2/4/2017

No convite que recebi do M.I.T., ninguém falou nada de “debate”, muito menos com o Suplicy. Convidaram-me para uma palestra, não para um debate. A Fôia é que decidiu torcer os fatos para o lado que lhe pareceu mais excitante. Coisa de adolescente idiota.

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Nessas porras desses filmes, ninguém sabe se foder calado.

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Quando o sujeito segura o corpo do amigo morto, olha para o céu e grita: “NOOOOOOOOO!”, me dá ganas de gritar: “YESSSSSSSSSS!”

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Você fica com a impressão de que não haveria guerras nem catástrofes se todos os pais fossem bons.

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Mas o que me desperta os mais baixos instintos assassinos é quando o pai de família, depois da merda toda, diz: “Eu sei que eu falhei.”

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Cada vez gosto mais dos filmes antigos, onde, para ser tudo uma bosta, as famílias não precisavam brigar. O bandidão matava todo mundo mesmo assim.

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O mais revoltante é que, na hora do maior perigo, os pais SEMPRE deixam as crianças sozinhas, dizendo: “Esperem aí. Eu já volto.” As crianças invariavelmente respondem : “We will be fine”, e é aí que a merda toda acontece.

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Não aguento MAAAAAAAIIIISSSS esses filmes de Hollywood em que os mais cabeludos problemas de família e de relacionamento explodem justo no momento em que os personagens estão em vias de ser comidos por leões, ursos ou lobos, esmagados por um terremoto ou afogados por um tsunami. O pior é que os filhos da puta sempre se reconciliam no fim.

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No convite que recebi do M.I.T., ninguém falou nada de “debate”, muito menos com o Suplicy. Convidaram-me para uma palestra, não para um debate. A Fôia é que decidiu torcer os fatos para o lado que lhe pareceu mais excitante. Coisa de adolescente idiota.

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Quem contrapõe ou tenta conciliar “fé” e “razão” parte sempre de um equívoco de base. Fé e razão são ambos MEIOS de conhecimento, potências da mente humana, partes e órgãos da nossa subjetividade. Ora, a validade de algum conhecimento não depende do órgão utilizado para obtê-lo, e sim da constituição efetiva, real, do seu objeto. Esta, e não o meio de aquisição, é o juiz soberano da veracidade. Em segundo lugar, a revelação cristã se propaga e se perpetua pela fé, mas não nos foi dada por esse meio, e sim por fatos da ordem histórica que não precisam ser atestados pela fé uma vez que podem ser conhecidos cientificamente — isto é, “racionalmente” — por testemunhos e documentos. Por outro lado, todo e qualquer conhecimento científico depende de um ato de fé inicial que afirma, sem provas, a estrutura racional do mundo. A comparação portanto padece de um desnível cognitivo, vício redibitório que obriga todas as discussões desse tema a culminar, na melhor das hipóteses, numa divisão convencional do território. No meu entender, o problema todo tem de ser recolocado tomando como foco AS REALIDADES abrangidas numa e na outra modalidades de conhecimento, e não nestas enquanto mais. Explicarei isso melhor no COF.

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Paula Felix : O ser humano se aproxima de Deus de duas maneiras: através da ASCESE, que é um esforço próprio, e da MÍSTICA, quando, superada a ascese, passa a ser dirigido pelo Espírito Santo em pessoa. Nada impede que Deus mergulhe alguém em plena mística sem que este tenha passado pela ascese. O que é um absurdo e uma blasfêmia é julgar que essa exceção raríssima — atribuída, por isso, à ação EXTRAORDINÁRIA do Espírito Santo para distingui-la da ação ORDINÁRIA — seja um direito ou um fenômeno geral e universal. Ora, o esforço de elevar-se à alta cultura, portanto à máxima perfeição possível da autoconsciência, é a parte MAIS NOBRE E A MAIS INDISPENSÁVEL da ascese, como meio essencial de transcender o mundo das sensações e elevar-se à contemplação das realidades imateriais. Nesse sentido, NINGUÉM tem o direito de esperar ou de sugerir, mesmo indiretamente e sutilmente, que o aperfeiçoamento intelectual é desnecessário à salvação, ou, mais ainda, à santidade. Só o próprio Deus tem o direito de tornar esse esforço desnecessário, e Ele faz isso muito raramente.

Paula Felix Professor, o Sr me desculpe, mas o aperfeiçoamento intelectual, por mais excelente que seja e mesmo que seja indispensável à esperança de viver melhor aqui, NÃO É necessário à salvação. Porque ninguém, nem o mais culto, o mais genial, o mais asceta dos seres humanos, se eleva até Deus, e precisa, como o mais humilde dos retardados, ser resgatado e elevado. Esse é o motivo pelo qual Salomão, tido como o mais sábio dos homens, pôde apostatar.
Olavo de Carvalho Isso é um jogo de palavras apenas. Todo homem precisa ser resgatado e elevado, mas, se o esforço ascético é desnecessário em todos os casos e sem exceção, também o é a moralidade protestante.

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Não creio que exista no Brasil NENHUM agente político de certa envergadura que não esteja, sabendo ou não, a serviço de agentes estrangeiros. Observo, por exemplo, o discurso patriótico de certos generais que, com razão, denunciam a exploração da Amazônia por ONGs internacionais, mas que, por outro lado, cortejam o PT e, por tabela, as FARC. A raiz desse estado de coisas é o estreitamento geral do horizonte de consciência, que faz dos brasileiros os marionetes nas mãos de forças internacionais que eles enxergam muito parcialmente e cujas concepções de conjunto lhes escapam por completo. Comentarei isso numa das próximas aulas.

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Paula Felix Por causa da promessa feita a Abraão, seu amigo. E é bem possível que essa consciência toda tenha sido provida por Deus EM DECORRÊNCIA DISSO. Mas com certeza não foi a causa, visto que não HAVIA sequer Israel, quanto mais sua consciência histórica, quando Deus prometeu a Abraão o que prometeu.
Olavo de Carvalho Paula Felix Reduzir tudo à ação divina, sem levar em conta a iniciativa humana, é fugir do problema. Dizer que as coisas aconteceram porque Deus quis é, rigorosamente, não dizer nada.

Por que Jesus escolheu nascer entre os judeus, o povo com mais consciência histórica que então existia, e bem dentro do Império Romano, a mais elevada civilização da época?

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A preguiça é a melhor amiga do escritor. Se ele pode resolver o caso em duas linhas, não escreverá três.

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Quanto mais discuto com protestantes, mais entendo os ateus.

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Qualquer sujeito que acredite na predestinação se desobriga, automaticamente, de explicar o que quer que seja.

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O esforço “em espírito e em verdade” precede o esforço moral.

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É preciso MUITO ESFORÇO para se deixar conduzir sem esforço pelo Espírito Santo. Qualquer pessoa com um pinguinho de experiência religiosa sabe disso. E esse esforço é de ordem cognitiva muito antes de ser de ordem moral.

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