15/12/2016

Comer churrasco de urso é duplamente bom: o gosto é uma delícia e você ainda se vinga em nome de todos os alces, vacas, coelhos e até cães domésticos que ele comeu.

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Só agora fiquei sabendo, pela BBC, que, segundo o Carlos Andreazza, que “O Mínimo” já vendeu mais de 300 mil exemplares. Mas sucesso mesmo, segundo a grande mérdia, são os 7 mil vendidos pelos três patetas.

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Nem todos os detalhes estão certos, mas esta é, de longe, a melhor reportagem que já se escreveu a meu respeito. Parabéns, João Fellet:

http://www.bbc.com/portuguese/brasil-38282897?ocid=socialflow_facebook

P. S. – Não creio que a idéia de “intervenção militar” esteja associada necessariamente, na mente dos seus defensores, a um projeto ditatorial.

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TEXTÃO SOBRE A MATÉRIA DA BBC A RESPEITO DO OLAVO DE CARVALHO

Não se fala sobre um filósofo sem mencionar o seu pensamento e suas principais idéias, mas vocês não encontrarão na reportagem da BBC sobre o Professor Olavo de Carvalho nenhuma palavra sobre seu trabalho filosófico — não há nada ali sobre a primazia da consciência individual; sobre a tripla intuição e o intuicionismo radical; sobre o conhecimento por presença; sobre as faculdades cognitivas e o primado da memória; sobre a sinceridade como fundamento do método filosófico; sobre o trauma da emergência da razão; sobre a teoria das doze camadas da personalidade; sobre círculo de latência; sobre a teoria dos quatro discursos; sobre os graus de persuasão; sobre o princípio da autoria; sobre a mentalidade revolucionária; sobre o conceito de paralaxe cognitiva; sobre a teoria do império; ou sobre qualquer outra contribuição do Professor para a Filosofia.

Alguém interessado em defender a reportagem poderia argumentar que esse não era o foco do jornalista e que seu interesse era meramente sociológico, restringindo-se ao desejo de compreender o papel do Olavo no nascimento da nova direita (sic). Ainda assim, e mesmo que se conceda a possibilidade de compreender o papel do Professor no debate público ignorando sua Filosofia, seria necessário dar atenção pelo menos aos aspectos mais visíveis de seu trabalho, o da crítica cultural e o da análise política.

Não é possível compreender o nascimento (ou renascimento) do conservadorismo brasileiro, ou a ascensão do anti-petismo, sem considerar o impacto que livros como “A Nova Era e a Revolução Cultural” (o primeiro a denunciar as estratégias e o projeto totalitário do PT, ainda em 1993), “O Imbecil Coletivo” e “O Jardim das Aflições”, junto com os artigos e ensaios publicados pelo Olavo em um punhado de jornais e revistas, tiveram sobre toda uma geração de escritores e estudiosos, que, mais tarde, repassaram as idéias do Olavo para outras pessoas, que, por sua vez, as repassaram a outras e, assim sucessivamente, até que essas idéias chegassem a pessoas que talvez nunca tenham ouvido falar nele. Isso para não mencionar seus cursos e a influência mais recente do True Outspeak, de mais de uma centena de hangouts, e do livro “O Mínimo que você precisa saber para não ser um idiota” (citado apenas de passagem pelo jornalista).

Comparem essa reportagem com reportagens análogas, que têm por finalidade apresentar ao grande público as inspirações intelectuais de outros movimentos ao redor do mundo, e vocês se darão conta do quão ruim ela é. Leiam, por exemplo, as reportagens que foram escritas sobre o Stéphane Hessel, a principal influência do Movimento Indignados da Espanha, ou sobre Slavoj Zizek, uma das principais influências do Movimento Occupy Wall Street, e vocês verão como se escreve o perfil de um intelectual que exerceu alguma influência sobre movimentos populares.

O destaque negativo da reportagem fica com os acadêmicos entrevistados. Pablo Ortellado, Carlos Melo, Geovani Moretto e Danillo Bragança não passam de palpiteiros e entrevistá-los não faz nenhum sentido.

Danillo aparece na reportagem como representante da “filosofia da academia”, o que me parece inexplicável já que ele é professor de Relações Internacionais e seu único contato com a “filosofia da academia” se deu em um curso de licenciatura da UERJ, universidade que, ironicamente, tem no quadro de professores do Departamento de Filosofia pelo menos um aluno do Olavo: Rogério Soares da Costa. Além do próprio Rogério, o repórter poderia ter entrevistado o Professor Rodrigo Jungmann da UFPE, o Professor Ernildo Stein da UFRGS, o Professor Gonçalo Armijos Palácios da UFG, o Professor Alexandre Costa Leite da UnB, e uma porção de outros representantes da “filosofia da academia” que têm o trabalho filosófico do Olavo na mais alta conta.

Geovani Moretto aparece apenas para dizer que o Professor Olavo é hoje um “dogmático”, seja lá o que isso significa.

A Carlos Melo é reservada a função de dizer que o Foro de São Paulo não passa de um mito, explicando a ascensão da esquerda como um processo natural (como se houvesse algo de natural em movimentos ideológicos) e apresentando um dos argumentos mais risíveis que já li sobre o assunto — o de que a derrota da esquerda em vários países da nossa região demonstra que não havia unidade estratégica entre os membros do Foro (como se a unidade estratégica levasse a algum tipo de invencibilidade).

Pablo Ortellado completa o festival de asneiras com a afirmação de que o Olavo perdeu a influência por ter brigado com todo o mundo — quem é que vende 320 mil livros e vê seu nome estampando cartazes em manifestações populares após perder a influência?

Isso tudo é jogado no meio de miudezas episódicas adornadas por uma menção à Desciclopédia (!!!) aqui, por uma informação desnecessária sobre o casamento do Olavo ali, e por uma insinuação de que ele defende a intervenção militar acolá, fazendo com que salte aos olhos a incapacidade do jornalista de distinguir o essencial do acessório, o central do marginal e o primordial do secundário. É por isso que eu digo que, no Brasil de hoje, o Olavo é um hápax legómenon (https://goo.gl/8BG7Ov) — um personagem tão singular no contexto cultural em que está inserido que acaba por se tornar indecifrável para seus pares, perturbando a comodidade das nossas taxonomias preguiçosas e da categorização fácil.

Seja como for, é sempre bom ver alguém ignorando o decreto do Milton Temer e falando sobre o inominável Olavo de Carvalho na grande mídia, estendendo a milhares de pessoas a oportunidade que eu mesmo tive cerca de dez anos atrás.

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Josias Teófilo Mandei o seu texto pro João Fellet, Filipe, e ele disse que gostaria de escrever outra matéria focada no lado filosófico no futuro.

Quem diria que sairia uma matéria tão interessante sobre Olavo de Carvalho logo na BBC? Acho que temos algo a aprender com isso: como é importante se abrir para o diálogo com a mídia tradicional. Eu tenho tentado isso com O Jardim das Aflições, e nós conseguimos espaços que nem imaginávamos com o filme – por exemplo, matéria de página inteira com foto de Olavo num caderno de cultura. E isso sem termos uma assessoria de imprensa – só um release, fotos em alta resolução e boa vontade para atender jornalista. Isso pode ser conseguido pelas editoras que fazem crowdfunding, por Bonifácio, pelo Brasil Paralelo. A internet é um meio excelente para divulgar, mas nós não podemos esquecer dos meios que estão lá fora.

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SONETO DE NATAL 2016

Olavo de Carvalho

Nasceste neste mundo sem sair do eterno
E para lá voltaste sem sair daqui.
Discursaste aos demônios no fundo do inferno
Sem nem descer do Trono que pertence a Ti.

Ferido e mutilado no topo da Cruz,
Resgatavas da morte eterna os Teus algozes,
Que ao pregar no madeiro duro os Teus pés nus,
Sorviam com delícia as Tuas dores atrozes.

Não perdeste nenhum dos que o Pai Te entregou,
Mesmo os que relutavam em seguir Teus passos,
Sem saber que só em Ti podem dizer “Eu sou”.

Salva-nos por Teus méritos, Encarnação
Do Verbo, pois os nossos são falsos e escassos
E nem para louvar-Te jamais bastarão.

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Comparando com os políticos e com os juízes do STF, começo a achar que Macunaíma tinha até caráter demais.

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O Brasil só entrará nos eixos quando cada pai de família, devidamente armado, for o guardião da sua casa e da liberdade de todos.

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Perguntar não ofende: Se o homossexualismo é natural e portanto defensável por estar onipresente no reino animal, por que não entendem que a dominação machista também é? 

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A única espécie animal onde as fêmeas mandam são as hienas — e elas vivem rindo umas das outras.
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Vivendo e aprendendo: tigres, na época do cio, transam cinqüenta vezes por dia. Depois passam meses no toco.
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É o que eu digo: Não esperem os militares. Vão em frente, eles virão atrás se for preciso.
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Espero que D. Paulo Evaristo Arns tenha alcançado o arrependimento e a salvação. É o que desejo sinceramente, mas isso não é motivo para esquecer o episódio em que ele passou bem perto da vida da minha família. Quando minha mãe se demitiu do emprego a que se dedicara por muitos anos na Cúria Metropolitana de São Paulo, notou que estava sendo prejudicada no acerto de contas. Vendo que seus pedidos de revisão dos cálculos eram vãos, solicitou a ajuda do meu irmão Luiz Paulo, que irrompeu na sala do então cardeal-arcebispo e lhe disse na cara dura: “Isto aqui é um bordel e você é um proxeneta.” NA MESMA HORA os cálculos foram corrigidos. Nada como a psicologia.
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Quanto à senadora Grazziotin, ela só confirmou algo que sempre suspeitei: P. C. do B. quer dizer “Pau no Cu do Brasil”.
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O Felipe Tavares achou que o “Soneto de Natal” era do Bruno Tolentino. Foi o maior elogio que um poeta bissexto já recebeu.
Rodolfo Braga Pensei em pedir a um amigo meu formado em composição e leitor do senhor, professor Olavo de Carvalho (que aliás me introduziu à sua filosofia e obra), que possui muito bom gosto, para musicá-lo. O senhor autorizaria?
Olavo de Carvalho Por que não? Mas é difícil, porque o poema foi criado com a idéia de um homem falando interiormente com Jesus.
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Não sou de direita, nem de esquerda, nem de porra nenhuma. Sou da mamãe.
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Espero que D. Paulo Evaristo Arns tenha alcançado o arrependimento e a salvação.
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@josiasteofilo O seu filme é DO CARALHO. Ainda que o personagem não fosse eu, eu diria do mesmo modo: Todo mundo tem de ver isso. https://t.co/pviMXCkzn3
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There’s coming a shitstorm:
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Vão começar por censurar esta?
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Um dia agradecerei ao Facebook o espaço cedido durante estes anos e, sem mágoa, lhe direi adeus. Foi bom enquanto durou.
Silvania Beatriz Delduque Querido Professor Olavo de Carvalho, não nós abandone, por favor!
Olavo de Carvalho Nem cagando.
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A coisa que mais me dá no saco são elogios diminutivos, daqueles em que o sorriso de gentileza fingida mal encobre o rosnado.
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Praticamente nenhum político de Brasília merece continuar no cargo, mas o que interessa não é só trocar de políticos. O Brasil já tem uma das taxas mais altas de renovação da classe política em cada eleição, e isso não diminui em nada o número de corruptos nem o montante da roubalheira. O que interessa é o povo ter instrumentos de controle sobre os políticos e meios mais rápidos e eficazes de mandar para casa os que não prestam.
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Boa! Vamos mandar tudo quanto é incelença tomar no cu.
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