Os militares foram OS ÚLTIMOS

“Seria ótimo se os cultores do intervencionismo militar soubessem que em 1964 os militares foram OS ÚLTIMOS a entrar em ação contra o governo Goulart: foram antecedidos por quase todos os governadores de Estados, pela quase totalidade do Senado e da Câmara, pela grande mídia inteira, por toda a alta hierarquia da Igreja Católica, pelo empresariado em peso e por centenas de organizações da sociedade civil. E mesmo assim o primeiro general a colocar suas tropas em movimento, Olympio Mourão Filho, fez isso sem consultar os seus colegas de farda, que desejavam uma ação mais discreta.
Agora querem que os militares se mobilizem sem NENHUM apoio das classes dominantes, escorados tão-somente nos sentimentos difusos de um povo disperso e desorganizado.
Se querem mesmo uma intervenção civil-militar, como dizem, quando vão começar a fazer as cabeças dos empresários, dos bispos católicos e protestantes, dos donos de empresas de mídia, de todos aqueles, enfim, que já têm nas mãos os meios de organizar a massa popular?
Sem apoio das classes dominantes pode-se fazer uma REVOLUÇÃO POPULAR, mas para isso é preciso uma massa organizada e adestrada durante décadas, a qual, no momento, não existe.
Uma “intervenção militar” em vez disso, requer absolutamente o apoio das classes dominantes, o qual também não existe.
Não é impossível, no entanto, uma INTERVENÇÃO POPULAR, anárquica e desorganizada o quanto seja, que, embora de resultados incontroláveis, sirva no mínimo para despertar a consciência das classes dominantes, inclusive a militar.” (Olavo de Carvalho)

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