Juliana Camargo Rodrigues

É o seguinte. Brasileiro não costuma ter planos (para além de mal e porcamente uma profissão ou um concurso público). Então, se você está na casa dos 20, tem a oportunidade de ter um Olavo (Portugal não tem nenhum Olavo, creiam-me), faça o plano de quem você quer SER. E aproveite a energia e a saúde da sua juventude para colocar este plano em prática. Não fique passivo, esperando que algo caia do céu, não. Faça! Ouse agora. A sua personalidade ficará fortalecida. Não dê ouvidos àqueles que ridicularizam esse plano ou que o atravanquem com mesquinharias.

O Professor Olavo estudou muita coisa que não era só filosofia política(falo nisso, porque é asism que ele é mais conhecido): teatro, caligrafia, tai-chi e mais uma porrada de coisa. Cada uma dessas coisas que ele estudou, fosse uma arte, fosse uma disciplina do corpo foi criando um espaço na personalidade. Cada uma dessas coisas foi fazendo da personalidade dele o que ele é. Se você ficar aí, molengão ou desanimado porque o meio brasileiro isto, porque a família aquilo, porque não há dinheiro, porque o caralho a quatro; a sua personalidade não se irá criar nem fortalecer e quanto mais o tempo passar, você estará sob uma tensão enorme e ficará desistente, se não desesperado. A partir daí, pode nascer em você um cinismo, um cansaço a respeito de tudo. E esse amargo, essa desistência, é porque você não fez a fortaleza da sua personalidade. Sempre há tempo de fazer. E eu estou fazendo isso por exemplo, quando me dedico ao violoncelo e à música. É deliberado, forçoso, imperativo. Sim, eu tenho prazer quando toco o violoncelo. Mas não é uma coisa para a qual eu tenha nem um talento natural, nem uma herança genética, nem uma influência familiar, nem um estímulo sequer de parte alguma(quer dizer, hoje em dia já tenho, mas se estivesse no Brasil decerto que não). Faço isso quando escrevo, quando rezo, leio algo que eu permito que me transforme, quando me vejo no papel de mãe e por isso tenho de mudar as minhas tendências(preguiça, por exemplo) para que os pequenos tenham um ambiente e um exemplo melhor de mãe etc.

Estas coisas farão você, na verdade. É isso o que fará de você o que você quer ser. E você não pode comparar a energia e a disponibilidade de uma pessoa mais jovem com outra mais velha e que também tem responsabilidades para com outras pessoas que dependem dela(quando já são pais, por exemplo). É bem verdade que muitos jovens podem ter responsabilidades do mesmo calibre(podem ser responsáveis pelo sustento dos pais, por exemplo). Mas neste caso torna-se ainda mais imperativo e urgente o fortalecimento e a dedicação a algo que seja por você mesmo. E não falo numa coisa banal, não é egoísmo isso. Se alguém acusar de egoísmo, já sabe que é treta. Quando falo em ousar, refiro-me a arriscar fazer aquilo que os outros jovens, adultos enfim as pessoas do seu meio vão olhar tortinho seja pelas razões que tiverem; mas que você perceba que esteja no núcleo de quem você quer ser.

Se algo que você planejou faz parte desse núcleo, foque nisto e aja como se fosse um rolo-compressor. Vai, agarra aquilo e continue, pois tudo ao seu redor vai querer puxar você para trás. Tudo e todos.

Desculpe se fui prolixa e não sou muito adepta dos textões do facebook. Mas é isso. Eu já tentei transmitir isso para algumas pessoas, sem sucesso. Mas pode ser que interesse alguém ou até que ajude, então me dei ao trabalho, sabe?

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