OdeC, COF, Aula 1.

Juliana Camargo Rodrigues

Reli a aula 1 do COF e tentei ir parando e refazendo alguns exercícios. Eis o meu necrológio de hoje, que não tem nada a ver com o primeiro, nem com o segundo, nem com o terceiro. E está mais sincero, a diferença – para mim – é quase palpável:

“Faleceu hoje Juliana Camargo Rodrigues, mãe, avó e esposa dedicada. Foi escritora e aluna de Olavo de Carvalho. Dedicou metade de sua vida aos estudos propostos pelo professor, com ênfase na formação moral. Católica, tentou apreender dos santos vivos que conheceu e das hagiografias que leu, os seus exemplos. Esperava ir ao menos ao Purgatório, mesmo sabendo de seus pecados.”

Transcrevi a aula um do COF na unha, inteira e sozinha. Não me lembrava de todo aquele trecho em que Olavo fala de Voegelin. Eu estava tão chocada com o COF, era tanto nome novo e tanta coisa dentro de mim, em termos de sentimentos, que eu achava que ia explodir! Razão e emoção juntas. Até então, para mim, filosofia era coisa de gente ociosa, no melhor dos casos. Nêgo que ficava pensando que as coisas só existiam, porque estavam olhando para elas, isso é o que eu achava de filósofo. E na pior hipótese era tudo um bando de vagabundo e maconheiro mesmo. Odiava, não podia ouvir falar. Mas descobri que sem ser pelo menos um bocadinho filósofa, minha existência volta-se a um abismo tenebroso, uma queda infinita de temores e dores.

Olavo atualiza o que de melhor há em mim. Isto não é nenhuma brincadeira.


“Todo o nosso curso é inspirado diretamente na pessoa de Sócrates.” Olavo de Carvalho, COF. Aula 1.

“…esta síntese inseparável da consciência pessoal com o conteúdo do conhecimento é exatamente o que define a
filosofia.” OdeC, COF, Aula 1. Sobre o que é a filosofia e o que era a filosofia para Sócrates, quem inaugura a Filosofia Primeira.

“Nós não podemos esquecer nunca que a primeira filosofia que surge com Sócrates — não com os pré-socráticos, que embora estejam praticando algumas atividades filosóficas não têm ainda uma consciência clara do que seja a filosofia como atividade distintiva — começa como filosofia política, ou seja, começa como meditação e análise crítica não só da sociedade em geral, mas da própria situação social de seus interlocutores.”

«Isto aqui será uma prática constante: você se reportar ao que há de mais alto e de melhor em você, para que você aprenda a se observar e a se julgar com sabedoria, com humanidade, e levando em conta o conjunto daquilo que você sabe. Não adianta nada definir a filosofia como “amor à sabedoria” e estudá-la, se você mesmo não busca a sabedoria dentro de si. E não se trata de uma simples busca pela sabedoria, mas da busca em transformar-se em um sábio.»

«Ortega y Gasset dizia que as únicas idéias que valem são as idéias dos náufragos: na hora em que um sujeito está se afogando, agarrado a uma tora de madeira para não morrer, as coisas nas quais ele ainda acredita nesse momento são sérias para ele; o resto é brincadeira, superficialidade. Nós temos de buscar na filosofia essa mesma seriedade total, porque é ela que vai nos dar o critério do certo e do errado, do verdadeiro e do falso.»

«… eu estava lendo um livro maravilhoso do Jacques Barzun sobre a arte de escrever, em que ele diz que o principal inimigo de um escritor é o medo. Se você ficar com medo de que as pessoas não vão se interessar pelo que você está escrevendo, você não consegue mais escrever e a sua inspiração vai para o brejo imediatamente. E se pensar que o que você escreveu está ridículo, mal feito, você pára também. Ou seja, para escrever algo bem feito você precisa se colocar dentro de um certo foco, e se você perde esse foco, você perde tudo.»

«Se você consegue se colocar problemas de nível filosófico, então você tem a obrigação de desenvolver uma capacidade filosófica para poder raciocinar responsavelmente sobre os assuntos que lhe interessam.»

Mesmo a prática religiosa pode ser motivo de inúmeras perversões cognitivas que a gente deve evitar. Só existe um jeito de adquirir conhecimento: ser sincero para Deus.
Entenda Deus, por enquanto, não no sentido teológico, mas apenas como Observador Onisciente: você está falando de si para alguém que sabe muito mais a respeito de você do que você mesmo, e cada palavra que você disser vai te revelar mais coisas do que você havia percebido antes…

« São as famosas três funções da linguagem do Karl Bühler: (a) a função nominativa, que é dar nome às coisas e descrever a realidade; (b) a função expressiva, que é expressar seus sentimentos e experiências; e (c) a função apelativa, que é a linguagem usada para influenciar a cabeça do outro. No Brasil, atualmente, só existe a função apelativa: todo mundo só fala para influenciar a cabeça das pessoas.»

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