12/4/2017

*

Várias vezes, em décadas passadas, a impossibilidade quase absoluta de infundir nas pessoas do meu círculo mais próximo um lampejo de interesse pelas coisas do espírito me levou ao mais negro desespero e até a contemplar a possibilidade do suicídio. O apego delas à mais mesquinha banalidade do dia-a-dia se erguia diante de mim não apenas como um muro impossível de saltar ou furar, mas como quatro paredes que se estreitavam progressivamente, sufocando-me. Nesse ambiente compressivo e irrespirável, os únicos sinais de vida que chegavam a aparecer tomavam, na mais elevada das hipóteses, a forma da revolta social e da militância comunista. Chegar a enxergar algo para além do círculo de ferro da existência cotidiana, saltar além das próprias necessidades orgânicas, das intrigas de família e das festinhas do bairro surgia aí quase como uma revelação dos céus, um prenúncio de santidade. Entendo perfeitamente o apego desesperado de pessoas como essa gente da Anpuh ao seu sentimento de superioridade, por mais ilusório que obviamente seja, bem como à feroz autodefesa grupal na qual se abrigam contra perigos reais e imaginários. Nisso está o seu único e máximo tesouro espiritual, a sua transcendência, o seu vislumbre do Paraíso.

*

Imaginem um sujeito lendo Hegel no meio de um aniversário de crianças no MacDonald’s, ou da família reunida em torno de um aparelho de TV no qual brilha o show do Faustão. That’s me. Eu aceitava, sem protestar, que me considerassem um irremediável esquisitão, e orava, por dentro, para que Deus me preservasse de odiar aquelas pessoas.

*

Eu orava, é certo, mas nunca deixei de estar consciente de que a religião, tal como ali se praticava, era um dos pilares da mesquinharia ambiente, uma espécie de santificação da banalidade. A possibilidade mais alta, que por vezes se abria no cérebro de chumbo de alguma criatura, era a “teologia da libertação”.

*

O comunismo é a alta cultura da baixa classe média.

*

Se o pessoal comunista não desistiu da sua loucura ao ver o massacre dos pequenos proprietários rurais nos anos 20, os Processos de Moscou na década seguinte, o Pacto Ribentropp-Molotov, a repressão sangrenta das rebeliões na Hungria, na Polônia e na Alemanha, o horror da “Revolução Cultural” na China, a fome e a miséria em Cuba e na Venezuela, não há de desistir só porque o Lula roubou uns poucos bilhões de reais.

*

Quando esse pessoal acadêmico fala de “diversidade”, eles se referem à diversidade de pirocas no cu dos outros.

*

Autobiografias são, muitas vezes, nada mais que vãs tentativas de dar sentido retroativo ao que não teve sentido nenhum. Outras vezes são esforços sérios para descobrir o sentido por trás do que, ao acontecer, parecia gratuito e absurdo.
Outro tanto pode-se dizer das biografias escritas por terceiros, inspiradas pela admiração beatificante ou pela inveja corrosiva.
O fato incontestável é que uma vida de escritor só começa a adquirir forma e sentido depois que começa a realizar-se, e é grande a tentação de explicar como “preparação” tudo o que sucedeu antes, quando na verdade não passou de dispersão e perda de tempo. As experiências inúteis podem, é claro, ser aproveitadas depois como “lições”, mas isso não quer dizer que o fossem na época em que estavam acontecendo. A mim me parece que oitenta por cento da minha vida entre os vinte e os cinquenta anos foram pura perda de tempo — imposta pelas circunstâncias , é verdade, mas aceita, com vergonhosa indolência, pelo meu ego acomodatício.
*
Uma habilidade que reduziu um bocado a quota de tempo perdido na minha vida foi a propensão, ferozmente anti-romântica, de jamais ficar sentadinho na calçada, por anos ou mesmo minutos, implorando que uma mulher me ame. Meu lema sempre foi: Se você não me quer, tem tem toda a razão. Eu também não quereria.
*
Nessas horas eu me imagino transando comigo mesmo e invariavelmente concluo que jamais faria uma coisa dessas.
*
Rodrigo Jungmann Professor Olavo de Carvalho, o senhor diria que adquiriu mais saber depois dos 50 anos?
Olavo de Carvalho Rodrigo Jungmann Pelo menos até os quarenta eu era um idiota convicto.
*

Nunca dei uma cantada em mulher nenhuma. Já ia logo agarrando. Hoje em dia, seria preso.

Paula Karoline Professor…. kkkkkkkkkkk te aguento não! 😂😂😂 Acho que o senhor tem uma veia cearense do humor. Rssss.. Te amooooo!

Quem me ensinou foi a minha primeira namorada. Foi ela que me agarrou. Sábia garota.

*

Um modesto orgulho que tenho na vida é o de jamais ter-me prevalecido de fama ou prestígio para conquistar uma mulher. O que mais me agradava era buscar namoradas em cidades distantes, onde ninguém me conhecia. Era amor à primeira vista ou nada.

Carmela Manna Ferreira Pena que você nunca me viu !
Olavo de Carvalho Corrigiremos isso no Paraíso.

*

Cantada é coisa perigosa. Isto eu vi. Um gaucho, na praia, chegou para a loirona e foi logo perguntando:
— Hei, guria, tu é de Bagé?
Resposta quase incompreensível:
— Eu não fala portuguese.

*

Fazer as pessoas rirem é uma forma modesta mas efetiva de amor ao próximo.

*

Acreditar ainda no comunismo é como tocar punheta pensando numa mulher que já morreu.

Allan Dos Santos Prof. Olavo de Carvalho, seria muito pedir que o sr participasse de um hangout com o Jeffrey Richard Nyquist sobre estes últimos acontecimentos? 🙂
Olavo de Carvalho Nada tenho a dizer a respeito, exceto: “Não estou entendendo nada.”

*

Os professores de literatura hoje em dia repetem como papagaios que um romance é “uma construção lingüística”, sem perceber que com isso tornam praticamente impossível distinguir entre esse gênero e qualquer outro, incluindo a lista telefônica. Os grandes romancistas do passado sempre souberam que (1) O tempo linear é o ÚNICO princípio ordenador de uma vida humana, portanto o do romance também. Pode-se brincar com o tempo no papel, mas não revertê-lo ou alterá-lo na vida real. Romances que não respeitam o tempo linear dificilmente chegam a ser algo mais que brinquedos de papel. (2) Antes de ser uma “construção lingüística”, o romance tem de ser a construção imaginativa de UMA VIDA POSSÍVEL, com uma densidade infinitamente superior à de qualquer seqüência de palavras, por mais lindinha que seja.
Basta isso para explicar por que os escritores gerados pela universidade jamais produzem um romance que preste. Que é que você pensa disso, Rodrigo Gurgel ?

Rodrigo Gurgel Concordo em número, gênero e grau, meu caro Olavo.
Olavo de Carvalho Obrigadão.

*

O fato bruto é que em geral os escritores de hoje em dia já não conseguem, no caos geral, apreender a FORMA DE UMA VIDA HUMANA, e então a substituem por uma “construção lingüística”.

*

Quem proclama que “o presente altera o passado” confunde a “ordem do ser” com a “ordem do conhecer”, o que é tão inteligente quanto comer os talheres em vez da comida.

*

A irreversibilidade do tempo é o dado MAIS SÉRIO da existência humana, o único em cima do qual se pode criar uma vida responsável e significativa. Como dizia Georges Bernanos, só os covardes acreditam que se pode “recomeçar do zero”. E, como dizia George Steiner, “O passado nunca morre. Aliás, nem passa.”

João Emiliano Martins Neto Professor Olavo de Carvalho, São Paulo, o Apóstolo, discordaria dessas idéias de Bernanos e de Steiner, porque o bem-aventurado e santo apóstolo diz em uma de suas epístolas que o cristão é uma nova criatura e que as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo, quando ele se converte.
Olavo de Carvalho João Emiliano Martins Neto O convertido é um homem novo PERANTE DEUS, não perante o mundo físico e social que continua habitando. O perdão dos pecados não exime ninguém das conseqüências de seus atos, nem das penalidades terrenas correspondentes.

*

Os personagens de William Faulkner que revêem o seu passado e chegam à conclusão de que não não significou nada são muito mais sérios do que qualquer professor de literatura hoje em dia.

Lucas Poletto Prof. Olavo, mudando de assunto. O que o sr. acha que a filosofia fenomenológica tanto de Heiddeger quanto de Husserl trouxeram de contribuição empírica à idéia de compreensão do ser? A mim (comecei a estudar agora), o todo dessa filosofia parece muito imaterial e complexa. Não só a linguagem em si, mas o conceito prático da coisa.
Olavo de Carvalho Lucas Poletto Você pode, por favor, fazer essa pergunta na aula?

*

Contribuição da Maria Fernanda Rossi :

https://www.buzzfeed.com/rafaelcapanema/expressoes-com-cu?utm_term=.hcxypjdvn4#.uq8K93dXMz

*

A única razão plausível para quebrar a lógica do tempo linear é aquela que Faulkner teve em “O Som e a Fúria”: representar o mundo tal como aparece na mente de um maluco.

*

“The abandonment of the protective policy by the American government will produce want and ruin among our people. In other words, we have to protect our country.” (Abraham Lincoln)

http://www.wnd.com/2017/04/1-way-to-make-national-debt-vanish/

*

Como destruir uma literatura:

“Há quem nunca perca de vista que o texto é antes de tudo uma construção. E há quem se esqueça de sua natureza linguística deixando-se enganar por sua ilusão representativa.” (Leonardo Tonus, professor livre docente, da Université Paris-Sorbonne.)

Ao contrário: A construção linguística é, depois da mera presença física do livro, a primeira coisa que aparece aos olhos do leitor. A “ilusão representativa” é que frequentemente escapa do seu horizonte de visão. Recuar da representação para a “construção lingüística” é o que você faz automaticamente quando está lendo com sono.

Olavo de Carvalho De novo: Rodrigo Gurgel, que é que você acha disso?

*

O traço mais visível de literatura brasileira atual é a sua temática umbigocêntrica: lésbicas escrevem sobre lésbicas, jovens negros sobre jovens negros, comunistas sobre os males da ditadura militar, imigrantes sobre imigração, etc. Não que seja errado escrever sobre a experiência pessoal. O errado é só ter experiência pessoal daquilo que é igual a você. Essa é a definição mesma de idiotice.

João Emiliano Martins Neto Os católicos romanos brasileiros também só falam de si mesmos, é sempre a mesma obsessão pagã em forma, por exemplo, de gestos e palavras rituais repetitivas e vazias de qualquer sentido bíblico, mas Evangelho, Cristianismo verdadeiro, enfim, justificação somente pela fé: Protestantismo, nenhuma palavra. Edson Camargo
Olavo de Carvalho Experimente Jorge de Lima, Octavio de Faria, Murilo Mendes, Manuel Bandeira…

*

http://www.folhadelondrina.com.br/blogs/paulo-briguet/o-drama-da-professora-que-nao-e-de-esquerda-974855.html

*

Muitas vezes o analfabetismo funcional não é só falta de instrução: é sintoma de uma consciência fragmentária, que se apega a um senso ilusório de unidade por meio da autopersuasão histérica (secundada nisso, é claro, por mitologias grupais). Eu diria mesmo que esse é o estado de espírito GERAL E ENDÊMICO dos universitários brasileiros — professores e alunos.

*

O establishment universitário é o mais perverso inimigo do Brasil. Muito mais que a classe política, que é criatura dele.

*

Vejam como escreve uma criatura que pretende orientar os leitores sobre a literatura brasileira atual:
“Apresenta diversos femininos violentados numa narrativa original e própria ao avançar em construções poéticas, de linguagem e nos modos de nomear deslocamentos e seus corpos e dores periféricas.”
É o mais puro estilo Gilberto Gil. Vocês sabiam que deslocamentos têm corpos e sofrem dores?

*

Estou dizendo que a coisa fede.

https://www.infowars.com/u-s-intelligence-source-syria-chemical-weapons-attack-launched-from-saudi-base/

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s