4/2/2017

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Para começar a entender a aventura suprema que é a vida cristã, você tem de se tornar capaz de viver um ou vários amores castos com uma intensidade apaixonada ainda maior que a da mais arrebatadora paixão erótica. Se isso lhe parece estranho ou impossível, leia “A Ladeira da Memória”, de José Geraldo Vieira, que ajuda um bocado.

Rafael Mekaro Serve amores platônicos?
Olavo de Carvalho Rafael Mekaro Não. O amor platônico se dirige a formas ou ideais abstratos. O amor cristão, a pessoas de carne e osso.

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E atenção para este detalhe. Um pouco de platonismo pode ser uma inspiração inicial, mas também pode desviar completamente o foco da experiência.

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O Estado laico moderno confessa não saber distinguir entre o que é religião e o que não é, e ao mesmo tempo quer nos obrigar a respeitar igualmente tudo o que ele chame de religião. Entendem por que em vez de apaziguar os conflitos entre religiões, como prometia, ele os excita até ao nível do genocídio?

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O problema da convivência entre religiões é muito mais complicado do que podem imaginar os pobres teóricos do liberalismo.

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Lembro-me dos títulos de três capítulos que planejava escrever para o meu fracassado livro de filosofia obscena: “Ascensão e queda do pênis”, “O conceito de ‘cu da mãe'” e “O mito da ereção”.

O último capítulo era inspirado numa paráfrase de Nietzsche: “Há muitas pirocas que ainda não se levantaram.”

Infelizmente o projeto broxou.

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Um dos mistérios do amor erótico é que, na vã tentativa de simular a unidade primordial por meios físicos, tudo o que ele consegue, na melhor das hipóteses, é gerar um bebê. Em vez do “um”, produz o “mais um”. Se evita a procriação, não produz nem isso, apenas uma cosquinha agradável.

Marcos M. Grillo Prof. Olavo, uma questão: o amor erótico tem que estar sempre, necessariamente, relacionado à procriação? Pergunto não na perspectiva católica, mas conceitual e filosoficamente. O amor erótico, se não tiver em vista a procriação, mas “apenas” a união íntima entre homem e mulher, seria incompleto ou mesmo impensável?
Olavo de Carvalho Marcos M. Grillo Não. A Igreja só proíbe bloquear a possibilidade da procriação.’

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Uma das melhores cenas do filme “We Were Soldiers” é aquela em que a filhinha do coronel diz que não queria ser católica como ele: queria ser “netodista” como a mãe.

Antunes Fernandes Professor, já assistiu Hacksaw Ridge?
Olavo de Carvalho Não. O Pedro recomenda muito.

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A liberdade de opiniões tem como corolário incontornável, embora geralmente mal reconhecido, a liberdade de não lhes prestar atenção.

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Nada contribuiu para a imbecilização geral como aquelas teorias que reduzem todas as motivações humanas a um fator único: a “ideologia de classe”, o “sexo reprimido”, a “vontade de poder” etc. A única resposta que essas teorias merecem é:
— Tomar no cu.

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A confissão da Odebrecht, de que dava cem mil dólares por mês para as FARC, é a prova cabal da ligação íntima entre o PT e a guerrilha colombiana, que tantos negavam e chamavam de “teoria da conspiração”.

Vanessa Pio Professor Olavo de Carvalho, quando o senhor fez aquele trabalho para a Odebrecht de analisar o desenrolar da CPI das empreiteiras, em algum momento o senhor deparou com o indício ou imaginou que já havia uma conexão com as FARC em andamento e que a empresa tentava evitar que ela fosse rastreada ?
Geraldo Ribeiro Que interesse a empresa teria tido, então, ao contratá-lo?
Olavo de Carvalho Geraldo Ribeiro Para saber o que deveria fazer, e poder então fazer o contrário.

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Antigamente o povo fazia revoluções contra a elite dominante. Agora a elite dominante faz revoluções contra o povo.

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Na minha coleção de antigüidades bélicas, consegui um revolver de serviço do exército suíço, modelo 1882. O número de série da peça é 712, o que significa que foi fabricado no mesmo ano. Está NOVO, como se tivesse acabado de sair da fábrica. Suíços são mesmo foda na engenharia.

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Tive um amigo suíço, de uma família de ferreiros e ferramenteiros que remontava ao século XII, cujo hobby era corrigir os erros de detalhe da Enciclopédia Britânica…

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Contribuição do Elpídio Fonseca :

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Por coincidência, acabo de receber pelo correio o livreto de Pierre Boutang, “Sartre Est-il un Possedé?” (o romance “Os Demônios” de Dostoiévski é geralmente traduzido na Franca como “Les Possedés”).

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Romper com a União Européia não é a mesma coisa por toda parte, algo que se possa aplaudir ou rejeitar em bloco. Para alguns países ocidentais pode ser a salvação, para alguns da Europa Oriental pode ser a escravização à Rússia.

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Pierre Boutang é terrível. Vejam esta frase: “Chamar o sr. Sartre de Diabo pode arruinar a reputação de ambos.”

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Quanto mais admiro Pierre Boutang mais noto a diferença insuperável das nossas vocações. Filósofo de primeira ordem, escritor maravilhoso, ele quis ser acima de tudo um líder, um organizador da militância monarquista, um sucessor de Charles Maurras. Copiá-lo nisso faria de mim o homem mais infeliz do mundo.

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