Parasitas da inteligência

Parasitas da inteligência, por Olavo de Carvalho:

”O melhor é não ter auto-imagem nenhuma; é você não ter opinião sobre os outros e nem sobre si mesmo. Para um vida de estudos, uma vida intelectual, isso é fundamental. As opiniões são parasitas da inteligência. Para julgar a conduta alheia, ou a sua própria, bastam critérios objetivos, como os Dez Mandamentos. Você apenas precisa saber se desobedeceu a algum. Se não desobedeceu, esqueça. Se você desobedeceu, há meios rituais para solucionar a situação. Então por que preocupar-se? Não é para gastar muito tempo pensando nisso. Claro que há momentos de crise nos quais a pessoa se depara com o mal que há em si, mas esses são momentos que passam. Eles não devem ser incorporados para o resto da vida.

Todos esses parasitas psicológicos devem ser abandonados por você o mais rápido possível. Existe, evidentemente, uma ética, uma psicologia da vida intelectual. (…) você deve pensar: ‘O que em mim, enquanto obstáculo psicológico, se interpõe entre mim e a realização intelectual que pretendo alcançar?’ Alcançar a realização intelectual é seu dever porque é a sua vocação. E a realização da vocação será cobrada por Deus. Ele questionará: ‘Eu te dei tal dom, e o que fizeste dele?’ Você tem de realizá-lo. Isso não é vaidade. A vaidade entra no momento em que você está pensando na repercussão que isso terá. Neste sentido eu aprendi muito, porque o começo da minha vida foi tão difícil, até os 30 anos, que eu tive de desistir de tudo. Eu disse que queria saber alguma coisa mesmo que não conseguisse contar para ninguém. Eu desisti de qualquer realização externa aos 30 anos. E tendo desistido, curiosamente, fiquei livre para aprender o que bem desejasse aprender. Eu não tinha ninguém para agradar ou desagradar, ninguém estava ligando para o que eu fizesse.

A partir desse momento a sua vida intelectual começa a transcorrer apenas diante de Deus. Apenas Deus sabe que você sabe algo. Deus é a sua única testemunha. Se você misturar desde cedo a realização da vocação com o problema da carreira, você será liquidado. Isso pode ter até uma dimensão religiosa, se você quiser. Isso pode significar o virar as costas para o mundo. O mundo, assim, não exercerá mais poder sobre você. (…) Você só será feliz se tudo o que você fizer tiver apenas Deus como testemunha. O mundo não ligará para os teus feitos, mas você será feliz. Eu posso dizer que é assim porque eu realmente fiz isso. Se depois, por uma série de circunstâncias, você for chamado para desempenhar uma função pública, você a desempenhará com muita força, como eu estou fazendo. Eu não digo que não posso ser comprado, mas vai custar muito caro. Eu não digo que não posso ser intimidado, mas que venham pelo menos cem armados. Eu não digo que não posso ser seduzido, mas precisaria pelo menos de umas 30 mulheres. Tudo isso pode acontecer, pois imune ninguém está.
Não criar opiniões sobre pessoas faz bem e libera uma energia intelectual que você não imagina”. (Princípios e métodos da auto-educação, aula 01)

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