15/3/2017

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Reproduzo e endosso a mensagem que acabo de receber do meu amigo Bráulio Porto, de Brasília:

Queridos amigos,

Hoje, 14.03, o embaixador Meira Penna faz 100 anos de idade!
Que vida longa e abençoada!

Desculpem-me pelo longo silêncio. Eu já devia ter trazido aqui há muito tempo notícias sobre o estado de saúde do embaixador Meira Penna.

Infelizmente, o embaixador não está em condições de nos receber em Castália para nossos habituais banquetes socráticos. Está acamado, recebendo alimentação parental, e, com um regime de sono aleatório.
Não consegui conversar pessoalmente com ele nas duas últimas vezes que estive lá. Dona Dorothy, uma das pessoas mais extraordinárias que conheci em minha vida, tem me mantido informado sobre o quadro de saúde de nosso amigo.

Peço a todos que destinem os seus melhores pensamentos e orações para nossos adoráveis amigos de sorte a que possam lidar com o momento difícil que estão passando.

Gostaria de homenagear o Embaixador Meira Penna e Dona Dorothy, por ocasião dessa data especial, com a citação de um de meus sociólogos favoritos, ALBERTO GUERREIRO RAMOS. Um entrevistador perguntou a ele “Que situações em sua vida tem mais contribuído para a sua formação?”. Ele respondeu:

– A pobreza e as relações de comensalidade com os amigos. Uma das mais fortes impressões que recebi na adolescência resultou da leitura de Rilke e de Péguy, dois heróis da pobreza. Ainda que, atualmente, ponha entre parêntesis certos aspectos das obras destes homens, devo-lhes a iniciação no espírito da pobreza como ideal de vida. Ao lado disto, dentre as minhas melhores ocasiões de crescer incluo em primeiro lugar as em que, a pretexto de um cafezinho, de um almoço ou de um jantar, dialogo com os amigos. Em matéria de cultura, meu débito para com os amigos é muito grande. Reconheço-me mesmo, neste terreno, um espoliador de amigos.” (Guerreiro Ramos, “A descida aos infernos”).

É exatamente assim que me sinto em relação ao embaixador Meira Penna e à Dona Dorothy: eternamente grato pelos incontáveis momentos em que eles ofereceram a mim, no Jardim de Castália, generosas doses de inteligência e sabedoria. Que Deus vos guarde pelo Seu poder.

Abraços a todos,

Bráulio

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Pensando bem, jamais tive críticos. Tive apenas delatores, que mostram ser bons meninos quando me denunciam a uma KGB imaginária ou a um tribunal inquisitorial de fantasia, seja católico, seja da igreja reformada.
O tom do que escrevem de mim não é nunca o da crítica, da análise corrosiva ou mesmo da contestação polêmica; é sempre o do informe policial ou da advertência aos incautos contra os riscos da contaminação pecaminosa –como os anúncios do Ministério da Saúde nos maços de cigarros.

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Uma sociedade que ensinou as mulheres a falar no tom de impessoalidade profissional, frio e autoritário, destruiu nelas e em quem as leva a sério a mais elementar percepção estética, base de todo senso do real. A voz feminina é por natureza a mais próxima da infantil — não há nada que se possa fazer a respeito –. e quanto mais uma mulher se esforça para falar como se fosse um cargo público sem gente dentro, mais se parece com uma criança brincando de delegado de polícia. Na mais bem sucedida das hipóteses, a mulher jovem consegue imitar uma velha tia ranheta. Temerosos de parecer opressores machistas, muitos homens aprenderam a não rir diante disso, sem saber que a subserviência fingida escraviza ainda mais que a subserviência natural. No fim tudo se torna um ritual grotescamente mecânico.

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José Osvaldo de Meira Penna é um dos mais originais e criativos escritores brasileiros de todos os tempos, e é um homem que viveu muitas vidas, de tal modo que nada mais no mundo lhe é estranho. Não só como autor, mas como pessoa, é um patrimônio nacional. Felizmente, nenhum órgão público ou instituição cultural lhe prestou homenagem no seu centenário. Seria rebaixá-lo. O mundo oficial brasileiro não passa do dinossauro que ele tão precisamente descreveu em páginas inesquecíveis, luminosas e incomparavelmente divertidas. Esse bicho nojento não tem sequer o direito de falar com ele, quanto mais o de lhe bater palminhas de reverência fingida. Basta a esse grande homem e grande coração o afeto dos amigos, que são muitos e estão espalhados por todo o Brasil.

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Da minha parte, jamais consegui — nem quis — falar com ninguém em tom de impessoalidade profissional. A Roxane até goza da minha cara, dizendo: “Para você, todo mundo é seu parente.”

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Aliás, no fundo nunca senti que tinha alguma profissão. Carrego a carteirinha do Sindicato dos Jornalistas como se fosse o retalho de uma velha fantasia de carnaval, esquecida no fundo do baú.

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Quando criança, eu tinha uma coleção de carimbos e adorava brincar de burocrata, diretor de banco, delegado ou juiz. Toda minha impessoalidade profissional gastei por ali mesmo.

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Eu fingia que uma fila de infelizes se aproximava da minha mesa implorando favores, mendigando um empréstimo ou um “habeas corpus”, e eu tudo julgava com a frieza das leis e regulamentos. Quando me cansava de ser um sujeito importante, ia brincar de mocinho e bandido com os amigos ou rolar com eles ladeira abaixo num carrinho de rolemã até nos esborracharmos na curva da primeira esquina, estourando de rir.

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O conflito no Brasil, nos EUA, na Inglaterra, na Holanda, na França e em toda parte é entre o povo e a elite globalista. E a esquerda — por dinheiro — está decididamente do lado da elite.

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Fake News do dia:

A musa do antitrumpismo, Rachel Maddow da MSNBC, anunciou anteontem que havia obtido, por artes do demo, uma cópia da secretíssima declaração de renda do Donald Trump. Confiante na afirmação da Hillary Clinton, de que o Trump “jamais pagou impostos federais”, ela achava que com isso ia pregar o último prego no caixão do presidente. Só que, quando abriram o envelope, o que se viu foi que ele não só pagou tudo certinho, mas pagou bem mais do que o Obama. Trump, 25 por cento da renda; Obama, 19 por cento.

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Quando os bancos bloqueiam os pagamentos do seu cartão de crédito, dizem que foi para a sua proteção. Põem no seu cu e dizem que foi para tapar o buraco.

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Henriete Fonseca, uma das amigas mais queridas que já fiz neste mundo, faz aniversário hoje. Longa vida e mil beijinhos, Henrie.

Carmela Manna Ferreira E eu sei que foi ela quem te apresentou à Roxane.
Parabéns Henriete!

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O Ciro Gomes é o protótipo do falso esperto: senta na piroca e se vangloria de tê-la esmagado.

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No debate com o prof. Duguin, afirmei que aquilo que ele chamava de “imperialismo americano” não era isso: era o poder da elite globalista que controlava o governo de Washington para usá-lo contra a nação americana e contra o resto do mundo. Vendo a vitória do Trump, ele parece ter captado a mensagem. Agora é o Michael Savage quem, com toneladas de razão, diz que, se os globalistas voltarem ao poder em Washington, os EUA, transfigurados em ditadura socialista, escravizarão o mundo inteiro enquanto a elite globalista esconde suas próprias ações por trás de campanhas contra o “imperialismo americano”.

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Nunca vi alguém jogar a carreira fora por bobeira como o faz o Ciro Gomes. Rezo para que o Bolsonaro não siga o mesmo caminho.

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Com um programa populista e antiglobalista estilo Nigel Farage ou Trump, o Ciro poderia ter sido presidente. Preferiu esvaziar o próprio nacionalismo, afagando a esquerda vendida — conselho do Mangabeira Unger — e tomou no cu.

Marlus de Carvalho Olavão, se ele sempre foi um esquerdoso convicto, como poderia ter seguido esse rumo?
Olavo de Carvalho O Ciro tem o mérito de não ter convicção nenhuma

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Escrevi um livro inteiro — não muito grande, é verdade — para mostrar que seguir Maquiavel é cultivar hemorróida. Mas acho que até agora nenhum político entendeu.

João Emiliano Martins Neto Professor Olavo de Carvalho, o professor Luiz Felipe Pondé acha o Nicolau Maquiavel muito realista.
Olavo de Carvalho É a crença geral, a qual só prova que ninguém leu com atenção.

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Outro que se fodeu por não entender o que é o verdadeiro populismo foi o Itamar Franco. Dar conselho para gente orgulhosa são penas de amor perdidas.

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Se a esquerda estivesse ao lado do povo, eu estaria do lado dela. Mas ninguém pode ficar do lado do povo sem abdicar de um programa cultural que lisonjeia o “beautiful people” e humilha o trabalhador comum; nem sem recusar o dinheiro da elite global.

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Estou com o saco cheio de tentar proteger cus imprudentes.

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Atenção:

http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/o-aborto-cor-de-rosa/

http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/artigo-os-truques-de-barroso-e-psol-para-legalizar-o-aborto/

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