28/1/2017

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A democracia corrige os seus próprios erros, dizem. É verdade, mas entre o erro e a correção podem se passar muitas gerações — e no fim os prejudicados, em busca de reparações, podem ainda criar novos erros.

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Toda posição, ao dormir, é provisória e se torna desconfortável depois de uma hora ou duas. Quando encontra uma posição definitiva, você vê o seu corpo lá em baixo deitadinho e fica sabendo que está morto.

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Dissolvida, ao menos parcialmente, a parceria com a Rússia, a China tenta dar o golpe do século, assumindo em Davos a liderança do globalismo ocidental sob a promessa de salvar o que resta dele depois do Brexit e do Trump. Dificilmente os globalistas, abalados e em pânico, resistirão à oferta sedutora.

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Ao mesmo tempo, os potentados chineses estão comprando todos os estúdios de Hollywood para tornar-se os senhores absolutos da cultura popular americana e produzir bilionários filmes anti-Trump. A interferência na política americana é aberta, brutal e descarada.

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Em dezembro o Drudgereport, que era considerado o patinho feio da mídia americana, teve o dobro dos views da Fox e da CNN, três vezes mais que o NY Times e que o Huffington Post, quatro vezes mais que o Washington Post, cinco vezes mais que o USA Today e OITO vezes mais que a NBC. É exagero dizer que a véia mídia está moribunda?

P.S. – No ano 2000, o Brent Bozell III me disse que isso ia acontecer, e achei que era exagero.

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Lançar contra um sujeito as mais terríveis e falsas imputações criminais e depois convidá-lo para “debatê-las” é a prova mais evidente de que, no meio do caos moral contemporâneo, os mais baixos instintos podem coexistir em paz, na mente de um psicopata, com o sentimento subjetivo de ser um admirável paladino da liberdade e do direito.
Uma versão mais branda dessa mescla macabra de sentimentos inconexos observa-se nas mentes daqueles que, sem ser capazes de ter semelhante atitude eles próprios, nada enxergam nela de maligno e nem chegam a perceber que a sugestão do “debate” acrescenta o insulto à injúria, fazendo do caluniador um juiz autorizado e do acusado um ingrato que recusa a oportunidade de defender-se perante tão egrégio e idôneo tribunal.

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O que torna tudo ainda mais grave é o seguinte: A coisa mais fácil, hoje em dia, é um expert em informática brincar de gato e rato com alguém que, por ter nascido meio século antes do advento dos computadores pessoais, não tem a habilidade requerida para defender-se com a velocidade instantânea com que as acusações maliciosas se espalham — e até simulam, às vezes, oposição a si mesmas — sob mil assinaturas e outros tantos IPs.

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Qualquer que seja o caso, fiquem avisados do seguinte: Odeio e-mails e nunca envio nenhum que não seja em resposta a alguma mensagem recebida de pessoa que conheço. Com cem por cento de probabilidade, se você recebeu um em meu nome sem ter-me enviado nenhum, é treta.

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Outro dia mencionei os horrores do direito de família americano. Vejam um resumo aqui:

http://www.parentalrights.org/

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Conclusão de setenta anos de experiência: a Terra é um planeta inabitável. Conforto, só no céu.

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Legisladores filhos da puta inventam leis que, é claro, por mera coincidência, com a maior inocência do mundo, sem nenhuma, nenhuminha intenção maligna por mais leve que seja, põem no cu dos negros. Depois saem gritando contra o racismo e pedem verbas para o Black Lives Matter.

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Se os militares quisessem fazer algo pelo bem dos brasileiros, não precisariam nem mesmo intervir na política. Bastaria que se arrependessem de um mal que fizeram e continuam fazendo. Foram eles, e não os comunistas, que inventaram o maldito desarmamento civil, e ainda são eles que mantêm, com severidade draconiana, o povo brasileiro desprovido dos meios de defesa própria. Muitas vezes assumi a defesa das Forças Armadas quando acusadas injustamente, e com certeza assumiria de novo se necessário, mesmo pagando por isso o alto preço que já paguei. Mas não vou me rebaixar a pedir nada a homens que, deliberadamente, insistentemente, continuam entregando os cidadãos, inermes, à sanha de ladrões e assassinos.

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Não tenho pretensões de santidade, não me considero nem me considerei jamais uma alminha pura e intocável, digna de ser guardada num relicário a salvo de todos os males. Conheço meus pecados, e sei que todo sofrimento que se abata sobre mim a esta altura da vida, quando a perspectiva da morte é uma realidade de todos os dias, só pode exercer um efeito purgativo que, na contabilidade geral da existência, resultará em facilitar-me as coisas no Juízo Final.
O que me espanta e me incomoda não é, portanto, o que acontece a mim. É o que acontece com as pessoas que desejam ardentemente criar e me impor novos motivos de angústia. Que se passa nas suas mentes? Por que se rebaixam e se aviltam dessa maneira? Esperam realmente elevar-se e engrandecer-se por meio da bisbilhotice, da maledicência, da calúnia, compensando por inversão masoquista o fracasso e a nulidade das suas vidas? Ou, ao contrário, são apenas profissionais contratados, agindo com a amoralidade fria do pistoleiro pago, esperando que sua necessidade de um dinheirinho e sua incapacidade de obtê-lo de outra maneira as redimam de toda represália moral? Faço-me estas perguntas sempre que tais acontecimentos se repetem, e não encontro respostas. É tudo, no fim das contas, um “mysterium iniquitatis”.

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Tive outro dia um vislumbre do inferno. Não havia ali fogo, nem vulcões, nem feridas purulentas incicatrizáveis. Havia apenas figuras bidimensionais grotescas empenhadas em micagens absurdas, tristes e deprimentes na sua pretensão de ser engraçadas, e o aviso de que isso duraria para sempre, de que nunca mais haveria outra coisa para se ver no universo.

Olavo de Carvalho Talvez fosse o Purgatório,

Daniela Cavalcanti de Gouveia Nao compreendo a condenação eterna.

Olavo de Carvalho Daniela Cavalcanti de Gouveia Nem eu.

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O maior sofrimento das almas evanescentes do Hades é o restinho de ser do qual não conseguem se livrar de jeito nenhum.

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Quando alguém lhe encher o saco, responda com a nova expressão da língua portuguesa:
— Mipôlpi.

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Vários governos já prometeram realizar o plano genial do economista peruano Hernando de Soto, entregando aos pobres os títulos de propriedade das terras que ocupam há tempos. Prometeram e jamais cumpriram. São todos uns filhos da puta. Leiam “O Segredo do Capital” e vejam a oportunidade que vem sendo sonegada ao povo brasileiro.

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