There Was a Queen”.

*

Faulkner é meio difícil de ler em inglês porque usa muita linguagem Redneck. Na tradução fica mais fácil.

Bruno Gama Duarte Prof. Olavo de Carvalho: Por gentileza. Nesse sentido, que é que o mais chamou a atenção da obra de Ernest Hemingway?
Olavo de Carvalho Vou dizer o português claro: Detesto Hemingway.
João Pedro Magalhães Camargo É sempre melhor ler no original, ou depende do autor e da língua?
Olavo de Carvalho Depende da capacidade de cada leitor. Por exemplo, Knut Hamsun ou Emil Silanpaa só leio em francês.
Fernando Henrique Freitas De quem é a tradução que o senhor anda lendo?
Olavo de Carvalho Estou lendo no original. Não tenho a tradução.

*

A grande tentação do eleitor brasileiro é acreditar que por trás de toda vigarice existe alguma santidade oculta. Sacumé, os caminhos do Senhor etc. e tal.

*

Mutatis mutandis, por trás da burrice deve existir alguma sabedoria oculta.

*

Nas escolas brasileiras, todo aluno que discorde do esquerdismo estabelecido é vítima de humilhação, boicote e intimidação. Lutar contra isso NÃO É querer uma “Escola Sem Partido”, mas uma ESCOLA SEM OPRESSÃO.

*

Xavier Zubiri demonstrou, sem erro, que “realidade” é o correlato objetivo da cognição humana enquanto tal. Todo experimento científico se dá DENTRO do campo dessa cognição e não tem como transcendê-lo. Tem, isto sim, como substituir entidades matemáticas aos objetos reais e confundir “mais exatidão” com “mais realidade”.

*

O velho preconceito da classe média brasileira, que toma isentismo político como sinônimo de honestidade, tem de ser destruído a todo preço.

*

O universo moral de Ernest Hemingway é simplista até o limite da boçalidade. Comparado com Faulkner, Hemingway é apenas um aprendiz.

*

Faulkner é o Balzac do “Deep South”. Hemingway é apenas um jornalista inventivo.

*

Os escritores americanos que mais aprecio são William Faulkner (primeirão), Henry James (segundo, beirando o primeiro), John dos Passos, Herman Melville, Nathaniel Hawthorne e Henry Miller.

Bruno Gama Duarte Sou tiete da Flannery O’Connor. Venho por meio deste reivindicar e requerer à V. Exª. nos termos do Regimento Interno da Câmara dos meus Gostos Pessoais que seja autorizada a participação dessa nobre escritora à sua lista de preferidos. Justiça seja feita: Flannery O’Connor e Saul Bellow merecem atenção especial.
Olavo de Carvalho Só li um conto da Flannery. É muito pouco para julgar.
André Barrionuevo Para mim, Edgar Allan Poe ganha deles todos, precedeu até Walt Withman e Emily Dickson.
Olavo de Carvalho Steinbeck não me convence. Edgar Poe li muito pouco, infelizmente.

*

De poetas,T. S. Eliot, Wallace Stevens, Robert Frost.

*

Dos ingleses, só posso dizer que amo Dickens, Joseph Conrad e Thomas Hardy, mas a Inglaterra tem tantos romancista bons que não dá nem para fazer uma seleção.

*

É uma vergonha ter lido tão pouco Edgar Poe. O homem era meu vizinho aqui na Virginia.

Olavo de Carvalho Vou me redimir. Acabo de encomendar as Obras Completas.
Italo Lorenzon Professor Olavo de Carvalho, imagino que já te perguntaram isso mas quanto tempo do seu dia o senhor dedica à leitura?
Olavo de Carvalho Quando não estou comendo, cagando ou recebendo alguma visita, estou lendo ou escrevendo. Na outra casa parava também para praticar tiro ao alvo, mas aqui não dá.

*

O que mais gosto nos livros de Faulkner é a dialética do pecado e da miséria com a dignidade e a honra.

*

A língua árabe tem uma palavra insubstituível, que é “Barakah”. Significa ao mesmo tempo “bênção” e “poder”. Imaginar que a “barakah” de Nosso Senhor Jesus Cristo morreu com os seus primeiros discípulos e não se transmitiu aos discípulos dos seus discípulos de geração em geração até hoje, e que tudo o que restou d’Ele na Terra foi um registro escrito, é fazer pouco do Filho de Deus,

Carlos Ramalhete Daí o nome do *Barack* Obama, aliás.

*

Se a “barakah” de Nosso Senhor não estava viva, presente e atuante no Santo Padre Pio, então, juro, eu sou o Macaco Tião.

*

A melhor coisa de Boston é o “No Name Restaurant”, no mercado de peixe, onde, além de tomar uma sopinha maravilhosa de frutos do mar, conheci um garçom grego, velhinho adorável, que ficou todo comovido com a minha presença ali, pois havia lido alguns dos meus artigos.

Olavo de Carvalho E ainda dei uma entrevista para umas brasileirinhas: https://www.facebook.com/silvio.grimaldo/videos/10154959560910272/?pnref=story

*

ACOMPANHEM:

https://www.facebook.com/EstudosVeritas/?fref=ts

*

Toda idéia de tempo cíclico, se tomada ao pé da letra, é autocontraditória, já que uma sucessão de estados de coisas, se volta exatamente ao ponto em que começou, não sucedeu de maneira alguma, pois sucessão é alteração. Nenhuma sucessão volta ao início. Nossa narrativa dela, ou a contagem que fazemos dos seus momentos, é que subvdivide num número limitado de etapas aquilo que, por si, segue em frente ilimitadamente.

Monteiro Haroldo Então, professor, a figura do círculo na verdade é uma espiral, ascendentemente falando, não? Pois, não seria o alterar uma mudança de plano, porém ligado a uma origem comum que vai se tornando cada vez mais clara e com significado mais abrangente na medida em que os planos forem se sucedendo?!
Olavo de Carvalho Monteiro Haroldo A espiral é também somente uma figura de linguagem, pois um “mesmo” ponto do ciclo, tomado em dois níveis diferentes, NÃO É o mesmo ponto, exceto analogicamente e do ponto de vista da narrativa ou contagem.

*

Todo “tempo relativo” supõe como sua moldura o tempo linear, que não é outra coisa senão a sucessão tomada em seu sentido mais genérico. Dadas diferentes sucessões simultâneas, em ritmos diferentes, cada uma segue internamente a mesma ordem de sucessão, isto é, a mesma linearidade do antes e do depois.

*

A mente humana esperneia em vão contra a idéia do tempo linear porque tem horror ao inexorável e luta para escapar dele como um rato entalado num cano.

*

Quantos não desejariam dar ao tempo as propriedades do eterno, como ao homem as propriedades de Deus!

*

Vaidade das vaidades.