Olavo x padre Elílio Matos Júnior

Professor Olavo de Carvalho, ontem eu publiquei este recorte de um artigo de sua autoria: “A realidade de Deus é para mim uma evidência invencível.” Então o padre Elílio Matos Júnior fez o seguinte comentário: “Como ele tem acesso a esta evidência, já que nega – contra a doutrina católica – a capacidade da razão de provar suficientemente a existência de Deus?” Imaginei que o senhor mesmo pudesse responder.

Ruth Tomazi Padre que curte Carta Capital… Desculpe, amigo Marlon, o Prof.Olavo de Carvalho, já respondeu muitas vezes. A pergunta do Pe. é desonesta e capciosa.

Elílio Matos Júnior Deixe de ser desonesta. Eu também poderia dizer de você: pessoa que segue Olavo de Carvalho… você acha que isso é honesto intelectualmente? Não tenho medo de suas insinuações. Venha para o debate e deixe os argumentos ad hominem.

Elílio Matos Júnior Você acha que esta posição do Olavo é compatível com o dogma da Igreja segundo o qual podemos conhecer COM CERTEZA a existência de Deus pela razão natural?

https://www.youtube.com/shared?ci=NR637cknXN4

Ruth Tomazi “Se você quer ‘provar que Deus existe’ — ou que não existe –, tem de admitir a existência de um domínio chamado ‘existência’, que O transcende e no qual Ele está ou não está. Isso é coisa de maluco.”
“O raciocínio lógico tem em si as razões da sua ‘validade’, mas não da sua cognoscibilidade. O raciocínio lógico seria impossível sem a percepção intuitiva da igualdade de duas proposições. Não há ‘conhecimento racional’, só conhecimento intuitivo.”
“Como percebo a unidade de duas proposições num silogismo? É por outro silogismo, e mais outro e mais outro ainda, ou é por uma intuição imediata da forma?
Intuição é: percepção imediata de uma presença.
Por baixo ou para além da intuição, só existe o ‘conhecimento por presença’ que a torna possível.
Em vez de se esforçar para ‘provar’ alguma coisa, o filósofo se dedica a perceber e expressar depois de aprender a abrir-se à presença.
Todas as nossas intuições são instantâneas. Só o conhecimento por presença me informa da continuidade do mundo. A razão pode reforçar as razões de crer nela, mas não pode ‘prová-la’, já que toda possibilidade de prova se assenta nessa mesma continuidade.
‘Provar’ é coisa de contabilistas e policiais. O filósofo pode estimular a intuição para que seus ouvintes percebam o que ele percebeu, mas não provar algo a quem não percebeu nada — e quem percebeu não precisa de prova.
Provas só servem para dar validade social a uma crença esquemática, que simboliza de maneira distante e vaga alguma intuição originária.
Um filósofo de verdade não faz a mínima questão de que suas conclusões adquiram validade social — apenas de que sejam confirmadas por quem percebeu o que ele percebeu.
Minha própria continuidade não pode ser percebida como objeto de meus pensamentos, mas se impõe a mim de maneira avassaladora como condição ‘sine qua non’ da minha possibilidade de pensar. Que não dizer, então, da continuidade do Ser como um todo?”
Olavo de Carvalho.

Elílio Matos Júnior Raciocínio tortuoso, nada claro e distante de Santo Tomás. A igreja defende que a existência de Deus pode ser PROVADA, COM UM RACIOCÍNIO, a partir das coisas criadas.

Olavo de Carvalho Elílio Matos Júnior E como, ó sábio, provar o que quer que seja sem ter a apreensão intuitiva da identidade de duas proposições?

Elílio Matos Júnior Olavo de Carvalho Não estou discutindo esta questão, mas a afirmação de que as provas filosóficas de Deus não são cogentes.
Olavo de Carvalho Elílio Matos Júnior Eu não disse nada disso. O que eu disse foi que todas as provas, e a possibilidade mesma de qualquer raciocínio, dependem de um conhecimento anterior, que é o da continuidade temporal da própria consciência. Esta afirmação é apodíctica e a sua raivinha pueril nada pode contra ela.
 
Elílio Matos Júnior Olavo de Carvalho Baseei-me num vídeo antigo em que o senhor diz que as provas da existência de Deus são, no máximo, prováveis. Não se trata aqui de desafiar o senhor, a quem respeito, mas de debater uma questão filosófica. Os seus alunos me encheram de ataques pessoais sem ao menos me conhecerem.
 
Aldrin Taborda Elílio Matos Júnior Respeita-o chamando de “guru”?
Olavo de Carvalho Elílio Matos Júnior As provas da existência de Deus demonstram a NECESSIDADE LÓGICA dessa existência, não a sua FACTUALIDADE. Ademais, toda prova lógica só pode demonstrar a existência de “algum:” deus, no sentido genérico, não a de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, mas, como este á o único Deus que existe, a prova genérica é necessariamente insatisfatória. A fé exige algo mais.
Elílio Matos Júnior As provas a posteriori partem das coisas criadas e concluem COM CERTEZA pela existência de Deus. O raciocínio não é puramente lógico. Parte da realidade contingente e, para que esta realidade não seja deixada na sua contingência, o raciocínio leva necessariamente a concluir por uma REALIDADE que seja a razão necessário da contingência, já que o contingente não se explica a si mesmo.
 
Elílio Matos Júnior Aldrin Taborda para muitos alunos ele se transformou nisso, mas não fiz juízo sobre ele em si mesmo, que, confirmo, respeito, embora não concorde com certas posições suas.
 
Elílio Matos Júnior Olavo de Carvalho É claro que as provas filosóficas da existência de Deus não alcançam a vida íntima de Deus (Trindade). Elas atingem a Deus como princípio do Universo contingente, e só na medida em que é princípio.
Olavo de Carvalho Elílio Matos Júnior Você está dizendo que a prova lógica não é puramente lógica porque toma como premissa a existência das coisas criadas? E desde quando a factualidade das premissas confere ao raciocínio lógico a capacidade de provar algo mais que uma necessidade lógica? Dizer que existe alguma prova lógica da existência de Deus É O MESMO que dizer que a existência de Deus é logicamente necessária.
Elílio Matos Júnior Não é uma prova lógica, mas uma prova que parte da realidade contingente. As provas partem de uma REALIDADE e concluem pela REALIDADE de Deus sob pena de a realidade de que se partiu não ser explicada. E é claro: usando a lógica.
Olavo de Carvalho Eu não disse que não se pode provar a existência de Deus, Só disse que não se pode atribuir a Ele a “existência” no sentido em que este termo se aplica às coisas criadas, O distinto parece nunca ter ouvido falar de “analogia entis”.
Elílio Matos Júnior O senhor tem todo direito de ter mudado de ideia, mas neste vídeo o senhor disse que as provas filosófica da existência de Deus não são cogentes.

Você acha que esta posição do Olavo é compatível com o dogma da Igreja segundo o qual podemos conhecer COM CERTEZA a existência de Deus pela razão natural?

Elílio Matos Júnior Tenho respeito pelo senhor porque é um estudioso, embora não concorde com todas as suas posições, mas muitos de seus alunos têm se valido do desrespeito, de ataques pessoais e de xingamentos. Não acho produtivo.
 
Ruth Tomazi Respeita NADA! O Sr. chamou o Profº Olavo de Carvalho de guru. E, ainda: “Deixe de ser desonesta. Eu também poderia dizer de você: pessoa que segue Olavo de Carvalho… você acha que isso é honesto intelectualmente?” Elilio Matos Junior.
Olavo de Carvalho Elílio Matos Júnior Eu não disse que as provas lógicas são apenas prováveis. Disse que são insuficientes, porque a lógica, por si, não pode provar a existência de nada, apenas a necessidade lógica dessa existência, mas, como não existe existência genérica e o próprio Deus não é uma generalidade e sim uma PESSOA real e concreta, a prova lógica deixa escapar o principal, a não ser que seja complementada pelo conhecimento intuitivo direto da AÇÃO divina no mundo, Aí a certeza não é só a da existência de “algum” Deus, e sim a do NOSSO Deus.
Elílio Matos Júnior Olavo de Carvalho As provas aplicam a lógica na realidade, não se baseiam numa lógica “por si”. Por si, a lógica só trata da forma do pensamento. Mas as provas são outra coisa. Pertencem ao ramo da CIÊNCIA metafísica, que se vale da lógica, mas que temVer mais
 
Elílio Matos Júnior Ruth Tomazi Eu PODERIA dizer. Não caí na esparrela de julgar você por quem você lê.
 
Ruth Tomazi Então deveria ter dito exatamente isso, não precisava usar o nome do Prof. Olavo para me descredenciar. Traduzindo, o Sr. escreveu: “pessoa seguidora de Olavo de Carvalho“, e o fez pejorativamente, como se isso, por si só, já servisse para me invalidar o que eu disse. E, é tão falso que agora diz ao Professor que o respeita!
Olavo de Carvalho Elílio Matos Júnior Você está dizendo que a prova lógica não é puramente lógica porque toma como premissa a existência das coisas criadas? E desde quando a factualidade das premissas confere ao raciocínio lógico a capacidade de provar algo mais que uma necessidade lógica? Dizer que existe alguma prova lógica da existência de Deus É O MESMO que dizer que a existência de Deus é logicamente necessária.
Elílio Matos Júnior Ruth Tomazi Você quem me desrespeitou primeiro e várias vezes, descredenciando-me pelo que eu curti. E outra: eu não tenho medo de admitir erros e pedir perdão se necessário. Você me julgou várias vezes sem me conhecer.
Olavo de Carvalho Elílio Matos Júnior O que você diz da Ruth Tomazi, “Você me julgou várias vezes sem me conhecer” aplica-se perfeitamente ao que você está fazendo comigo. Se o meu curso é um CURSO, isto é, um PERCURSO, você tem de apreender o trajeto inteiro até o fechamento de cada conclusão em vez de tomar um trecho isolado como se fosse um todo, como se o assunto não viesse a ser trabalhado de outras maneiras nas aulas seguintes,
 
Elílio Matos Júnior Olavo de Carvalho A lógica é o meio no qual a inteligência vive. É impossível renunciar a ela se se quer pensar. Mas podemos aplicá-la ou não à realidade. Se não a aplicamos, temos a lógica formal. Se a aplicamos, temos a ciência. As provas são científicas porque querem mostrar – e mostram – qual é o fundamento da realidade.
 
Elílio Matos Júnior Olavo de Carvalho Não estou julgando a sua obra. Devo reconhecer-lhe o mérito de aproximar muitos jovens da Igreja. A minha questão toda se refere aos dizeres do vídeo sobre a existência com os quais eu não concordo.
Olavo de Carvalho Para encerrar esta coisa: Se a lógica pudesse provar algo mais que a necessidade lógica da existência de um Deus genérico, se ela pudesse, partindo da existência das coisas criadas, provar a existência do NOSSO Deus, a revelação seria inteiramente desnecessária e a Encarnação seria apenas uma redundância. Fim de conversa.
Olavo de CarvalhoA diferença aqui é a seguinte: Dou por pressuposta a teoria de Sto. Tomás e tento raciocinar A PARTIR DELA em vez de simplesmente repeti-la. Tal é a obrigação do filósofo. Por essa via, pergunto: Se provamos apenas a necessidade lógica, maximamente cogente, da existência de “um” Deus criador, provamos apenas a existência de um Ser genérico, não a do NOSSO Deus, Esse Ser genérico existe independentemente e acima das Três Pessoas da Trindade? Se respondemos “sim”, somos muçulmanos; esse Ser é exatamente o que se entende por “Allah”. Mas se sabemos, pela Revelação, que o Único Deus que existe é o das Três Pessoas, é claro que não podemos nos contentar com a prova lógica e temos de levar a investigação adiante. A partir desse ponto o Pe. Elilio não entende mais nada e sai lançando anátemas sobre o que não entende.
Olavo de CarvalhoSto. Tomás, na “Suma Contra os Gentios”, deixa claro que a prova da existência de Deus pela dos seres contingentes é válida igualmente para os cristãos, os judeus e os muçulmanos. É portanto evidente que essa prova trata de “um” Deus genérico e não do NOSSO Deus em particular. Não deveria ser preciso ensinar isso a alguém que entra em campo brandindo o seu diploma da Universidade Laterana.
Olavo de CarvalhoSegundo o Pe. Elilio, portanto, o Deus dos muçulmanos é O DEUS VERDADEIRO.
Olavo de CarvalhoO problema maior, em toda essa discussão, é que o Pe. Elilio nem sequer percebeu que no trecho gravado a que ele se refere o ponto em questão não era a existência de Deus, nem a prova dela, e sim apenas a natureza de toda e qualquer prova lógica.
Olavo de CarvalhoÉ muita pressa de parecer santinho na base da difamação.
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3 comentários sobre “Olavo x padre Elílio Matos Júnior

  1. Que transcrição tendenciosa! Cortou trechos importantes dos dois, ao mesmo tempo que deixou comentários de pitaqueiros.
    O mais importante que faltou foi o seguinte:
    Olavo de Carvalho Foi evidentemente um erro de expressão. Dizer que a certeza lógica não dá certeza lógica não faz sentido. O que eu quis dizer foi que essa certeza lógica, sendo genérica, não dá certeza quanto à existência do Deus DOS CRISTÃOS.
    Elílio Júnior Olavo de Carvalho Com este acréscimo feito agora, o senhor corrige a fala e eu estou inteiramente de acordo.

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