Ali estava o centro.

Solto no mundo aos quinze anos, sem pai nem mestre nem patota, busquei desesperadamente um ponto de apoio, um centro de gravidade interior. A Providência impediu que eu julgasse encontrá-lo em algum pensamento ou crença, como Descartes; em qualquer coisa que fosse da minha própria invenção, em qualquer produto da minha consciência ou do meu cérebro. Logo entendi que tinha de haver, nas profundezas desconhecidas da minha alma, uma fonte secreta de onde brotava a possibilidade mesma de que eu tivesse uma consciência. Ali estava o centro.

Quem imagina poder compreender um escritor ou filósofo por meio da sua “ideologia” nivela-o à estatura média dos seguidores dessa ideologia, suprimindo justamente aquilo que o diferencia e individualiza, isto é, a única razão que existe para que alguém se interesse pela sua obra.
Pior ainda é quem faz isso enaltecendo, no mesmo ato, a inteligência ou o talento desse autor, como se o único mérito dele fosse o de pensar com mais QI o mesmo que outros pensaram com menos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s