9/2/2017

Já sei, já sei. Lá vem alguém me jogando na cara que eu disse que em política se combatem pessoas e grupos, não idéias e opiniões. Mas quem disse que eu estou fazendo política?

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Se eu quisesse fazer política, com os concorrentes disponíveis no pedaço, já seria presidente desta merda faz tempo. Fui preservado desse destino abominável.

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Eu nunca quis ser nada além daquilo que sou — descontados, é claro, os pecados.

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Para quê iria eu querer ser deputado, senador ou presidente, se na Câmara, no Senado e no Palácio do Governo não poderia nem fumar um cigarrinho?

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A coisa mais importante que entendi nesta vida: não existe unidade da espécie humana fora da Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

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No tempo em que eu estava na esquerda, já reparava neste fenômeno estranhíssimo: os esquerdistas brasileiros copiavam servilmente a esquerda americana e ao mesmo tempo negavam que nos EUA existisse esquerda. Do México para cima, só tinha reacionário.
Até hoje, se você diz que os Clintons são radicais de esquerda — coisa que nos EUA até as crianças do jardim da infância sabem –, sempre aparece um brasileiro ostentando aquele sorrisinho de desprezo superior que, no entender dele, vale por uma refutação infalível.
O tal Diniz Filho é só o caso mais recente que chegou ao meu conhecimento.

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Entre os que me atribuem crimes hediondos e os que me fazem elogios condescendentes, prefiro os primeiros. Não me dão o trabalho de esclarecer nada.

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Tendo sido criado no ambiente da esquerda brasileira, imaginem o meu susto quando aos vinte e poucos anos de idade li, em “The Liberal Imagination” de Lionel Trilling (1950), que a esquerda era a única tradição cultural nos EUA…
Foi um trauma cognitivo.

Geraldo Ribeiro Desde casa foi “criado no ambiente da esquerda brasileira”?
Olavo de Carvalho Desde os 14 anos, na escola.
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O pessoal no Brasil está tão por fora que nem sabe que um movimento cultural conservador nos EUA só veio a existir, precisamente, depois desse livro.
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Só para eu entender que no inglês da América “liberal” quer dizer “esquerdista”, já foi um cu.
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Para complicar as coisas, li o livro do Trilling, primeiro, numa tradução brasileira incompreensível. Como não estava entendendo nada, comprei o original.
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Devo ao Paulo Francis, naquela época remota (quando ele também era esquerdista), a indicação dos livros de Lionel Trilling e Edmund Wilson. Aí descobri Kenneth Burke, Allen Tate, Austin Warren e toda a crítica literária americana, um mundo intelectualmente muito mais rico do que tudo aquilo que no meio universitário da América leva o nome de “filosofia”.
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Não troco toda a filosofia americana por duas páginas de Kenneth Burke.
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A mesma experiência repetiu-se quando conheci os críticos literários ingleses. Não troco a obra inteira de Sir Michael Dummet por uns bons artigos de F. R. Leavis ou William Empson. A diferença é que os críticos literários aprendem a ler. Os filósofos aprendem só matemática.
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Em francês, a experiência é inversa. Não dá para ler Roland Barthes ou Julia Kristeva, mas Louis Lavelle, André Marc, Pierre Boutang, Georges Gusdorf ou Jean-Luc Marion são continentes inteiros.
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Uma das descobertas mais traumáticas da minha vida é que você pode ser um gênio matemático e continuar analfabeto funcional.
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A esquerda é cruel com os seus filhos que são pegos de calças na mão.
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Certas pessoas encontram um grande consolo na idéia de que, quando você morre, os micro-organismos no seu corpo continuam vivos. Cada um tem a imortalidade que merece.
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Um dos fatos mais abundantemente provados da história universal é a influência decisiva que agentes russo-soviéticos exerceram sobre a política americana, ao ponto de moldar decisões vitais do governo de Washington para torná-las mais favoráveis aos interesses da URSS que aos dos EUA.
Só os leigos e os palpiteiros amadores – que infelizmente no Brasil constituem a maioria dos “formadores de opinião” — ignoram esse fenômeno, que entre os estudiosos da área ninguém mais nega.
Documentos, testemunhos e confissões não faltam. A bibliografia sobre o assunto é vastíssima, porém o leitor interessado fará bem em começar por American Betrayal, de Diana West, Stalin’s Secret Agents, de M. Stanton Evans, Blacklisted by History, do mesmo autor, e The Enemy Within, do repórter investigativo neozelandês Trevor Loudon (espetacular versão cinematográfica em http://enemieswithinmovie.com/). Os depoimentos de desertores da Cortina-de-Ferro como Stanislas Lunev, Lev Navrozov, Ion Mihai Pacepa e outros, espalhados pela internet, também ajudam, assim como consultas periódicas aos sites http://www.jrnyquist.com/ e www.aim.org. E notem que estou falando só da atuação direta sobre os governantes, sem nem mencionar a influência soviética nos meios intelectuais, universitários e artísticos, sobre a qual a bibliografia se estende a dimensões transcontinentais.
O leitor deve ter reparado que, só com esse parágrafo, e mesmo excluindo o último tópico mencionado, acabo de sugerir mais material sobre as “medidas ativas” dos governos comunistas no Ocidente do que a maioria dos que no Brasil têm opinião formada sobre o assunto jamais leu ou lerá. Em todo caso, não é a esses que estou me dirigindo. A conversa aqui não se destina às latrinas intelectuais do país.
Mas, como freqüentemente acontece, o que é consenso geral entre estudiosos e pesquisadores é o inverso da opinião reinante na mídia popular e entre os políticos, portanto também entre a maioria dos leigos norte-americanos.
Aí a simples menção à presença de agentes soviéticos nos altos círculos de Washington é repelida in limine como lenda urbana equiparável a invasão marciana, ou, melhor ainda, ora como fantasiosa “teoria da conspiração”, ora como sólida prova da existência de uma “vasta conspiração direitista”, conforme a denominou a Hillary Clinton num memorável “ato falho” freudiano.
A repugnância de tocar no assunto não é de todo ausente entre conservadores e republicanos mais ciosos das boas maneiras que da segurança nacional, mas, obviamente, ela se observa de maneira mais intensa nos círculos “progressistas” e em especial no Partido Democrata. E o motivo é simples: é aí que se encontram os maiores beneficiários e colaboradores da interferência russo-soviética na política americana. Sem a ajuda de organizações comunistas subservientes a Moscou, e mais recentemente de entidades intimamente associadas ao terrorismo islâmico, tipos como Bill e Hillary Clinton, Barack Hussein Obama, Al Sharpton, Loretta Lynch e “tutti quanti” jamais teriam chegado às alturas a que chegaram.
Por isso mesmo é altamente significativo que toda essa gente apele, de repente, à “interferência russa” para explicar a vitória do Trump. É a velha fórmula: Xingue-os do que você é…
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A coisa mais importante que entendi nesta vida: não existe unidade da espécie humana fora da Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Célio Rodrigues Em tempo! Falar em Jesus Cristo sem vinculá-lo à Eucaristia não cairia no mesmo erro dum outro post do senhor, em que nos adverte sobre o abstracionismo das palavras “divindade”, “espiritualidade” etc?
Olavo de Carvalho Célio Rodrigues Não. A unidade da espécie humana é uma coisa, a participação no destino eterno dela é outra coisa. Jesus é a cabeça de toda a humanidade e não somente da humanidade salva.
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É bom ler antes do curso:
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Em preparação para o curso “O Esoterismo na História e Hoje em Dia”, estou trocando umas figurinhas, por e-mail, com um cidadão que é provavelmente o maior historiador de assuntos esotéricos e maçônicos na atualidade (darei o nome na bibliografia do curso). Estou aprendendo coisas do arco da velha. Uma delas é que aqueles que riram quando eu disse que o Príncipe Charles pertencia a uma tariqa são mesmo uns palhaços.
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Quando você ouvir alguém louvar as maravilhas do liberalismo, informe ao cidadão que a Revolução Francesa, ao suprimir as corporações de ofícios, extinguiu junto com elas o descanso semanal dos trabalhadores, só restaurado em 1906.
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O maior “handicap” intelectual dos liberais é que eles pensam que a Inglaterra é o mundo.
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O liberalismo é uma ideologia como qualquer outra: uma mentira central adornada de muitas verdades parciais.
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 A luta política será sempre um confronto de discursos ideológicos. O dever dos intelectuais não é aderir entusiasticamente a nenhum deles, mas servir de contrapeso a todos. A uns mais, a outros menos, conforme as exigências do momento, mas, no fim das contas, a todos.
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Nenhuma opinião política pode estar, ao mesmo tempo, “acima” de todas as ideologias, pairando no céu como uma forma platônica. Não existe nem mesmo linguagem para isso. A busca da compreensão objetiva da política não é uma neutralidade búdica, um repouso celeste: é uma dança, um gingado e um drible entre as ilusões, mentiras e meias-verdades do momento.

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